Waud Kracke, um leitor de sonhos, por José Ribamar Bessa Freire

Waud Kracke e Levinho, 1985Em Taqui Pra Ti

Quem é aquele gringo jovem, louro e de olhos azuis, desengonçado e bonachão, que desembarca no Brasil, em 1966, em plena ditadura militar, com a mala cheia de livros em inglês? O que vem fazer aqui? A Polícia Federal, paranoica, desconfia que se trata de um militante maoista. É que Waud Hocking Kracke nasceu em Pequim, em 1939, diz seu passaporte norte-americano. Muito suspeito. Consultada, a Embaixada dos EUA esclarece: o pai e a mãe dele, americanos, viveram breve temporada na China. Mas o “pequinês” tem ficha limpa. Vem ao Brasil estudar os índios para uma tese de doutorado em antropologia na Universidade de Chicago.

O “maoista subversivo”, às gargalhadas, contou essa história ao seu amigo, também antropólogo, José Carlos Levinho, atual diretor do Museu do Índio. Liberado, enfim, pelos meganhas, Kracke se embrenhou na floresta amazônica, na região do rio Madeira, onde conviveu com os Parintintin, cuja língua começou a falar antes mesmo do português. Levinho diz, brincando, que o português dele guardava forte sotaque da língua Kagwahiv, que aprendeu para se comunicar melhor com os índios.

Kracke conviveu com os Parintintin nos igarapés Maici-Mirim, Traíra e Nove de Janeiro no período de abertura da rodovia Transamazônicaquando aldeias foram invadidas e malocas incendiadas. “Aprendi, então, a ministrar remédios e a enterrar os mortos“, contou a Levinho, lembrando com tristeza que prestou assistência às vítimas de violências físicas, de malária e de gripe, sem qualquer apoio oficial. “Durante a construção da estrada, não foram poucos os estupros e assassinatos de índios”, disse, trazendo informações que interessam à Comissão da Verdade na apuração dos crimes cometidos pela ditadura. Continue lendo “Waud Kracke, um leitor de sonhos, por José Ribamar Bessa Freire”

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“Defesa vai pedir habeas corpus e transferência de índios presos”

Juiz Wilson Witzel e cocarPedido leva em conta fragilidade das provas; indígenas estariam correndo risco de vida em penitenciária de Porto Velho

José Maria Tomazela e Chico Siqueira, especial para O Estado de S. Paulo

SOROCABA – A defesa dos cinco índios presos por suspeita de assassinato de três homens na reserva Tenharim Marmelos, em Humaitá, sul do Amazonas, vai entrar com pedido de habeas corpus nesta segunda-feira, 3, visando à soltura dos suspeitos. De acordo com o advogado Ricardo Tavares Albuquerque, o pedido levará em conta a fragilidade das provas. “A Polícia Federal apresentou provas testemunhais, mas elas são genéricas e superficiais”, disse, ressalvando que a defesa ainda não teve acesso a todas as peças do inquérito.

De acordo com Albuquerque, a defesa também vai pedir a transferência dos índios presos por estarem correndo risco de vida. Os indígenas estão no presídio Pandinha, uma penitenciária de segurança média, em Porto Velho (RO). O local, segundo ele, não oferece condições de segurança. “Meus clientes estão sendo submetidos a diversos tipos de violação dos direitos humanos, correndo até risco de vida. Por isso, vamos entrar com pedido de transferência”, afirmou.

Pontes. Tropas do Exército reforçaram a vigilância na Transamazônica, diante da ameaça dos índios de estourar pontes na rodovia em represália às prisões dos cinco indígenas da etnia tenharim. Na noite de sexta-feira, 31, índios se agruparam nas imediações da ponte sobre o rio Marmelo e os mais exaltados ameaçavam pôr fogo na ponte. Motoristas em trânsito na estrada foram escoltados em comboios pela Polícia Rodoviária Federal durante a travessia da terra indígena. Em janeiro, as lideranças indígenas haviam informado ao general Eduardo Villas Bôas, comandante militar da Amazônia, que iriam destruir as pontes caso a pressão contra os índios aumentasse. A PRF mantém bloqueios na estrada. Continue lendo ““Defesa vai pedir habeas corpus e transferência de índios presos””

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Pequeno retrato de como anda a incitação ao preconceito e à violência em Humaitá e adjacências

Tania Pacheco – Combate Racismo Ambiental

Acho que as imagens abaixo, fotografadas diretamente do facebook, falam mais que qualquer discurso meu. Só espero que a determinação da Justiça Federal, mandando garantir segurança aos indígenas de Tenharim Marmelos, prevaleça. Porque o que está acontecendo é uma nova campanha de incitação ao preconceito e à violência.

Observação: a repetição de parte da falas é exatamente para caracterizar a continuidade.

A Crítica de Humaitá - incentivo parte 21
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Argentina: corrida cambial inaugura nova conjuntura de crise geral

dinheiro em notasPor Roberto Ramírez, de Buenos Aires para o Correio da Cidadania

A corrida cambial produzida pela queda das reservas deixou aberta a porta para uma possível saída antecipada do governo. O tempo que tiver a partir de agora será como uma prova de sobrevivência própria.

Se continuar assim, é duvidoso que chegue em 2015, apesar de o empresariado, a oposição patronal e a burocracia sindical quererem que Cristina Kirchner complete seu mandato. Mas se trata de um governo debilitado, sobre o qual vem explodindo uma bomba após a outra. A escalada dos preços, a crise policial, os apagões da eletricidade no final do ano e, agora, a crise cambial parecem mostrar que o ciclo político de Cristina está se esgotando e outra coisa virá.

