Município: Traipu
Município(s) atingidos: Nossa Senhora de Lourdes, Gararu, Telha, Propriá, Traipu, Penedo, São Brás, Santana do São Francisco, Poço Redondo, Porto da Folha, Porto Real do Colégio, Piranhas, Belo Monte, Brejo Grande, Neópolis, Piaçabuçu, Canindé de São Francisco, Igreja Nova, Canhoba, Ilha das Flores
População atingida: Agricultores familiares, Pescadores artesanais, Povos indígenas, Quilombolas, Ribeirinhos
Danos causados: Piora na qualidade de vida, Insegurança alimentar
Sintese do conflito: O rio São Francisco, conhecido como “rio da integração nacional”, “Velho Chico”, ou “Opará” (designação em língua Tupi), nasce na Serra da Canastra no Estado de Minas Gerais, a aproximadamente 1200 metros de altitude. Atravessa o Estado da Bahia, até alcançar a divisa ao norte com Pernambuco e desaguar no oceano Atlântico, dividindo também os estados de Sergipe e Alagoas. O baixo São Francisco compreende o trecho entre a cidade de Piranhas, em Alagoas, e a foz, entre os municípios de Brejo Grande/SE e Piaçabuçu/AL.Devido aos longos trechos navegáveis, o rio São Francisco se constituiu, desde o período colonial, como uma via natural de ligação entre o litoral e o interior do país. Ao longo das margens do Baixo São Francisco organizaram-se centenas de pequenas comunidades, vilarejos, vilas e aldeias que tiram do rio seu sustento e têm nele sua maior referência simbólica e cultural. Pescadores artesanais, pequenos agricultores, índios, quilombolas, ribeirinhos, todos dependem das cheias do rio para garantir a fertilidade do solo e o sustento de suas comunidades. A pesca artesanal também é, até hoje, um importante recurso para a subsistência das comunidades.
A sobrevivência física e cultural destas comunidades está contudo ameaçada. Ao longo do século XX, grandes projetos de infra-estrutura, como barragens, usinas hidrelétricas e projetos de irrigação agrícola intensificaram o uso dos recursos naturais disponíveis concentrando água e outros recursos nas mãos de grandes proprietários rurais. A construção de diversas barragens e usinas ao longo da bacia diminuiu a vazão natural do rio e a alterou o regime de suas cheias periódicas. Estas traziam destruição e vida: ao mesmo tempo em que fertilizavam as terras ao longo das margens e garantiam o ciclo de reprodução de diversas espécies de peixes, destruíam com sua força as construções nas vilas ribeirinhas. Hoje o rio sofre com o assoreamento de seu leito e a retenção do curso natural pelas barragens. Continue lendo “Demagogia e realidade na transposição e no uso intensivo dos recursos naturais no Baixo São Francisco”



