Alinhamento do governo às oligarquias impede a Reforma Agrária, diz Stedile

João Pedro Stedile
João Pedro Stedile

Jimmy Azevedo
Do Jornal do Comércio

Com a passagem dos 30 anos de fundação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no dia 22 de janeiro, o Jornal do Comércio entrevistou um de seus fundadores e principais líderes. João Pedro Stedile não poupa críticas aos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma Rousseff, ambos do PT. Stedile questiona o fato de a reforma agrária não ter apresentado resultados significativos no governo Dilma. Segundo o ativista, a reforma agrária só não tem avanços porque a presidente está “alinhada com as oligarquias”.

O líder nacional do MST critica a política do atual governo em promover concessões de setores estratégicos. Sobre a política econômica do governo de coalizão, acredita que é necessário realizar mudanças, barrar o superávit primário e destinar os R$ 280 bilhões anuais, hoje pagos em juros aos bancos, para educação, saúde, reforma agrária e transporte público. Reitera que, para que haja essas mudanças estruturais, será necessário primeiro promover uma reforma política para que o poder seja exercido pelo povo, “e não contra ele”. Continue lendo “Alinhamento do governo às oligarquias impede a Reforma Agrária, diz Stedile”

Ler maisAlinhamento do governo às oligarquias impede a Reforma Agrária, diz Stedile

Do Haiti a Curitiba: 8.000 quilômetros em busca de trabalho

Haitianos vencem distâncias e uma tragédia e ajudam a construir a Arena da Baixada, em Curitiba. Distante dos holofotes da Copa, no entanto, enfrentam seguidos abusos trabalhistas na região

Frederico Rosas – El País

Arena da Baixada em obras. Sob uma temperatura de mais de 30 graus, no verão mais quente em Curitiba dos últimos oito anos, um grupo é facilmente identificável, entre dezenas de trabalhadores que caminham usando capacetes coloridos. Aproveitando uma sombra no horário de almoço, eles se reúnem para conversar nos idiomas da terra natal, o francês e o crioulo. São cidadãos haitianos, que venceram distâncias próximas a 8.000 quilômetros e uma grande tragédia, e que encontraram na construção civil uma oportunidade de sustento no Brasil. Mas que, distante dos holofotes das atividades para o Mundial, ainda enfrentam condições de trabalho precárias na região.

O Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil (Sintracon) de Curitiba informa que, semanalmente, 15 trabalhadores haitianos em média procuram a entidade com denúncias de baixos salários, precariedade dos alojamentos e falta de segurança. “Os que levam sorte e são contratados por empresas grandes, com carteira assinada, estão se dando bem. O problema não é na arena, é com as empreiteiras menores espalhadas pela região metropolitana de Curitiba”, afirma ao EL PAÍS o presidente do Sintracon regional, Domingos Davide, que diz realizar um acompanhamento constante das condições de trabalho nas obras do estádio escolhido pela FIFA para servir de palco para a Copa do Mundo. Continue lendo “Do Haiti a Curitiba: 8.000 quilômetros em busca de trabalho”

Ler maisDo Haiti a Curitiba: 8.000 quilômetros em busca de trabalho

Indígena é eleito presidente do Comitê para a Eliminação da Discriminação Racial da ONU

Pertencente ao povo Maya Kaqchikel, José Cali conduzirá o 84º período de seções do Comitê, entre 3 e 21 de fevereiro, em Genebra, Suíça

SEPPIR – José Francisco Cali, do povo Maya Kaqchikel da Guatemala, foi eleito presidente do Comitê para a Eliminação da Discriminação Racial da Organização das Nações Unidas (CERD/ONU). Ele é o primeiro indígena a ocupar o cargo e o seu mandato será exercido por dois anos, que incluem a responsabilidade pela condução do 84º período de sessões da instância, entre 3 a 21 de fevereiro, em Genebra, Suíça.

O anúncio foi feito no dia 23 de janeiro, por Mírian Masaquiza, que é membro do Secretariado do Fórum Permanente para as Questões Indígenas da ONU, por meio de suas redes sociais.

José Cali apoiou várias organizações civis indígenas e de Direitos Humanos, assim como instituições governamentais que respondem por essas agendas na Guatemala e a nível internacional. Foi diretor de Direitos Humanos do Ministério das Relações Exteriores do seu país, onde assumiu também a presidente do Programa Nacional de Compensação. Continue lendo “Indígena é eleito presidente do Comitê para a Eliminação da Discriminação Racial da ONU”

Ler maisIndígena é eleito presidente do Comitê para a Eliminação da Discriminação Racial da ONU

PL de cotas para negros em concursos federais entra em pauta na volta da Câmara

Ações_Afirmativas

A SEPPIR trabalha para que a proposta seja aprovada na Casa Legislativa até o Carnaval

SEPPIR – O Projeto de Lei que reserva 20% das vagas para negros nos concursos federais (PL 6738/2013) está entre as propostas em pauta para votação da Câmara dos Deputados nesta semana. A intenção da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) é que o projeto, que tramita em regime de urgência, seja votado até o Carnaval e, em seguida, encaminhado para o Senado Federal. Os líderes partidários devem definir a pauta de votações prioritárias para 2014, amanhã, terça (4).

