Brasil eleva emissões sem aumentar riqueza, diz Observatório do Clima

A economia brasileira, praticamente estagnada, está crescendo pouco mas emitindo muitos gases-estufa. O motivo é o aumento nas taxas de desmatamento na Amazônia e no Cerrado, além do uso maior de combustíveis fósseis na matriz energética. As emissões brasileiras de gases-estufa aumentaram 7,8% em 2013 em relação ao ano anterior e bateram em 1,5 bilhão de toneladas de CO2. É a primeira vez que aumentam desde 2008

Daniela Chiaretti – Valor

Esses dados fazem parte das estimativas anuais de emissões do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima. O SEEG é uma ferramenta desenvolvida em 2013 para calcular anualmente as emissões brasileiras e identificar sua origem. O Observatório do Clima, por sua vez, é uma rede de entidades da sociedade civil que estuda a mudança do clima no seu contexto brasileiro.

Embora desaquecida, a economia brasileira ficou menos eficiente em relação às emissões de gases de efeito estufa – está mais “carbonizada”, como se diz no jargão. Em uma conta estimada feita por Tasso Azevedo, coordenador técnico do SEEG, produzir na economia de baixo carbono seria conseguir R$ 40 mil por tonelada de CO2. “Estamos bem longe de termos uma economia de baixo carbono”, disse ele no seminário em que se divulgaram as novas estimativas.

A relação das emissões brasileiras de gases-estufa com o PIB era de R$ 3.251 em 2012 e passou a R$ 3.090 em 2013. Dito de outra forma, o dado demonstra que se criou menos riqueza emitindo-se mais.

“O aumento nas emissões não é nada desprezível. Todos os setores da economia emitiram mais em 2013”, diz Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima. Segundo ele, o aumento de 2013 representa uma reversão na tendência de queda que acontecia desde 2005, puxada pela redução nas taxas anuais de desmatamento. Em 2012, as emissões brasileiras chegaram a seu menor valor, com 1.454 milhão de toneladas de CO2 equivalente (medida que equipara os outros gases estufa ao CO2). O dado exato de 2013 é 1.568 milhão de toneladas. Continue lendo “Brasil eleva emissões sem aumentar riqueza, diz Observatório do Clima”

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Professores evangélicos são entrave a ensino de cultura afro, diz pesquisadora

Professora da UFBA aponta que falta de formação e religião atrapalham ensino de cultura afro-brasileira nas escolas

Por iG São Paulo*

Publicada em janeiro de 2003, a lei 10.639 tornou obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira nas escolas brasileiras. Apesar de ver avanços, a pesquisadora Ana Célia da Silva, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), diz que a atuação de professores evangélicos é um entrave para a realização da lei.

Em entrevista ao Portal EBC, a professora apontou a religião e a falta de formação dos professores como principais problemas para que o ensino do tema avance.

“O desafio maior hoje é a atuação das igrejas evangélicas através dos professores evangélicos que, em sua grande maioria, demonizam tudo em relação a história e cultura afro-brasileira. Porque a história e cultura afro-brasileira parte da religiosidade, da cultura, e eles acham que tudo é demônio”, disse.

De acordo com ela, “uma pesquisa feita por uma aluna aqui de Salvador mostrou que os professores recebem os livros do MEC e escondem da diretora para não levar para a sala quando tem uso do demônio, como eles chamam”. Continue lendo “Professores evangélicos são entrave a ensino de cultura afro, diz pesquisadora”

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Binaridades não ajudam a entender as relações sociais manifestadas nas eleições. Entrevista especial com Berenice Bento

Foto: ensaiosdegenero.wordpress.com
Foto: ensaiosdegenero.wordpress.com

“Agora que o debate sobre democracia e justiça social apareceu com cores um pouco mais fortes, se fala em divisão. O que era democrático, agora aparece como negativado”, critica a socióloga

IHU On-Line – “Precisamos de um pouco mais de tempo para entender realmente o que está acontecendo”, diz Berenice Bento à IHU On-Line ao comentar o resultado das eleições após uma série de manifestações que ocorreram no país desde Junho de 2013. Para ela, as tentativas de explicar o resultado das eleições, as disputas políticas e as manifestações através de “binaridades não nos ajudam a compreender as dinâmicas das relações sociais”.

