A escola e a favela: entre a segregação e a educação com êxito. Entrevista especial com Ângela Paiva

[Unisinos] – O livro “A escola e a favela” (Rio de Janeiro: Ed. Pallas, 2010) é resultado de uma pesquisa que foi feita em quatro favelas por três professores que analisam o efeito da segregação urbana sobre o processo escolar. A IHU On-Line entrevistou, por telefone, a professora Ângela Paiva, que falou sobre o crescimento do ensino básico e refletiu sobre a relação da escola com o espaço onde os alunos vivem. Ela analisa principalmente a favela e descreve esse ambiente como “um lugar onde tem uma confluência perversa” de fatores negativos, como a baixa escolaridade dos pais, e isso, segundo ela, leva “a prática educacional a não ter êxito”.

“Quando a favela é muito grande, as pessoas circulam muito pouco pela cidade, então podemos falar em espaços segregados porque a sociabilidade é muito pequena. Por exemplo, tem uma favela aqui perto da Barra da Tijuca que fica a cinco minutos da praia, e muitas crianças e adolescentes daquela favela não vão à praia porque acham que aquele espaço não pertence a elas”, explicou Ângela.

Ângela Paiva é mestre em Educação pela Universidade de Connecticut (EUA) e em Sociologia pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro – IUPERJ, onde também fez o doutorado. Atualmente, é professora na PUC-Rio. Confira a entrevista. Continue lendo “A escola e a favela: entre a segregação e a educação com êxito. Entrevista especial com Ângela Paiva”

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Protesto lembra assassinato do líder José Maria

Site de organização Não Governamental da Alemanha repudia a morte do líder comunitário cearense, José Maria, que lutou contra o uso indiscriminado de agrotóxico na Chapada do Apodi
Movimentos sociais realizaram ato para lembrar morte do líder comunitário José Maria antecedendo audiência

Limoeiro do Norte. “A vida não espera para brotar. Como a árvore foi plantada, plantemos o sonho do Zé Maria”. Enquanto o padre Augusto seguia na celebração de luta contra a contaminação por agrotóxicos na Chapada do Apodi, centenas de trabalhadores davam as mãos e oravam de frente para o lugar onde três semanas atrás tombava com 19 tiros o líder comunitário e que agora a família planta duas mudas de mangueira. Sua morte e sua luta ganharam repercussão internacional, e 34 Organizações Não Governamentais (ONGs) europeias divulgam carta em repúdio à situação na Chapada do Apodi e de solidariedade aos movimentos sociais brasileiros.

Alemanha, Áustria, Suíça, Suécia estão representadas em 34 ONGs que acompanham os conflitos de terra e problemas ambientais e de saúde no Brasil e na América Latina. Em carta aberta distribuída por vários outros países da Europa, o movimento compartilha com a reivindicação local de apuração rigorosa no caso do assassinato e ressalta a luta contra a contaminação por agrotóxicos. Por e-mail com a reportagem, o professor alemão Tobias Schmidt, que soube da situação pelo site do Diário do Nordeste, relatou a indignação e surpresa com que recebeu a notícia.

“O assassinado do Zé Maria foi um choque para mim, nunca pensei que isso seria possível nessa região. Foi difícil ficar aqui sem ser capaz de fazer nada. Escrevi artigo e divulguei a notícia aqui, escrevemos uma carta de solidariedade que foi assinada por 35 ONGs e 175 pessoas dos quatro países”, contou Tobias, da Cooperação Brasileira na Alemanha (Kooperation-Brasilien) e que, no ano passado, esteve no Nordeste estudando as estratégias ambientais e de recursos hídricos, além dos conflitos na Transposição do Rio São Francisco, como pesquisa de seu trabalho de doutorado acadêmico na Alemanha. Continue lendo “Protesto lembra assassinato do líder José Maria”

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Projeto fortalece o turismo em comunidades quilombolas

Projeto fortalece o turismo em comunidades quilombolas

O projeto visa estruturar e qualificar produtos e serviços turísticos de 24 comunidades das regiões de Paraty (RJ), norte de Ubatuba (SP) e sul de Angra dos Reis (RJ)

“O turista é fundamental em qualquer comunidade. Ele motiva, incentiva”. As palavras do contador de histórias e guardião das tradições do Quilombo do Campinho, Griôt Valentino Conceição, traduzem a importância do turismo no resgate e valorização da cultura quilombola e na geração de renda para a comunidade. O Quilombo do Campinho faz parte do projeto “Caiçaras, indígenas e quilombolas: construindo juntos o turismo cultural na região Costa Verde”, uma parceria entre o Ministério do Turismo (MTur) e a Associação dos Moradores do Campinho (Amoc).

