Debate. Exploração mineral está na mira dos políticos, que querem mudar modelo de concessão
Brasília. As grandes mineradoras do país não ficaram satisfeitas com a proposta de um novo marco regulatório para a mineração, apresentada nesta semana pela Câmara dos Deputados. Representantes das empresas que controlam as jazidas mais rentáveis discordam de mudanças no processo pelo qual obtêm o direito de uso e exploração do minério.
Para os empresários do setor, o Código Brasileiro de Mineração foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988, ao contrário do que argumentam os defensores da nova legislação – para quem os mineradores, se quiserem o direito de uso e exploração das jazidas, devem submeter-se a licitação pública, que escolha vencedor aquele que mais contrapartidas oferecer ao poder público.
Deputados mineiros querem explicação de mineradoras sobre avanço em áreas ambientais e uso de água dos rios do Estado
Brumadinho: mineração acelerada é impulsionada pela demanda por matérias-primas
O avanço da mineração nas serras de Minas Gerais e a utilização intensiva de água nos minerodutos serão alvos de audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) no próximo dia 14. Nos últimos meses, o Hoje em Dia tem publicado diversas matérias sobre os temas, o que motivou o requerimento da audiência. Além de utilizar, sem nenhum ônus, a água dos rios mineiros, as mineradoras também avançaram sobre santuários ecológicos do Estado, com destaque para as Serras do Gandarela, do Caraça e da Canastra.
Para o autor do requerimento, deputado Rogério Corrêa (PT), entre os objetivos da audiência, está a busca de esclarecimentos a respeito da pressão das mineradoras sobre os pequenos produtores rurais e a “benevolência com a qual o Estado trata as empresas do setor”. Continue lendo “Minas e minerodutos entram na mira da Assembleia Legislativa”
Jorge Semprún, militante destacado do Partido Comunista Espanhol durante os anos difíceis do franquismo e escritor de grande talento, faleceu em Paris na última terça-feira, 7 de junho, aos 87 anos. Sofria, há alguns meses, de um tumor no cérebro.
De Semprún pode ser lida em português sua famosa Autobiografia de Federico Sánchez (tradução de Olga Savary, Rio de Janeiro, Editora Paz e Terra, 1979). O livro ultrapassa as reminiscências de sua militância no Partido Comunista Espanhol e da resistência democrática e popular ao regime franquista.
Como destaca Semprún no primeiro capítulo do livro, “o tema das relações do intelectual com o partido, e mais amplamente com o movimento operário em geral, é um dos assuntos principais deste ensaio de reflexão autobiográfica” (p. 18). Continue lendo “Morreu Jorge Semprún”
O Seminário Racismo e Antirracismo é um projeto de extensão realizado pelo Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Universidade Federal da Grande Dourados, que busca dialogar com os educadores de Dourados e região sobre o papel importante das escolas para acabar com os preconceitos raciais.
A quarta edição do evento foi realizada nos dias 11, 12 e 13 de maio de 2011 e contou com grande presença dos professores da rede pública de Dourados e ainda com muitos acadêmicos das Licenciaturas e de cursos de Pedagogia.
Esse público assistiu a duas palestras, uma sobre Racismo Ambiental e outra sobre Estética e Racismo. O Seminário ainda ofereceu um minicurso sobre Arte Africana e outro sobre o Desafio profissional: compreender o outro para ensinar, com a professora Edilaine Fernandes Moraes da escola indígena Tengatui Marangatu. Continue lendo “Dourados, MS – IV Seminário Racismo e Antirracismo”
Prostituta e cliente em um bar. Elas dançam, bebem e conversam com “os amigos” antes do programa
Por Maria Laura Neves (texto) e André Vieira (fotos)
Foi em uma briga por causa de terras que Silvia de Alcântara, 25 anos, moradora de Jaci, foi baleada e perdeu o marido, o fazendeiro Adaíldo Araújo da Silva, 49. O casal dormia no quarto de casa quando dois pistoleiros encapuzados desceram de uma moto para matá-los. Do lado de fora da casa, um dos assassinos deu um tiro na janela em direção à cama onde eles estavam deitados, enquanto outro atirou na fechadura da porta da casa. Silvia rolou para o chão ao lado da cama. Ficou encolhida embaixo da janela, fora da mira do atirador. O pistoleiro passou o braço pelo vidro quebrado e deu mais de 20 disparos contra o marido dela, caído no chão do outro lado da cama. Ela ouviu tudo.
