Comunidades mantém hábitos alimentares tradicionais

Acesso ao meio urbano não modificou consumo de itens tradicionais em comunidades de pescadores. Nas localidades mais isoladas a alimentação é baseada em itens locais

Por Alicia Nascimento Aguiar, da Esalq em Piracicaba – Agência USP de Notícias

Pesquisa realizada na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) e no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da USP, em Piracicaba, analisa a transição agroalimentar de transformação da alimentação, da produção agrícola de autoconsumo e das formas de uso dos recursos de subsistência (pesca, caça e coleta).  Realizada em duas comunidades no remanescente de quilombo Kalunga, no extremo norte de Goiás, e na Ilha de Apeú Salvador, no Pará, com pescadores artesanais, a pesquisa teve como princípio investigar a influência do acesso ao meio urbano na alimentação e produção de autoconsumo das comunidades, além do papel das políticas públicas na transformação ou manutenção do campo.  Em ambas as comunidades, não houve mudança nos hábitos alimentares, baseada em itens tradicionais locais, como peixes.

“Diferente da cidade em que essa transição vem substituindo produtos mais saudáveis por itens processados e industrializados, no campo e regiões mais isoladas as mudanças de hábitos e costumes alimentares, devido ao contato com a modernidade, são acompanhadas por transformações na produção de autoconsumo e atividades de subsistência, o que pode refletir tanto na manutenção da cultura quanto dos próprios atores locais”, revela o doutorando Rodrigo de Jesus Silva.

Nestas localidades foram aplicados questionários a respeito das condições básicas de vida e geração de renda, hábitos alimentares, tipos de roça e formas de uso dos recursos naturais de subsistência (autoconsumo).  Além disso, foram coletadas unhas e algumas amostras de alimentos para análise isotópica, o que permitiu traçar a origem e o perfil da alimentação local, se era proveniente de itens produzidos e ou extraídos localmente ou na cidade, com mais carne de caça, peixe — de água doce ou marinha — se era rica em produtos naturais, entre outros.  “Durante a convivência nessas áreas isoladas foi possível observar a correspondência dos relatos com a prática cotidiana de fato, o que chamamos de observação participante”, informou o pesquisador. Continue lendo “Comunidades mantém hábitos alimentares tradicionais”

Ler maisComunidades mantém hábitos alimentares tradicionais

Reserva indígena tem edital lançado pelo Estado

A Taba de Anacé, que ficará localizada em Caucaia, irá reunir as comunidades de Baixa das Carnaúbas, Matões, Corrupião e Bolso.
A Taba de Anacé, que ficará localizada em Caucaia, irá reunir as comunidades de Baixa das Carnaúbas, Matões, Corrupião e Bolso.

Assembleia Legislativa do Estado do Ceará – Foi publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) da última segunda-feira o aviso de licitação para a implantação da reserva Taba dos Anacé, a qual abrigará as comunidades indígenas que serão deslocadas da áreas de influência da refinaria Premium II. Além das 163 unidades habitacionais que irão compor a reserva, o edital da obra prevê a construção de uma escola, um posto de saúde e sistemas de energia elétrica, de água e esgoto.

Conforme foi publicado no DOE, o pregão acontecerá no dia 14 do próximo mês, estando o serviço estimado em R$ 15 milhões. A Taba de Anacé, que ficará localizada no município de Caucaia, irá reunir as comunidades de Baixa das Carnaúbas, Matões, Corrupião e Bolso.

Especificações

Cada residência terá 80 metros quadrados (m²), sendo composta por três quartos, banheiro, sala de estar, cozinha e área de serviço. Já o posto de saúde terá área total de 191 metros quadrados, enquanto a escola será construída em um espaço de 853 m². Continue lendo “Reserva indígena tem edital lançado pelo Estado”

Ler maisReserva indígena tem edital lançado pelo Estado

Polícia identifica dois do grupo que teria acorrentado adolescente em poste no Flamengo

Jovens de classe média do Flamengo agridem cracudos com bastão de madeira. Foto feita em 02/02/2014, dia em que o grupo foi detido O Globo / Carlos Ivan
Jovens de classe média do Flamengo agridem cracudos com bastão de madeira. Foto feita em 02/02/2014, dia em que o grupo foi detido O Globo / Carlos Ivan

