Um barco à deriva

Hoje no Mulheres pelo Mundo, Gisela Anauate fala da agonia de um grupo de imigrantes africanos. Jornalista, ela tem 26 anos e faz mestrado em Culturas Literárias Europeias. Morou um ano na França e agora vive na Itália.

O tom deste post será um pouco mais pesado que o habitual. É que esta semana li uma notícia no jornal britânico The Guardian que, mais do que me deixar arrepiada, tem me atormentado. Não consigo pensar em outra coisa. Segundo o jornal, 61 pessoas morreram de fome e sede num barco em pleno Mediterrâneo. Eram africanos que embarcaram em Tripoli, na Líbia, para tentar chegar à ilha de Lampedusa, no sul da Itália. Eram pessoas que tentavam escapar de perseguições, bombas e tiros e acabaram encontrando a morte de uma forma talvez ainda mais desesperadora e cruel: abandonadas à própria sorte em alto-mar, sem comida nem água. Como se estivessem num navio negreiro no século XVI. Mas estamos em 2011, e a faixa do oceano onde o barco ficou à deriva, sem combustível, é extremamente vigiada. Como é que esse barco passou despercebido pelos radares e rádios de centenas de embarcações que estavam na região? Aí é que está o mais grave: ele não passou despercebido. As nove pessoas que sobreviveram à tragédia contam que o barco fez contato com várias embarcações militares (uma delas seria da própria ONU), lançou um alarme à guarda costeira italiana e ainda foi sobrevoado por um helicóptero. E o resgate? Chegaria em breve, diziam os ocupantes do helicóptero, enquanto jogavam garrafinhas d’água e biscoitos. Continue lendo “Um barco à deriva”

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MG – Anistia: Nova data para o memorial

Dezenas de pessoas participaram ontem de ato, em Belo Horizonte, para pressionar pelo início das obras do centro histórico que vai abrigar documentos referentes aos anos da ditadura militar

Marcelo da Fonseca

Os relatos de familiares que perderam parentes no período da ditadura e de ex-militantes que participaram da luta contra o regime militar, reforçaram os pedidos para que as obras do Memorial da Anistia saiam do papel. No lançamento da Associação dos Amigos do Memorial, que aconteceu ontem na antiga Faculdade de Ciências Humanas (Fafich), no Bairro Santo Antônio – local onde funcionará o centro histórico, integrantes do grupo de implantação anunciaram que até 2012 o centro já estará pronto para receber o público. O grupo vai acompanhar de perto o andamento das obras, previstas para começar nos próximos meses, com a recuperação do antigo teatro, a construção de um anexo administrativo e uma praça para integrar os 3,8 mil metros quadrados de área. As pessoas que participaram do lançamento, entre elas vereadores e deputados, assinaram uma lista, declarando apoio ao memorial.

A expectativa é de que o centro seja entregue na nova data estabelecida pelo Ministério da Justiça. “Os alvarás já estão liberados, as plantas de construção já foram elaboradas com acompanhamento do ministério e também o conteúdo que será apresentado ao público. O objetivo é que este local seja também um centro para pesquisas e estudos sobre o período. Será uma forma de ajudar aquelas famílias que ainda não tiveram resposta sobre o que aconteceu com parentes, reunindo os casos já investigados e podem conter informações importantes para casos ainda não explicados”, afirma Sueli Belato, vice-presidente da Comissão Nacional da Anistia. Continue lendo “MG – Anistia: Nova data para o memorial”

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Funai não libera índia para ir à ONU criticar Belo Monte

A Funai impediu o afastamento de uma socióloga indígena que iria a um encontro da ONU (Organização das Nações Unidas), no qual criticaria a usina hidrelétrica de Belo Monte, a ser construída no rio Xingu (PA).

Azelene Kaingáng, filha de indígenas e funcionária da Funai em Chapecó (PR), falaria, nos dias 17 e 19 deste mês, no 10 Fórum Permanente da ONU sobre Questões Indígenas, em Nova York (EUA). Anual, esse é o principal evento da entidade em relação ao assunto.

