ICMBio anuncia criação de novas unidades de conservação federais na Amazônia

De 300 projetos de novas UCs (Resex e RDS), 23% estão na Amazônia, a maioria delas no Pará e no Amazonas.

Elaíze Farias

 

Parque Nacional do Jaú foi uma das primeiras unidades de conservação criadas no Amazonas
Parque Nacional do Jaú foi uma das primeiras unidades de conservação criadas no Amazonas (Divulgação)

De 300 propostas de criação de novas unidades de conservação que atualmente tramitam Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), 23% estão concentradas no bioma amazônico. Pará e Amazonas são os Estados da região que detém a maioria dessas demandas, com 8,3% e 6% respectivamente.

Nesta semana, a ministra do meio ambiente, Izabella Teixeira, informou que o IMCBio estuda a criação de mais unidades de conservação no país. O anúncio foi feito durante a solenidade de entrega de concessões de uso de cinco reservas extrativistas (Resex) a extrativistas do Pará.

O coordenador de criação de unidades de conservação do ICMBio, Marcelo Cavallini, disse que as demandas são de diferentes categorias em estão em diferentes etapas.

A maior incidência é de Resex e de Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS), onde a pressão pela ocupação desordenada do território é mais acentuada. Continue lendo “ICMBio anuncia criação de novas unidades de conservação federais na Amazônia”

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Nota Pública: Os Eventos da Magistratura Frente à Autonomia e Independência do Judiciário

“Aos juízes é vedado receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições de pessoas físicas, entidades públicas ou privadas, ressalvadas as exceções previstas em lei” (Constituição Federal, artigo 95, Parágrafo único, inciso IV)

A sociedade brasileira depara-se novamente com eventos da magistratura patrocinados por grandes empresas, escritórios de advocacia e entidades representativas de classe. Sobre o fato, por ocasião do torneio de golfe que envolve empresas, advogados e magistrados paulistas, as organizações que assinam esta carta vem manifestar a sua preocupação.

A questão do patrocínio a eventos da magistratura traz à evidência não apenas a necessidade de regulamentação ou proibição do patrocínio, como bem propõe a Corregedoria Nacional de Justiça. Na verdade, o que esta prática revela é a necessidade em se discutir a cultura da autonomia e independência do judiciário.

Autonomia e independência do judiciário são valores fundamentais do Estado Democrático de Direito, não prerrogativas à disposição da discricionariedade magistrada. Ao realizar eventos patrocinados, a magistratura coloca em risco esses valores. Continue lendo “Nota Pública: Os Eventos da Magistratura Frente à Autonomia e Independência do Judiciário”

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BA – Doença de Chagas infesta comunidade quilombola da Jiboia

Tania Pacheco

Expulsas por fazendeiros, cerca de 150 famílias quilombolas estão sendo obrigadas a viver nas margens da estrada vicinal que liga o município de Antônio Gonçalves a Tiguaçú, no Norte da Bahia, espremidas entre a via e as cercas de arame farpado que impedem seu acesso às terras que deviam ser suas. Embora teoricamente tenham direito a mil hectares, pleiteiam apenas 140ha, o mínimo para poderem reorganizar suas vidas. Mas mesmo em relação a esses 14% a ação dos órgãos públicos é lerda.

Enquanto isso, 30% das famílias já estão contaminadas pela Doença de Chagas, incluindo bebês de três meses de idade. Das casas improvisadas, 50% são de taipa, algumas com cobertura de palha. É nelas que o mosquito prolifera, sem que sequer as autoridades ligadas à política de saúde façam algo para melhorar a situação.

No IV Encontro Nacional da CONAQ, Jiboia esteve representada, fazendo sua denúncia.  E ela está agora aqui também registrada. Vejamos quanto tempo levará para que os órgãos públicos se sensibilizem, e a situação seja mudada.

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BA – Com quantas contradições se realiza uma audiência pública?

“… nós não come salada de pau de eucalipto não, nós come batata, mandioca”

por Hundira Cunha

No segundo dia de audiência pública para decidir sobre o projeto de expansão da Veracel Celulose S.A – empresa baiana (?) produtora de eucalipto e fabricante de celulose, que pertence ao grupo Fibria, do empresário Hermírio de Moraes, o mesmo do grupo Votorantim, e a empresa Sueco-finlandesa Stora Ensor, como se pode ver uma baianidade extremamente globalizada – a apresentação da empresa foi um tanto rasa e desprovida de informações básicas, como por exemplo, a definição exata das áreas onde se intenciona plantar eucalipto.

