Intolerância religiosa: uma herança das senzalas

Foto: AF Rodrigues, Arquivo Pessoal
Foto: AF Rodrigues, Arquivo Pessoal

Por Camille Rodrigues e Alan Miranda, em Observatório da Favela

“O meu direito termina quando o seu começa”: assim, através de um ditado popular, perpetua-se a falácia de que o direito de uns precisa ser interrompido para que o de outros se exerça, em vez de conviverem mútua e pacificamente. No Brasil, um país de culturas diferentes, a busca pelo respeito à diversidade e a tolerância tornam-se pautas cruciais à manutenção da democracia, do convívio entre as diferenças. A espiritualidade é um valor fundamental para as civilizações desde os primórdios da humanidade, desse modo, a intolerância religiosa se mostra uma pedra no caminho do desenvolvimento humano.  

Para adentrar esse debate é necessário partir da consciência de que qualquer religião está sujeita à intolerância, mas os fatores culturais e históricos de cada região determinam as crenças que são mais atacadas. No Brasil, a herança escravocrata, bem como as leis que criminalizavam os cultos afro-brasileiros contribuíram para a intolerância contra as religiões de origem africana. Segundo dados apresentados pelo Centro de Promoção da Liberdade Religiosa & Direitos Humanos-CEPLIR, 63% dos casos de intolerância religiosa atingem as religiões de  matrizes africanas no Brasil. No estado do Rio de Janeiro esse percentual sobe para 93%. Esse dados demonstram o quanto o racismo está presente em nossa sociedade. Continue lendo “Intolerância religiosa: uma herança das senzalas”

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2ª Oficina “Concentração e Transnacionalização do Capitalismo: Impactos no Brasil” – 24/11, em SP

Crescente concentração e ‘estrangeirização’ de importantes cadeias produtivas e setores da economia brasileira têm marcado o tom do desenvolvimento econômico recente. Isto tem tido um impacto direto nos territórios e nas populações comprometendo em muitos casos direitos sociais, ambientais e trabalhistas. Enquanto isso, as empresas ‘translatinas’ não se diferenciam positivamente desse modelo de internacionalização e ainda contam frequentemente com o apoio público para a expansão da sua atividade para além do Brasil.

Comunidades afetadas, trabalhadores, organizações e movimentos sociais vêm reagindo a esse fenómeno de forma diversa e até agora relativamente descoordenada. Porém, mostra-se nas lutas recentes a necessidade de dialogar e compartilhar visões sobre o que está acontecendo no Brasil e no mundo em relação às transnacionais e à grande concentração de capitais de forma a fortalecer os movimentos que acompanham esses processos de forma crítica.

O fato de o governo começar a discutir um plano doméstico para a implementação dos “Princípios Reitores” propostos por John Ruggie e adotados pela ONU em 2011, ao mesmo tempo em que se inicia a negociação de um tratado vinculante sobre Empresas Transnacionais e Direitos Humanos, oferece uma oportunidade política interessante para aprofundar esta reflexão e ação.

Dando continuidade ao diálogo iniciado na primeira reunião de dia 25 de agosto passado, a proposta desta 2ª Oficina é de avançar em uma agenda comum, aprimorar conhecimentos sobre alguns processos, e pensar coletivamente formas de coordenação e ação conjunta das organizações e movimentos sociais brasileiros no nosso país e no nível internacional. Continue lendo “2ª Oficina “Concentração e Transnacionalização do Capitalismo: Impactos no Brasil” – 24/11, em SP”

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Bonecas Negras: identidade, reconhecimento e representatividade

Uma parte do acervo de Lena Martins. Foto: Piê Garcia
Uma parte do acervo de Lena Martins. Foto: Piê Garcia

Por Piê Garcia, em Observatório da Favela

Pare na vitrine de uma loja de brinquedos e repare na seção de bonecas. Quantas delas são negras? Provavelmente, uma ou nenhuma. Por que será que isso é tão natural em um país onde a maioria da população é negra. Para responder a essa e outras perguntas, é necessário olhar principalmente para ações, que parecem menos importantes, mas que demonstram a face “invisível” do racismo no Brasil.

Cercadas de capas de revistas, programas de televisão, filmes, desenhos e princesas quase sempre brancas, magras e ricas, as crianças começam a sua formação com uma série de cobranças por um ideal de beleza imposto pela modernidade. A criação da Barbie, a boneca mais vendida do mundo, por exemplo, segue esse padrão. E assim, as meninas negras crescem sem se reconhecer em suas bonecas e brinquedos, assim como nos programas de televisão entre outros produtos midiáticos.

