Carta aberta do povo Nambikwara à população brasileira

CIMI – Os europeus se julgavam os donos da terra, não respeitavam a vida comunitária dos povos que aqui viviam, não aceitavam sequer que estes povos possuíam alma, por serem portadores de culturas e religiões diferentes. Frei Bartolomé de Las Casas presenciou a invasão do Brasil e registrou (em 1511) a violência praticada contra os indígenas no século XVI:

“Certa vez os índios vinham ao nosso encontro para nos receber, à distância de dez léguas de uma grande vila, com víveres e viandas delicadas e toda espécie de outras demonstrações de carinho. E tendo chegado ao lugar, deram-nos grande quantidade de peixes, de pão e de outras viandas, assim quanto tudo quanto puderam dar… Mas eis que os espanhóis passam a fio de espada, na minha presença e sem causa alguma, mais de três mil pessoas, homens, mulheres, crianças, que estavam sentadas diante de nós. Eu vi ali tão grandes crueldades que nunca nenhum homem vivo poderá ter visto semelhantes… Também na terra firme… na madrugada, estando ainda os índios a dormir com suas mulheres e filhos, os espanhóis se lançaram sobre o lugar, deitando fogo às casas, que eram comumente de palha, de sorte que queimavam todos vivos, homens, mulheres e crianças… Mataram a tantos que não se poderia contar e a outros fizeram morrer cruelmente… e a outros fizeram escravos e marcaram-nos com ferro em brasa…”
(LAS CASAS, 1984)

Em 1.560, Men de Sá, governador geral do Brasil, escreveu uma carta ao rei de Portugal contando com orgulho as suas façanhas na colônia: em uma noite, ele havia destruído e queimado uma aldeia próxima à vila, matado todos os indígenas que resistiram a este ataque e seu trunfo foi ter enfileirado os corpos ao longo de aproximadamente seis quilômetros de praia. E este é apenas mais um exemplo da violência que as pessoas que habitavam esta terra sofreram.      Continue lendo “Carta aberta do povo Nambikwara à população brasileira”

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16 de Octubre- Día de Acción Global por la Soberanía Alimentaria

Los pueblos tenemos derecho a la tierra, a las semillas, a producir y alimentarsanamente, ejerciendo nuestra soberanía alimentaria!

La Vía Campesina hace un llamado internacional para convocar al Día de Acción Global por la Soberanía Alimentaria de los Pueblos, el próximo 16 de Octubre, día en que la FAO celebra el día mundial de la alimentación, el movimiento campesino afirma que sólo es posible acabar con la crisis alimentaria y el hambre en el mundo con soberanía alimentaria y una producción agroecología.

Las políticas económicas actuales impiden el desarrollo de la agricultura campesina y favorecen a la agroindustria hoy por hoy, la expansión del agronegocio en el mundo provoca la especulación y conlleva al aumento del precio de los alimentos acabando con la soberanía alimentaria y la cultura alimentaria de los pueblos.

En ese sentido, La Vía Campesina asevera que la única forma de salir de esta crisis alimentaria es acabar con el modelo del agronegocio, el cual que expulsa a las y los campesinos de sus territorios, las políticas neoliberales hacia el campo han impulsado un proceso de descampesinización forzada, además de acaparar la tierra, controlar las semillas, destruyendo la biodiversidad y el medio ambiente, generando así hambre y miseria       en el mundo. Continue lendo “16 de Octubre- Día de Acción Global por la Soberanía Alimentaria”

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RJ – Pescadores da Resex Marinha de Arraial do Cabo poderão ser incorporados à reforma agrária

A coordenadora técnica da Resex, Viviane Pacheco, dá detalhes do local para o diretor-substituto da Diretoria de Obtenção de Terras do Incra, Francisco Nascimento, e a chefe do serviço de Controle e Seleção de Família do Incra, Cinair Correia – Foto: Ascom Incra/RJ
A coordenadora técnica da Resex, Viviane Pacheco, dá detalhes do local para o diretor-substituto da Diretoria de Obtenção de Terras do Incra, Francisco Nascimento, e a chefe do serviço de Controle e Seleção de Família do Incra, Cinair Correia – Foto: Ascom Incra/RJ

INCRA – Entendimentos firmados entre o Incra e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) deverá resultar no reconhecimento dos pescadores artesanais da Reserva Extrativista Marinha de Arraial do Cabo, localizada no litoral fluminense, em beneficiários da reforma agrária. As reuniões para discutir o assunto foram realizadas nos últimos dias 2 e 4 de outubro em Arraial do Cabo. Quando aprovada será a primeira vez que o Incra incorpora à sua política, famílias de unidade de conservação marinha.

Com a ação, os trabalhadores da reserva poderão ter acesso às políticas públicas implementadas e articuladas pelo Incra, como os créditos de apoio ao início da atividade rural e os programas Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera); Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf); Minha Casa, Minha Vida dentre outros.

