Defeitos de fábrica: as explosões da GM no Brasil

Incêndios provocados por defeitos elétricos no modelo Vectra deixaram ao menos cinco mortos e cinco gravemente feridos; associação de consumidores mapeou ocorrências pelo país e denuncia 30 casos de explosões sem motivo aparente

por Moriti Neto, Agência Pública

Os olhos de Lucineia Rodrigues dos Santos Silva ainda se enchem de lágrimas quando ela se lembra da explosão do Vectra GLS, cor prata, ano 1997, da General Motors do Brasil, que matou sua filha, a pequena Raíssa, com pouco mais de sete meses de vida.

Foi no dia 24 de julho de 2008, no município de Três Lagoas, a 338 quilômetros de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. Lucineia, então proprietária de uma pequena confecção, voltava para casa com Raíssa e o filho mais velho, Edson, à época com 6 anos de idade. Eram 9h45 da manhã quando estacionou o carro na garagem. Desceu para abrir a porta da sala, seguida pelo filho, enquanto Raíssa dormia na cadeirinha instalada no banco traseiro do Vectra. Continue lendo “Defeitos de fábrica: as explosões da GM no Brasil”

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Onde estão as camponesas?

Foto: Hiram Pascoal/CC
Foto: Hiram Pascoal/CC

Por Esther Vivas, do Público.es*, na Página do MST

Quando eu era pequena ajudava meus pais em nossa barraca de venda de ovos no Mercado Central de Sabadell (Barcelona). Ia após o colégio ou aos sábados. Nos arredores do mercado, sempre havia aquelas camponesas com suas barracas improvisadas, e aquelas grandes cestas com verdura e frutas frescas. Uma imagem que se repetia em inúmeros mercados. Os anos se passaram, e estas mulheres continuam ali. Todavia quando olhamos o mundo rural, as camponesas são as invisíveis da terra. Quantas trabalharam durante toda a sua vida no campo e não constam em lugar algum? O que é das camponesas? Onde estão? Que futuro as espera?

Sem direitos

O pape da mulher camponesa sempre foi chave no campo. Mulheres que cuidavam da terra, das filhas e filhos, das casas, dos animais. Apesar dos anos, e as mudanças ocorridas no meio rural, estas seguem tendo um peso significativo na agricultura familiar. Calcula-se que 82% das mulheres rurais trabalham no campo, de acordo com dados do Ministério da Agricultura, sendo a maioria na qualidade de conjugues ou filhas, invisíveis, sem direitos, consideradas formalmente, e nas estatísticas, como “ajuda familiar”. O que significa que não constam na seguridade social, não tem acesso a uma indenização por desemprego, acidente, maternidade, uma pensão digna etc. Continue lendo “Onde estão as camponesas?”

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RO – Especialistas vão debater sobre os novos estudos de impacto das usinas do Madeira

Foto: Cacoal Notícias
Foto: Cacoal Notícias

Debate será na próxima terça-feira, 20 de maio, no auditório da OAB, a partir das 14h

MPF/RO

Para discutir a necessidade de novos estudos de impacto ambiental das usinas hidrelétricas no rio Madeira após a cheia história de 2014, seis instituições vão realizar um debate na próxima terça-feira, 20 de maio, com especialistas de notório saber e especialidade, reconhecidos nacional e internacionalmente. A iniciativa de promover o debate é do Ministério Público Federal (MPF) e Estadual (MP/RO), das Defensorias Públicas da União (DPU) e do Estado (DPE) e da OAB, com apoio da Universidade Federal de Rondônia (Unir).

Os especialistas que participarão do debate são: Philip Martin Fearnside, Ph.D. em Ciências Biológicas pela University of Michigan (EUA), pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, cientista do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas e ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 2007; Célio Bermann, doutor em Engenharia Mecânica na área de Planejamento de Sistemas Energéticos pela FEM/Unicamp, professor-associado (livre docente) do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo e professor visitante da Universidade do Texas-Austin; e Edna Castro, doutora em Sociologia pela Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales, em Paris, professora da Universidade Federal do Pará e diretora do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos.

