Partidos obstruem reunião sobre a PEC de demarcação de terras indígenas

Indígena e ConstituiçãoAgência Câmara

Por meio de apresentação de questões de ordem e exigências de leitura e discussão de ata, deputados do PT, PV, Psol, PCdoB e PSB estão obstruindo a reunião da comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215/00, que submete ao Congresso a decisão final sobre a demarcação de áreas indígenas.

A reunião foi iniciada no início da noite para análise do relatório do deputado Osmar Serraglio (PDMB-PR). Embora não tenha sido convocada pelo presidente do colegiado, deputado Afonso Florence (PT-BA), ela está sendo realizada graças ao apoio de 1/3 dos seus integrantes, obtido pelo deputado Nilson Leitão (PSDB-MT), que está presidindo a reunião.

No entanto, parlamentares contrários à PEC questionam a reunião. O deputado Sarney Filho (PV-MA) estranhou a insistência da bancada ruralista em aprovar a PEC na comissão ainda neste ano, já que não terá nenhum efeito prático, pois a matéria ainda precisa ser votada em dois turnos no Plenário. Na opinião de Sarney, isso só serve para despertar a ira dos indígenas.

Já o coordenador da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS), afirmou que esse assunto já está sendo discutido há muito tempo e está claro que a PEC não pretende tirar direitos dos indígenas.

Há pouco foi permitida a entrada de cinco índios no plenário 5, onde está sendo realizada a reunião, graças à negociação feita pelo deputado Jean Wyllys (Psol-RJ). Devido à confusão ocorrida no início da reunião no corredor de acesso aos plenários das comissões, com gritaria, empurrões e discussão, inclusive envolvendo parlamentares, a segurança havia sido reforçada e algumas pessoas, inclusive indígenas, tinham sido impedidas de entrar na sala.

Segundo uma das representantes dos índios, há dezenas de outros fora da Câmara que foram impedidos de entrar no prédio do Congresso.

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No dia dos direitos humanos, ruralistas fecham a Câmara dos Deputados para aprovar PEC que acaba com direitos indígenas

Constituição 1988

Bancada ruralista apresentou questão de ordem e acertou reunião diretamente com o Presidente da Câmara, Henrique Alves, sem passar pelo Presidente da Comissão, Deputado Afonso Florence

Por Daniel Pierri, no CTI – Centro de Trabalho Indigenista

Nesse 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, a bancada ruralista do congresso tenta, na surdina, votar a aprovação do novo relatório do Projeto de Emenda à Constituição 215/2000. A sessão já foi aberta e nesse momento dezenas de lideranças indígenas estão sendo barradas no Plenário 5 da Câmara dos Deputados com forte presença policial.

A reunião de hoje só foi possível através de um golpe regimental: a bancada ruralista apresentou uma questão de ordem diretamente ao Presidente da Câmara dos Deputados, o Deputado Henrique Eduardo Lyra Alves, sem antes passar pelo Presidente da Comissão Especial da PEC 215, Deputado Afonso Florence.

De autoria do Deputado ruralista Osmar Serraglio, o projeto passa a responsabilidade exclusiva na demarcação de Terras Indígenas (TIs), Unidades de Conservação (UCs) e Territórios Quilombolas, do poder Executivo para o Legislativo. O movimento indígena aponta que, na prática, a alteração significaria paralisar as demarcações, além de atacar os direitos indígenas conquistados pela Constituição de 1988, já que a emenda prevê a revisão de terras já demarcadas.

Justamente no dia em que foi publicado o Relatório Final da Comissão Nacional da Verdade que contém um capítulo indígena específico relatando casos de violação de direitos humanos, a aprovação da PEC 215 significaria perpetrar as violações do passado como política para o futuro do país. Moyses Lupion, ex- governador do Paraná, foi identificado pela CNV como o maior responsável pelo esbulho de terras indígenas no estado. Seu neto, o Deputado Alberto Lupion, coautor da PEC 215, é membro da bancada ruralista. Seu empenho em aprovar a PEC que ataca os direitos indígenas é mais um exemplo de práticas da ditadura institucionalizadas em nossa política.

