Psicanalista que cuidou de frei Tito analisa os efeitos psicológicos da tortura que levou ao suicídio o religioso brasileiro na França, depois de sevícias sofridas nos cárceres da ditadura militar brasileira
Jean-Claude Rolland
“Pensava que havíamos dito tudo o que sabíamos sobre Tito de Alencar, quando, logo depois de sua trágica morte, nós assumimos uma série de encontros e de trabalhos para – aqui me falta a palavra adequada: honrar, salvar, fazer justiça? – sua memória. Nós: somos os frades dominicanos que o acompanharam de perto nos últimos meses de sua vida, tendo por nomes: Roland Ducret, Xavier Plassat e François Génuyt – e eu, a quem haviam confiado o tratamento do seu estado mental, doído e inquietante. Nós organizamos um seminário no convento de La Tourette, interrogamos a todos aqueles que o tinham conhecido depois do seu exílio na França; participamos de um programa de TV. Escrevi um artigo, “Um homem torturado, Tito de Alencar”. Todos esses eventos se concentravam naquilo que a dor de Tito testemunhava de forma até ensurdecedora: experiência sem nome, sem rosto humano, experiência indescritível e inimaginável da tortura. Continue lendo “Tratar, testemunhar”


