Especial Ixé Anhe’eng: Tupi deu importantes contribuições ao português

Maricá (RJ) - Na Aldeia Mata Verde Bonita, 20 famílias Guarani Mbyá se comunicam na língua materna, um idioma indígena do tronco tupi-guarani (Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Maricá (RJ) – Na Aldeia Mata Verde Bonita, 20 famílias Guarani Mbyá se comunicam na língua materna, um idioma indígena do tronco tupi-guarani (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Vitor Abdala – Repórter da Agência Brasil

Meu xará, carioca da Tijuca, foi ao Pará surfar a pororoca, em um rio infestado de piranhas e jacarés. Nas margens, viu jaguares, quatis e capivaras. No céu, sobrevoavam araras, tucanos e urubus. Enquanto estava lá, bebeu suco de caju e de maracujá. Comeu pipoca, mandioca, carne de tatu e depaca. Visitou uma taba amazônica e foi cutucado por um curumim curioso. Dormiu em uma oca cheia de cupim e ficou com o corpo coberto de perebas. Foi atendido por um pajé. Depois de algum tempo, quando já estava na pindaíba, voltou para casa.

O texto acima é fictício e pode até ter informações inexatas, mas serve para mostrar como a língua usada no dia a dia no Brasil recebeu grande influência do idioma tupi, amplamente falado no país quando os primeiros portugueses chegaram aqui no século 16. Nada menos que 27 palavras de origem indígena (que estão grifadas em itálico) foram usadas no parágrafo.

O tupi antigo foi, durante as primeiras décadas de ocupação portuguesa, a principal língua de comunicação entre índios, europeus e uma geração de brasileiros mestiços que começava a povoar o território nacional. Continue lendo “Especial Ixé Anhe’eng: Tupi deu importantes contribuições ao português”

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Especial Ixé Anhe’eng: Brasil tem cinco línguas indígenas com mais de 10 mil falantes

Maricá (RJ) - Na Aldeia Mata Verde Bonita, o líder Miguel Veramirim diz que a primeira língua aprendida pelas crianças é o guarani (Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Maricá (RJ) – Na Aldeia Mata Verde Bonita, o líder Miguel Veramirim diz que a primeira língua aprendida pelas crianças é o guarani (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Vitor Abdala – Repórter da Agência Brasil

Cinco das mais de 150 línguas indígenas faladas no Brasil têm mais de 10 mil falantes, segundo dados do Censo de 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o Censo, que leva em consideração pessoas com mais de 5 anos de idade que usam o idioma em seu próprio domicílio, as línguas mais usadas no Brasil são o tikuna (com 34 mil falantes), o guarani kaiowá (com 26,5 mil), o kaingang (22 mil), o xavante (13,3 mil) e o yanomami (12,7 mil).

Dessas cinco, três (tikuna, guarani kaiowá e yanomami) têm ainda mais falantes do que o divulgado pelo Censo do IBGE, já que são usadas também por indígenas que vivem em países vizinhos, como o Paraguai, a Colômbia e a Venezuela.

Mais sete idiomas superam a marca de 5 mil falantes no Brasil: guajajara (9,5 mil), sateré-mawé (8,9 mil), terena (8,2 mil), nheengatu ou língua geral amazônica (7,2 mil), tukano (7,1 mil), kayapó (6,2 mil) e makuxi (5,8 mil). Se o guarani nhandeva (com 5,4 mil falantes) e o guarani mbya (5,3 mil) forem considerados línguas distintas do kaiowá, o número chega a nove. Continue lendo “Especial Ixé Anhe’eng: Brasil tem cinco línguas indígenas com mais de 10 mil falantes”

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Especial Ixé Anhe’eng: Línguas indígenas ganham reconhecimento oficial de municípios

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Vitor Abdala – Repórter da Agência Brasil

Em 2002, São Gabriel da Cachoeira, no noroeste do estado do Amazonas, tornou-se o primeiro município brasileiro a alçar línguas indígenas ao mesmo status do português. Uma lei municipal tornou o tukano, o baniwa e o nheengatu (derivado do tupi antigo e usado como língua franca na Amazônia durante décadas) línguas co-oficiais da cidade.

Segundo a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), em São Gabriel da Cachoeira são falados 18 idiomas. A Foirn considera o Alto Rio Negro uma das regiões de maior diversidade étnica e linguística da Amazônia.

