
Estatísticas provam que no Brasil, as mulheres negras são privadas, em diversos sentidos, do acesso à saúde. Como dar visibilidade e combater esse quadro que se sustenta sobre mecanismos racistas e machistas?
Por Jarid Arraes – População Negra e Saúde*
No dia 25 de novembro, o Ministério da Saúde lançou uma campanha contra o racismo no Sistema Único de Saúde (SUS), o que gerou revolta entre a classe médica. Em uma tentativa de conscientizar a população e os profissionais de saúde a respeito do racismo presente no atendimento médico, foram exibidas estatísticas, depoimentos e imagens estimulando a denúncia contra casos de discriminação.
O Conselho Federal de Medicina, no entanto, se posicionou de forma contrária à campanha, alegando que continha tom racista; o secretário do CFM, Sidnei Ferreira, afirmou que o Ministério insinua a prática de uma espécie de “apartheid” por parte dos médicos, que dariam atendimento diferenciado entre pessoas negras e brancas.
Talvez o secretário do Conselho Federal de Medicina não tenha conferido as estatísticas divulgadas pelo Ministério, tampouco tenha se interessado em ouvir os diversos coletivos, ONGs e entidades que lutam contra o racismo no Brasil. Se tivesse feito qualquer pesquisa, Sidnei Ferreira se depararia com a inegável realidade do racismo institucionalizado: sim, os profissionais da saúde tratam pessoas negras de forma diferenciada, negligente e discriminatória – algo que vai muito além do corporativismo. Continue lendo “Mulher negra e saúde: “A invisibilidade adoece e mata!””