O objetivo do projeto é estruturar e qualificar produtos e serviços turísticos de 24 comunidades das regiões de Paraty (RJ), norte de Ubatuba (SP) e sul de Angra dos Reis (RJ), por meio da valorização e resgate dos saberes e fazeres tradicionais e do desenvolvimento do Turismo de Base Comunitária – aquele protagonizado pela comunidade, principal beneficiada pela atividade turística. Continue lendo “Projeto fortalece o turismo em comunidades quilombolas”

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Chapada do Apodi, CE: Pesquisa relaciona casos de câncer com agrotóxicos

Poluindo diretamente o solo e o lençol freático, máquina despeja restos de agrotóxico na Chapada do Apodi, zona rural de Limoeiro do Norte. Foto de MELQUÍADES JÚNIOR
Poluindo diretamente o solo e o lençol freático, máquina despeja restos de agrotóxico na Chapada do Apodi, zona rural de Limoeiro do Norte. Foto de MELQUÍADES JÚNIOR
Cerca de 68% das pessoas que aplicam agrotóxico em plantios na Chapada do Apodi desconhecem o produto

Limoeiro do Norte. Foram 42 as mortes causadas por câncer neste Município, a maioria entre agricultores, somente no ano passado. O número é considerado alto demais para um município com pouco mais de 50 mil habitantes. O registro não difere muito dos outros anos na mesma cidade. Porque ainda não se pode dizer “com toda clareza”, especialistas evitam ser categóricos sobre relação de efeito e causa entre o uso indiscriminado de agrotóxicos na Chapada do Apodi e os óbitos por neoplasia (câncer).

Mesmo assim, mais de dois anos de levantamento científico da Universidade Federal do Ceará (UFC) na região leva a médica e professora Raquel Rigotto, que lidera o grupo de pesquisa, a dizer que “a relação entre câncer e agrotóxicos está muito estabelecida, com diversos ativos e contaminantes, e não só câncer”, explica a pesquisadora, que participa hoje de audiência pública em Limoeiro do Norte sobre o impacto da pulverização aérea dos aditivos químicos nas lavouras cultivadas na Chapada do Apodi. Reportagem de Melquíades Júnior, no Diário do Nordeste. Continue lendo “Chapada do Apodi, CE: Pesquisa relaciona casos de câncer com agrotóxicos”

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13 de maio: abolição inacabada, artigo de Willian Luiz da Conceição

Uma criança negra sorrindo

[Correio da Cidadania] – Neste ano completamos 122 anos de lei Áurea que aboliu a escravidão no Brasil. Este processo foi lento, limitado, gradual e deve ainda hoje ser problematizado, pois não garantiu aos negros uma condição de dignidade em um país estruturalmente desigual.

A Lei Áurea (Lei Imperial n.º 3.353), sancionada em 13 de maio de 1888 foi a ultima de várias que a precederam, como a Lei Eusébio de Queiros de 1850, Lei do Ventre Livre de 1871 e a Lei do Sexagenário de 1885. Com o fim do tráfico negreiro em 1850, entramos em um processo quase que inevitável de fim do trabalho escravo no país (que culminou na abolição), influenciado em grande escala por pressão internacional, pelas milhares de revoltas escravas, quilombos e mais tarde por grupos abolicionistas.

Esta transformação no cenário internacional, em que o Brasil foi o ultimo país a se inserir, é parte das modificações econômicas dos países “independentes”, da busca de fortalecimento dos mercados internos e da abolição de formas pré-capitalistas de economia, que só poderiam ser levadas a cabo pelo ‘trabalho livre’. A escravidão no Brasil foi a base da estruturação econômica e de acúmulo primitivo de capital capaz de desenvolver mais tarde a economia industrial.