Na entrevista a seguir, concedida por telefone, Berenice Bento comenta as “reações de ódio” aos nordestinos após a reeleição de Dilma e lembra que “o preconceito aos nordestinos não é algo inventado nestas eleições. Em São Paulo, falar que alguém fez uma ‘baianada’ é o mesmo que qualificá-lo como portador de pouca inteligência. No Rio de Janeiro, o ‘baiano’ é transmutado em ‘paraíba’. Então, a desqualificação das pessoas, tomando como referência a região, é algo recorrente”.

Contudo, a reação durante as eleições é explicada pela socióloga como um preconceito contra o ex-presidente Lula. “O Partido dos Trabalhadores tem como grande líder um nordestino, de origem pobre, com pouco estudo e que não se envergonha de falar disso, que não fez concessão à elite intelectual, no sentido de performatizar um conhecimento acadêmico que não tem. (…) O ódio ao nordestino, nesse contexto, tem outro texto: O ódio de classe que encontra no PT e no Lula a materialização de um medo profundo de perder os privilégios seculares baseados na exploração da força de trabalho”, afirma.

Berenice enfatiza ainda que é sem sentido identificar o voto à Dilma com pessoas sem formação. “Quase 100% dos reitores das universidades votaram pela reeleição da Dilma (e não apenas os reitores das universidades nordestinas), a elite intelectual do Brasil, a que faz pesquisa, que produz, que coloca o Brasil nos periódicos científicos nacionais e internacionais e que participa de eventos, não vou dizer 100% porque seria um absurdo da minha parte, mas a grande maioria votou no PT. Por que isso? Porque obviamente é um voto de interesse. Parte importante da classe média alta, como, por exemplo, muitos professores de universidade com salários na faixa dos 10 mil a 15 mil reais, votou na Dilma. Portanto, aqui há outro erro em identificar a classe média brasileira como eleitora do PSDB. Parte considerável desta classe votou no PT.” Continue lendo “Binaridades não ajudam a entender as relações sociais manifestadas nas eleições. Entrevista especial com Berenice Bento”

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Chile: Carabineros dejan inconsciente a menor mapuche

Juan Huentecol, menor mapuche golpeado por los carabineros   (Imagen: Lof Wentekol La Alta Frontera)
Juan Huentecol, menor mapuche golpeado por los carabineros (Imagen: Lof Wentekol La Alta Frontera)

Servindi – Un menor de edad mapuche de la comunidad Mallekoche, en la provincia de Malleko, región de la Araucanía, fue brutalmente agredido por la policía tras ser detenido en una protesta al interior de un fundo contra una empresa que afecta recintos ceremoniales indígenas.

Así lo denunció un comunicado emitido hoy por la citada comunidad que describe lo ocurrido el martes 18 de noviembre, cuando tres de sus miembros fueron al fundo El Fiscal a exigir a la empresa Serviterra que detenga “el grave daño y deterioro irreparable” a un cementerio mapuche antiguo y al río Malleko.

Dicha delegación lo conformaba el líder Mirko Collio, junto a Fabiola Llanca y el menor Juan Huentecol, de catorce años de edad. Continue lendo “Chile: Carabineros dejan inconsciente a menor mapuche”

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Uma em cada três mulheres é vítima de violência no mundo, mostra OMS

Uma em cada três mulheres no mundo é víima de abusos físicos Arquivo/Agência Brasil
Uma em cada três mulheres no mundo é víima de abusos físicos Arquivo/Agência Brasil

Da Agência Lusa

Uma em cada três mulheres é vítima de abusos físicos em todo o mundo, indica uma série de estudos divulgados hoje pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Entre 100 milhões e 140 milhões de mulheres são vítimas de mutilação genital e cerca de 70 milhões se casam antes dos 18 anos, frequentemente contra a sua vontade.

Os dados indicam que 7% das mulheres correm o risco de sofrer violência em algum momento das suas vidas. Continue lendo “Uma em cada três mulheres é vítima de violência no mundo, mostra OMS”

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Para muita gente, basta saber que a outra pessoa é negra, por Leonardo Sakamoto

Leonardo Sakamoto

Aproveito o Dia da Consciência Negra, celebrado nesta quinta (20), para trazer um texto que já havia publicado aqui. Pois há amigos que nunca foram parados em uma blitz policial e continuam a estranhar os depoimentos dos que foram.