Na audiência realizada em Canavieiras – BA, mais uma vez notou-se a total desinformação das comunidades possivelmente atingidas, somando-se a isso, a frustração diante do apoio do Governador Jacques Wagner ao empreendimento. Ora? Como um governante pode apoiar um empreendimento antes mesmo que o Estudo de Impactos Ambientais seja apresentado e discutido pela sociedade? E se esse mesmo empreendimento for julgado inviável pela sociedade, será que ainda assim este mesmo governador declarará publicamente o seu apoio à empresa? Agora não tem mais como saber, pois o estrago já está feito. “A audiência pública foi convocada para decidir ou referendar a manifestação favorável do governador Wagner?”, questionou professor Elder Pedreira. Continue lendo “BA – Com quantas contradições se realiza uma audiência pública?”
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Entre o Sal e o barro: Moradores do Norte do estado e do Jequitinhonha bebem água de minas salobras ou das chuvas

Alessandra Mello, Luiz Ribeiro e Juliana Cipriani

“Eu não conto felicidade, não. Moro aqui desde que nasci e sempre foi uma vida difícil, mas de uns tempos para cá piorou demais. Não tem água mais para nada, a gente tem de usar esse barro aí”, lamenta Maria Aparecida Nunes Silva, 37 anos, moradora da comunidade de Lagoa do Boi Morto, na zona rural de Araçuaí. A água que abastece a casa da família, onde moram ao todo 10 pessoas – entre elas Davi Luiz Silva, de apenas 10 meses – é captada de uma cacimba (cova aberta para juntar água da chuva) feita pelos moradores. Essa água é usada para o consumo diário ou do Córrego Narciso.

Por ironia, Boi Morto fica a cerca de dois quilômetros da barragem do Calhauzinho, que tem água bem melhor. Relatório feito pelo Laboratório de Saúde Pública/Água da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais da água usada em Boi Morto indica que ela é imprópria para o consumo humano. O laudo é assinado pela coordenadora do laboratório, Sérgia Maria Starling Magalhães, e foi realizado a pedido da Comissão de Participação Legislativa da Assembleia Legislativa, que visitou a comunidade em companhia de técnicos da Copasa. Já houve uma tentativa de levar água da barragem para a localidade, mas ela fracassou pois precisava de “homens para cavar a vala”, conta Maria. É que na comunidade a maioria dos homens passa 10 dos 12 meses do ano em São Paulo, no corte de cana e colheita de café.

A abertura de poços tubulares é uma alternativa para o abastecimento de comunidades rurais. O problema é que em muitos lugares a água captada no subsolo tem qualidade ruim – é salobra. Mesmo assim, é distribuída sem receber nenhum tipo de tratamento. É o caso de Coqueirinho, onde vivem 10 famílias, na zona rural de Francisco Sá. A localidade do Norte de Minas, de 23,4 mil habitantes, fica a 469 quilômetros de Belo Horizonte. “A água que vem do poço tubular é muito salgada”, conta o vaqueiro Paulo César Santos Oliveira, pai de sete filhos. A água de beber da família é, na maior parte do ano, fornecida por um caminhão-pipa que o Exército cedeu para o município. Mas, como ele parou de rodar por falta de recursos, os tambores que ficam na porta da casa estão secos e empoeirados. “O jeito está tomar água salgada do poço mesmo”, diz Paulo César. A mulher dele, Maria Lucimar Oliveira, carrega nos braços o filho mais novo do casal, Júlio César, de apenas 1 mês e 10 dias. Continue lendo “Entre o Sal e o barro: Moradores do Norte do estado e do Jequitinhonha bebem água de minas salobras ou das chuvas”

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RS – Secretaria da Saúde se integra ao Projeto Quilombo Central

A Secretaria da Saúde passa a integrar as ações do projeto Quilombo Central. Com coordenação da Secretaria de Estado da Cultura, o projeto já engloba várias pastas estaduais e municipais.

Os coordenadores do projeto, que são vinculados à diretoria de Cidadania Cultura da Sedac, Lanna Campos e Sandro Santos, estiveram em reunião com a representante da SES, Cléa Lima, no final da tarde dessa terça-feira (09). Ficou definido a inclusão do Seminário de Saúde da População Negra no evento do Quilombo Central que será realizado (na Semana da Consciência Negra), no Largo de Zumbi dos Palmares, em Porto Alegre.

Segundo os organizadores do evento do Quilombo Central, o projeto é uma ação compartilhada com as instituições da sociedade civil organizadas, que têm a responsabilidade de execução do evento. Aos órgãos do Governo cabem a tarefa de fomento das ações, e especialmente a Secretaria de Estado da Cultura, que assumiu o papel de mediar as relações entre todas as entidades, a fim de ampliar as discussões acerca de implementação de políticas públicas étnico-raciais. Continue lendo “RS – Secretaria da Saúde se integra ao Projeto Quilombo Central”

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Copa 2014 pode ter Observatório contra Racismo

A Copa do Mundo de 2014, evento esportivo que irá atrair elevada demanda turística para o Brasil, poderá ter um observatório de prevenção e repressão a práticas de racismo e exploração sexual de crianças e adolescentes. O requerimento que pede a criação do órgão regulador foi aprovado na sexta-feira (5), na Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara Federal.

