A Síndrome de Payakan

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Por Tereza Amaral com Joeser Alvarez, em Amazônia Legal

O que os indígenas suspeitos de terem assassinado Stef Pinheiro, Luciano Freire e Aldeney Ribeiro têm a ver com o cacique Payakan? Tudo. Mais de duas décadas depois do caso envolvendo a liderança Kayapó e sua mulher em um estupro, o tratamento dado, sobretudo por portais sensacionalistas, é semelhante: barbarização.

Em junho de 1992, a  revista Veja, à época ainda bastante conceituada, acusou logo na capa o cacique Paulinho Payakan com ‘O Selvagem’, em plena Eco 92. Na matéria com  manchete de página ‘A Explosão do Instinto Selvagem’, acompanhada do subtítulo  ‘Payakan, o cacique símbolo da pureza ecológica, estupra e tortura uma adolescente’, a revista condena a segunda maior liderança Kayapó depois de Raoni.

Todos os prêmios –  Global da ONU, Diploma da Sociedade por um Mundo Melhor -, dentre outros, foram desmerecidos nas palavras duras e acusatórias da Veja que, em momento algum, escreveu uma única frase do cacique. Continue lendo “A Síndrome de Payakan”

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Comissão Nacional da Verdade apura apoio de empresas ao golpe e a repressão

Trabalhadores homenageados no ato sindical em virtude de sua luta contra a ditadura exibem seus diplomas. Foto: Paula Macedo / ASCOM - CNV
Trabalhadores homenageados no ato sindical em virtude de sua luta contra a ditadura exibem seus diplomas. Foto: Paula Macedo / ASCOM – CNV

Comissão Nacional da Verdade – A Comissão Nacional da Verdade investiga a participação civil no golpe militar de 1964 e na ditadura que se impôs após a quebra da ordem constitucional. Uma das formas de investigar isso é saber quais empresas apoiaram financeiramente o golpe e, posteriormente, apoiaram a repressão, divulgando informações sobre seus funcionários para os agentes da ditadura.

“Sabemos que os trabalhadores como um todo sofreram com a ação da ditadura que redobrou a exploração de classe, visando acelerar a acumulação capitalista. Neste sentido os empresários solicitaram o uso da violência pelos agentes públicos contra a classe trabalhadora. A CNV tem um trabalho importante, que é apurar a participação civil no golpe, a participação das empresas no financiamento da ditadura e na repressão dos trabalhadores. Precisa construir a questão de como deve ser cobrada a reparação das empresas aos trabalhadores. Estamos lutando por tudo isto e vamos lutar mais”, afirmou a advogada Rosa Cardoso, que coordena as pesquisas da CNV sobre o Golpe de 64 e o grupo de trabalho Ditadura e Repressão aos Trabalhadores e ao Movimento Sindical. Continue lendo “Comissão Nacional da Verdade apura apoio de empresas ao golpe e a repressão”

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“O sono da razão produz monstros”: o caso da política militarizada no Brasil

Eustáquio José – Um Brasil de Verdade

Não é questão de ser contra a polícia. Não é questão de desconsiderar que dentro de qualquer lugar existem cidadãos de bem e pessoas que merecem o título de “boa gente”. Mas um caso é preciso ser falado, embora nunca o é: o Brasil precisa acabar de vez com a questão de uma polícia militarizada. Não só porque é fonte de desconfiança total e constante da população, mas também pelo que acontece lá dentro, pelo que faz com que soldados da PM se comportem de forma tão agressiva e de forma tão violenta como braço armado e carrasco do Estado. Na antiga união entre Igreja e Estado, durante a Idade Média, produziu-se o assombroso terreno para a Inquisição. Lá, por muitas e muitas vezes vemos relatos de o Estado executar, sob batuta de grandes representantes do clero, ávidos pelo poder, e muitas vezes em “jornada dupla” como clérigos e políticos mão de ferro, as mais diversas torturas, humilhações, penas capitais e coisas do tipo. Dessarte os tempos mudaram, mas a mentalidade pervertida e malévola não parece ter abandonado alguns seres humanos ainda sedentos por poder, mesmo que tenham no canto das bocas sangue inocente escorrendo.

