No Brasil, situação análoga à escravidão atinge 155,3 mil pessoas

trabalhoescravo-300x175Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil

O Brasil tem 155,3 mil pessoas em situação análoga à escravidão, segundo o relatório Índice de Escravidão Global 2014, da Fundação Walk Free, divulgado hoje (17). Houve significativa queda em relação ao levantamento do ano passado, que apontou  mais de 210 mil pessoas submetidas ao trabalho escravo no país. De acordo com a organização, dos 200.361.925 de brasileiros, 0,078% está nesta condição.

Pela primeira vez, segundo o levantamento, o número de pessoas resgatadas em situação de trabalho forçado no setor da construção civil (38% dos casos) foi maior que no setor rural do país. De acordo com a Walk Free, o Brasil atraiu bilhões de dólares em investimentos para a execução da Copa do Mundo, o que propiciou o aumento do número de casos em áreas urbanas.

O relatório também destaca que a exploração sexual concentrou um grande número de pessoas em situação de trabalho forçado por causa do grande fluxo de turismo nas cidades-sede do Mundial. A Walk Free ressaltou que Fortaleza concentrou boa parte dos casos de abuso sexual de crianças por turistas. Continue lendo “No Brasil, situação análoga à escravidão atinge 155,3 mil pessoas”

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Funcionários públicos defendem plantador de soja em Buriti

Mayron Régis, por Territórios Livres do Baixo Parnaíba

Os artefatos industriais se extinguem mais rápido do que os artefatos artesanais. O escritor é um artesão. Ele se obriga a escrever. Torna-se praticamente impossível separar o escritor de sua obrigação. Pode passar um tempo, mas ele sempre retorna a ela. Quanto tempo um escritor consegue reter em um livro? Em uma pagina? Em uma frase?

Na real, o que importa saber quanto de tempo se foi e quanto tempo ainda resta? Bartleby, personagem de Herman Melville, respondeu assim aos seus interlocutores “I would prefer not do…” ou “Eu preferiria não fazer…”. “Eu preferiria..,” foi uma resposta educada para uma solicitação de um superior que, se quisesse, poderia demiti-lo. O superior não o demitiu e Bartleby continuou com “Eu preferiria…” até próximo do final do livro.

Acaso Bartleby fosse transposto para o momento atual, o superior o manteria empregado por muito tempo ou o demitiria de imediato? A literatura dá a sensação de que o tempo atravessa vários subsolos antes de adentrar a sala principal. O solo de boa parte das Chapadas e dos Baixões de Buriti Inacia Vaz atende por um nome: fazenda São Bernardo. A família Introvini, proprietária da fazenda São Bernardo, desceu em Buriti um pouco antes de 2005. O André Introvini e o João Gabriel Introvini pelejam para que o Vicente de Paula raspe de sua propriedade de 160 hectares.

Para isso, eles se valem de todos os artifícios, dos legais até os mais sujos. O delegado de polícia de Buriti proibiu o Vicente e seus familiares de roçarem os fundos de sua propriedade porque o Andre alega que comprou essa área. Quando um agricultor familiar não roça o que ocorre? Ele fica sem alimentos para si e para sua família. Sem poder se manter, ele se vê obrigado a vender sua terra. Esse é o plano do Andre que contou ainda com uma pequena ajuda do promotor de justiça de Buriti. Este quis convencer o Vicente de Paula a vender e assim encerrar o confronto.

Bem, até onde se sabe o Estado não deve tomar partido, mas os funcionários públicos em Buriti parecem desconhecer essa premissa e defendem o André abertamente.

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Estereótipos sexuais e as “negas”

mulher negraZelinda Barros¹, no População Negra e Saúde

O impacto provocado pela série Sexo e as negas é sintomático. Na TV, assim como ocorre em outros espaços sociais, ocupamos muito menos espaço do que deveríamos e, nas poucas vezes em que lá estamos, somos quase que exclusivamente representadas/os por autores/as brancos/as, que falam sobre nós e nossas experiências partindo de um olhar enviesado. Nesse caso específico, o autor branco recorre a estereótipos sobre mulheres negras para representar as nossas experiências.