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Protesto dos Krenak contra a Vale, na Estrada de Ferro Vitória a Minas, terminou no início da noite

Índios ocupam a Estrada de Ferro Vitória a Minas desde o dia 9 de dezembro
Índios ocupam a Estrada de Ferro Vitória a Minas desde o dia 9 de dezembro

O protesto dos Krenak contra a Vale terminou por volta das 18 horas, segundo notícia atualizada do Hoje em Dia. (TP)

Por Ana Lúcia Gonçalves, em Hoje em Dia

Pelo menos duas mil pessoas deixaram de ser transportadas, nesta quarta-feira (10), pelo trem de passageiros da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM). O local está interditado desde a tarde dessa terça-feira (9) pelos índios krenak, em Resplendor, no Vale do Rio Doce. As negociações para a liberação da linha continuam, sem sucesso.
O único avanço até agora foi a liberação do funcionário da Vale que teria ido à aldeia para negociar e acabou impedido de deixar o local. Os índios reivindicam, entre outros, repasse financeiro de R$ 3 milhões e a saída da equipe técnica da Vale que apoia a implementação do projeto de pecuária leiteira na aldeia.
Essa é a segunda vez em menos de uma semana que os índios interditam a ferrovia. A primeira foi sábado (6),quando a manifestação durou cerca de sete horas. Os índios alegam que a mineradora vem descumprido acordos firmados entre as partes desde 2006, ano em que uma manifestação semelhante comprometeu o transporte de cargas e passageiros.

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PF e Ibama prendem nove pessoas e lacram 22 madeireiras por fraude em Rondônia

Alex Rodrigues – Agência Brasil

Policiais federais e agentes do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) prenderam nove pessoas e lacraram 22 madeireiras em Rondônia. A ação faz parte da chamada Operação Mesclado, deflagrada hoje (10) para combater a extração ilegal de madeira do interior da Terra Indígena Mequéns, próxima à cidade de Pimenta Bueno, na região sul do estado.

De acordo com a PF, os envolvidos no esquema são acusados de fraudar planos de manejo e falsificar documentos para esconder a origem ilícita da madeira. A PF afirma que, além de madeireiros, consultores ambientais, transportadores e “laranjas”, o esquema contava com a “conivência” das lideranças indígenas locais. A estimativa é que o grupo tenha movimentado cerca de R$ 500 milhões.

As diligências ainda não foram encerradas. No total, a Justiça Federal expediu 66 mandados judiciais que estão sendo cumpridos em dez municípios da região. Dos dez mandados de prisão preventiva, apenas dois não haviam sido cumpridos até as 14h30 (horário de Brasília), porque os investigados não tinham sido localizados. Pelo mesmo motivo, três dos 17 mandados de condução coercitiva (quando o investigado é conduzido para prestar depoimento e liberado em seguida) também continuavam pendentes. Continue lendo “PF e Ibama prendem nove pessoas e lacram 22 madeireiras por fraude em Rondônia”

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A ‘guerra’ do Araguaia contada pelos Aikewara

Foto: Orlando Calheiros
Foto: Orlando Calheiros

Livro coordenado pelos antropólogos Iara Ferraz e Orlando Calheiros em parceria com os Aikewara traz a versão dos indigenas sobre o horror vivido durante o combate dos militares à guerrilha. Na primeira anistia concedida a um grupo da mesma etnia, 13 deles foram recentemente anistiados e indenizados

A Pública

O avião pousou bem no meio da aldeia Aikewara  arrancando a cobertura das casas de palha, provocando pânico entre as famílias. Mulheres e crianças correram para se esconder na mata, mas foram surpreendidas pela tropa que vinha por terra, acompanhando os oficiais que vieram pelo ar. Furiosos, os militares perguntavam sobre o paradeiro dos “terroristas” – é assim que se referiam aos guerrilheiros –  apontando as armas para os indígenas atônitos que nada sabiam da perseguição aos militantes do PCdoB, nem mesmo sobre a ditadura militar. Depois, prenderam todos em suas casas, não podiam sair para a roça, nem para pescar ou caçar, e tocaram fogo no paiol lotado de milho e  mandioca armazenados para um ritual que aconteceria naquele mesmo período – o Karuwara, no início da estação seca. Continue lendo “A ‘guerra’ do Araguaia contada pelos Aikewara”

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Projeto Carbono Suruí: ao invés de direitos, dinheiro, por Michael F. Schmidlehner

Foto: Betty Mindlin
Foto: Betty Mindlin

Ontem publicamos a entrevista de Patrícvia Bonilha “Pra quê projetos que destroem a vida?”, questiona Henrique SuruíEsta é outra matéria sobre os projetos REDD, também presente na  Edição Especial da Revista Porantim sobre ‘economia verde’. Para acessar a edição completa, clique aqui. (TP)

Michael F. Schmidlehner*, Revista Porantim

O projeto Carbono Florestal Suruí foi iniciado em 2007 e é considerado pioneiro no Brasil por ser o primeiro projeto do mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (Redd) em terras indígenas a ser validado em certificações internacionais. Implementado na Terra Indígena Sete de Setembro, ele abrange florestas localizadas nos estados de Rondônia e Mato Grosso.

