Lucia e Mujica, amor e guerrilha

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Ana, quando voltou a ser Lucía Topolansky; Ulpiano, quando voltou a se chamar Pepe Mujica. Na foto, o recomeço, quando vendia flores no mercado de Montevidéu

Uma história latino-americana. Como dois tupamaros, que nem sabiam os nomes recíprocos, mantiveram, por doze anos, um romance nos cárceres da ditadura uruguaia

Por Victor Farinelli, nRede Latino Americana/Outras Palavras

Primavera de 1973. Ela não se chamava Ana, mas era assim que todos a conheciam. Ana, a guerrilheira, detida em uma prisão militar feminina, construída especialmente para mulheres tupamaras, em algum lugar desconhecido no interior do Uruguai, com uma carta na mão, que era de Emiliano, ou Ulpiano, ou seja lá qual fosse o seu verdadeiro nome.

Em junho daquele ano, o fim do MLN-T (Movimento de Liberação Nacional, também conhecido como Tupamaros), foi um dos episódios que marcou o início da ditadura uruguaia, e levou centenas de jovens revolucionários à prisão, quinze deles como reféns de guerra. Ulpiano era um deles. Se os tupamaros ainda livres voltassem a atuar, ele seria fuzilado.

Um torturador chuta as grades da cela enquanto ri jocosamente e relembra as últimas humilhações, de diferentes tipos, que a fez sofrer. Ana continua lendo a carta. Ele insiste:

– Você é a nossa preferida, bebê. Vai ficar aqui por milhares de anos. Continue lendo “Lucia e Mujica, amor e guerrilha”

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Noam Chomsky: Barbárie em Gaza

palestinas chorando em gaza

“Tudo isso vai continuar, enquanto for apoiado por Washington e tolerado pelo Ocidente – para nossa vergonha infinita”

Por Noam Chomsky. Tradução: Antonio Martins, em Outras Palavras

Às três da madrugada (horário de Gaza), de 9 de julho, em meio ao último exercício de selvageria de Israel, recebi um telefonema de um jovem jornalista palestino em Gaza. Ao fundo, podia ouvir o lamúrio de seu filho pequeno, entre sons de explosões de jatos, atirando sobre qualquer civil que se mova e sobre casas. Ele acabava de ver um amigo, num carro claramente identificado como “imprensa”, voar pelos ares. E ouvia gritos ao lado de sua casa, após uma explosão — mas não podia sair, ou seria um alvo provável. É um bairro calmo, sem alvos militares – exceto palestinos, que são presa fácil para a máquina militar de alta tecnologia de Israel, abastecida pelos Estados Unidos. Ele contou que 70% das ambulâncias haviam sido destruídas e, até aquele momento, mais de 70 pessoas (o número subiu para 120 na sexta, 11/7, segundo Guardian) haviam sido mortas e 300 feridas – cerca de 2/3, mulheres e crianças. Poucos ativistas do Hamas, ou instalações para lançamento de foguetes, haviam sido atingidas. Apenas as vítimas de sempre.

É importante entender como se vive em Gaza, mesmo quando o comportamento de Israel é “moderado”, no intervalo entre crises fabricadas, como esta. Um bom retrato está disponível num relatório da UNRWA (a agência da ONU para refugiados palestinos) preparado por Mads Gilbert, o corajoso médico norueguês que trabalhou extensivamente em Gaza, mesmo durante os ataques mortíferos de Israel. A situação é desastrosa, por todos os ângulos. Gilbert narra: “As crianças palestinas em Gaza sofrem imensamente. Uma vasta proporção é afetada pelo regime de desnutrição imposto pelo bloqueio israelense. A prevalência de anemia entre menores de dois anos é de 72,8%; os índices registrados de síndrome consuptiva, nanismo e subpeso são de 34,3%, 31,4% e 31,45%, respectivamente”. E estão piorando. Continue lendo “Noam Chomsky: Barbárie em Gaza”

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Minority Report – Paranormais ajudam a polícia carioca a prever crimes, por Leonardo Sakamoto

Precog utilizado pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro para poder punir crimes antes que eles aconteçam
Precog utilizado pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro para poder punir crimes antes que eles aconteçam

Blog do Sakamoto

A polícia do Rio de Janeiro prendeu, neste sábado (12), ao menos 17 pessoas, além de apreender dois jovens, por supostas conexões com manifestações marcadas para acontecer na final da Copa, neste domingo, informou a BBC Brasil. Outras prisões temporárias – com duração máxima de cinco dias – ainda podem ocorrer.