Uma feminista negra estadunidense, bell hooks*, ao analisar a forma como o feminismo liberal considerava a mulheres negras nos EUA, refletiu sobre alguns elementos que podem ser úteis à reflexão sobre o que ocorre aqui no Brasil, uma vez que trata de questões referidas à população negra na diáspora, não apenas ao contexto estadunidense.

Na tentativa de reverter a repercussão negativa da série em segmentos representativos da população negra, alguns vídeos em solidariedade ao autor da série O sexo e as negas vêm sendo produzidos e divulgados em redes sociais por artistas e outras profissionais negras de segmentos ligados à arte, como Camila Pitanga, Rita Batista, Preta Gil e Margareth Menezes. Isso também é sintomático. A diversidade de formas de manifestação do racismo e a sofisticação com que ele opera em nossa sociedade expõe a diversidade existente entre nós, negras/os, especialmente na forma como contribuímos para o seu fortalecimento supondo reagir a ele. Continue lendo “Estereótipos sexuais e as “negas””

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Nota Pública: Agentes da CPT sofrem ameaças no Maranhão

cptA Diretoria e Coordenação Executiva Nacional da Comissão Pastoral da Terra, CPT, mais uma vez vem a público denunciar agressões, ameaças e intimidações contra seus agentes no Maranhão.

No dia 4 de novembro, o Padre Marcos Bassani, coordenador da CPT da diocese de Grajaú, foi intimidado em tom de ameaça, em sua própria residência, pelo fazendeiro Pedro Gaúcho, o Gauchão, no povoado Alto Brasil, onde reside. Ameaça repetida em outro ponto do povoado. As ameaças se deram porque o padre publicara no jornal Grajaú de Fato matéria sobre trabalho escravo, na qual relata que um adolescente morreu envenenado, enquanto trabalhava em condições subumanas, no Parque Gauchão. O padre questionava por que um rapaz de 16 anos trabalhava em condições análogas às de escravo, de segunda a segunda, numa fazenda tão conhecida, bem perto da cidade de Grajaú. Além disso, padre Marcos questionou, também, porque é tratada como normal a situação em que o seu Pedro Gaúcho continua puxando água do povoado Remanso, para abastecer o seu gado, enquanto a própria população local não tem garantida a água em seu dia a dia.

O fazendeiro afirma que o padre o responsabiliza pela morte do rapaz, o que não é dito, em momento algum, na matéria.

No dia 06 de novembro, em plena audiência de Conciliação, Instrução e Julgamento, na comarca de Humberto Campos, MA, lavradores, acompanhados pelo advogado da CPT, Diogo Diniz Cabral, foram ameaçados diante do próprio conciliador, Lúcio Paulo Fernandes Soares. Continue lendo “Nota Pública: Agentes da CPT sofrem ameaças no Maranhão”

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PF e Brigada Militar fazem operação de busca e apreensão na comunidade Kaingang de Kandóia, no RS

operacao KandoiaCimi Regional Sul – Equipe Porto Alegre

Na madrugada desta segunda-feira (17) a Polícia Federal (PF) e a Brigada Militar ocuparam a estrada em frente à comunidade Kaingang de Kandóia, município de Faxinalzinho, no Rio Grande do Sul. Numa operação que mobilizou centenas de homens equipados com armamentos pesados, viaturas, helicópteros, cães e cavalos as Polícias executaram mandados de busca e apreensão na área, relativos ao inquérito policial que investiga as mortes de dois agricultores ocorridas no mês de abril na região.