Eles fariam parte do grupo de 14 jovens de classe média detidos três dias depois, em outro atentado. Vítimas contaram que apanharam de correntes e de capacetes de motocicleta

Elenilce Bottari – O Globo

RIO – Pelo menos dois dos quatorze rapazes de classe média detidos na segunda-feira passada, acusados de tentar agredir dois adolescentes no Parque do Flamengo, participaram também na sexta-feira, dia 31, do ataque que resultou na agressão a quatro outros adolescentes, entre eles, o jovem, de 15 anos, que teve o pescoço acorrentado nu por uma tranca de bicicleta a um poste na Rua Rui Barbosa. Eles foram reconhecidos por duas outras vítimas que prestaram depoimento à delegada Monique Vidal, na 9ª DP (Catete) e afirmaram que na mesma sexta-feira e por volta do mesmo horário foram cercadas no Aterro do Flamengo por um grupo de cerca de 30 motociclistas, que arrancaram suas roupas e os agrediram com capacetadas, correntes e tacos de beisebol. Uma das vítimas, um adolescente de 17 anos, conseguiu escapar e fugiu para dentro do Bar Sonho do Flamengo, que fica na esquina da Praia do Flamengo com a Rua Senador Vergueiro, onde foi salvo por frequentadores que impediram que os motociclistas continuassem a agressão. Continue lendo “Polícia identifica dois do grupo que teria acorrentado adolescente em poste no Flamengo”

Ler maisPolícia identifica dois do grupo que teria acorrentado adolescente em poste no Flamengo

Frente Quilombola/RS protocola no MPF representação contra deputados Luis Carlos Heinze (PP) e Alceu Moreira (PMDB) por incitação ao ódio contra quilombolas, indígenas e homossexuais

deputadoIlmo. Sr . Dr . Procurador Federal do Ministério Público Federal da 4ª Região – Estado do Rio Grande do Sul -RS.

Núcleo de Comunidades Indígenas e Minorias Étnicas.
Dr . Julio Carlos Schwonke de Castro Junior

DENÚNCIA/REPRESENTAÇÃO CONTRA

A- Luís Carlos Hoinze – deputado federal – PP/RS – membro da Frente Parlamentar Agropecuária

B- Alceu Moreira – deputado federal – PMDB/RS.

A Frente Nacional em Defesa dos Territórios Quilombolas-RS, Quilombos da Família Machado, Quilombo da Família Fidelix, Quilombo de Candiota, Quilombo de Morro Alto, Quilombo da Família Silva vêm por meio desta e por intermédio de seus procuradores infra-assinados requerer o que segue:

Os ora denunciados, em Audiência Pública realizada no Município de Vicente Dutra, consoante comprova o vídeo em anexo, proferiram, perante platéia de “produtores rurais”, ofensas a quilombolas, indígenas e homossexuais, inclusive incitando à violência armada contra esses povos, que categoricamente são sujeito de Direitos, conforme previsto em nossa Vigente Carta Magna através dos artigos 231 e 68(ADCT) da CF de 1988, bem como Tratados Internacionais ratificados pelo Estado Brasileiro com destaque especial para a Convenção 169 da OIT. Continue lendo “Frente Quilombola/RS protocola no MPF representação contra deputados Luis Carlos Heinze (PP) e Alceu Moreira (PMDB) por incitação ao ódio contra quilombolas, indígenas e homossexuais”

Ler maisFrente Quilombola/RS protocola no MPF representação contra deputados Luis Carlos Heinze (PP) e Alceu Moreira (PMDB) por incitação ao ódio contra quilombolas, indígenas e homossexuais

MS – Ex-chefe do Ibama é acusado de ‘liberar’ crimes ambientais para proteger fazendeiros

Segundo o MPF, ex-superintendente em MS deixou de comunicar ocorrências de ilegalidades

Da Redação Correio do Estado

O ex-superintendente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais em Mato Grosso do Sul (Ibama/MS), David Lourenço, é acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) por ato de improbidade administrativa. Segundo investigações do MPF, enquanto chefiava a autarquia, David deixou de comunicar aos órgãos de investigação a ocorrência de crimes ambientais, favorecendo uma empresa e duas pessoas físicas.