Até o fim do ano deverá ser concluído levantamento sobre o perfil das famílias e a expectativa é que aproximadamente 300 famílias sejam incorporadas ao programa nacional de reforma agrária. Elas já foram classificadas, em um levantamento socioeconômico feito pelo ICMBio, como as mais vulneráveis, por não possuírem outra fonte de renda além da pesca. Continue lendo “RJ – Pescadores da Resex Marinha de Arraial do Cabo poderão ser incorporados à reforma agrária”

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Empurra-empurra! Sobre a morte das estátuas

Uma “obra de arte” não pode valer mais que uma gota de sangue. E nesse entendimento reside a chave para compreender o alto grau de inventividade e valor estético-político da intervenção dos Guaranis (Mídia Ninja)
Uma “obra de arte” não pode valer mais que uma gota de sangue. E nesse entendimento reside a chave para compreender o alto grau de inventividade e valor estético-político da intervenção dos Guaranis (Mídia Ninja)

A ação guarani de atacar, ainda que simbolicamente, o Monumento às Bandeiras de São Paulo cumpre o papel de resgatá-lo para o curso da história. E, assim, podemos enxergar as chagas da maldade que representa

Por Guilherme Leite Cunha* – Revista Fórum

As estátuas e os monumentos públicos são, em sua maioria, a realização material de uma ação conservadora: a abstração e fetichização da história. São a negação do processo histórico, de suas lutas e contradições, por parte dos vencedores. Que fincam ali o seu poder em pedra, cimento e granito, com uma dupla função didática: convencer-nos sobre uma suposta irreversibilidade da história e nos educar sobre quem são os vencedores. O “monumento” se configura como um poder final que atua no reconhecimento público do dominador e na naturalização de sua dominação, querendo se configurar como um patrimônio público, total, da nação, dos vencedores, mas também, e fundamentalmente, dos vencidos. Continue lendo “Empurra-empurra! Sobre a morte das estátuas”

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Bicho cresceu no Rio com ajuda de torturadores

Da esquerda para a direita: Castor de Andrade, Capitão Guimarães e Anísio Abraão
Da esquerda para a direita: Castor de Andrade, Capitão Guimarães e Anísio Abraão

Militares e policiais migraram dos porões da ditadura para a contravenção e levaram a guerra às ruas do Rio

Chico Otavio e Aloy Jupiara – O Globo

RIO — Isolado na tropa, o capitão Aílton Guimarães Jorge pediu demissão do Exército no dia 9 de março de 1981. O gesto do oficial, ao trancar a farda no armário, selou uma aliança que mudaria o perfil do crime organizado no Brasil: a de agentes da ditadura com a contravenção. Capitão Guimarães é a face mais exposta desse processo, mas não a única. A partir dos anos 1970, um pequeno pelotão de agentes migrou dos porões da tortura para as fileiras do jogo do bicho, levando junto a brutalidade, a arapongagem e a disciplina da guerra suja contra as esquerdas. Bicheiros ajudaram a perseguir inimigos do regime, e a ditadura retribuiu com proteção e impunidade. Continue lendo “Bicho cresceu no Rio com ajuda de torturadores”

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Rio de Janeiro: as razões da greve gigante

Assembleia de professores em agosto de 2013. Foto: SEPE RJ
Assembleia de professores em agosto de 2013. Foto: SEPE RJ

Professora explica: mobilização combate projeto de ensino vulgar, que despreza conteúdos humanísticos, humilha educadores e os reduz a formadores de mão-de-obra pouco qualificada 

Por Larissa Costard*, no Blogueiras Feministas

Tenho pouco mais de cinco anos atuando como professora no município do Rio de Janeiro. Nesse tempo já vi de tudo. Já vi assédio moral, já vi diretor participando de paralisação, já vi aprovação automática na famigerada gestão César Maia (quando entrei, peguei seu último ano explícito, agora ela existe veladamente), mas nunca vi o que rolou esse ano. Cheguei à rede municipal do Rio com uma categoria destroçada, participei de assembleias bastante esvaziadas. A primeira coisa, então, é que mal sabem os de fora o orgulho que os professores sentem de estar em assembleias e passeatas que chegaram a congregar 20 mil (números da PM) nas ruas, principalmente profissionais da educação, em defesa de uma educação pública de qualidade. Continue lendo “Rio de Janeiro: as razões da greve gigante”

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Imagens da rebelião popular em defesa da educação no Rio de Janeiro

Jornal A Nova Democracia – Na noite de ontem, cem mil pessoas tomaram as ruas do Centro do Rio de Janeiro para protestar contra a onda de violência desencadeada pela polícia do Rio contra os profissionais da educação em greve. Ao se defrontarem com as tropas de repressão do Estado fascista, as massas responderam à altura e mostraram quem dá as ordens.

