
A deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP), que desde 2011 tenta emplacar no Congresso uma revisão da Lei da Anistia com punição aos acusados de repressão durante a ditadura, acredita que a Comissão Nacional da Verdade (CNV) “traiu os movimentos sociais” e foi “covarde” ao não enfrentar os militares. Aos 80 anos, a socialista expressou suas críticas ao que chamou de “processo extremamente fechado” da comissão, que não envolveu a sociedade na construção de seu parecer final. Ela se emocionou ao se lembrar de amigos desaparecidos nos governos militares e afirmou que a CNV não representa esperanças para a punição de envolvidos em crimes de tortura
“Não podemos nos enganar e achar que o dever histórico do Estado está garantido com este relatório. Não está. O governo brasileiro continua em dívida com as vítimas da ditadura militar”, disse Erundina. A parlamentar acredita que as conclusões da Comissão, que saem nesta quarta-feira, Dia Internacional dos Direitos Humanos, são “só mais um relatório que vai para o Arquivo Nacional”.
Suas declarações representam uma voz crítica no ambiente de esquerda em relação às investigações da comissão, que se propõe a reacender o debate sobre crimes como tortura, assassinato e ocultação de cadáveres durante os governos militares, entre 1964 e 1985.
“Todo o processo da comissão foi extremamente fechado”, critica Erundina. “Ninguém teve acesso. Este relatório nunca poderia ser divulgado sem haver uma discussão de avaliação com comitês do país inteiro que levantaram dados e devem ter contribuído com as principais informações deste relatório”, afirmou.
“Por isso, na minha visão, os movimentos sociais foram traídos pela Comissão da Verdade.” Continue lendo “Erundina diz que a Comissão Nacional da Verdade “traiu os movimentos sociais” e foi “covarde” ao não enfrentar os militares”