A proposição é de autoria do deputado Luiz Alberto (PT-BA) e requer o envio de indicação à Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir). “Acreditamos que a criação do observatório é uma iniciativa necessária para contribuir com o bom transcurso das atividades relacionadas a este importante evento esportivo internacional”, afirmou o parlamentar baiano. Para ele, órgãos governamentais brasileiros e organismos nacionais e internacionais que combatem o racismo, lutam pelo respeito aos direitos humanos e pela proteção à infância também devem participar.

 

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Motins em Inglaterra: As causas dos distúrbios no Reino Unido

Edifício com 140 anos a arder em Croydon, Londres, no terceiro dia de tumultos
Edifício com 140 anos a arder em Croydon, Londres, no terceiro dia de tumultos. Facundo Arrizabalaga/EPA

Da decadência moral à exclusão social, passando pelo racismo, consumismo e mesmo pela falta da figura do pai nas famílias. Teorias discutidas no Reino Unido procuram explicar as causas dos distúrbios.

Especialistas e jornalistas britânicos estão a tentar encontrar explicações para a onda de violência de que o país foi palco nos últimos dias. As teorias sobre as possíveis causas do fenómeno vão da decadência moral ao consumismo excessivo, passando, entre outras, pelo racismo, exclusão social, falta de um modelo masculino na família, cortes nos gastos e fraco policiamento.

David Wilson, professor de criminologia da Birmingham City University, afirma que existe “uma cultura de merecimento na Grã-Bretanha” que,  segundo ele, “não se restringe à classe baixa, sendo comum entre os políticos, os banqueiros, os jogadores de futebol”.

“Não é uma classe em particular apenas, permeia todas as camadas da sociedade. Quando vemos políticos a pedirem TVs de plasma e a serem detidos por fraudarem as suas despesas, fica claro que os jovens de todas as classes sociais estão sem uma liderança apropriada”, disse. Continue lendo “Motins em Inglaterra: As causas dos distúrbios no Reino Unido”

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Justiça garante permanência dos Guarani Kaiowá em Kurussu Ambá

Decisão unânime foi tomada pela 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, em São Paulo

Por Cleymenne Cerqueira

A 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), em São Paulo, garantiu, em decisão unânime, a permanência dos indígenas Guarani Kaiowá de Kurusu Ambá em um pequeno pedaço de sua terra tradicional, retomado em 24 novembro de 2009. O território de Kurusu Ambá tem cerca de 2,2 mil hectares e está em estudo pela Funai. Localiza-se no município de Coronel Sapucaia, na divisa de Mato Grosso do Sul com Capitão Bado, no Paraguai, a 383 km de Campo Grande.

No local, também conhecido como aldeia Cruz Sagrada, vivem 70 famílias – cerca de 200 pessoas -, inclusive crianças com idades entre zero a oito anos. A comunidade foi incluída no Programa de Proteção a Defensores de Direitos Humanos da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República no início deste ano.

Para Eliseu Lopes, professor e liderança da comunidade, a decisão significa uma vitória. É favorável não só à comunidade de Kurussu Ambá, mas aos Guarani e demais indígenas do MS, bem como para o movimento indígena em nível nacional. “Estávamos preocupados com o que poderia acontecer, pois não temos para onde ir, mas agora nossa comunidade está em festa, comemorando a permanência em nossa terra. A gente espera que a decisão favoreça outras comunidades e acelere a demarcação das terras Guarani Kaiowá no Mato Grosso do Sul”, disse. Continue lendo “Justiça garante permanência dos Guarani Kaiowá em Kurussu Ambá”

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AM: Conflito agrário no município de Pres. Figueiredo*

Egydio Schwade, Casa da Cultura do Urubuí-CACUÍ/Amazonas
Adital

Os problemas que geram aflição a mais de duas dezenas de comunidades de agricultores na margem leste e oeste da BR-174 no Mun. de Pres. Figueiredo iniciaram entre 1969 e 1971 com a grilagem de terras dos chamados “paulistas”. Envolve também ações fraudulentas de cartórios acobertadas pelo judiciário e executivo do Estado do Amazonas, mediante concessão de títulos ilegais. O reconhecimento desses títulos podres por parte dos sucessivos governos estaduais vem adiando a solução óbvia deste conflito e tornando-o, dia após dia, mais agudo. Por isso, para se poder dar uma solução definitiva às pessoas envolvidas, é preciso convencer as autoridades estaduais da necessidade de oficializar a nulidade de todos os títulos podres, origem do conflito, e que se devolvam as terras à União para que as distribua a quem é de fato e de direito. É também necessário que se faça auditoria nos cartórios envolvidos, afim de que não se repitam semelhantes ações.

Os Precedentes:

1 – Trata-se de terras griladas por “paulistas” em 1970 e tituladas aos mesmos sem demarcação física alguma, ignorando cursos fluviais e sem a certidão negativa da presença indígena, documento absolutamente necessário para qualquer empreendimento na Amazônia. Ao contrário, o pedido da certidão foi rejeitado pelo então Presidente da FUNAI porque estas terras, naquela época, faziam parte da área Indígena Waimiri-Atroari. Portanto, são títulos frios e nulos. Continue lendo “AM: Conflito agrário no município de Pres. Figueiredo*”

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