A lei municipal garante, entre outros pontos, que as repartições públicas tenham atendimento, oral e escrito, nas quatro línguas. Os documentos públicos e as campanhas institucionais da prefeitura também devem ter versões nos três idiomas indígenas. Continue lendo “Especial Ixé Anhe’eng: Línguas indígenas ganham reconhecimento oficial de municípios”

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Especial Ixé Anhe’eng: Brasil pode perder 30% de suas línguas indígenas nos próximos 15 anos

Maricá (RJ) - Na Aldeia Mata Verde Bonita, 20 famílias Guarani Mbyá se comunicam na língua materna, um idioma indígena do tronco tupi-guarani (Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Maricá (RJ) – Na Aldeia Mata Verde Bonita, 20 famílias Guarani Mbyá se comunicam na língua materna, um idioma indígena do tronco tupi-guarani (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Vitor Abdala – Repórter da Agência Brasil

O Brasil corre o risco de perder, no prazo de 15 anos, um terço de suas línguas indígenas, estima o diretor do Museu do Índio, José Carlos Levinho. Atualmente, os índios brasileiros falam entre 150 e 200 línguas e devem ser extintas, até 2030, de 45 a 60 idiomas.

“Um número expressivo de povos, inclusive na Amazônia, tem cinco ou seis falantes apenas. Nós temos 30% [das línguas] dos cerca de 200 povos brasileiros com um risco de desaparecer nos próximos dez ou 15 anos, porque você tem poucos indivíduos em condições de falar aquela língua”, alerta Levinho.

Segundo ele, desde que o Museu do Índio iniciou um trabalho de documentação de línguas dos povos originais, chamado de Prodoclin, em 2009, os pesquisadores do projeto viram dois idiomas serem extintos, o apiaká e o umutina. Continue lendo “Especial Ixé Anhe’eng: Brasil pode perder 30% de suas línguas indígenas nos próximos 15 anos”

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Filme “O lucro acima da vida” terá sessão gratuita hoje, em Santos

Exibição organizada pelo Sindicato dos Bancários de Santos e Região e Intersindical – Central da Classe Trabalhadora, acontece no Cine Roxy 5, sala 1.

Você não pode perder este filme, que estará em única exibição dia 11/12 (quinta-feira), no Roxy 5 (Santos/Gonzaga, Av. Ana Costa, 443), às 19h, na Sala 1, com entrada gratuita  patrocinada pelo Sindicato dos Bancários de Santos e Região.

A história é baseada em fatos reais vivenciados pela direção do Sindicato dos Químicos Unificados de Campinas e Osasco e os trabalhadores da Shell, em Paulínia.

“O filme tem grande importância porque denuncia o massacre contra centenas de pessoas e resgata o protagonismo dos trabalhadores que lutaram, junto com a população local, contra uma gigante do capitalismo” afirmou o presidente do Sindicato dos Bancários de Santos e Região e secretário de Relações Internacionais da Intersindical, Ricardo Saraiva Big.

Enviada para Combate Racismo Ambiental por  Lara Schneider.

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Ruralistas dão novo golpe em comissão da PEC 215; votação pode acontecer na semana que vem

Indígenas foram impedidos de acompanhar comissão que decide destinos de Terras Indígenas | Oswaldo Braga - ISA
Indígenas foram impedidos de acompanhar comissão que decide destinos de Terras Indígenas | Oswaldo Braga – ISA

Bancada do agronegócio faz reunião à revelia de presidente de comissão especial, a portas fechadas, com respaldo do presidente da Câmara, Henrique Alves, e passa por cima de regimento da casa. Seguranças usaram de violência para conter manifestantes

Oswaldo Braga de Souza – ISA

Os ruralistas deram novo golpe para fazer avançar a tramitação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215. Desta vez, apelaram ao presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), e conseguiram realizar, no início da noite de ontem (10/12), uma nova reunião da comissão, a portas fechadas, à revelia e sem a presença de seu presidente, Afonso Florence (PT-BA). A bancada do agronegócio solicitou a realização da reunião diretamente a Alves depois de Florence negar o pedido e marcar um novo encontro da comissão para a próxima terça.

Por mais de duas horas, deputados do PSOL, PT, PSB, PV e PCdoB conseguiram obstruir a votação do projeto, lançando mão de questões de ordem e outros instrumentos regimentais. Enquanto ainda votavam as atas de reuniões anteriores, o deputado Nelson Marquezzeli (PTB-SP) pediu vistas do relatório da PEC e o vice-presidente da comissão, Nilson Leitão (PSDB-MT), acatou o pedido e encerrou a sessão. O objetivo de Marquezzelli foi evitar novas manobras regimentais dos opositores da PEC, inclusive impedir outros pedidos de vista. Florence não apareceu na comissão sob orientação da liderança do governo na Câmara.

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Nota pública sobre a prisão do Kaingang Ireni Franco

Cimi-40anosCimi Regional Sul

No dia 09 de dezembro de 2014, pela parte da manhã, na cidade de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, a Polícia Federal prendeu a liderança Kaingang Ireni Franco.