Na busca pelo fortalecimento da autoestima da população afrodescendente, por meio da representatividade e enfrentamento ao racismo, algumas iniciativas se destacam, como é o caso das bonecas Abayomi. Criadas pela artesã Lena Martins, no final da década de 80, período em que houve a Marcha contra a Farsa da Abolição, o 1° Encontro de Mulheres Negras em Valença, inúmeras reunião do movimento negro começaram a ser articuladas e foi também a época em que se começou a pensar em sustentabilidade, além de ser o mesmo período em que se deu a Assembleia Constituinte. Nesse contexto, nasceu a Abayomi, cujo o nome significa “meu presente” em Yorubá. Continue lendo “Bonecas Negras: identidade, reconhecimento e representatividade”

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Egipto y la mutilación de mujeres

Esta foto sin fecha suministrada por el Centro Femenino de Orientación y Conocimiento Legal, muestra a la niña Sohair el-Batea, que murió el año pasado cuando era sometida a una operación de mutilación genital femenina por el médico Raslan Fadi en Egipto. El 20 de noviembre del 2014 se anticipa que un tribunal decidirá sobre el primer ujuicio en Egipto a un médico acusado de mutilación genital femenino. AP Foto: Women’s Center for Guidance and Legal Awareness
Esta foto sin fecha suministrada por el Centro Femenino de Orientación y Conocimiento Legal muestra a la niña Sohair el-Batea, que murió el año pasado cuando era sometida a una operación de mutilación genital femenina por el médico Raslan Fadi, en Egipto. Foto: Women’s Center for Guidance and Legal Awareness

Por Merrit Kennedy, Associated Press

Manshiet El Ikhwa, Egipto – Raslan Fadl, el primer médico enjuiciado en Egipto por cometer mutilación genital femenina, sigue practicando aunque una niña de 13 años murió después que le efectuó el procedimiento. Y en este pueblo del delta del Nilo no le faltan clientes.

Varias niñas y sus familiares aguardaban un día reciente en la sala de espera del mismo edificio al que Soheir el-Batea llegó para su operación el año pasado. Los residentes lo consideran una persona respetada en la comunidad, donde es conocido por sus obras de caridad.

No está claro si algunas estaban en el consultorio para la “circuncisión”, como se le llama aquí, y el médico no quiso hablar con The Associated Press. Pero la popularidad de Fadi demuestra la dificultad de detener la práctica en Egipto, donde se calcula que más del 90% de las mujeres se han sometido a ella, una de las tasas más altas del mundo. La mutilación genital femenina fue penalizada en 2008 y la autoridad religiosa de los musulmanes suníes la declaró peligrosa y sin justificación religiosa alguna. Las Naciones Unidas dicen que parece haber una lenta reducción en la tasa de operaciones, pero siguen siendo generalizadas. Continue lendo “Egipto y la mutilación de mujeres”

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O direito à memória no combate ao racismo

QuadroQuilombolas

Por Silvana Bahia, no Observatório de Favelas

Se a memória é processo em constante construção, um imenso repertório de narrativas que acumulamos, acionamos e atualizamos a todo tempo, ela nos ajuda a construir histórias. As narrativas produzidas para contar a “história oficial” do Brasil demonstra a barbárie dos 388 anos “oficiais” da escravidão e a tentativa de apagamento da memória dos negros no país. O estudo da História da África, da luta e cultura dos negros no Brasil é um importante passo na reconstrução destas narrativas. Embora seu ensino seja obrigatório desde 2003 pela lei nº 10.639, sua aplicabilidade ainda encontra muitas dificuldades, o que acaba não favorecendo o direito à memória dos negros brasileiros.