Elaborado através da parceria da Associação Metareilá do Povo Suruí com a Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, as Organizações Não Governamentais (ONG) estadunidenses Forest Trends e Equipe de Conservação da Amazônia (ACT Brasil), o Instituto de Conservação e Desenvolvimento do Amazonas (Idesam) e o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), o projeto contou ainda com o acompanhamento da Fundação Nacional do Índio (Funai) para a sua implementação.

Para as organizações envolvidas, o elemento central que comprova a legitimidade do projeto é um documento publicado em inglês e português pela ACT, no ano de 2010, intitulado “Consentimento Livre, Prévio e Informado – Projeto Carbono Suruí”. O consentimento livre, prévio e informado, como é orientado pela Convenção 169 da Organização Internacional de Trabalho (OIT), deve servir para proteger os interesses de povos indígenas frente a medidas que afetem suas vidas, crenças, instituições, valores espirituais e a terra que ocupam e utilizam. Este direito à consulta certamente é uma das armas mais importantes dos povos indígenas e das comunidades tradicionais na luta contra as contínuas invasões e transgressões que sofrem em seus territórios. Continue lendo “Projeto Carbono Suruí: ao invés de direitos, dinheiro, por Michael F. Schmidlehner”

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A tentativa de golpe do dia: ruralistas marcam reunião extraordinária para a PEC 215 às 18 h. Quem puder, é já para a Câmara!

Constituição Demarcação Já

Tania Pacheco – Combate Racismo Ambiental

Depois da tentativa de ontem, quando Nilson Leitão (PSDB MT) encabeçou de manhã uma lista pedindo reunião extraordinária para votar a PEC 215 às 16 horas, o golpe frustrado pelo protesto dos indígenas e seus aliados volta a ser tentado hoje. O alerta foi de Henyo Barretto:

“URGENTE!!! Alerta de mobilização. Reunião da Comissão Especial da PEC 215 hoje às 18h na Câmara em local a definir. Confirmado! Baixem aqui!”

A famigerada está marcada para o Plenário 5, e é fundamental que todas as pessoas que puderem compareçam!

Quilombolas, essa luta é de vocês também!!

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Fundo Brasil de Diretos Humanos disponibiliza R$ 800 mil para financiar projetos

Fundo BrasilFundo Brasil de Direitos Humanos

Até dia 27 de fevereiro de 2015, está aberto o edital para o Fundo Brasil de Direitos Humanos, que busca apoiar projetos que tenham como objetivo combater a violência institucional (qualquer forma de violação a direitos humanos promovida por instituições oficiais, suas delegações e/ou empresas) e a discriminação.  No total, são disponibilizados R$ 800 mil para projetos, que receberão entre R$ 20 e R$ 40 mil cada. As propostas devem ter até um ano de duração.

Os projetos devem ter um ou mais dos seguintes focos: superexploração do trabalho, trabalho escravo e trabalho infantil; violência policial, de milícias ou esquadrões da morte; tortura e execuções; não acesso à terra e ao território; democratização do acesso à justiça; violação de direitos socioambientais; criminalização de organizações e movimentos sociais; violência contra defensores de direitos humanos; discriminação no acesso ao serviço público; discriminação de gênero, de raça, de etnia; de orientação sexual; discriminação em razão de condição econômica; e combate à intolerância religiosa.

Os interessados devem enviar o formulário, disponibilizado no site, exclusivamente via Correios. É necessário que sejam remetidas duas cópias impressas do formulário respondido, acompanhado de uma carta assinada por outra organização ou indivíduo recomendando o projeto. Além disso, é necessário o envio do nome de duas pessoas, com endereço e telefone para contato, que possam dar referências sobre a organização ou sobre o indivíduo proponente. Cada organização poderá apresentar apenas um único projeto.

Serviço

Fundo Brasil de Direitos Humanos: Rua Santa Isabel, 137, conj. 42 – Cep: 01221-010 – São Paulo – SP

Dúvidas devem ser enviadas para [email protected].

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