Daí você me pergunta: mas que crime eles cometeram para irem presos? Resposta: nenhum.

Mas o governo do Estado do Rio de Janeiro tem outra resposta: nenhum ainda.

Sim, a principal razão da prisão foi o risco de causar problemas no jogo entre a Alemanha e a Argentina. Risco na opinião da polícia, é claro.

Mas se alguém é preso antes de cometer um crime essa pessoa pode ser acusada por este crime uma vez que o motivo que levou à sua prisão nunca ocorreu e muito provavelmente não ocorra? Pouco importa. Em nome de manter as aparências para o mundo, a lógica foi assassinada há tempos.

Fiquei quebrando a cabeça para entender como a inteligência (sic) da polícia carioca tem tanta certeza que os ativistas vão cometer crimes para terem seus direitos fundamentais enterrados. Continue lendo “Minority Report – Paranormais ajudam a polícia carioca a prever crimes, por Leonardo Sakamoto”

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Nota de Repúdio às prisões Arbitrárias

luta não é  crime PB
Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio

Na véspera da final da Copa do Mundo, o principal debate não é sobre quem será o possível campeão, mas sim sobre se temos ou não democracia em nosso país. A Justiça expediu 26 mandados de prisão contra professores, jornalistas, radialistas, midiativistas e outros cidadãos, além de mandados de apreensão de dois adolescentes, por conta da participação destes em manifestações e da articulação de novos protestos para os próximos dias. O ato repete prisões que ocorreram também na abertura da Copa.

Tal atitude nos afasta cada vez mais de um Estado Democrático onde o direito à liberdade de expressão e manifestação deve ser garantido amplamente. Por conta disso, as entidades e militantes abaixo assinados repudiam a ação policial e fazem questão de frisar algumas questões relevantes: 1- O advogado criminalista Lucas Sada, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, cuida do caso da radialista Joseane de Freitas, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), presa neste sábado (12/07) sob a alegação de formação de quadrilha armada, assim como todos os outros presos. O advogado relatou que Joseane apenas participou de duas manifestações, a mais recente realizada em Copacabana por ocasião da abertura da Copa do Mundo. Ela e os outros presos no Rio serão encaminhados ao Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu. Este fato reforça características típicas de Estado de exceção que estamos enfrentando nos últimos dias. 2- A Polícia permitiu acesso exclusivo para os jornalistas a serviço da mídia corporativa empresarial, impedindo jornalistas e comunicadores independentes de fazerem a cobertura da ação. Esse fato revela uma atitude antidemocrática e fere a liberdade de expressão e de imprensa, caracterizando uma violação aos direitos humanos. Continue lendo “Nota de Repúdio às prisões Arbitrárias”

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Prisão de ativistas na véspera da final da Copa

lutar é direito -lutar não é crimeOrganizações de direitos humanos denunciaram no início da tarde deste sábado (12), a prisão de dezenas de ativistas no Rio de Janeiro. De acordo com a ONG Justiça Global, as prisões têm “propósito único de neutralizar, reprimir e amedrontar aqueles e aquelas que tem feito da presença na rua uma das suas formas de expressão e luta por justiça social”. A operação repressiva acontece na véspera da final da Copa do Mundo que será no estádio do Maracanã, no domingo (13/7). Em torno de 60 sessenta mandados de prisão temporária foram expedidos e já está em 20 o número de presos na ação de repressão do Estado contra a população.

Rede Democrática

NOTA CONJUNTA DA ONG JUSTIÇA GLOBAL E DA ANISTIA INTERNACIONAL SOBRE PRISÕES DOS ATIVISTAS

Estado realiza prisões para reprimir população no Rio, na véspera da final da Copa

“Na manhã de hoje, 12 de julho de 2014, em torno de 60 sessenta mandados de prisão temporária, impondo cinco dias de detenção, estão sendo cumpridos pela Polícia Civil do Rio de Janeiro contra manifestantes e participantes dos protestos do último ano. Os mandados foram expedidos desde quinta-feira e cumpridos neste sábado, dia anterior a final da Copa do Mundo, para quando há um grande ato de rua marcado.