Os manifestantes chegaram a tentar retomar o prédio da Câmara de Vereadores, de onde os trabalhadores foram covardemente expulsos pela PM. Pedras, paus, bombas, morteiros, coquetéis molotov e rojões foram atirados contra os agentes de repressão, que dessa vez, recuaram a não mostraram metade da coragem que tiveram ao atacar as massas na semana anterior. Em breve divulgaremos uma reportagem especial sobre o protesto do dia 1o de outubro.

Enviada para Combate Racismo Ambiental por José Carlos.

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História do Massacre de Ipatinga é recontada 50 anos depois

Carteira no bolso amorteceu bala e salvou o ex-operário Hélio Ferreira
Carteira no bolso amorteceu bala e salvou o ex-operário Hélio Ferreira

Audiência pública convocada pela Comissão Nacional da Verdade ouve relatos do Massacre de Ipatinga 50 anos depois

Estado de Minas – A memória do Massacre de Ipatinga começou a ser recontada nessa segunda-feira, quando o episódio que resultou em mortes e desaparecimento de operários da Usiminas completou 50 anos. Em audiência pública organizada pela Comissão Nacional da Verdade (CNV), em parceria com a comissão estadual, foram ouvidos relatos daqueles que estiveram presentes na usina em outubro de 1963 e de familiares de trabalhadores que até hoje não foram encontrados. Também foram ouvidos representantes da Usiminas e da Polícia Militar (PM). Os principais temas investigados no encontro foram o total de mortos – segundo a versão oficial foram oito vítimas, mas presentes afirmam que o número é pelo menos três vezes maior – e a relação entre a empresa, na época estatal, e os militares. Mesmo distante de completar o quebra-cabeça sobre o que se passou em Ipatinga, integrantes das comissões ressaltaram a importância de ouvir versões que ficaram esquecidas por cinco décadas.

O episódio foi considerado um exemplo de violações graves aos diretos humanos, que se tornariam cada vez mais comuns a partir do ano seguinte, com o golpe militar de 1964. Como muitos pontos envolvendo o massacre continuam obscuros, ex-operários e familiares destacaram a importância de que as novas investigações das duas comissões tenham resultados mais concretos e possam levantar informações sobre o paradeiro dos desaparecidos. “Foi feito um pacto muito forte nessa cidade em que as autoridades oficiais não falam sobre o caso. Encomendaram 32 caixões, mas temos apenas oito vítimas oficiais. Aqui tem pessoas parentes de vítimas, pessoas que perderam pais aos 9, 10 anos e até hoje não encontraram informação sobre eles”, afirmou Edson Oliveira, da Associação dos Trabalhadores Anistiados de Minas. Continue lendo “História do Massacre de Ipatinga é recontada 50 anos depois”

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O Ato Institucional nº 5, da ex- Associação Indígena Pusuru

Nota: Para quem ainda não leu sobre essa parte (podre) da nossa História ou esqueceu, o AI 5 foi baixado pela ditadura no dia 13 de dezembro de 1968, uma sexta-feira, instituindo a fase mais violenta da repressão e da negação aos direitos. Embora uma ação adotada pelos militares, teve apoio irrefutável de parte dos políticos e da sociedade de direita. O próprio vocabulário adotado no documento abaixo, ‘baixado’ em nome da antiga Associação Pusuru, lembra em muitos trechos o adotado pela ditadura. Nossa total solidariedade ao Povo Munduruku e a seus aliados, dentre os quais nos incluímos. (Tania Pacheco)

AI 5 Pusuru 1

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Manifestantes se concentram para protesto no centro do Rio

Vladimir Platonow, Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – Manifestantes já estão concentrados, na Igreja da Candelária, no centro do Rio, para um protesto batizado de Um Milhão pela Educação. A maior parte do público é formada por professores municipais e estaduais, estudantes, bancários e petroleiros. As categorias decidiram fazer um ato unificado em defesa do ensino.

Os manifestantes pretendem seguir pela Avenida Rio Branco, uma das principais do centro, até a Cinelândia, em frente à Câmara dos Vereadores. O local foi palco, no último dia 1º, de uma violenta repressão da Polícia Militar (PM) aos representantes do magistério e também a outros manifestantes, muitos deles integrantes do grupo Black Bloc, durante votação do plano de cargos e salários do magistério municipal enviado pela prefeitura.

O comércio na região central continua funcionando, mas todas as agências bancárias estão protegidas por chapas de compensado, para evitar que virem alvo de depredações. A PM já está presente, mas com um efetivo mais discreto do que nas demais manifestações. O governador Sérgio Cabral tem respondido, em entrevistas, que é preciso separar os professores dos manifestantes que promovem vandalismo, para que os representantes do magistério não sejam atingidos pela repressão policial. Continue lendo “Manifestantes se concentram para protesto no centro do Rio”

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