Normalmente, são brancos, caucasianos, bem vestidos, jeito de bom moço ou moça, com todos os dentes ou próteses bem feitas, dirigindo veículos que estão nos comerciais bonitos de TV. Aqueles anúncios com o relevo e a fauna características de nosso país, como montanhas nevadas e cervos.

Um deles, por exemplo, me explicou que pilota uma moto há tempos sem habilitação. “A polícia não para de jeito nenhum.” Enquadra-se perfeitamente na categoria acima descrita. Recentemente, um róseo conhecido foi parado em uma batida. Ficou transtornado. “Como se atrevem? Acham que sou um qualquer?”

Por outro lado, há aqueles que cansaram de cair na malha fina da polícia. Quase sempre, negros ou pardos.

De tanto ser parado, um colega negro já encara como hábito. Perguntei se isso não o revoltava. Explicou, com um certo cansaço, que, desde moleque, era sempre a mesma coisa. Então, se acostumou. Já chegou a cair em duas batidas na mesma noite. Procuravam um meliante.

Pesquisa do Grupo de Estudos sobre Violência e Administração de Conflitos da Universidade Federal de São Carlos, lançada neste ano, apontou que a mortalidade de negros devido à violência policial é três vezes maior que a de brancos no Estado de São Paulo – apesar dos negros serem minoria. Continue lendo “Para muita gente, basta saber que a outra pessoa é negra, por Leonardo Sakamoto”

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Mais de metade dos quilombolas adultos passam fome, mostra estudo

296x404x150.jpg.pagespeed.ic.8e1Rn7ZaYzAndreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil

Mais da metade (55,6%) dos adultos quilombolas estão em situação de insegurança alimentar no Brasil. Os dados estão no estudo Quilombos do Brasil: Segurança Alimentar e Nutricional em Territórios Titulados, lançado ontem (20) pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir). A publicação apresenta a pesquisa sobre a situação alimentar e nutricional em comunidades quilombolas e o acesso delas a serviços e programas governamentais, além do perfil socioeconômico das famílias e comunidades.

Entre crianças e adolescentes, 41,1% da população estudada estão na mesma situação de insegurança alimentar. Quando analisada por regiões, a maior taxa é encontrada no Baixo Amazonas (79,1%), e a menor em comunidades do Semiárido (15,9%). O estudo também engloba o nordeste paraense, com 43% das crianças vulneráveis, o norte maranhense (45,7%), o norte Semiárido (31,7%) e o Centro-Sul (18%).

“O quadro vivenciado pelo Baixo Amazonas é gravíssimo quando se constata que a cada cinco residências, quatro têm crianças com carência alimentar – fome. As regiões nordeste paraense, norte maranhense e norte Semiárido têm frequências elevadas, e no Semiárido e Centro-Sul os valores são expressivamente mais baixos, porém observa-se a existência dessa situação”, diz o estudo.

A coleta em campo foi realizada em 2011, em 55 municípios de 14 estados. Foram visitados 97 territórios quilombolas, nos quais vivem 40.555 pessoas, em 9.191 domicílios distribuídos em 169 comunidades. O levantamento leva em conta as comunidades que receberam o título de posse coletiva da terra, entre 1995 e 2009, e também apresenta dados sobre o estado nutricional das crianças menores de 5 anos. Continue lendo “Mais de metade dos quilombolas adultos passam fome, mostra estudo”

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Pará lança sistema de combate ao desmatamento para grilagem de terras públicas

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Por Andreia Verdélio, da Agência Brasil

O governo do Pará publica, desde ontem (20), a Lista do Desmatamento Ilegal (LDI) no estado, com base em imagens de satélite e autuações de fiscalizações estaduais e municipais. A grilagem de terras públicas é a principal causa de desmatamento ilegal no Pará e o novo sistema poderá embargar essas áreas e impedir acesso a crédito, licenças e autorizações por órgãos públicos.

