Falta precisão nos registros de queixas por discriminação

Os agentes policiais ainda têm muita dificuldade em discernir o que é preconceito e o que é “brincadeira”. Segundo uma pesquisa da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras (FFLCH) da USP, palavras ou termos racistas utilizados pelos acusados devem ser relatadas com exatidão pela vítima para caracterizar o crime de racismo e para convencer o agente policial de que realmente houve uma situação ofensiva e racista.

O sociólogo  Artur Antônio dos Santos Araújo, que defendeu sua dissertação de mestrado sobre o tema, afirma que não é estranho afirmar que designações como “cabelo ruim”, “preto safado”, “negro sujo”, “chita” e “macaco”, entre outros adjetivos e expressões correntes tais como “se negro não suja na entrada suja na saída”, “lugar de negro é…” ou “só podia ser preto…” mesmo quando utilizadas em uma “aparente brincadeira” correspondem a uma visão preconceituosa, há muito tempo, incorporada à sociedade. Continue lendo “Falta precisão nos registros de queixas por discriminação”

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Histórias do São Francisco

Carlos Diamantino Alkmim lança obra sobre o rio mais famoso do estado

Um canto de amor ao Rio São Francisco: assim pode ser definido o livro O velho Chico em três tempos, que o jornalista Carlos Diamantino Alkmim lança hoje, na Galeria do BDMG Cultural. Além do lado afetivo, pelo fato de ter nascido em Manga, no Norte de Minas, e desde criança ter vivido próximo ao rio e ao seu entorno, Alkmim conta que, ao realizar o trabalho, teve como propósito resgatar a história do São Francisco registrada em 1925 e 1944, respectivamente, pelos escritores Noraldino Lima (em No valle das maravilhas) e M. Cavalcanti Proença (em Ribeira do São Francisco). Valeu-se também de viagem realizada há dois anos no famoso vapor Benjamim Guimarães, de Pirapora ao Porto de São Romão, no Norte do estado. Continue lendo “Histórias do São Francisco”

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Velho Chico: Euforia movida a gás

Ao completar três anos em Brasília, onde fazia faculdade de sistemas de informação, Pedro Júnior Resende, de 23 anos, recebeu em janeiro um telefonema. Do outro lado da linha, o pai dele tinha um pedido pouco usual: queria que Pedro trancasse a matrícula e voltasse o quanto antes para Brasilândia de Minas, na Região Noroeste, a 490 quilômetros de Belo Horizonte. “Ele disse que eu precisava ajudá-lo a administrar o hotel da família porque o movimento tinha crescido muito”, conta o universitário. Dias depois, foi a vez de um amigo de Pedro, Heraldo Ferreira, de 24, retornar à cidade após oito anos morando no Distrito Federal. Ele também decidiu se empenhar nos negócios da família.

A novidade que está fazendo jovens voltarem à pacata Brasilândia de Minas é a descoberta, pela Petrobras, de uma jazida de gás natural no município. A confirmação da reserva ocorreu em abril, mas desde o ano passado o movimento de funcionários da estatal transformou a rotina da cidade, de apenas 15 mil habitantes. Hotéis e restaurantes foram os primeiros a lucrar. Agora, a cidade começa a entrar na mira de construtoras e outras empresas. “Firmas interessadas em vir para cá nos sondam constantemente”, diz o prefeito, João Couto. “Só construtoras de imóveis foram cinco. Uma planeja erguer 240 moradias e outra, 150 unidades”, contabiliza. Diante de tanto movimento, ele prevê que a população de Brasilândia de Minas deve dobrar em pouco tempo. Continue lendo “Velho Chico: Euforia movida a gás”

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Velho Chico: Luz para nem todos

Remanso, Casa Nova, Pilão Arcado, Sobradinho, Ibotirama e Paratinga – A riqueza da bacia do Velho Chico não esconde a desigualdade social ao longo do vale. O mesmo rio que ajudou a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), maior geradora de energia do país e segunda em transmissão, a registrar lucro líquido de R$ 2,1 bilhões em 2010 – 140% a mais do que os R$ 905,9 milhões apurados em 2009 – é testemunha de homens e mulheres que vivem em casebres de cidades baianas onde a energia elétrica ainda é sonho distante. O parque gerador da Chesf explora outros leitos, como o Parnaíba, na divisa do Piauí com o Maranhão, mas suas principais usinas são movidas pelas águas vindas da represa de Sobradinho, um dos maiores lagos artificiais do mundo, com 4,2 mil quilômetros quadrados.

O aposentado Osvaldo dos Anjos e sua mulher, Noemis Araújo Ramos, moradores da área rural de Buritirama, no sertão da Bahia, vivem a cerca de 40 quilômetros de Barra, onde o leito do rio começa a ganhar a forma da represa de Sobradinho. Apesar da proximidade com o lago, classificado por especialistas como o pulmão das usinas de Paulo Afonso, na cidade homônima, os quatro filhos do casal jamais tiveram o prazer de assistir à televisão em casa. Curiosamente, um poste que ajuda a levar energia a outros pontos da região está instalado no quintal da casa da família.
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O terreno difícil dos agrotóxicos, artigo de Washington Novaes

Neste próximo mês de junho entra em vigor resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que proíbe (desde janeiro) a produção e a comercialização de agrotóxicos que contenham como ingrediente ativo o metamidofós. O veto à comercialização programado só para junho visou a evitar que houvesse este ano prejuízos para cultivos, com indisponibilidade de substitutos. Mas em junho de 2012 ficará proibido todo e qualquer uso do metamidofós.

