O artigo foi publicado no jornal Il Manifesto, 06-05-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto. Eis o texto.
A transformação do ambiente, do qual extrapolamos alguns exemplos que já levavam em conta as respectivas implicações psicológicas, remete a um novo tipo humano em formação. Ele foi denominado com a feliz expressão “radio-generation”, geração radiofônica. É o tipo de homem cuja essência é definida pela incapacidade de realizar experiências pessoais, um homem que deixa que as experiências sejam preparadas pelo aparato social, que se tornou extrapoderoso e impenetrável, e que justamente por isso não consegue chegar até o estágio da formação do eu, até a “persona”.
Segundo as teorias da psicanálise ortodoxa, um tipo humano que fracassa a tal ponto na formação do eu deveria ser classificado como neurótico. O conceito de neurose, porém, implica determinados conflitos com a realidade. Mas a partir do momento em que a geração radiofônica se priva da possibilidade de formar um eu próprio, adequando-se passivamente à realidade, e a partir do momento em que justamente em virtude da falta de um eu ela parece se integrar sem nenhum conflito à realidade, o conceito de neurose não pode ser aplicado sem algumas reservas. Se todos aqueles são doentes – e há ótimos motivos para acreditar nisso –, eles não são, em todo caso, mais doentes do que a sociedade em que vivem. Continue lendo “A fria felicidade do homem imagem”