Mas, que outra coisa? Isso dependerá da luta de classes… Que também inclui o que se faça no campo da esquerda revolucionária.

O dólar nas nuvens

De 22 a 23 de janeiro, o governo deixou correr uma grande desvalorização do peso. O dólar “oficial” escalou de 6 para mais de 8 pesos. No dia 24, anunciou que se “afrouxavam” as restrições para compra de dólares. O objetivo era reduzir o vertiginoso crescimento do dólar “paralelo” (chamado “blue”) para aplacar expectativas de uma desvalorização maior. Mas o dólar paralelo continuou em alta.

O que está em curso é uma corrida cambial contra o peso. Essas corridas se produzem quando o peso perde seu respaldo em divisas pela queda das reservas do Banco Central. Ninguém quer ficar com peso, mas sim com moedas firmes, como o dólar ou o euro. Continue lendo “Argentina: corrida cambial inaugura nova conjuntura de crise geral”

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I Chamada para Projetos de Organizações Afro-Brasileiras da Sociedade Civil

logo-baoba_internaO Baobá – Fundo para Equidade Racial (doravante, o Fundo Baobá) tem o prazer de lançar a I Chamada para projetos de organizações da sociedade civil (OSCs) afro-brasileiras, direcionada a grupos e organizações que desenvolvem projetos pró-equidade racial no Brasil.

Criado em 2011, o Fundo Baobá é uma organização sem fins lucrativos cujos objetivos são: mobilizar pessoas e recursos, no Brasil e no exterior, para apoiar projetos pró-equidade racial de organizações da sociedade civil (OSCs) afro-brasileiras; e promover a filantropia para a justiça social no país. O Fundo Baobá também visa apoiar esforços que contribuam para a sustentabilidade político-financeira destas OSCs e para a manutenção de sua contínua capacidade de implantar projetos efetivos.

Essa chamada de projetos tem o generoso apoio da Fundação Kellogg e da Fundação Tides.

Objetivo do concurso

Apoiar organizações pequenas e médias da sociedade civil (OSCs) afro-brasileiras na implantação de projetos que ampliem a promoção da equidade racial no Brasil.

Público-alvo

OSCs afro-brasileiras, ou seja, organizações sem fins lucrativos que estejam empenhadas napromoção de direitos baseados nas políticas públicas e direitos cidadãos para homens,mulheres e jovens afro-brasileiros. Algumas dessas organizações comumente encontradas no Brasil incluem: Continue lendo “I Chamada para Projetos de Organizações Afro-Brasileiras da Sociedade Civil”

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Edital voltado aos impactos da Copa encerra inscrições dia 7 de fevereiro

Fundo BrasilFundo Brasil vai doar até 30 mil reais para cada iniciativa selecionada

Os interessados em receber recursos para atuar em defesa dos direitos de comunidades e grupos impactados pela realização da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016 no País têm até o dia 7 de fevereiro para remeter projeto ao Fundo Brasil de Direitos Humanos.

Por meio do edital “Megaeventos esportivos e direitos humanos”, a fundação vai doar até 30 mil reais para cada proposta selecionada. A chamada busca projetos que promovam os direitos humanos e combatam os impactos negativos resultantes da preparação e da organização desses megaeventos.

Realizado em parceria com a Fundação Ford, o edital pretende incentivar a construção de um legado positivo para a população brasileira, sobretudo para o público alvo já mencionado.

As orientações para remeter um projeto estão disponíveis AQUIContinue lendo “Edital voltado aos impactos da Copa encerra inscrições dia 7 de fevereiro”

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A morte de Manoel, que denunciou a farsa dos “arrependimentos”

Lideranças sindicais ditaduraPor CN, via e-mail, em Vi o Mundo

Morreu Manoel Henrique Ferreira.

Um herói, que participou do sequestro do embaixador alemão Ehrenfried von Holleben, em 1970, e de outras ações armadas durante a ditadura. Era integrante do MR8. Ficou cerca de dez anos preso. A doença que ele teve foi consequência da tortura que sofreu.

Em janeiro de 1976, ainda preso, Manuel escreveu uma longa carta ao então Arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, relatando as torturas que sofreu e denunciando o violento processo de cooptação que enfrentou para tornar-se um dos “arrependidos políticos”, que a ditadura usou como instrumentos de propaganda. Continue lendo “A morte de Manoel, que denunciou a farsa dos “arrependimentos””

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Índios: Direitos Históricos. Com apresentação de Manuela Carneiro da Cunha, para baixar

Índios Direitos Históricos - capa
Mais um livro esgotado, digitalizado e disponibilizado para download pela Comissão Pró-Índio de São Paulo“De 26 a 30 de abril reuniram-se em São Paulo 250 pessoas, e discutiram a questão indígena. A notícia é esta, e parece semelhante à de outras tantas reuniões anuais em grandes cidades, com especialistas discorrendo e alertando o grande público, com alguns índios decorativos esteticamente distribuídos.

Acho que esta reunião foi, ao contrário, uma novidade total. De saída a proposta, nascida na segunda reunião de entidades de apoio em Brasília, em Setembro de 1980, englobava uma nova reunião de entidades, e uma reunião de representantes indígenas. Algo meio híbrido, de que uma comissão composta de representantes da Comissão Pró-Índio de São Paulo, do CIMI e da Secretaria Executiva ficaria encarregada.”Leia a publicação completa AQUI.

 

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