Silvia levou um tiro na virilha. A filha dela, Gabriela, 6, tinha acabado de sair da cama do casal quando o crime aconteceu e ouviu os tiros do seu quarto. “Quando os disparos acabaram comecei a ouvir a Gabriela dizer: ‘Mamãe, mamãe’, mas não tive coragem de responder porque não sabia se os assassinos ainda estavam em casa. Depois de algum tempo de silêncio, levantei do chão e fui andando em um pé só até o quarto da Gabriela. Ela estava encolhida no canto da cama e me perguntou o que tinha acontecido. Respondi que bandidos haviam entrado em casa. Os policiais chegaram para me socorrer e ela ficou sozinha em casa. Foi quando viu o padrasto morto”, diz Silvia. Continue lendo “Terra sem lei: prostituição, drogas e violência na maior obra do PAC – 3”
A terra fica molhada na frente da corrutela mesmo quando não chove. O barro se forma com a água que escorre da fossa dos bares
Mariane, 13, brincava de boneca até o ano passado, quando perdeu a virgindade, engravidou e largou a escola
Por Maria Laura Neves (texto) e André Vieira (fotos)
Dentro dos cabarés, as cafetinas não costumam aceitar prostitutas menores de idade. Nas ruas, no entanto, é possível encontrar adolescentes circulando em trajes justinhos durante toda a noite. Elas se concentram na boate do “reggae”, que apesar do nome toca funk, e na “Esquina do Geladão”, onde há DJ e pista de dança. Nesses lugares, elas bebem e dançam sensualmente rodeadas por homens. “A prostituição infantil em Jaci é muito sutil. Não é ostensiva. Os homens presenteiam as meninas com um tênis, um celular e isso é suficiente para que consigam dormir com elas”, diz a delegada Noelle Xavier, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente de Porto Velho. Muitas vezes os pais das garotas são coniventes, segundo Noelle, pois a miséria é o principal motivador da prostituição infantil no vilarejo. “Já teve pai que veio tirar a filha da escola dizendo que estudo não dá dinheiro e levou a menina para os bares”, diz Tarcísio Inácio Ramalho, vice-diretor da escola estadual Maria de Nazaré dos Santos, onde estudam os adolescentes de Jaci. Continue lendo “Terra sem lei: prostituição, drogas e violência na maior obra do PAC – 2”
Novo bairro em Jaci Paraná, construído depois da chegada das usinas
Por Maria Laura Neves (texto) e André Vieira (fotos)
Uma mãe tem 13 anos e está grávida de 4 meses. Outra, de 43, mudou o filho de estado para afastá-lo do tráfico. Uma mulher viu o marido ser morto a tiros no quarto onde dormiam. As cicatrizes na vida dessas três mulheres têm uma origem em comum: a chegada de 20 mil trabalhadores, quase todos homens, ao vilarejo de Jaci Paraná, no município de Porto Velho para a construção das usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, a maior obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal. A falta de preparo e de planejamento para receber esses migrantes fez com que a população do sul da floresta Amazônica — em especial as mulheres — arcasse com os custos do progresso
Jaci, em tupi, quer dizer “deusa-lua”, entidade protetora dos amantes e da reprodução. Paraná quer dizer grande rio. Jaci Paraná é o nome de um pequeno, pobre e empoeirado vilarejo de Porto Velho, onde a deusa indígena deve estar tendo bastante trabalho. Jaci é o maior bordel a céu aberto de Rondônia e talvez um dos maiores do país. Tudo em Jaci gira em torno da prostituição. São 44 pequenos cabarés construídos em casas feitas de tábuas de madeira e telhas de fibra. É mais do que a soma de todos os mercados, padarias e farmácias da região. A qualquer hora, do dia ou da noite, garotas de programa se exibem na porta dos bares, vestidas em pequenos shorts jeans e tops apertados, deixando as gordurinhas da barriga à vista. Elas começaram a chegar de vários estados do país há três anos, pouco antes da construção das usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio. Juntas, as obras empregam 35 mil trabalhadores, na grande maioria homens, e formam a maior obra do PAC, o principal projeto de desenvolvimento de infraestrutura do governo federal. A partir daí, Jaci virou a promessa do novo Eldorado brasileiro, a terra das oportunidades — para homens e mulheres. Continue lendo “Terra sem lei: prostituição, drogas e violência na maior obra do PAC – 1”
A greve de fome líquida e a perda de mais de 20 quilos de peso já teriam provocado danos irreversíveis na saúde dos quatro mapuches chilenos presos que iniciaram a medida de força há 85 dias. Sua reivindicação é a anulação do processo em que foram condenados por roubo com intimidação e lesões menores. “A falta de nutrientes deve ter provocado dano cerebral”, apontou o médico Juan Carlos Reinao, que os examina desde que os mapuches começaram a greve. Contudo, serão realimentados nos postos de saúde onde permanecem internados. Segundo Reinao, o sistema de saúde estatal interpôs um recurso com este objetivo na Corte de Apelações do Chile e que foi aceito. A reportagem é de Ailín Bullentini e está publicada no jornal Página/12, 09-06-2011. A tradução é do Cepat.
“A gravidade é grande. Sofrem de desnutrição severa, desidratação no limite e estado geral grave. Os mais de 20 quilos que cada um perdeu na greve provocaram também diminuição no nível de concentração”, explicou o médico. Seu trabalho no monitoramento da saúde de Ramón Llanquileo, Jonathan Huillical, José Huenuche e Héctor Llaitul começou no primeiro dia de greve e se deveu à exigência das famílias dos prisioneiros, que consideraram necessário que um profissional que não fosse da Gendarmería cuidasse da saúde dos mapuches. Continue lendo “Mapuches em greve de fome já sofrem danos irreversíveis”