“Como este é um ano eleitoral, com vários projetos trancando a pauta, se ele não for analisado a tempo, a pauta pode cair, e então sua votação fica imprevisível. O nosso esforço é para que o PL seja votado ainda antes do Carnaval e encaminhado em seguida ao Senado”, informa o secretário-executivo da pasta, Giovanni Harvey, que trabalha junto à Secretaria de Relações Institucionais e à liderança do governo para que o projeto seja levado ao plenário. O PL foi encaminhado pela presidenta Dilma Rousseff logo após a III Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Conapir), em novembro. Continue lendo “PL de cotas para negros em concursos federais entra em pauta na volta da Câmara”

Ler maisPL de cotas para negros em concursos federais entra em pauta na volta da Câmara

Tenharim: na onda de boatos, falácia e desinformação não têm limites

Foto: internet
Foto: internet

Tania Pacheco – Combate Racismo Ambiental

O Portal Rondônia Agora está divulgando hoje, 3 de fevereiro (veja foto abaixo), informação de que 120 indígenas Tenharim teriam bloqueado por horas a Transamazônica: “armados com arcos e flechas e pintados para a guerra, eles queimaram pneus e colocaram troncos de árvores impedindo a passagem de veículos”. No que seria um protesto contra as prisões do dia 30, a coisa teria sido ainda pior. Cito:

“O clima na região voltou a ficar tenso depois que quatro funcionários da Embratel relatarem que os índios tentaram prende-los em uma aldeia, onde estavam tentando resolver um problema na fiação telefônica dentro da reserva há três dias.

Como não davam noticias há mais de quarenta e oito horas, os familiares dos homens registraram boletim de ocorrência em Apuí, no sul do Amazonas. Ao chegarem na cidade, os homens disseram que a intenção dos índios era usa-los como “moeda de troca” numa suposta negociação pela soltura dos índios presos”.

Na entrevista que fiz ontem com Ricardo Albuquerque, o advogado dos Tenharim, cheguei a mencionar a notícia de que estava sendo repetida desde o dia 31, no Portal Apuí: três homens teriam deixado a cidade em direção à aldeia Tenharim do Igarapé Preto, pela Rodovia do Estanho, e ‘desaparecido’. Segundo o portal, seriam um técnico da Telemar (Martinho Andrade Carvalho, que iria consertar um telefone na aldeia) e dois desconhecidos, 24 horas depois identificados como Alan Catarino Pinheiro e Edimar Freitas Gusmão, de Apuí. Continue lendo “Tenharim: na onda de boatos, falácia e desinformação não têm limites”

Ler maisTenharim: na onda de boatos, falácia e desinformação não têm limites

“Versão revisada do Manual de Garantia da Lei e da Ordem é divulgada”

Publicação foi aperfeiçoada com o objetivo de dar maior clareza às regras e procedimentos a serem seguidos pelas Forças Armadas

Portal Brasil

O Ministério da Defesa divulgou nesta segunda-feira (3), no Diário Oficial da União, portaria que aprova a versão revisada do Manual de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). A publicação foi aperfeiçoada com o objetivo de dar maior clareza às regras nela contidas, dirigidas aos participantes dessa modalidade de operação.

O Manual estabelece os procedimentos a serem seguidos pelas Forças Armadas na eventualidade de decretação de GLO. Esse tipo de operação tem caráter excepcional e previsão expressa da Constituição Federal (art. 142).

Trata-se de uma ação conduzida pelas Forças Armadas de forma episódica, por tempo e espaço definidos, que visa a preservar a ordem pública e proteger os cidadãos e o patrimônio em situações excepcionais, como nos casos de esgotamento das estruturas de segurança pública.

Por disposição constitucional, as ações de segurança pública são de responsabilidade da União e dos Estados, que as exercem por meio de suas polícias. Por essa razão, o emprego eventual de militares da Marinha, Exército e Aeronáutica em atividades de segurança interna no País respeita o pacto federativo, e requer autorização expressa do presidente da República, autoridade que tem competência exclusiva para decretar a Garantia da Lei e Ordem. Continue lendo ““Versão revisada do Manual de Garantia da Lei e da Ordem é divulgada””

Ler mais“Versão revisada do Manual de Garantia da Lei e da Ordem é divulgada”

Grupo que matou jovem gay em SP é preso e confessa que alvo eram os homossexuais

Iran Giusti , da Redação IG

Foram presos neste domingo (2), os responsáveis pela morte do estudante gay de 18 anos, Bruno Borges de Oliveira, encontrado morto na Rua Herculano de Freitas, região central de São Paulo, as 5h30 da manhã de domingo (26). Ao todo seis homens foram detidos e confessaram que alvos eram homossexuais.