Azelene foi a todas as edições, com as despesas pagas por organizações não governamentais internacionais. O mesmo aconteceria agora. Apesar de funcionária do órgão federal, no qual atua como auxiliar administrativa, ela nunca representou o governo, mas sim os povos indígenas brasileiros.

Em todas as outras vezes, a Funai permitiu seu afastamento da função para a viagem. Dessa vez, não. Se viajasse sem a permissão, ela poderia sofrer um processo administrativo e acabar demitida. Continue lendo “Funai não libera índia para ir à ONU criticar Belo Monte”

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Consumo de recursos naturais pode aumentar 3 vezes no mundo, diz ONU

O consumo mundial de recursos naturais pode ser triplicado até 2050, a 140 bilhões de toneladas por ano, caso não sejam tomadas medidas drásticas para frear a superexploração, advertiu a ONU.

O programa da ONU para o meio ambiente (PNUE) ressalta em um informe – publicado na quinta-feira (12) – que as reservas a um bom preço e qualidade de certos recursos essenciais como o petróleo, o ouro e o cobre já estão se esgotando.

Com uma população de 9,3 bilhões de pessoas esperadas para o ano de 2050 e com países em desenvolvimento cada vez mais prósperos, o PNUE adverte que “as perspectivas de níveis de consumo cada vez mais elevadas vão muito além do que é provavelmente viável”. Continue lendo “Consumo de recursos naturais pode aumentar 3 vezes no mundo, diz ONU”

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Pelo Fim à Liberdade também da Média Imprensa

Frei José Alamiro Andrade Silva, ofm

O artigo de Renato Prata Biar “Pelo fim à liberdade da grande imprensa” me fez pensar que também a MÉDIA IMPRENSA católica (TV Vida, TV Aparecida, TV Canção Nova, TV Pato Branco e outras mais que possam existir com suas rádios e jornais), que pretende ser grande e macaqueia a Globo etc, merece o mesmo tratamento proposto pelo articulista, com o qual estou de pleno acordo.

Nos idos de 1970, quando houve a Intervenção do Império Anglo-Saxão-Norteamericano nas “colônias” do Cone Sul (Argentina, Brasil, Chile e Uruguai), trabalhei junto com o Cardeal Arns no pequeno (15 mil exemplares à época) semanário O SÃO PAULO e na Rádio NOVE DE JULHO. Quando insistimos em fazer uso da liberdade de imprensa divulgando verdades que não agradavam à Ditadura Civil/Militar, o que foi que aconteceu? A NOVE DE JULHO foi fechada sem qualquer explicação e o SÃO PAULO censurado de tal forma que não podíamos publicar nem trechos da Constituição, dos clássicos da língua portuguesa, nem mesmo versículos da Bíblia. Onde a censura colocava o carimbo VETADO só podíamos escrever “LEIA E DIVULGUE O SÃO PAULO”.  E naqueles momentos de censura e sofrimento ninguém da GRANDE IMPRENSA se solidarizou conosco, muito ao contrário, fez coro com os ditadores. Mais tarde – é verdade – a Ditadura atingiu também o jornal O ESTADO DE SÃO PAULO, que só podia publicar receitas de bolo e versos de Camões nos espaços que tinham sido vetados pela Censura Federal.

Por que será que hoje nenhuma MÉDIA IMPRENSA e muito menos a GRANDE IMPRENSA sofrem qualquer censura? Será que estão todos afinados com o espírito capitalista neoliberal que vai moldando esta sociedade do consumo, da droga, do sem sentido? Será que religiões, seitas e igrejas, fanatizando seus seguidores, não os estão induzindo a viver fora da realidade e a cometer sandices e até crimes hediondos? Não é isto o que vemos em figuras patéticas como Bin Laden, Welington da escola no Realengo, no Rio, e Ali Agca, que alvejou o Papa João Paulo II? Por que as drogas químicas são consideradas ilegais e tais crenças não? Continue lendo “Pelo Fim à Liberdade também da Média Imprensa”

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Prettu Júnior contra o Estado: uma denúncia

“Num dia desses fui até Vicente de Carvalho pra fotografar uma amiga minha que estava grávida e queria fazer umas fotos bacanas.  O dia transcorria normalmente e eu, entretido em meus pensamentos, peguei o metrô em Del Castilho e, como tinha marcado com uma amiga minha, fiquei na entrada do metrô de Vicente de Carvalho esperando a menina.