O interesse pela história e memória de seus ancestrais fez com que o professor de biologia Luiz Henrique Rosa se empenhasse há mais de 15 anos numa abrangente pesquisa sobre a Cultura Negra. A história de Manoel Congo, líder da Revolta de Vassouras, foi fundamental para o desenvolvimento do trabalho que o professor Luiz iniciou em 2009, na Escola Municipal Herbert Moses, no Jardim América, Zona Norte do Rio de Janeiro, para discutir e combater o racismo com seus alunos do ensino fundamental. Continue lendo “O direito à memória no combate ao racismo”

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BoreArt: Grupo de Jovens do Borel Dissolvem o Estigma Através da Arte

Borel arte

RioOnWatch

BoreArt, um grupo de jovens moradores do Borel na Tijuca, Zona Norte do Rio, tem como objetivo tornar um antigo espaço do crime em um ponto de encontro da comunidade através da arte com seu mais recente empreendimento, o projeto Escadaria do Borel, que transformará uma escadaria popular local em uma obra de arte urbana.

Arte na favela

BoreArt promove arte desde sua formação em 2012 e é liderado por cinco jovens da comunidade do Borel. Seu objetivo atual é reverter as percepções negativas que muitos têm de um ponto específico da comunidade, a Rua Nossa Senhora de Fátima.

“Aquela rua, cinco anos atrás, era um ponto de encontro de bandidos”, disse Ana Santos. “Então a gente quis mudar essa ideia que eles tinham na cabeça de que aquela rua ali era só marca de violência”. Continue lendo “BoreArt: Grupo de Jovens do Borel Dissolvem o Estigma Através da Arte”

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¿Dónde es más frecuente la esclavitud?

Mauritania aún sufre la esclavitud moderna, a pesar de la abolición de 1981 - Foto AP
Mauritania aún sufre la esclavitud moderna, a pesar de la abolición de 1981 – Foto AP

Por Katie Nguyen, traduzido por Patricia Avila, na Reuters

LONDRES (Fundación Thomson Reuters) – Casi 36 millones de personas en todo el mundo viven en la esclavitud, obligadas a realizar trabajo manual en fábricas, minas y granjas, vendidas por sexo en prostíbulos, atrapadas en cautiverio por deudas y nacidas para la servidumbre, mostró el lunes un índice global sobre esclavitud moderna.

Qatar, la República Democrática del Congo, Sudán, Siria y la República Centroafricana figuran entre los 10 países principales del ranking con la mayor frecuencia de esclavitud en el Índice Global de Esclavitud del 2014, el segundo sondeo anual de este tipo.

A continuación, los principales datos de 10 países con la mayor frecuencia de esclavitud por habitante, según el índice de la Fundación Walk Free, un grupo activista de derechos humanos con sede en Australia. Continue lendo “¿Dónde es más frecuente la esclavitud?”

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Cientistas descobrem que índios brasileiros tinham ascendência polinésia

BotocudoAnálise de dois botocudos que viveram no Brasil antes do desembarque dos europeus revela que 100% dos genes deles eram de habitantes das ilhas no Oceano Pacífico

Por Isabela de Oliveira, no Correio Braziliense

Ao contrário de outros animais, os humanos conseguiram ocupar quase todos os espaços terrestres em que a vida é viável. Como os ancestrais executaram isso, entretanto, é um tema que continua desafiando os estudiosos. Agora, uma equipe internacional de pesquisadores, entre eles brasileiros, achou indícios de uma parte intrigante desse capítulo: índios botocudos, distribuídos na Bahia, no Espírito Santo e em Minas Gerais, têm traços genéticos idênticos aos dos polinésios, que estão do outro lado do mundo, no Pacífico.

A descoberta traz um novo cenário à história da América pré-colombiana. Indica que Cristóvão Colombo pode não ter sido o grande descobridor do Novo Mundo, mas viajantes polinésios. Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram crânios de dois índios botocudos — chamados Bot15 e Bot17 —, guardados no Museu Nacional do Rio de Janeiro desde o século 19. A análise genômica dos indivíduos que viveram em Minas Gerais mostrou que eles não tinham nenhum gene de outros nativos da América.

A pesquisa, cujos resultados foram publicados na revista Current Biology, é a continuação de uma investigação de 2013 conduzida pelo mesmo grupo. “O estudo anterior foi limitado a uma região muito pequena do genoma e, portanto, não podia excluir que os indivíduos tinham tanto a ascendência nativa americana quanto a polinésia. O novo trabalho examina todo o genoma desses indivíduos e, com isso, descobrimos que os dois têm 100% de ascendência polinésia”, conta Mark Stoneking, coautor e pesquisador do Departamento de Antropologia Evolutiva do Instituto Max Planck, na Alemanha. Continue lendo “Cientistas descobrem que índios brasileiros tinham ascendência polinésia”

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