Foi o escravo negro, a massa substancial da força de trabalho durante aproximadamente quatro séculos, capaz de acumular as riquezas para construirmos um país. Foram milhões de africanos sequestrados em todas as partes da África, de Moçambique, passando pelo Congo, Nigéria, Guiné, Sudão, Angola, entre outras, que formaram este contingente humano.

Após a abolição, pouco foi revisto da condição dos afro-descendentes, continuamos a ser a parte miserável da sociedade brasileira, lançados na marginalidade, sem trabalho digno, educação, infraestrutura. Coube ao negro ocupar as periferias dos grandes centros urbanos. Não é por acaso, que os locais mais afetados pelas catástrofes que varreram o Rio de Janeiro neste ano foram locais onde a maior parte de seus habitantes são negros, como o Morro do Bumba em Niterói, construído em cima de um lixão. A abolição foi incapaz de integrar e estruturar o negro na sociedade. O negro no Brasil, de capitalismo dependente, acarretou duplo preconceito e segregação: de classe e de raça. Continue lendo “13 de maio: abolição inacabada, artigo de Willian Luiz da Conceição”

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Relatório do CDDPH registra situação degradante de índios sem terra em Mato Grosso do Sul

Relatório apresentado ontem (12) no Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) documenta várias violações aos direitos humanos contra índios das etnias Guarani Kaiowa e Guarani Ñandeva, que residem próximo a Dourados em Mato Grosso do Sul.


O relatório elaborado por uma comissão do conselho confirma a situação precária dos índios na região, já retratada em reportagem feita pela Agência Brasil no ano passado. O documento aponta a existência de conflito fundiário na região, a expulsão dos índios de terras originárias e as péssimas condições de vida, moradia e assistência à saúde dos indígenas.

Na aldeia Passo Pirajú, a 20 quilômetros do centro de Dourados, 16 famílias dos índios Guarani Kaiowa vivem em uma área cercada por fazendas e sofrem com a falta de água. Segundo o relatório, “o acesso ao rio foi totalmente fechado por um dos vizinhos que eletrificou a cerca que divide as terras indígenas impossibilitando a pesca ou o uso da água do rio”. Continue lendo “Relatório do CDDPH registra situação degradante de índios sem terra em Mato Grosso do Sul”

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São Paulo – Movimentos exigem que governador dê explicações sobre a violência policial contra negros

Na tarde de terça-feira, 11 de maio, entidades do movimento negro protocolaram na Casa Civil do governo do estado, uma carta direcionada ao governador do estado de São Paulo, Alberto Goldman, na qual exigem um pronunciamento público que explique as razões da violência sistêmica da Polícia Militar dirigida à população negra. Entre outras exigências, pede-se uma audiência imediata no Palácio dos Bandeirantes, com representantes do Movimento Negro e do Movimento de Direitos Humanos, o fim da repressão, mudanças no comando da Polícia Militar e em sua atuação e políticas de combate ao racismo e promoção da inclusão social dos negros.

Em 19 de Novembro de 2009, véspera do feriado da Consciência Negra, movimentos negros ocuparam a Secretaria de Justiça do Estado de SP para protestar contra a violência policial. Neste dia, foi protocolada a exigência de realização de Audiência Pública sobre o Genocídio da Juventude Negra e a Violência do Estado, com a presença do então Governador de SP, José Serra, além de seu Secretário de Segurança Pública, do Comandante-Geral da PM, da Delegada de Crimes Raciais e de representantes de organizações sociais. Jamais houve uma resposta. Continue lendo “São Paulo – Movimentos exigem que governador dê explicações sobre a violência policial contra negros”

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Dia 13 de maio é marcado por lutas de movimento negro

Karol Assunção *

Adital – O dia 13 de maio, famoso por ser a data da abolição dos escravos no Brasil, é, para os movimentos negros do país, mais um dia de mobilização e lutas por direitos e políticas públicas. E é justamente isso que farão organizações de movimentos negros e de Direitos Humanos amanhã (13) em São Paulo (SP), no Brasil.