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Justiça aceita denúncia do MPF contra seis acusados do atentado a bomba no Riocentro

Foto: O Globo
Foto: O Globo

Juíza reconheceu que crimes são contra a humanidade e imprescritíveis

A Justiça Federal aceitou na última terça-feira (13) a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro contra seis pessoas por envolvimento no atentado a bomba no Riocentro, em Jacarepaguá, no dia 30 de abril de 1981, durante a realização de um show para comemorar o Dia do Trabalhador. Com a decisão, pela primeira vez na história uma denúncia criminal relativa ao atentado no Riocentro será processada e irá a julgamento.

A partir da decisão, o coronel reformado Wilson Luiz Chaves Machado, o ex-delegado Claudio Antonio Guerra e os generais reformados Nilton de Albuquerque Cerqueira e Newton Araujo de Oliveira e Cruz respondem pelos crimes de homicídio doloso tentado (duplamente qualificado por motivo torpe e uso de explosivo), por associação criminosa armada e por transporte de explosivo. Newton Cruz responde ainda pelo crime de favorecimento pessoal. Já o general reformado Edson Sá Rocha responde por associação criminosa armada e o major reformado Divany Carvalho Barros por fraude processual. Continue lendo “Justiça aceita denúncia do MPF contra seis acusados do atentado a bomba no Riocentro”

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Audiência pública discute violência nas aldeias de MS

Vereador Aguilera de Souza é o proponente da Audiência – Foto: Thiago Morais
Vereador Aguilera de Souza é o proponente da Audiência – Foto: Thiago Morais

Jornal Agora MS

Hoje,  a partir das 19h, será realizada no plenário da Câmara Municipal de Dourados, a audiência pública “Segurança Pública nas Aldeias”, que vai trazer discussões e propostas para garantir ações de segurança nas aldeias de Mato Grosso.

A palestra será ministrada pelo o procurador do Ministério Público Federal, Marco Antônio Delfino, que acompanha as discussões e os problemas de perto e é referência no trato com as causas indígenas.

Desde o ano passado, Aguilera de Souza, vereador do PSDC, é o presidente da Comissão Permanente Indígena e Afrodescendente na Câmara Municipal de Dourados. “Este é um assunto pertinente ao dia-a-dia da comunidade indígena, e um dos principais problemas civis do nosso país. Por isso propus essa audiência, e nela, espero que possamos colher frutos e boas propostas para uma solução prática e emergente para o bem da nossa comunidade.”

Segundo Aguilera, a segurança pública é um direito do cidadão e cabe ao Estado implementar soluções práticas. “A segurança pública é dever do Estado, e o crescimento latente dos níveis de violência na Reserva Indígena de Dourados é assustador, por isso o povo indígena exige ações para inibir e resolver esse problema”, explica o vereador.

No primeiro semestre, Aguilera, que também é presidente da Associação dos Vereadores Indígenas de Mato Grosso do Sul, ouviu os colegas vereadores indígenas e os apelos de suas comunidades. Diante disto, o vereador solicitou ao secretário de Justiça e Segurança Pública de MS, Wantuir Jacini, os dados da violência nas aldeias indígenas ao Dr. Wantuir Jacini, Secretário de Justiça e Segurança Pública de MS. “São 122 ocorrências de crimes registradas pela Polícia Civil de MS. Dentre os crimes estão assassinatos, estupros, violência doméstica, furtos e agressões. Esperamos que a comunidade venha em peso para garantirmos um debate qualificado”, finaliza o vereador.

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Tradutor de Yoani Sanchéz denuncia face mercenária da blogueira

2014_05_yaonisanchez_reproducaoThéa Rodrigues* – Portal Vermelho / Adital

Na última sexta-feira (9), o jornalista, escritor e tradutor italiano Gordiano Lupi escreveu e divulgou uma carta aberta, direcionada a Yoani Sánchez, denunciando a blogueira cubana como mercenária. Lupi passou os últimos seis anos traduzindo textos da midiática contrarrevolucionária para o jornal La Stampa.