Passaram se uns 15 minutos e quando me dei conta estava sendo abordado por um policial branco com voz arrogante me perguntando o que eu tinha na mochila. Disse que tinha uma máquina fotográfica. O mesmo me pediu pra abrir a mochila, o que fiz. Constrangido, mas o fiz.

Ao avistar a câmera – uma Canon EOS, Rebel xsi -, o cara virou-se pra mim e perguntou se eu tinha registro de fotografo. Putz! Fiquei atônito com a pergunta e respondi que não tinha que lhe dar nada disso. Então o xerifão revoltado disse que iria me conduzir à delegacia. Novamente estranhei a atitude do policial. Mesmo sendo negro e tendo sido abordado inúmeras vezes pela policia racista brasileira achei que mesmo pra um policial aquela atitude estava exagerada. Como assim mano! Registro de fotógrafo para poder andar com uma câmera fotográfica?  Não, não era possível; eu estava ouvindo errado. Continue lendo “Prettu Júnior contra o Estado: uma denúncia”

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Livro-denúncia: Vergonha nacional

Os professores Danielle Cireno Fernandes, da UFMG, e Diogo Henrique Helal, pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, no Recife, convidaram um grupo de especialistas nacionais e de outros países para discutir, por meio de uma série de artigos, o fenômeno da desigualdade social, sobretudo a brasileira. O resultado desse trabalho, que demandou muita pesquisa e tempo, pode ser conferido agora com a leitura do livro As cores da desigualdade, que será lançado hoje em Belo Horizonte, na Livraria Quixote.

Em relação ao tema proposto no capítulo três, por exemplo, “Jovens e o acesso ao mercado de trabalho: uma análise longitudional”, Danielle Fernandes e Carlos Alexandre Soares, professor de sociologia na rede estadual de ensino de Minas Gerais, discorreram sobre as mudanças ocorridas em relação à inserção do jovem no mercado de trabalho, “seja na formalidade, na informalidade ou na situação de desocupado”.

Em outro capítulo, “Por trás dos fios invisíveis: configuração do trabalho domiciliar no Brasil contemporâneo”, Alessandro Gomes Enoque, coordenador do curso de administração da Universidade Federal de Uberlândia (Ufu), procurou dar sua contribuição para uma melhor compreensão conceitual, metodológica e analítica em relação ao trabalho domiliciar urbano no Brasil de hoje.

De acordo com os organizadores, entre as várias conclusões a que chegaram, a de que continua existindo no Brasil claro processo de reprodução das desigualdades sociais, ainda não firmemente enfrentado pelas autoridades. Os negros, por exemplo, continuam tendo muitas dificuldades em relação à inserção no mercado de trabalho, principalmente “quando se trata de posições de maior prestígio e retorno econômico e social”. Continue lendo “Livro-denúncia: Vergonha nacional”

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Perú: Aidesep denuncia persecución política en caso Bagua

Servindi, 14 de mayo, 2011.- Continúa la persecución política contra los dirigentes amazónicos por los sucesos de Bagua. Esta vez la Fiscalía Provincial Penal Transitoria de Utcubamba los ha citado de nuevo para este 18 y 30 de mayo, denunció la Asociación Interétnica de Desarrollo de la Selva Peruana (Aidesep).

Para Carlos Navas, ex coordinador de la Comisión Investigadora de Bagua, esta acción es un intento de García de dejar el caso enterrado, sin que nadie pueda revisarlo. “Solo responde a su miedo pues los pueblos han declarado públicamente que al término de su presidencia, lo denunciarán por crímenes de lesa humanidad, así como también a la entonces ministra del Interior Mercedes Cabanillas por sus acciones políticas equivocadas”, dijo.

