Tratar, testemunhar

Psicanalista que cuidou de frei Tito analisa os efeitos psicológicos da tortura que levou ao suicídio o religioso brasileiro na França, depois de sevícias sofridas nos cárceres da ditadura militar brasileira

Jean-Claude Rolland

“Pensava que havíamos dito tudo o que sabíamos sobre Tito de Alencar, quando, logo depois de sua trágica morte, nós assumimos uma série de encontros e de trabalhos para – aqui me falta a palavra adequada: honrar, salvar, fazer justiça? – sua memória. Nós: somos os frades dominicanos que o acompanharam de perto nos últimos meses de sua vida, tendo por nomes: Roland Ducret, Xavier Plassat e François Génuyt – e eu, a quem haviam confiado o tratamento do seu estado mental, doído e inquietante. Nós organizamos um seminário no convento de La Tourette, interrogamos a todos aqueles que o tinham conhecido depois do seu exílio na França; participamos de um programa de TV. Escrevi um artigo, “Um homem torturado, Tito de Alencar”. Todos esses eventos se concentravam naquilo que a dor de Tito testemunhava de forma até ensurdecedora: experiência sem nome, sem rosto humano, experiência indescritível e inimaginável da tortura. Continue lendo “Tratar, testemunhar”

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CNBB se posiciona contra anistia para desmatadores

Débora Álvares – Correio Braziliense

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se posicionou nessa sexta-feira sobre os principais temas em discussão nos seis primeiros meses do governo Dilma Rousseff. Entre os pontos abordados durante o Conselho Permanente, que esteve reunido entre quarta e sexta-feira, a entidade discutiu as modificações aprovadas na Câmara dos Deputados no Código Florestal – a proposta agora está em discussão no Senado – e as recentes mortes de ativistas no Amazonas. As modificações no alto escalão do governo federal – troca de comando da Casa Civil e Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República – também foram alvo de comentários dos bispos.

Na mesma linha do governo, as críticas da CNBB ao novo Código Florestal se fixam em dois pontos da proposta: a mudança nas regras para as áreas de preservação permanente (APPs), cuja atribuição de legislar acerca da produção fica, segundo a proposta, na mão dos estados, e a chamada anistia aos desmatamentos antigos.

“Anistiar é um problema. Não é possível que todo esse desmatamento seja esquecido”, afirmou dom Leonardo Steiner, secretário-geral da CNBB e bispo prelado de São Félix do Araguaia (MT).  Continue lendo “CNBB se posiciona contra anistia para desmatadores”

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Marcha em Belo Horizonte tem tumulto entre manifestantes e polícia

Durante a passeata, os manifestantes aplaudiram a decisão do STFCristiano Trad/ O Tempo/AE
Em Minas, Marcha das Vadias se juntou à da Liberdade

Um tumulto foi registrado durante o trajeto da Marcha da Liberdade, em Belo Horizonte, na tarde deste sábado (19). Alguns participantes entraram em confronto com integrantes da Guarda Civil e policiais militares que estavam em frente à prefeitura da capital mineira. Os guardas usaram cassetetes e spray de pimenta para dispersar os manifestantes mais exaltados. Não houve registro de feridos ou prisões.

Integrante do movimento pela descriminalização da maconha, Victor do Carmo disse que ele e outros representantes da chamada “marcha da maconha” se retiraram quando alguns manifestantes fecharam uma via de acesso à praça da Liberdade – ponto final da passeata. O trânsito na região ficou bastante complicado.

– Alguns manifestantes ameaçaram invadir, mas foi um caso isolado.

Segundo a PM, cerca de 800 pessoas participaram do ato na capital mineira. Os organizadores falaram em 1.300  manifestantes. Continue lendo “Marcha em Belo Horizonte tem tumulto entre manifestantes e polícia”

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Acusado de desvio de verba, Rainha diz ser alvo de ‘perseguição’

O líder sem-terra José Rainha Jr., preso na quinta-feira (16) em Presidente Prudente (a 558 quilômetros de São Paulo), disse que é alvo de perseguição por ser militante da reforma agrária no país, segundo seu advogado.