Os estudos que levaram à resolução concluíram que esse inseticida – usado no País em lavouras de soja, algodão, feijão, batata, trigo, tomate e amendoim – “não oferece segurança nem para trabalhadores, nem para consumidores, nem para a população em geral” que possa estar exposta a seus resíduos: foi considerado neurotóxico e imunotóxico, com atuação prejudicial aos sistemas endócrino, reprodutor e ao desenvolvimento embriofetal. No Brasil, tem um consumo anual em torno de 8 mil toneladas de ingrediente ativo. Continue lendo “O terreno difícil dos agrotóxicos, artigo de Washington Novaes”

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Emissões de dióxido de carbono (CO2) batem recorde em 2010 e ameaçam meta de combate a aquecimento

Segundo a Agência Internacional de Energia, as emissões de dióxido de carbono, o principal gás de efeito estufa, cresceram 5% no ano passado em relação ao recorde anterior, em 2008

As emissões internacionais de gases responsáveis pelo efeito estufa bateram um recorde histórico no ano passado, colocando em dúvida o cumprimento da meta de limitar o aquecimento global em menos de 2 graus, segundo informações divulgadas ontem (30) pela Agência Internacional de Energia (AIE).

Segundo a agência, as emissões de dióxido de carbono, o principal gás do efeito estufa, cresceram 5% no ano passado em relação ao recorde anterior, em 2008. Em 2009, as emissões haviam caído graças à crise financeira global, que reduziu a atividade econômica internacional. Continue lendo “Emissões de dióxido de carbono (CO2) batem recorde em 2010 e ameaçam meta de combate a aquecimento”

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CPT: Insegurança jurídica por causa do novo Código Florestal é pano de fundo de assassinatos no Pará

A alteração do Código Florestal e a perspectiva de anistia a desmatadores são fatores que causam tensão e, por esse motivo, podem ser considerados “pano de fundo” do assassinato do casal de extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo, mortos na semana passada no assentamento agroextrativista Praialta-Piranheira, em Nova Ipixuna, no interior do Pará. Dois dias depois, o agricultor Eremilton Pereira dos Santos foi encontrado morto no mesmo local.

A opinião é do advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT), José Batista Gonçalves Afonso, que está na região para acompanhar as investigações. “Não é a causa principal, [mas] esse momento de indefinição sobre a legislação e de pressão do setor ruralista, cria tensão e gera insegurança”, avalia Afonso, que acrescenta que as alterações propostas no Código Florestal são propícias “para disseminar clima de violência”.

“Nesse contexto de alteração do Código Florestal, onde o setor [ruralista] procura mais espaço e mais liberdade para expandir os seus empreendimentos em direção à Amazônia, a situação torna-se mais tensa”, acrescenta o advogado. Continue lendo “CPT: Insegurança jurídica por causa do novo Código Florestal é pano de fundo de assassinatos no Pará”

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Novo Código Florestal: Licença para desmatar, artigo de Bárbara Dias

É com esse trocadilho presente no título do post, que pretendo iniciar minha análise. Tenho o objetivo de tentar nortear, através de uma visão mais multifacetada possível, no entanto, não isenta de uma opinião pessoal, mas incluindo além do meu posicionamento algumas informações que eu vim colhendo ao longo de todo esse tempo que se estendeu a “novela” da votação do Novo Código Florestal.

Ontem, dia 24 de Maio, como todos bem sabem ocorreu a aprovação do relatório, diga-se de passagem não científico, do deputado relator Aldo Rebelo (PCdoB–SP) na Câmara dos Deputados. Esse relatório (projeto de Lei 1876/1999, de alteração do Código Florestal do Brasil), que visava a alteração do Código Florestal Brasileiro, Lei 4771/1965, teve aprovação significativa, totalizando 410 votos a favor, 63 contra e 1 abstenção.

Uma das primeiras críticas que podemos fazer é que o relatório de Aldo não é cientifico, e isso foi denunciado por vários pesquisadores da área ambiental, ecólogos, pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e pelo próprio Alceo Magnanini, engenheiro agrônomo de 85 anos, responsável em 1965, juntamente com a participação de outros pesquisadores, pela autoria do Código Florestal. Em entrevista a Folha de São Paulo, Magnanini afirma que “o relatório do deputado Rebelo é um atentado à soberania nacional”. Continue lendo “Novo Código Florestal: Licença para desmatar, artigo de Bárbara Dias”

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Novo Código Florestal: uma guerra de números e de interpretações, artigo de Osvaldo Ferreira Valente

Nesse período de discussão do novo Código Florestal, temos convivido com um festival de números e de interpretações dos seus significados; uma verdadeira guerra entre ambientalistas, de um lado, e ruralistas, do outro, já que infelizmente tem sido assim entendida, quando não deveria passar de divergências. E as divergências são próprias da democracia. Quando um grupo tenta impor sua vontade, seja de que lado for, ele manifesta comportamento ditatorial.

Como a discussão enveredou, também, para o lado da paixão e da emoção, os números perderam os parâmetros reais e passaram a flutuar de acordo com os interesses e as necessidades momentâneas de justificar posições e/ou de defender trincheiras. E tudo acabou virando um grande novelo de dúvidas e incertezas, que a sociedade não conseguiu conscientemente desfiar. As tentativas de entrar no jogo foram prejudicadas pelos palpites, boatos e informações desencontradas, tanto de um lado quanto do outro. Continue lendo “Novo Código Florestal: uma guerra de números e de interpretações, artigo de Osvaldo Ferreira Valente”

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