Segundo informações do cacique da Terra Indígena Passo Grande do Forquilha, a ação da polícia foi truculenta e em forma de emboscada, não permitindo o acompanhamento de advogado e sem poder informar a família. A liderança havia sido chamada a participar de audiência na Polícia Federal da referida cidade, onde ocorreu a prisão.

Ireni Franco vinha respondendo processo judicial há alguns anos devido à liderança que exerce na comunidade. Acusado e condenado no ano de 2012, recorreu e a Justiça manteve a decisão.

O que chama a atenção é que a prisão acontece num contexto de criminalização de lideranças indígenas, onde vários Kaingang que lutam pela demarcação de seu território estão sendo perseguidos e presos. Na avaliação das lideranças, a ação da polícia tem o objetivo de amedrontar as comunidades e intimidar as lideranças indígenas que lutam pela defesa de seus direitos.

CIMI Sul, dezembro de 2014.

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O agronegócio mata, por Egon Heck

Foto: Egon Heck
Foto: Egon Heck

por Egon Heck, Adital

Dezenas de camionetes chegam furiosamente até o tekohá Tey’juçu, no município de Caarapó-MS. Entre a forte poeira iniciam um intenso tiroteio sobre os Kaiowá Guarani, que há poucos dias haviam retornado a sua terra tradicional. Pavor e correria. Julia de Almeira, de 17 anos é atingida pelos tiros. Continua desaparecida. Os indígenas temem que tenha acontecido o mesmo que passou com os corpos de Nisio Gomes e Rolindo Vera, cujos corpos continuam desaparecidos.

No Mato Grosso do Sul o agronegócio já definiu suas estratégias na relação com os povos indígenas e seus territórios. A primeira atitude é a garantia legal através do pedido de interdito proibitório. Em caso de qualquer tentativa de indígena de retorno a seus territórios, em processo de retomada, ação de rechaço imediato, através de pistoleiros, capangas ou milícias particulares. Alegam que essa ação e mais eficaz, pois ações judiciais são muito demoradas. Agir de forma articulada com os fazendeiros e produtores rurais da região. Imediato pedido de reintegração de posse, caso a situação não seja resolvido pela ação imediata. É a política indigenista ruralista se materializando. Continue lendo “O agronegócio mata, por Egon Heck”

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Comunidades indígenas avaliam Projeto Água executado na região do Murupú, Terra Indígena Serra da Moça

CIRConselho Indígena de Roraima 

As comunidades indígenas da região do Murupú, na Terra Indígena Serra da Moça, município de Boa Vista, se reúnem nesses dois dias, 11 e 12 de dezembro, na comunidade indígena Morcego, para participar da Oficina de Avaliação do Projeto Água, que na língua Wapichana é chamado de“Wyn Awyn – Nau Warytaribei Id”.

O Projeto executado pelo Departamento Ambiental e Territorial do Conselho Indígena de Roraima (CIR), apoiado pela organização parceira CAFOD, após um ano de execução, chega ao processo de avaliação dos resultados juntamente com as comunidades indígenas beneficiadas com o projeto.

De acordo com a programação, para o primeiro dia, se reúnem as comunidades indígenas da região e a equipe executora do projeto, para uma avaliação geral dos resultados. Acompanham as atividades, o coordenador geral do projeto na região, Jairo Pereira da Silva, Macuxi, a coordenadora do departamento ambiental e territorial do CIR, Sineia Bezerra do Vale e a assistente ambiental, Chloe Hans-Barrientos.

Pela manhã, terá a avaliação e os informes da região, em seguida o trabalho de grupo para uma avaliação específica do projeto, buscando identificar a melhoria da qualidade de vida das comunidades, por meio do acesso à água, avaliação da execução do projeto e as sugestões. À tarde, a programação é destinada as mulheres indígenas, com espaço para avaliação das mudanças ocorrida no cotidiano, debate sobre a participação efetiva das mulheres nas ações coletivas, direitos e políticas públicas. Continue lendo “Comunidades indígenas avaliam Projeto Água executado na região do Murupú, Terra Indígena Serra da Moça”

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Conselho Nacional de Direitos Humanos toma posse e já inicia suas atividades

conselho direitos humanosPlataforma Dhesca

O Dia Internacional dos Direitos Humanos, comemorado ontem (10), foi marcado pela posse dos representantes da sociedade civil e do poder público no Conselho Nacional de Direitos Humanos. O CNDH foi instituído pela Lei 12.986/2014 com o objetivo de promover e defender os direitos humanos mediante ações de prevenção, proteção ou reparação das situações de ameaça a esses direitos. Antiga reivindicação da sociedade civil, o novo Conselho substitui o Conselho de Defesa da Pessoa Humana (CDDPH). Sua criação também está prevista no 3º Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3). Continue lendo “Conselho Nacional de Direitos Humanos toma posse e já inicia suas atividades”

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