O que chamou a atenção dos indígenas nessa mega-operação foi a desproporcionalidade: contingente superior a 200 homens, cavalaria montada, 70 viaturas, policiais acompanhados de cães, helicópteros, Corpo de Bombeiros, armamento pesado e a presença da mídia. Assim como ocorreu por ocasião da prisão de cinco lideranças, em 9 de maio, a RBS e outros veículos de imprensa estavam acompanhando a polícia.

Os policiais adentraram nas casas a partir das 6h, mas não encontraram nada. Levaram um veículo de um morador da aldeia e fotografaram todos os homens da comunidade, incluindo adolescentes. Obrigaram a todos o fornecimento de saliva, possivelmente para a realização de análise genética. Continue lendo “PF e Brigada Militar fazem operação de busca e apreensão na comunidade Kaingang de Kandóia, no RS”

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Estudantes afirmam que Ufes tem histórico de discriminação

jacqueline_silva_ufesA pró-reitora de Assuntos Estudantis e Cidadania, Jacqueline Silva, reconhece que alguns processos são mais morosos, mas garante que nada deixa de ser apurado

Mariana Carvalho, Século Diário

O caso do professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) que declarou em sala de aula que “detestaria ser atendido por um médico ou advogado negro” ganhou repercussão nacional e causou revolta na comunidade acadêmica. Entretanto, a denúncia de racismo contra Manoel Luiz Malaguti, docente do curso de Economia, está longe de ser o primeiro caso de preconceito dentro Ufes.

Apesar do caso de Malaguti ter provocado grande repercussão, a universidade tem um histórico de discriminação.

Semanas antes do episódio, que resultou no afastamento do professor da sala de aula, Malaguti se envolveu em outro caso de discriminação. Pelas redes sociais, um estudante cadeirante denunciou Malaguti por estacionar seu carro em local irregular, obstruindo a rampa de acesso ao prédio para o qual o estudante se direcionava. “Passados 30 minutos, o senhor professor [Malaguti] dono do veículo aparece de forma irônica e desrespeitosa se achando dentro da razão, e nos ataca de forma verbal”, escreveu o estudante em um grupo da Ufes.

Num outro caso recente, alunas do curso de Comunicação Social promoveram o ato “Respeite a Moça”, após a publicação de estudantes do curso comparando pejorativamente uma colega a um personagem do cinema através das redes sociais. As alunas caminharam por toda a universidade com cartazes e palavras de ordem, protestando contra o machismo. Continue lendo “Estudantes afirmam que Ufes tem histórico de discriminação”

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Aty Guasu: Carta da comunidade Guarani-Kaiowá de tekoha Kurusu Amba destinada à Justiça e Governo do Brasil

Foto reproduzida da página da Deputada Erika Kokay
Foto reproduzida da página da Deputada Erika Kokay

Amanhã 18/11/2014, completam 3 anos de assassinato de cacique Nísio Gomes pelos pistoleiros das fazendas, cadáver de Nísio continua escondido pelos assassinos. Diante do fato, nesta semana começa manifestação pública do povo Guarani Kaiowa no MS, pedindo o cadáver de cacique Nísio Gomes, ao mesmo tempo os povos indígenas no MS se articulam para apoiar RESISTÊNCIA GUARANI KAIOWA. (Aty Guasu)

Carta da comunidade Guarani-Kaiowá de tekoha Kurusu Amba-município de Coronel Sapucaia -MS para a Presidenta Dilma Rousseff, Presidente do Tribunal Regional da 3ª Região São Paulo (TRF3), Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), sociedades nacionais e internacionais:

Nós comunidades Guarani-Kaiowá originárias de tekoha KURUSU AMBA, no dia 15/11/2014, fomos comunicadas pela Justiça Federal de Ponta Porã-MS que em menos de 5 (CINCO) dias, nós povo Guarani-Kaiowá seremos atacados, massacrados e expulsos de nossa tekoha (terra tradicional) pela mega-operação da Força Armada e Polícia Federal . Diante de autorização de massacre, dizimação e morte coletiva Guarani-Kaiowa pela Justiça Federal de Ponta Porã-MS, reafirmamos que vamos RESISTIR E MORRER TODOS PELA NOSSA TERRA ANCESTRAL KURUSU AMBA, se não temos mais direitos às nossas terras e sem mais direitos às vidas dignas preferimos ser todos mortos aqui na terra pela operação da Justiça Federal e Governo brasileiro. Pedimos à Justiça Federal para enterrar/sepultar nós todas juntas crianças, mulheres e homens aqui em nossa terra Kurusu Amba após mortos pela operação policial. Continue lendo “Aty Guasu: Carta da comunidade Guarani-Kaiowá de tekoha Kurusu Amba destinada à Justiça e Governo do Brasil”

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Gustavo, de 10 anos, dá uma aula de cidadania e contra o racismo

Rede TVT

Gustavo Gomes Silva dos Santos é aluno do CEU Vila Curuçá em São Paulo. A equipe da Rede TVT o conheceu durante as atividades do “Leituraço” de contos africanos e afro brasileiros promovido pela prefeitura de São Paulo. Assista o que ele tem a dizer sobre a importância da ação no combate diário ao racismo.

Enviada para Combate Racismo Ambiental por Ediney Santana.

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Paraguay: Crece la tensión en colonia Santa Teresa

ceferino-kregui-indigena-de-la-parcialidad-ache-_860_573_1159492Por Antonio Caballero, corresponsal – ABC

ABAÍ. La tensión crece en la colonia Santa Teresa de este distrito del departamento de Caazapá, debido a que el Indert sigue con la intención de reubicar a un grupo de supuestos sintierra, los pobladores acompañados de indígenas custodian el lugar.

Los habitantes de este asentamiento junto con indígenas de la parcialidad Mbya Guarani y Aché de la zona se encuentran realizando guardia en forma permanente en la ruta de acceso a la mencionada localidad para evitar la invasión de sus propiedades.

Los pobladores de Santa Teresa aseguran que en dicha localidad no hay tierra sin ser ocupada o utilizada y que dentro del grupo de supuestos sin tierra ya fueron identificadas personas que tienen propiedades en localidades vecinas como Campo Azul o quienes vendieron sus tierras en la zona de María Auxiliadora del distrito de Tavaí para volver a invadir otras propiedades, pero esta vez con la ayuda del Indert. El grupo de supuestos campesinos se encuentran acampado a unos 10 kilometros de la colonia Santa Teresa a orilla de un sojal. Continue lendo “Paraguay: Crece la tensión en colonia Santa Teresa”

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‘Utopia comunista’, vila espanhola se mantém com ação direta e empregos sazonais

Marinaleda, vilarejo com pouco mais de 2.700 habitantes no sul da Espanha, se tornou referência por governo coletivo e participação ativa da população na resolução dos problemas da cidade, sem a presença da polícia

Liam Barrington-Bush e Jen Wilton, no Opera Mundi

No sul da Espanha, a rua é a sala de estar coletiva, onde vizinhos se juntam para conversar sobre os acontecimentos do dia até tarde da noite. No verão, o calor chega facilmente a superar 40 graus centígrados e o cheiro de frutos do mar emerge de cozinhas e restaurantes à medida que começa a se aproximar o horário tardio do jantar.

A cena acima descreve bem Marinaleda, na região de Andaluzia. A princípio, a comunidade não se distinguiria de várias outras localidades vizinhas nas montanhas de Sierra Sur, no sul do país, não fosse por alguns sinais reveladores: os nomes de suas ruas (Ernesto Che Guevara, Solidariedad e Praça Salvador Allende, por exemplo); o grafite (foices e martelos desenhados à mão ao lado de As envoltos em um círculo); ou o rosto enorme de Che adornando a parede externa do estádio esportivo local. Continue lendo “‘Utopia comunista’, vila espanhola se mantém com ação direta e empregos sazonais”

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