Detidos e detidas, incluindo duas mães, estão sendo encaminhados para a “Cidade da Polícia”. Chegando na caçamba de camburões e sendo retirados sob a mira de fuzis.

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1º Encontro Nacional das Mulheres da UNEGRO: 25 a 27 de julho, no ES

Encontro Nacional UnegroMulheres Negras compartilhando o Poder

As mulheres negras são as maiores vítimas da violência doméstica. Segundo os dados apresentados no Mapa da Violência, organizado por Jacobo Waiselfisz em 2010 morreram 48% mais mulheres negras do que brancas vítimas de homicídio. Em Alagoas, Bahia, Pernambuco, Espírito Santo e Distrito Federal, mais da metade das mortes de jovens foi provocada por homicídio. Sendo que no Espírito Santo esse índice chegou a 57% de jovens mortos por homicídio no estado. No total nacional, morreram em 2005 proporcionalmente 80,7% mais negros que brancos.

Em 2011, esse índice salta para 111,2%. Assim, a brecha já histórica da vitimização juvenil do país, longe de encurtar, continua aumentando, de acordo com esse Mapa elaborado por Jacobo Waiselfisz.  Além do que, é sistêmica uma série de violações motivadas por questões sexuais, culturais e machistas que colocam a mulher negra em condições de inferioridade na sociedade brasileira. Isso, mesmo com o atual avanço das lutas feministas no mundo  ( como a Marcha das Vadias, Marcha Mundial das Mulheres, entre outras) e com uma gama de políticas públicas segmentadas que tentam diminuir o fosso social que mantém inalterado o nosso apartheid. Como exemplo, menos de 9% das negras estão representadas no Congresso Nacional conforme estudo da UNEGRO sobre a representação  parlamentar negra no Brasil com um apontamento nas Assembleias Legislativas, Câmaras Municipais e Distritais no país. É para lutar contra esse apartheid  e contra o quadro de exclusão social e sexual que a UNEGRO (União de Negros Pela Igualdade), fundada em 14 de julho de 1988, em Salvador, na Bahia -, realiza entre os dias 25 a 27 de julho, no Hotel Canto do Sol situado na Av. Dante Micheline, 3957, Jardim Camburi, em Vitória, seu 1º Encontro Nacional das Mulheres da UNEGRO. Continue lendo “1º Encontro Nacional das Mulheres da UNEGRO: 25 a 27 de julho, no ES”

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Organizado por João Pacheco de Oliveira e Clarice Cohn, “Belo Monte e a Questão Indígena” pode ser baixado aqui

Está disponível para ser baixado Belo Monte e a Questão Indígena, lançamento da Associação Brasileira de Antropologia (ABA) organizado por João Pacheco de Oliveira e Clarice Cohn. Para acessá-lo, basta clicar AQUI e baixar um pouquinho, que ele está entre a relação de livros publicados. Abaixo, o Sumário da obra. 

Sumário

  • Belo monte e a questão indígena: reflexões críticas sobre um caso emblemático de “desenvolvimentismo” à brasileira, por Bela Feldman-Bianco
  • Introdução: a ABA e a questão de Belo Monte, por João Pacheco de Oliveira
  • A produção de um dossiê sobre um processo em curso, por Clarice Cohn