O coordenador do Programa Municípios Verdes, Justiniano Netto, informa que a LDI começa com cerca de 200 áreas irregulares identificadas por imagens de satélite e já embargadas. Elas têm, em média, 300 hectares, e pelo tamanho, há a suspeita de que foram desmatadas para a prática de grilagem.

“Essa é a nossa inovação, a aplicação de embargo também em locais sem Cadastro Ambiental Rural. Temos áreas desmatadas no Pará que não se sabe quem é o responsável, quando a fiscalização chega já não tem mais ninguém. Agora, quando o responsável for tentar legalizar a propriedade perante qualquer órgão público, ele não vai conseguir, porque o embargo é sobre a área, a imagem de satélite, e não só sobre o proprietário”, disse Netto. Continue lendo “Pará lança sistema de combate ao desmatamento para grilagem de terras públicas”

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USP: as origens do impasse e uma possível saída

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Reacesa esta semana, com divulgação geral dos salários, crise da universidade está ligada a esforço para manter elitismo, quando sociedade exige democratização

Por Ana Castro, do Retrato do Brasil, parceiro editorial de Outras Palavras

Neste ano, a Universidade de São Paulo (USP) completa 80 anos. A merecida comemoração da maior universidade brasileira, entretanto, tem ficado em segundo plano frente à crise que enfrenta ao menos desde maio, quando uma greve de professores, funcionários e alunos parou parte de seus cursos e a colocou diariamente nas páginas dos jornais, questionando a sua própria razão de ser. Se o encerramento da greve, em fins de setembro, resolveu questões mais imediatas, há temas e decisões ainda no ar que refletem o embate de divergentes pontos de vista a respeito do presente e do futuro da USP.

A história dessa crise mais recente começa em janeiro passado, quando Marco Antonio Zago tornou-se reitor da USP contando com forte adesão da comunidade acadêmica. Mais votado pelo Conselho Universitário, com 49% das indicações, e preferido pela comunidade uspiana, segundo consulta interna, Zago, oriundo da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, foi o primeiro colocado da lista tríplice enviada a Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, encarregado de nomear os reitores das universidades estaduais. Em sua campanha, Zago preconizou o diálogo interno, convidando “professores, servidores e estudantes” a reconstruir, junto com a reitoria, “relações civilizadas, que implicam diálogo, confronto de ideias, discordância, pressões legítimas, mas jamais discórdia e recurso à força física; respeito àqueles que discordam de nós, capacidade de reformular nossas propostas, de ceder, de convencer”. Sua candidatura parecia se contrapor à gestão anterior, de João Grandino Rodas (da qual Zago fez parte), acusada de autoritarismo, centralização e privatismo. Continue lendo “USP: as origens do impasse e uma possível saída”

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SEPPIR e PNUD lançam edital para a realização de Mapeamento dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana do Rio de Janeiro

A publicação está disponível desde ontem (20), Dia Nacional da Consciência Negra, no endereço eletrônico http://www.undp.org.br/licitacoes/ListarAvisos.aspx. O prazo para as instituições interessadas se inscreverem vai até às 17h do dia 22/12

SEPPIR

Foi publicado ontem (20), Dia Nacional da Consciência Negra, edital que visa selecionar entidades interessadas na realização de “Mapeamento Socioeconômico e Cultural dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana em 11 Municípios da Região Metropolitana do Rio de Janeiro – RJ”. As organizações têm até às 17h do dia 22 de dezembro de 2014 para se inscrever.

As propostas deverão ser enviadas em envelopes lacrados para o endereço “Setor de Embaixadas Norte (SEN) – Quadra 802 – Conjunto C – Lote 17 / Brasília, DF / CEP: 70800-400”, aos cuidados da Unidade de Compras e Contratos.

Confira o Edital. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (61) 3038-9300, telefax (61) 3038-9010, ou e-mail [email protected] .

Além da capital fluminense, serão contemplados os municípios de Belford Roxo, Duque de Caxias, Maricá, Nilópolis, Niterói, Nova Iguaçu, São Gonçalo, São João de Meriti, Japeri e Mesquita. Continue lendo “SEPPIR e PNUD lançam edital para a realização de Mapeamento dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana do Rio de Janeiro”

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