José Rainha está numa cela na sede da Polícia Federal, em São Paulo. A prisão é temporária. Ele e mais oito pessoas foram detidas na Operação Desfalque, da PF. O grupo é acusado de desvio de verbas, extorsão, estelionato e extração ilegal de madeira.

O advogado de José Rainha, Aton Fon Filho, afirmou que vai entrar hoje com pedido de habeas corpus no Tribunal Regional Federal e disse que seu cliente está tranquilo.

“Ele está confiante de que o tribunal concederá o habeas corpus e que isso [a prisão] é parte das perseguições históricas contra militantes que defendem a reforma agrária.” Continue lendo “Acusado de desvio de verba, Rainha diz ser alvo de ‘perseguição’”

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Marcha da Liberdade ocorre em mais de 40 cidades

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Marcha pela Liberdade de Expressão, improvisada após a Justiça probir menções a maconha, no dia 3 de junho, em Brasília

Manifestantes de vários movimentos sociais promovem neste sábado (18) em ao menos 41 cidades do país a Marcha da Liberdade. O protesto une ativistas de várias causas, da luta contra o racismo à preservação ambiental, dos direitos homossexuais ao vegetarianismo, do combate à violência contra a mulher à defesa dos animais.

 

O movimento, organizado nas redes sociais da internet, tem como norte a liberdade de expressão e reunião. A reivindicação geral é o fim da repressão policial nas diversas manifestações, sob ordens do Judiciário.

No texto que convoca os manifestantes, os organizadores mencionam os ataques da Polícia Militar aos participantes da Marcha da Maconha, realizada no último dia 21 de maio em São Paulo.

“Sete dias depois, defensores das mais diversas causas, vítimas das mais diferentes injustiças, estavam de volta ao mesmo local para dar uma resposta à opressão. As ruas de São Paulo foram tomadas por 5 mil pessoas de todas as cores, crenças e bandeiras. Na Internet, uma multidão espalhava a mensagem como vírus pelas redes sociais. Naquele dia, o Brasil marchou unido por um mesmo ideal. Nascia ali a Marcha da Liberdade.” Continue lendo “Marcha da Liberdade ocorre em mais de 40 cidades”

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Nota Pública em favor do advogado Roberto Rainha

A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional do Maranhão, a Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares no Maranhão – RENAP/MA, Movimento dos Atingidos pela Base Espacial – MABE/Alcântara e a Sociedade Maranhense de Direitos Humanos – SMDH vem a público repudiar a ilegítima e arbitrária prisão temporária do advogado Roberto Rainha, integrante da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, ocorrida na manhã de ontem, em São Paulo, por ordem do Juiz da 5ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Presidente Prudente, Joaquim Alves Pinto.

Roberto Rainha é advogado militante em defesa dos direitos humanos contra as violações de direitos econômicos, sociais e culturais, com destaque para a defesa das comunidades quilombolas e da reforma agrária.

A razão aparente da prisão é justamente a atuação de Roberto Rainha em defesa dos movimentos sociais e do povo pobre do campo, bem como sua relação de parentesco com o líder camponês José Rainha Júnior, de quem é irmão. Continue lendo “Nota Pública em favor do advogado Roberto Rainha”

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DO publica sentença da OEA, por Maria do Rosário*

O Estado brasileiro publicou nesta quarta-feira (15) no Diário Oficial da União (DOU) e no jornal O Globo a sentença do Brasil no caso Julia Gomes Lund e outros. Trata-se da Guerrilha do Araguaia, episódio que marcou a história política brasileira e uma geração de homens e mulheres que nos antecederam e lutaram pela democracia

Publicar o resumo dessa sentença é parte do cumprimento do Estado brasileiro em relação ao que foi decidido pela Corte Interamericana de Direitos Humanos no caso da Guerrilha do Araguaia (1972-1975).

Dentre os aspectos emblemáticos da sentença destaca-se a necessidade de continuar as buscas para identificar e entregar os restos mortais dos desaparecidos políticos aos seus familiares; oferecer tratamento médico, psicológico e psiquiátrico para as vítimas que requeiram e, sistematizar as informações sobre a Guerrilha e demais violações ocorridas durante o regime militar no Brasil.