Navas y Leandro Calvo, ex dirigente de la Organización Regional de los Pueblos de la Amazonía Norte (Orpian), entre otros, deberán dar sus declaraciones testimoniales el 18 de mayo.

Para el 30 de mayo el Poder Judicial hará una diligencia de confrontación con el Ministerio Público en el que exige la presencia del actual consejero regional e histórico líder indígena Santiago Manuin Valera. En caso de no asistir, será declarado reo contumaz y se ordenará su captura. Continue lendo “Perú: Aidesep denuncia persecución política en caso Bagua”

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Ministra pede ações afirmativas para negros nas vagas do Pronatec

Bruno Bocchini, Repórter da Agência Brasil

São Paulo – O acesso maior de negros a vagas do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Protnatec) foi defendido ontem (13) pela ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Bairros, que pretende promover ações com esse objetivo. De acordo com ela, essas ações devem ser aproveitadas também para as 75 mil bolsas de estudo no exterior, que o governo pretende conceder até 2014.

“Nós vamos ter de criar ações afirmativas, dentro desse processo, para essas milhares de vagas de cursos técnicos e profissionalizantes. E, desta maneira, poderemos fazer com que os meninos e meninas pretas tenham acesso”, disse a ministra em encontro com sindicalistas em São Paulo.

O Pronatec, lançado no último dia 28, tem como meta oferecer 8 milhões de vagas, até 2014, na educação profissional para estudantes do ensino médio e trabalhadores. O programa prevê a ampliação das redes federal e estaduais de educação profissional, pagamento de bolsa formação para trabalhadores e estudantes, aumento das vagas gratuitas em cursos do Sistema S, e a extensão do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) para cursos técnicos.

Segundo Luiza Bairros, as ações afirmativas – que visam a oferecer aos grupos discriminados tratamento diferenciado para compensar as desvantagens causadas pela situação de vítimas do racismo – tiveram resultado positivo quando empregadas no ensino superior, e devem continuar a ser usadas agora nas bolsas para o ensino técnico e profissionalizante. Continue lendo “Ministra pede ações afirmativas para negros nas vagas do Pronatec”

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Justiça: arma contra os blogs

Ações judiciais podem estar sendo usadas abusivamente, para silenciar as críticas dos que não têm recursos para enfrentar baterias de processos.

Por Adriana Delorenzo, Revista Forum

No I Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, realizado em agosto de 2010, o blogueiro Lúcio Flávio Pinto, do Jornal Pessoal, de Belém (PA), enviou uma carta a São Paulo, onde ocorreu o Encontro. Lida por seu filho, a carta denunciava que o jornalista enfrentava pelo menos 19 processos por parte da família Maiorana, dona do grupo do jornal O Liberal, chegando a ser espancado por um deles, Ronaldo Maiorana. “Já tentaram me desqualificar, já me ameaçaram de morte, já saíram para o debate público e não me abateram nem interromperam a trajetória do meu jornal. Porque em todos os momentos provei a verdade do que escrevi. Todos sabem que só publico o que posso provar. Com documentos, de preferência oficiais ou corporativos”, dizia.

Lúcio Flávio não é o único a sofrer processos e ameaças por conta de suas postagens. A lista, infelizmente, é imensa: o blog A perereca da vizinha; o blog Falha de S. Paulo; e recentemente o Blog do Esmael, fora do ar há quase um mês e alvo de ação por danos morais por conta de postagens que fez denunciando o uso de caixa 2 pelo tucano Beto Richa nas eleições de 2008, em Curitiba; entre outros.

“É a judicialização da censura”, definiu o jornalista e blogueiro Paulo Henrique Amorim, do Conversa Fiada, no Encontro dos Blogueiros Progressitas do Rio de Janeiro, no último fim de semana. Ele responde a 28 ações judiciais, sendo que 12 são do Daniel Dantas. Na lista dos que o processam estão Naji Nahas, Ali Kamel, Gilmar Mendes, Heráclito Fortes, Carlos Jereissati e Diogo Mainardi. Continue lendo “Justiça: arma contra os blogs”

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