“Yoani Sánchez encerrou o contrato com o La Stampa e fez de mim um homem livre, que até ontem não podia dizer o que pensava por ser o tradutor seus textos. Agora que já não tenho qualquer ligação [com ela] e que os interesses da blogueira mais rica e premiada do mundo são administrados pela sua agente, Erica Beba, posso tirar as pedras de meus sapatos. Elas estavam me fazendo mal”, desabafa Lupi. Continue lendo “Tradutor de Yoani Sanchéz denuncia face mercenária da blogueira”

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Racismo na USP: A Universidade e seu racismo institucional

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Mesmo com a carteirinha da USP em mãos, Mônica foi impedida de entrar. Enquanto isso, outras pessoas – brancas – entravam no prédio sem nem se identificar

Natália Natarelli, fotos de Roberto Brilhante – Carta Maior

Nesta terça-feira, 13 de maio, 126 anos depois da abolição da escravidão no país, alunos da Universidade de São Paulo fizeram um ato contra o racismo na Faculdade de Medicina da USP. No dia 30 de abril, Mônica Mendes Gonçalves, aluna negra da Faculdade de Saúde Pública, foi barrada pelos seguranças do prédio da Faculdade de Medicina. Mesmo com a carteirinha da USP em mãos, a aluna foi impedida de entrar sob o argumento de que apenas alunos de medicina poderiam entrar no prédio. Enquanto isso, outras pessoas – brancas – entravam no prédio e uma delas nem se identificou. Depois de muita insistência, Mônica foi escoltada pelo segurança para dentro do prédio até o local onde já estavam seus colegas do curso de Saúde Pública (que não haviam sido barrados). Continue lendo “Racismo na USP: A Universidade e seu racismo institucional”

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Só operários mortos em obras de estádios não podem protestar, por Leonardo Sakamoto

Leonardo Sakamoto

Não há uma relação direta entre a manutenção do grupo no poder e quem ganha a Copa do Mundo, pelo menos desde a redemocratização. Em 1994, levamos a Copa e o ministro da economia foi eleito presidente, portanto, continuidade. Em 1998, perdemos e Fernando Henrique foi reeleito – continuidade de novo. Em 2002, ganhamos e Lula chegou ao poder, ou seja, ruptura com o grupo no poder. Em 2006, perdemos e ele foi reeleito, continuidade. Em 2010, perdemos, mas Dilma manteve o PT no poder – continuidade de novo.

Porém, há uma relação clara e direta entre a incapacidade de governos de ouvirem as demandas da população e as encaminharem corretamente através da elaboração e aplicação de políticas públicas e a não eleição ou não reeleição de grupos políticos. Principalmente no que diz respeito à qualidade de vida,  item central na pauta dos protestos que estão acontecendo em várias cidades do país.

Parte da população sabe o significado da expressão “Pão e Circo” e não está satisfeita com a ausência de algo que possa ser chamado de “legado” após uma nuvem de gafanhotos chamada Fifa passar por aqui, escoltada por empreiteiras e interesses políticos escusos.

Por isso, as manifestações que estão indo às ruas hoje não são contra o futebol. Aliás, só gente muito desocupada iria às ruas se manifestar contra o futebol. É uma discussão de direitos que, em tese, já são garantidos pela Constituição mas que, na prática, estão longe de serem realidade. Os atos pré-Copa são sim um tema político e o seu questionamento frente à ausência de políticas sociais também. Continue lendo “Só operários mortos em obras de estádios não podem protestar, por Leonardo Sakamoto”

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Carta Aberta em Defesa dos/das Agricultores/as que Fazem a Ocupação do Perímetro Irrigado Jaguaribe-Apodi – Limoeiro do Norte/CE

Não pervertam o direito,
não façam diferença entre as pessoas nem aceitem suborno,
pois os subornos cegam os olhos dos sábios e faceiam a causa dos justos.
(Livro Deuteronômio 16,19)

Por que cerca de 800 famílias de agricultores e agricultoras dos municípios da região Jaguaribana em parceria com diversas entidades, movimentos sociais, pastorais e paróquias da Diocese de Limoeiro do Norte estão ocupando o perímetro irrigado Jaguaribe-Apodi desde a madrugada de 05 de Maio de 2014? Para responder essa pergunta basta conversar com os/as agricultores/as, nas comunidades, dialogar com a juventude e com os idosos/as cujos olhos brilham no sonho de acessar terra e água.