Pois bem. A questão da Polícia Militar não é só o que se vê, mas é bem mais profunda. Por que será que Pm’s agem com tanta virulência contra a sociedade? Por que facilmente se corrompem? Por que são tão vingativos e causam tantos estragos à sociedade que deveriam estar defendendo? A resposta não deve ser jogarmos nossos dedos acusatórios nos “praças”, Pm’s sem patentes superiores, mas deve ser perguntar como alguém que os controla consegue manter táticas e poder comparáveis aos grandes inquisidores medievais. O ex- soldado da PM do Ceará,  Darlan Menezes Abrantes (confira reportagem aqui) parece ter um indicador para a resposta: a formação. Se você é doutrinado para ver no outro um inimigo, e não simplesmente o outro, você não protege ou assegura direitos, mas impõe forçosamente a lei dos mais “espertos” e reproduz com violência a ordem recebida. Se você sofre a lavagem cerebral de quem se comprometeu a te formar e tem seus direitos comparados a uma folha em branco que direitos você irá respeitar em alguém? O mal exemplo vem de cima, sempre vem de cima. A humilhação é reproduzida na futura abordagem que humilha. O passado sem regalia alguma ou mesmo direito respeitado se reproduz na falta completa de paciência, de respeito, de tolerância com que aje diante do outro, do suspeito, que é logo transformado em criminoso. O soldado é, logo, “soldado” para ser ferro que fere e não ferro que assegura a não ferida.

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Os 70 anos do cartunista Henfil – [Uma homenagem perfeita em termos de apresentação]

O cartunista Henrique de Souza Filho, o Henfil
O cartunista Henrique de Souza Filho, o Henfil

Traço rápido do mineiro fustigava medo generalizado buscando brechas na censura

Luiz Zanin Oricchio – O Estado de S. Paulo

Se estivesse vivo, Henrique de Souza Filho faria 70 anos hoje. Quem? Henfil, ora! Quem não o conheceu em sua época? Afinal, seu traço rápido e cheio de movimento deu origem a personagens que entraram para o imaginário brasileiro nos anos 70 em especial: a Graúna, o bode Francisco Orellana, o cangaceiro Zeferino, os Fradinhos. Henfil foi superconhecido de uma geração que ficava esperando, com água na boca, seus novos cartuns.

Com seus personagens, Henfil brincava com os estereótipos. Graúna, o Cangaceiro e o bode, por exemplo, apareciam sempre em trio. O cangaceiro Zeferino era um clichê do nordestino machista e violento. Graúna era analfabeta, mas de inteligência viva. Ela poderia encarnar aquilo que Ariano Suassuna definiu em seu Auto da Compadecida: “a esperteza é a coragem do pobre”. O bode Orellana ironizava o intelectual livresco (a comida preferida do bode eram os livros), com muita cultura, porém com profunda ignorância das condições reais em que vivia o povo e como ele pensava.

Com essa trinca, Henfil comentava a situação do País, que vivia sob uma férrea ditadura. No caso, captava a situação do interior nordestino, a caatinga, a indústria da seca, o coronelismo e o mandonismo da região, com seus próceres sempre alinhados com o governo. Afinal, lucravam muito à custa da miséria alheia. Continuam lucrando, aliás. Continue lendo “Os 70 anos do cartunista Henfil – [Uma homenagem perfeita em termos de apresentação]”

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Belo Monte por um fio, por Claret Fernandes*

Foto: Atossa Soltani/ Amazon Watch/ Spectral Q
Foto: Atossa Soltani/ Amazon Watch/ Spectral Q

*para Combate Racismo Ambiental

A energia de Belo Monte, essa mercadoria central no capitalismo contemporâneo enquanto elemento de aumento da produtividade, vai-se embora pelo fio.  O minério do Pará vai pelos trilhos. Em Minas ele entra pelo cano. Destino? A mesma trilha colonial, que antes se fazia no lombo do burro e, hoje, se faz com tecnologia de ponta. Continue lendo “Belo Monte por um fio, por Claret Fernandes*”

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Carta de apoio à pronta demarcação da Terra Indígena dos Tupinambá de Olivença, contra as reintegrações de posse e as violações aos direitos humanos dos indígenas

Cartaz ruralista, defendendo a violência contra os Tupinambá
Cartaz ruralista, defendendo a violência contra os Tupinambá

Nós, pesquisadores que desenvolvemos investigações acadêmicas junto ao povo indígena Tupinambá, no sul da Bahia, Brasil, manifestamos publicamente nossa preocupação com uma nova situação que põe em ameaça o frágil equilíbrio na região: nas últimas semanas, a Polícia Federal e a Força Nacional estão cumprindo dezenas de ordens de reintegração de posse em fazendas que incidem sobre o território reconhecido pela União como de ocupação tradicional pelos Tupinambá de Olivença.

É importante ressaltar que, ao contrário do que tem sido divulgado, as mais de 120 “retomadas” efetuadas pelos 13 caciques Tupinambá, ocorreram de forma pacífica e, em muitos casos, em prévio acordo com os fazendeiros. Tais processos de “retomada” têm melhorado, drasticamente, as condições de vida das famílias indígenas sem terra ou expulsas pelo processo histórico de criação das propriedades privadas. Continue lendo “Carta de apoio à pronta demarcação da Terra Indígena dos Tupinambá de Olivença, contra as reintegrações de posse e as violações aos direitos humanos dos indígenas”

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Famílias identificam corpos dos três mortos na reserva Tenharim

desaparecidos

Por Kátia Brasil e Elaíze Farias, em Amazônia Real

Familiares reconheceram por volta das 16h desta terça-feira (04), na sede do Instituto Médico Legal (IML) de Porto Velho (RO), os três corpos localizados na terra indígena Tenharim Marmelos, no sul do Amazonas, e identificaram como sendo do professor Stef Pinheiro de Souza, 43, do comerciante Luciano da Conceição Ferreira Freire, 30, e do técnico da Eletrobrás Amazonas Energia, Aldeney Ribeiro Salvador, 40, que estavam desaparecidos desde o dia 16 de dezembro.

