
Você que se empolgou tanto pela candidatura de Dilma Rousseff, e não por motivo justo (como o medo de algo pior), me poupe de seu cinismo ao comentar a virtual nomeação da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) para o Ministério da Agricultura.
Em algum momento é preciso lembrar que os nossos séculos de história são séculos de violência. Contra camponeses, indígenas, quilombolas. Eles foram e são mortos, expulsos. Somos o país de Chico Mendes e Padre Josimo, de Irmã Dorothy e do casal Zé Cláudio e Maria, de milhares de lideranças assassinadas, de famílias humilhadas.
Somos o país do trabalho escravo, do trabalho infantil, do desmatamento, da grilagem, da destruição do modo de vida de populações tradicionais. Nosso êxodo rural foi também movido a bala. Com o patrocínio do Estado, com dedos policiais.
E a nomeação de Kátia Abreu compactua com todo esse cenário. Não há exercício retórico que possa anular o grau de simbolismo dessa medida. A nomeação da presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) faz um movimento incrível à direita do espectro político, rumo à desconsideração da demanda de movimentos sociais. Continue lendo “Sobre Kátia Abreu e malabarismos no semáforo”