PARTE 1: UMA VISÃO GERAL

  • Planejamento às avessas: os descompassos da Avaliação de Impactos Sociais no Brasil, por Marcelo Montaño
  • Quanto maior melhor? Projetos de grande escala: uma forma de produção vinculada à expansão de sistemas econômicos, por Gustavo Lins Ribeiro
  • Significados do direito à consulta: povos indígenas versus UHE Belo Monte, por Jane Felipe Beltrão, Assis da Costa Oliveira e Felício Pontes Jr.
  • (Des)cumprimento das condicionantes socioambientais de Belo Monte, por Biviany Rojas
  • Na luta pelos direitos indígenas: a ação do Ministério Público Federal em documentos selecionados, por Jane Felipe Beltrão, Helena Palmquist ePaulo César Beltrão Rabelo
  • O contexto institucional da resistência indígena a megaprojetos amazônicos, por William H. Fisher
  • Pescadores, ribeirinhos e indígenas: mobilizações étnicas na região do rio Xingu: resolução não negociada dos
  • conflitos na usina hidrelétrica de Belo Monte, por Alfredo Wagner Berno de Almeida e Rosa Elizabeth Acevedo Marin
  • Profanação hidrelétrica de Btyre/Xingu: fios condutores e armadilhas (até setembro de 2012), por A. Oswaldo Sevá Filho

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Neruda 110 anos: “Puedo escribir los versos más tristes esta noche…”

Pablo Neruda faria 110 anos hoje, dia 12 de julho. Postamos já um belo texto sobre ele de Ariel Dorfman, com reminiscências de quando o menino e depois universitário conheceu o poeta. Fechamos a noite com um poema de amor. Desta vez, “Puedo escribir los versos mas tristes esta noche”, o Poema 20 do livro 20 Poemas de Amor y una Canción Desesperada, recitado por Arturo Puig e numa versão com legendas, para facilitar. (TP)

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Conselho Continental da Nação Guarani divulga documento exigindo respeito aos direitos indígenas

cocarCimi

O Conselho Continental da Nação Guarani, que reúne os povos Guarani da Argentina, Bolívia, Brasil e Paraguai pela garantia dos direitos indígenas, reunido de 7 a 10 de julho na cidade de Eldorado, província de Misiones, na Argentina, divulgou um ‘manifesto’ que elenca as decisões do encontro.

Entre elas, o Conselho reforça a oposição às construções das hidrelétricas que causam “danos irreversíveis em territórios de comunidades de nosso povo, somando efeitos nas mudanças climáticas com danos sociais, ambientais e econômicos que são de público conhecimento, como as últimas inundações sucedidas na Argentina e no Paraguai”.

O Conselho exige ainda que o governo brasileiro dê continuidade aos processos de demarcação de territórios indígenas, conforme determinado pela Constituição Federal de 1988 e pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e que descarte os projetos de subtração dos direitos indígenas em curso no país, como a PEC 215, a Portaria 303 da AGU, o Projeto de Lei 227 e a Minuta elaborada pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, com o intuito de dificultar ainda mais os processos de demarcação de terras.

Leia aqui um trecho do documento: Continue lendo “Conselho Continental da Nação Guarani divulga documento exigindo respeito aos direitos indígenas”

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Colombia: Crisis humanitaria en el Chocó agobia a indígenas y afrocolombianos

Actores armados convierten territorios indígenas en escenarios de guerra.

Servindi

Un video producido por el Monseñor Juan Carlos Barreto, de la Diócesis de Quibdó, reveló la aguda crisis humanitaria que agobia a la población mayoritariamente afrocolombiana e indígena en el departamento del Chocó.

Las organizaciones étnicoterritoriales del departamento del Chocó, representadas por el Foro Interétnico Solidaridad Chocó, y las Diócesis de Quibdó, Apartadó e Istmina – Tadó, denuncian que las personas ven afectados sus derechos fundamentales y los actores armados y el narcotráfico dominan las principales fuentes económicas, sobre todo las extractivistas.

Mediante un comunicado señalan que en el Chocó se vive hoy una situación crucial y preocupante por las frecuentes violaciones a los derechos humanos e infracciones al derecho internacional humanitario.
El derecho a la vida, libre movilización, derechos territoriales, de salud, vivienda y educación están siendo permanentemente afectados por una guerra que tiene como objeto desplazar a sus gentes, mientras que la corrupción política se enquista en los entes guberbamentales.

La alternativa del gobierno es incrementar las acciones de fuerza, que de nada han servido en estos diecisiete años de guerra. La situación del Chocó se extiende a todo el Pacífico colombiano. Continue lendo “Colombia: Crisis humanitaria en el Chocó agobia a indígenas y afrocolombianos”

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