Na ação ajuizada, o Ministério Público Federal destaca três flagrantes omitidos pelo ex-superintendente e que deveriam ter sido encaminhados ao Ministério Público Estadual (MPE), para o ajuizamento de ação por crime ambiental. Um deles trata de corte ilegal de madeira protegida por lei – Ricardo Augusto Bacha foi flagrado derrubando aroeiras sem autorização ambiental, mas nada foi denunciado.

A omissão de David Lourenço também beneficiou Lélio Ravagnani Filho, autuado por deter em cativeiro 18 jacarés, sem licença para tanto; e a empresa Iate Clube Vale do Sol, que construiu rego d’água e arenou várzea em área de preservação permanente, também sem autorização do órgão ambiental competente. Continue lendo “MS – Ex-chefe do Ibama é acusado de ‘liberar’ crimes ambientais para proteger fazendeiros”

Ler maisMS – Ex-chefe do Ibama é acusado de ‘liberar’ crimes ambientais para proteger fazendeiros

BA – Justiça proíbe tráfego de caçambas de empresas mineradoras em comunidades de Jacobina

GOLDGeorge Brito, MP/BA

As empresas Yamana Jacobina Holdings BV e Jacobina Mineração e Comércio Ltda. foram proibidas pela Justiça de trafegar seus caminhões e caçambas nas vias públicas de acesso às comunidades de Itapicuru, Canavieira e Jabuticaba, no município de Jacobina. Elas terão que utilizar uma estrada própria, existente dentro da sua propriedade, atendendo condicionantes ambientais para preservar a saúde da população. A decisão liminar foi concedida ontem, dia 11, pelo juiz da comarca João Paulo Guimarães Neto, atendendo solicitação apresentada em ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público estadual, por meio do promotor de Justiça Pablo Almeida. O descumprimento da determinação judicial gera multa diária no valor de R$ 20 mil. Continue lendo “BA – Justiça proíbe tráfego de caçambas de empresas mineradoras em comunidades de Jacobina”

Ler maisBA – Justiça proíbe tráfego de caçambas de empresas mineradoras em comunidades de Jacobina

MPF/AP: Justiça obriga Amcel a devolver ao Incra 12 lotes de terra

Imagem: Galeria de fotos da AMCEL
Imagem: Galeria de fotos da AMCEL

Procuradoria da República no Amapá

Doze imóveis rurais irregularmente ocupados e matriculados em nome da empresa Amapá Florestal e Celulose (Amcel) devem ser devolvidos ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). As terras, utilizadas na plantação de eucalipto, estão localizadas em Macapá e Porto Grande. A sentença da Justiça Federal é resultado de ação proposta pelo Ministério Público Federal no Amapá (MPF/AP) em 2005.

A decisão judicial também condenou Aroldo Marques Rodrigues, servidor do Incra e Alexandre Martins Cunha, funcionário da Amcel e mentor do esquema de fraudes e falsificações. Eles tiveram os direitos políticos suspensos por cinco anos e estão proibidos de contratar com o poder público. Também estão impedidos de receber benefícios fiscais. Continue lendo “MPF/AP: Justiça obriga Amcel a devolver ao Incra 12 lotes de terra”

Ler maisMPF/AP: Justiça obriga Amcel a devolver ao Incra 12 lotes de terra

Mais uma área ocupada na região de Belo Monte

banner_Belo-Monte_medium

MAB – Com a implantação da Barragem de Belo Monte, toda a região vem sofrendo forte pressão, com aumento do preço da terra, do aluguel, da comida. Esta é a segunda ocupação na região de Brasil Novo

Nesse domingo (9) oito famílias, que somam vinte pessoas, ocuparam terreno público de mil metros quadrados abandonado há mais de trinta anos na Vila Carlos Pena Filho (Km 40), na divisa de Altamira com Brasil Novo. Eles já limparam toda a área, dividiram os lotes e já começam a plantar e construir suas casas.

Segundo os ocupantes, eles foram ameaçados por familiares de um senhor que se diz proprietário da área. Ainda contaram que a Prefeitura de Altamira pretende abrir uma nova rua na área. Mas eles estão dispostos a lutar pela conquista do direito à moradia.