A ocupação teve inicio com 500 famílias da Região Jaguaribana. E, todos os dias dezenas de famílias sobem para o acampamento, já chegando ao número de 800. Essas famílias acreditam que a terra e a água são presentes de Deus, que não devem servir apenas as empresas do agronegócio, mas também às famílias e pequenos camponeses. Eles acreditam que com as bênçãos de Deus e com a força do povo a Chapada do Apodi vai voltar a ser das trabalhadoras e dos trabalhadores.

As reivindicações seguem a direção da defesa dos direitos humanos, do respeito aos direitos sociais assegurados em nossa Constituição Federal, da dignidade humana, da justiça social: água, educação, saúde, participação popular na vida pública, etc. Essas são exigências sem fundamento? Os que acreditam e defendem uma vida digna para todos (as) concordam que esses são elementos básicos, o mínimo de direitos. Deles não se pode abrir mão, caso contrário, estaremos defendendo os projetos de morte e miséria que vem vitimando os pobres deste país. Continue lendo “Carta Aberta em Defesa dos/das Agricultores/as que Fazem a Ocupação do Perímetro Irrigado Jaguaribe-Apodi – Limoeiro do Norte/CE”

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Copa Sem Povo: Tô na Rua de Novo! – Manifesto 15M

A Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa se organiza desde 2011 para denunciar as violações de direitos humanos e fortalecer a resistência abaixo e à esquerda contra a violência estatal que se intensifica com a Copa da FIFA de 2014. Hoje, dia 15 de Maio de 2014, Dia Internacional de Lutas contra a Copa, inspirados pelo Encontro Nacional dos Atingidos(as) por Megaeventos ocorrido em BH, em conjunto com movimentos e organizações sociais, militantes e população em geral, estará nas ruas contra as distintas violações da Copa, Olimpíada e todos os processos que hoje levam à tentativa de construção de um projeto de cidade pró capital, cada vez mais excludente e privatista.

A Copa é um dos símbolos deste projeto e, em nome dela ele se fez avançar. Assim, é necessário fazer desta a Copa das Mobilizações, onde lutaremos diariamente: São 11 as nossas pautas em campo:

1) Queremos lembrar que as vitórias populares foram sempre uma conquista das ruas, seja nas greves, protestos, ocupações ou outras formas legítimas de manifestação e ação política. As liberdades de expressão, manifestação e reunião constituem direito fundamental para a efetivação da democracia (Constituição Federal – artigo 5º). 50 anos depois do golpe empresarial-militar de 1964, a liberdade de manifestação segue ameaçada, limitada, proibida ou mesmo relativizada em nome da “ordem pública”. Para que possamos exigir nossos direitos e contestar a ordem capitalista vigente, é preciso antes de tudo que o direito de ocupar as vias públicas e interromper o cotidiano da cidade seja garantido.

A resposta violenta e autoritária do Estado aos conflitos sociais, apresentando as forças policiais como únicas “mediadoras”, além de agravar esses conflitos, é uma forma de violar liberdades civis e políticos, ameaçar a população para que se cale – e impor sobre todos uma única visão de mundo. Em três anos de mobilização contra a Copa, não houve qualquer disposição ao diálogo e nenhuma proposta de reparação aos direitos violados por parte das prefeituras, governos estaduais, distrital e federal, apesar de diversas reuniões e audiências em que exigimos informações sobre os projetos, participação popular nas decisões e o direito à cidade. Hoje, a LIBERDADE DE MANIFESTAÇÃO ANTES, DURANTE E DEPOIS DA COPA É NOSSA PRIMEIRA E MAIS IMPORTANTE BANDEIRA, e por ela voltamos às ruas, onde vamos mais uma vez buscar nossos direitos. Continue lendo “Copa Sem Povo: Tô na Rua de Novo! – Manifesto 15M”

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