
O trabalhador rural Manoel Messias dos Santos encara dura rotina para quem já tem 80 anos, a maior parte deles vividos à beira do Rio Gravatá. Quando o sistema de abastecimento da localidade onde mora é paralisado, e isso ocorre quase todos os dias, ele é obrigado a buscar água no rio. O problema não para por aí. O leito de onde ele tira água é o mesmo no qual a comunidade despeja todo o esgoto do povoado de Alfredo Graça, na zona rural de Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, a 678 quilômetros de Belo Horizonte. A realidade de seu Manoel é comum a muitas comunidades rurais do semiárido mineiro. Ali, boa parte da água disponível ou é salobra ou está contaminada por resíduos despejados nas bacias hidrográficas da região.
Durante uma semana, a reportagem do Estado de Minas percorreu 23 comunidades rurais em nove cidades da região mais seca de Minas, o Norte e os vales do Jequitinhonha e Mucuri. Em nenhuma delas havia água tratada. Para nada: beber, cozinhar, dar banho nas crianças ou lavar roupa. Nada também para dar aos animais ou irrigar a plantação, essencial para garantir comida no prato das famílias ou dinheiro no bolso para a sobrevivência. O drama, histórico no país, é agravado pela grande quantidade de rios afetados pela seca. Continue lendo “Seca obriga famílias do semiárido mineiro a recorrer até a rios e córregos contaminados por esgoto”




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