A divulgação da sentença renova o compromisso do Estado brasileiro em elucidar os fatos da Guerrilha. Isso só é possível porque essa chama se manteve acesa na história devido ao esforço inesgotável dos familiares de mortos e desaparecidos políticos que levaram essa luta ao longo das últimas décadas. Essas famílias não realizaram até hoje o ritual de despedida e, por isso, não exerceram o direito milenar de velar seus entes queridos, uma forma encontrada pela humanidade para absorver a perda junto aqueles que se solidarizam com a nossa dor.  Continue lendo “DO publica sentença da OEA, por Maria do Rosário*”

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Trabalhadores são maltratados na usina de Jirau, diz procurador

Sete operários da usina de Jirau, em Rondônia, foram trancados por seis horas em uma sala por seguranças da construtora Camargo Corrêa e policiais da Força Nacional de Segurança, segundo o Ministério Público do Trabalho. A reportagem é de Felipe Luchete e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 18-06-2011.

O relato é do procurador Éder Sivers. Ele diz ter testemunhado a situação, “que beira o cárcere privado”, no dia 10, quando visitou o canteiro de obras da usina.

O Ministério Público do Trabalho pedirá à Justiça que a Camargo Corrêa pague indenização por danos morais e vai encaminhar ofício ao Ministério Público Estadual para responsabilização penal. A empresa nega que o episódio tenha ocorrido. Continue lendo “Trabalhadores são maltratados na usina de Jirau, diz procurador”

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Lideranças reclamam de tratamento do governo a questões indígenas

Insatisfeitas com a falta de diálogo, lideranças indígenas decidiram se retirar da Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI).  Elas acusam o governo de tratar as questões indígenas com descaso e desconsiderar a avaliação do colegiado em episódios como a reestruturação da Fundação Nacional do Índio (Funai) e a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. A reportagem é de Luana Lourenço e publicada pela Agência Brasil, 17-06-2011.

“A política indigenista no país está sendo esfacelada, está sendo tratorada pelo governo Dilma.  A gente percebe que não tem muita importância para o governo brasileiro, porque o crescimento econômico parece estar acima dos direitos indígenas”, avaliou o cacique Marcos Xukuru.

Xukuru e nove representantes indígenas na CNPI dizem que só voltam à comissão se forem recebidos pela presidenta Dilma Rousseff.  A comissão é a principal responsável por organizar a atuação dos diversos órgãos federais que trabalham com os povos indígenas. Ela reúne representantes das organizações regionais indígenas, membros do governo e de organizações indigenistas. Continue lendo “Lideranças reclamam de tratamento do governo a questões indígenas”

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Rio, SP e MS fazem carnaval e passeatas contra Belo Monte e o Código Florestal

Blocos e bandas carnavalescas do Rio de Janeiro e um grupo de pessoas de São Paulo sem vínculos com partidos ou organizações vão promover neste domingo protestos contra as mudanças no Código Florestal e contra a licença para a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte. Com o mesmo objetivo, o Fórum de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Mato Grosso do Sul (FORMADS-MS) promoverá a Marcha da Liberdade, neste sábado, em Campo Grande. A informação é do Movimento Xingu Sempre Vivo, 16-06-2011.

Rio

No Rio, os manifestantes programaram um desfile-manifesto na praia de Copacabana, com concentração no Posto Seis, a partir das 10 horas. Já está confirmada a participação dos blocos e bandas Simpatia é Quase Amor, Barbas, Imprensa Que Eu Gamo, Banda de Ipanema, Bloco de Segunda, Bafafá, Empolga às 9, Carmelitas, Volta Alice, Banda da Rua do Mercado, Voltar Pra Quê? e Monobloco.

Durante o evento, a população poderá assinar um manifesto que será entregue à presidente Dilma Rousseff e aos presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados,José Sarney e Marco Maia. Os organizadores sugerem que todos estejam fantasiados ou vestidos de camisas verdes ou com as camisetas de seus blocos e que levem faixas ou cartazes com mensagens em defesa do meio ambiente. O cartunista Ziraldo criou, especialmente para o evento, a imagem do 11º Mandamento: “Não desmatarás”.
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