Com a implantação da Barragem de Belo Monte, toda a região vem sofrendo forte pressão, com aumento do preço da terra, do aluguel, da comida. O casal Soniel Wondinei Bufflebem Nascimento e Aldaione Mendonça da Conceição Bufflebem, que tem um filho de 2 anos e meio, está entre os ocupantes. Soniel afirmou: ‘moro de favor, o dono da casa precisa dela até dia 15 de fevereiro e não temos para onde ir. Olhei uma casa, mas o aluguel é de 400 reais por mês. Por isso fui para a área da ocupação’. Continue lendo “Mais uma área ocupada na região de Belo Monte”

Ler maisMais uma área ocupada na região de Belo Monte

Um inferno siderúrgico na Amazônia

Florêncio de Souza Bezerra aponta com o pé um punhado de carvão pulverizado, perigosamente inflamável, na sarjeta de uma rua de Piquiá de Baixo. Fotos: Mario Osava/IPS
Florêncio de Souza Bezerra aponta com o pé um punhado de carvão pulverizado, perigosamente inflamável, na sarjeta de uma rua de Piquiá de Baixo. Fotos: Mario Osava/IPS

Por Mario Osava*, em Envolverde/Terramérica

“Meu sobrinho tinha oito anos quando pisou na ‘munha’ (carvão pulverizado) e queimou as pernas até os joelhos”, conta Angelita Alves de Oliveira neste pedaço da Amazônia brasileira transformado em armadilha mortal para seus habitantes. O tratamento em hospitais distantes não conseguiu salvar a criança, porque “seu sangue ficou intoxicado, segundo o médico. Minha irmã jamais voltou a ser a mesma mulher. Perdeu seu filho mais novo”, disse a professora Oliveira. Seu marido também foi vítima dessas queimaduras, como comprovam as cicatrizes em suas pernas.

A munha ou “moinha”, segundo o dicionário siderúrgico português, é o pó de carvão vegetal resultante da produção de ferro gusa, material intermediário na obtenção de aço, que fez de Piquiá de Baixo, na faixa oriental da Amazônia brasileira, um caso trágico de contaminação industrial. Trata-se de um bairro da zona rural de Açailândia, município do Maranhão, que nasceu com os acampamentos de operários que se instalaram em 1958 para construir a rodovia Belém-Brasília, um eixo centro-norte de desenvolvimento e integração do Brasil, que gerou muitos desastres ambientais e sociais.

A ferrovia inaugurada em 1985 para transportar minério de ferro da gigantesca mina na Serra de Carajás, selou o destino de Açailândia como entroncamento e polo siderúrgico. Piquiá de Baixo ficou cercado por cinco unidades produtoras de ferro gusa, pelos trilhos e por grandes armazéns de minérios. Enquanto isso, o carvão vegetal para alimentar as caldeiras siderúrgicas se somava à pecuária para fazer de Açailândia um foco de desmatamento e trabalho escravo. Continue lendo “Um inferno siderúrgico na Amazônia”

Ler maisUm inferno siderúrgico na Amazônia

Menino indígena levado pela PF durante ação na Aldeia Tupinambá da Serra do Padeiro é devolvido aos pais

"Essa é as casca das balas que os policiais atiraram em nós índios"
“Essa é as casca das balas que os policiais atiraram em nós índios”

Criança foi apreendida pela polícia durante uma ação de reintegração de posse, em Buerarema

Em Correio 24 horas

A Defensoria Pública da Bahia divulgou nesta quarta-feira (12) que foi acionada pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República para garantir o desabrigamento de um menino indígena, de 2 anos, apreendido pela Polícia Federal durante uma ação de reintegração de posse, no município de Buerarema, no sul da Bahia.

O caso ocorreu no último dia 2, na Serra do Padeiro, área disputada por indígenas e fazendeiros. Os índios acusam a polícia de usar violência e levar à criança à força.

Em nota, a Defensoria explica que foi procurada por uma equipe da SDH, vinda de Brasília para acompanhar a situação. A defensora pública Natália Pires Carneiro, da Regional de Ilhéus, em seu requerimento feito no bojo de medida protetiva, alegou ter havido um equívoco do delegado Severino Moreira da Silva.  Continue lendo “Menino indígena levado pela PF durante ação na Aldeia Tupinambá da Serra do Padeiro é devolvido aos pais”

Ler maisMenino indígena levado pela PF durante ação na Aldeia Tupinambá da Serra do Padeiro é devolvido aos pais