De acordo com Douglas Belchior, membro da coordenação geral da União de Núcleos de Educação Popular para Negros e Classe Trabalhadora (Uneafro Brasil), a ideia é realizar, a partir das 14h na Praça do Patriarca, no centro da capital paulista, um “ato para discutir a discriminação racial como um todo”.

Com o tema “Mais um Maio sem Abolição, Crimes de Maio sem Apuração”, o evento contará com apresentações de cultura afro e mobilizações contra o racismo, a violência e por políticas públicas para o povo negro. Além disso, haverá uma aula pública com a presença de: Marcus Orione, juiz federal e professor da Faculdade de Direito do Largo São Francisco; Regina Lucia, do Movimento Negro Unificado (MNU); Bas´ilele Malomalo, da Cladin-Unesp; e Edy Rock, rapper do grupo Racionais.

Segundo Belchior, esse é mais um dia de luta para o povo. No entanto, não foi assim sempre. “Durante muitos anos era comemorado como uma data folclórica”, afirma, ressaltando que alguns movimentos mais radicais preferiam não se manifestar nesse dia, pois consideravam somente o 20 de novembro (Dia da Consciência Negra) como data para reivindicar.Situação que mudou nos últimos anos. Hoje, o dia 13 de maio não é mais uma data qualquer para o movimento negro brasileiro.  “Agora, o Movimento Negro resignificou o 13 de maio como um dia de luta do povo negro”, destaca. Continue lendo “Dia 13 de maio é marcado por lutas de movimento negro”

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Belo Monte: ”A Funai deveria tomar iniciativa e defender os direitos indígenas”, afirma antropólogo

Em entrevista ao site Amazonia.org.br, o antropólogo, integrante da Associação Brasileira de Antropologia (ABA), João Pacheco de Oliveira, explica porque a entidade é contra a forma como vem sendo conduzido, pelo governo federal, o projeto de construir a usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu (PA).

A entrevista é de Fabíola Munhoz e publicada por Amazonia.org.br, 11-05-2010.

Para o professor, o processo de autorização da obra tem se realizado com pressa excessiva e sem o devido diálogo com os povos indígenas, para a chegada a um consenso sobre a definição de medidas compensatórias aos impactos que o empreendimento trará a essas populações.  Ele, em parte, responsabiliza a Fundação Nacional do Índio (Funai) por essa falta de consulta aos índios. Eis a entrevista.

Por que a ABA se preocupa com o projeto de Belo Monte?

A ABA tem uma tradição de se posicionar com relação a projetos de lei ou ações que possam ser prejudiciais aos direitos indígenas. A associação faz isso há mais de 20 ou 30 anos, por meio de uma Comissão de Assuntos Indígenas. Nós temos feito manifestações à opinião pública, às autoridades, recomendando, no caso em que a gente percebe que os índios poderão ser prejudicados, algum rumo de ação. Continue lendo “Belo Monte: ”A Funai deveria tomar iniciativa e defender os direitos indígenas”, afirma antropólogo”

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Política agrária brasileira é a “grande vilã” das mortes no campo, aponta dom Enemésio

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O bispo de Balsas (MA), dom Enemésio Ângelo Lazaris, afirmou na tarde desta terça-feira, 11, que a “política agrária não favorece os pequenos, que correm grande risco de perder para os monopólios”. Dom Enemésio disse que falta respeito e políticas para o homem do campo, para que ele possa viver dignamente em seu território. Um dos problemas que vem ocorrendo na atualidade, segundo o bispo, é a retirada do homem do campo para a construção de grandes projetos governamentais.

“É preciso mais respeito com a vida humana. Atualmente estamos vendo uma série de projetos que, na visão de seus autores, devem acontecer de qualquer jeito e com isso as pessoas são obrigadas a sair de suas terras. Não se respeita a fraternidade do homem com a terra. A questão da territorialidade implica uma ligação afetiva com a terra, o meio ambiente”, defendeu.

“O desenvolvimento não pode se resumir a mero processo de acumulação de bens e serviços. A empresa é chamada a prestar uma contribuição à sociedade assumindo a responsabilidade social e empresarial, respeitando a condição humana, sem levar adiante o trabalho escravo, que fere a vida humana”, disse o bispo. Continue lendo “Política agrária brasileira é a “grande vilã” das mortes no campo, aponta dom Enemésio”

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