O Povo Online – As cenas de repressão, vistas no Parque do Cocó durante a expulsão dos defensores do meio ambiente pelas forças policiais, trazem de volta imagens perdidas no tempo, há exatamente 100 anos, quando a oligarquia Acioly mandava e desmandava no Ceará. Na época, a população muitas vezes tentou enfrentar o autoritarismo. Numa delas, foi organizada uma passeata de crianças, na suposição de que os algozes teriam escrúpulo de usar os métodos brutais habituais. A manifestação terminou desbaratada à pata de cavalo, durante as cargas impiedosas da cavalaria policial. E várias crianças morreram pisoteadas. Foi precisamente no dia 21 de janeiro de 1912, um domingo. Na última sexta feira, uma horda fardada (cujos integrantes não portavam distintivos de identificação) espalhava, com a mesma gana truculenta, tiros de borracha, granadas de gases e cassetetes contra um punhado de cidadãos altruístas (já que não defendiam interesse próprio) cujo maior crime era o de defender o resto de patrimônio natural ainda não devorado de todo pela especulação imobiliária. A mesma que o vem comendo pelas beiradas e que agora busca sufocá-lo por meio de viadutos e pontes estaiadas. Qualquer semelhança de eras, não é pura ficção.
HISTÓRIA
A incrível decisão de um membro da Justiça Federal em favor do projeto de construção de viadutos que prejudicarão o Parque do Cocó não surpreendeu ninguém, diante do enorme poder (não só político, mas também econômico) das forças que a patrocinaram. Interpretação por interpretação, é preferível ficar com os operadores do Direito que viram a questão de modo diferente. É na interpretação que o juiz se revela, deixando entrever a que tipos de valores e a que laços de pertença de classe está interligado, depois de tê-los incorporado durante todo o processo de sua formação cultural e humana. A neutralidade na observação ou na avaliação de um fato, como se sabe, inexiste num ser inserido na História – o máximo alcançável é a isenção. Continue lendo “Acyoladas”