Segundo a Polícia Federal, o reconhecimento dos corpos pelas famílias faz parte dos exames necessários, entre eles de necropsia e DNA, para que a equipe de legistas do IML e da PF conclua o laudo ainda a ser divulgado. Conforme as investigações, os três homens morreram por disparos de tiros. Os índios tenharim negam participação nas mortes. Continue lendo “Famílias identificam corpos dos três mortos na reserva Tenharim”

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Altamira é o melhor município do Brasil, por Telma Monteiro

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Atenção: antes de ler este artigo saiba que a Altamira mostrada aqui é uma utopia.

Altamira, no estado do Pará, é o maior e o melhor município do Brasil. É um exemplo que está sendo seguido pelo resto do país. Tem 100% do esgoto coletado e tratado, rede de água, coleta seletiva de lixo, hospitais com alta tecnologia para tratamento de câncer e equipados para transplante. Os pacientes recebem remédios de graça e os médicos têm salários dignos e formação especial. Os postos de saúde são um modelo seguido internacionalmente.

As escolas são públicas e equipadas com o que há de melhor em mobiliário, as salas são informatizadas e os professores são bem remunerados. Todas as crianças da cidade em idade escolar estão matriculadas em período integral e a merenda, comprada da cooperativa que agrega centenas de pequenos agricultores, é orgânica.   Continue lendo “Altamira é o melhor município do Brasil, por Telma Monteiro”

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Justiça do Rio declara morte presumida do pedreiro Amarildo

A ONG Rio de Paz colocou manequins na praia de Copacabana, na zona sul, em protesto contra o desaparecimento de Amarildo
A ONG Rio de Paz colocou manequins na praia de Copacabana, na zona sul, em protesto contra o desaparecimento de Amarildo

Por Giuliander Carpes, do UOL, no Rio

A 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decidiu declarar a morte presumida do assistente de pedreiro Amarildo de Souza, que, de acordo com a denúncia do Ministério Público, foi torturado e morto por policiais da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) da Rocinha, na zona sul, em 14 de julho de 2013.

Na primeira instância, a ação declaratória de morte presumida havia sido julgada improcedente, mas a família da vítima recorreu da decisão. “Esta declaração tem um valor emocional muito importante, embora muitos digam que não. É o Estado reconhecendo que o Amarildo morreu nas suas próprias mãos. Porque o Tribunal de Justiça é um órgão estadual”, afirma o advogado da família do assistente de pedreiro, João Tancredo. “Agora sua família vai poder velá-lo no rito que desejar.” Continue lendo “Justiça do Rio declara morte presumida do pedreiro Amarildo”

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Terra Indígena Tupinambá: PF realiza reintegrações em áreas no sul da Bahia

Imagem: G1 BA
Imagem: G1 BA

A índia Tupinambá, Magnólia Jesus da Silva, disse que os índios foram expulsos com a roupa do corpo das casas. “Eles mandaram todos saírem das casas, os índios nem conseguiram pegar nada, saíram com a roupa do corpo e agora estão no meio do mato. Quando os índios gritam, eles [policiais] atiram para dentro do mato” relata Magnólia.

Henrique Mendes, do G1 BA

Duas fazendas do município de Buerarema, localizado a 455 km de Salvador, que estavam sob a ocupação de povos indígenas, passam por procedimentos de reintegração de posse desde a manhã desta terça-feira (4). De acordo com o delegado da Polícia Federal, Alex Cordeiro, responsável pelas operações, até o início da tarde desta terça, as ações de retomada dos terrenos “têm sido tranquilas e sem conflitos”.

De acordo com a polícia, os terrenos que estão sendo desocupados para a reapropriação dos donos estão localizados na região da Serra do Padeiro, sendo que uma das fazendas alvo de reintegração foi ocupada há cerca de sete anos. “Esta é a localidade mais delicada, mas está ocorrendo tudo bem, por enquanto”, disse Cordeiro.

Ainda segundo o delegado, desde o início dos procedimentos de reintegração, iniciados em dezembro de 2013, 25 fazendas foram devolvidas aos donos na região. As duas fazendas ocupadas pela polícia nesta terça ainda não foram somadas ao balanço. Continue lendo “Terra Indígena Tupinambá: PF realiza reintegrações em áreas no sul da Bahia”

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