Dois jovens de 16 anos e Leonardo da Rosa, 23, Evetron José Teodoro de Souza, 20, Gabriel Leal Noronha, 20, Daniel Henrique da Silva, 20, foram os responsáveis pelo crime.

Inicialmente o boletim de ocorrência foi lavrado como como furto pela polícia. As investigações do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) apontou que o grupo atacava gays por os considerarem um alvo mais frágil. A investigação foi feito pelo 1º Patrimônio (Delegacia de Investigações sobre Roubos e Latrocínios). Continue lendo “Grupo que matou jovem gay em SP é preso e confessa que alvo eram os homossexuais”

Ler maisGrupo que matou jovem gay em SP é preso e confessa que alvo eram os homossexuais

MST lamenta o falecimento do cineasta e companheiro Eduardo Coutinho

Eduardo Coutinho morreu neste domingo (2) aos 81 anos Reprodução / Pipoca Moderna
Eduardo Coutinho morreu este domingo, aos 81 anos

Da Página do MST

É com pesar e tristeza que o MST recebe a notícia do assassinato do cineasta Eduardo Coutinho, diretor do filme “Cabra marcado para morrer”, entre muitas outras obras primas. Leia a nota da coordenação nacional do MST sobre seu falecimento:

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra manifesta seu pesar e tristeza pela perda do cineasta Eduardo Coutinho.

Desde sua juventude, Coutinho não se contentou em ser apenas um cineasta. Sensível aos problemas sociais do nosso país, uniu a arte com a militância, participando do intenso processo de organização dos CPCs da UNE e de suas caravanas pelo país.

O preço pago pelo militante está registrado na obra-prima “Cabra marcado para morrer”, interrompido pelo golpe militar de 1964. Continue lendo “MST lamenta o falecimento do cineasta e companheiro Eduardo Coutinho”

Ler maisMST lamenta o falecimento do cineasta e companheiro Eduardo Coutinho

No Pará, indígenas Munduruku apreendem máquinas e expulsam garimpeiros, e em carta dizem que não temem as ameaças de morte

Munduruku passaram a fazer a defesa do território coletivamente
Munduruku passaram a fazer a defesa do território coletivamente

Por Larissa Saud, no Blog da Amazônia

A noite mal havia chegado quando índios da etnia Munduruku atracaram na ribanceira de um garimpo localizado no Rio da Tropas, afluente do Rio Tapajós, na região oeste do Pará. Das cinco voadeiras, todas lotadas, saíram guerreiros, guerreiras e crianças, todos com um objetivo: expulsar garimpeiros ilegais da terra dos Munduruku.

Logo na entrada do barracão, os indígenas depararam-se com dois dos 12 garimpeiros presentes no local. Pintados para guerra, os Munduruku foram firmes.

– Vocês tem dez minutos para ir embora. Pega as coisas de vocês, vão embora e não voltem mais. Isso aqui é terra dos Munduruku – ordenou Paigomuyatpu, chefe dos guerreiros, enquanto os garimpeiros arrumavam as mochilas e se preparavam para abandonar a área. Continue lendo “No Pará, indígenas Munduruku apreendem máquinas e expulsam garimpeiros, e em carta dizem que não temem as ameaças de morte”

Ler maisNo Pará, indígenas Munduruku apreendem máquinas e expulsam garimpeiros, e em carta dizem que não temem as ameaças de morte

Centrais querem punições a empresas que foram ‘quartéis’ durante a ditadura

Auditório em S.Bernardo recebe ato público para lembrar perseguição de trabalhadores pela ditadura (ROBERTO PARIZOTTI / CUT)
Auditório em S.Bernardo recebe ato público para lembrar perseguição de trabalhadores pela ditadura (ROBERTO PARIZOTTI / CUT)

Durante ato em homenagem a trabalhadores e sindicalistas vítimas do golpe de 64, ex-dirigentes falam da atuação de agentes da ditadura dentro das fábricas

por Vitor Nuzzi, da RBA

As centrais sindicais que atuam na Comissão Nacional da Verdade (CNV) querem que não só agentes do Estado, mas empresas apoiadoras do golpe sejam responsabilizadas por apoio e financiamento à ditadura (1964-1985). Em ato realizado ontem (1º), em São Bernardo, no ABC paulista, depoimentos explicitaram modalidades desse apoio. “Algumas empresas de São Bernardo tornaram-se verdadeiros quartéis”, disse Djalma Bom, ex-diretor do Sindicato dos Metalúrgicos, ex-deputado e ex-vice-prefeito. “Havia agentes da Polícia Federal infiltrados no movimento com carteiras de trabalho assinadas, ‘esquentadas’ pelas empresas.”

Também ex-funcionário da Mercedes-Benz, Djalma afirmou que a montadora tinha “uma pessoa indicada para conversar com um general”, de sobrenome Queiroz. Além disso, o chefe de segurança da empresa era um major, Saturnino Franco. Continue lendo “Centrais querem punições a empresas que foram ‘quartéis’ durante a ditadura”

Ler maisCentrais querem punições a empresas que foram ‘quartéis’ durante a ditadura