Romana e o bilionário do amianto: a dor que não prescreve, por Eliane Brum

A italiana que se tornou símbolo da luta contra a fibra assassina é uma das vítimas derrotadas por Stephan Schmidheiny no tribunal que envergonhou a Itália

por Eliane Brum, El País Brasil

Quando a entrevistei, dois anos atrás, ela me disse que já não chorava. Em algum momento da sua luta contra a Eternit, as lágrimas secaram dentro de Romana Blasotti Pavesi. Passamos uma tarde e uma manhã conversando em seu apartamento em Casale Monferrato. É difícil acreditar à primeira vista que na pequena cidade do Piemonte a tragédia respira entre ruas e paisagens de cinema italiano, nas vitrines das confeitarias onde os krumiris, o delicioso biscoito de Casale, se oferecem a quem passa. Então pessoas como Romana começam a falar. E quando falam enumeram seus mortos. E a narrativa mais uma vez desafina com o cenário do apartamento em que sua solidão é acompanhada por uma população de bibelôs bem ordenados e coloridos, por uma coleção de pequenos elefantes de todas os formatos, origens e texturas – a maioria deles com a tromba para cima, que é como ela gosta. Romana pede um momento, diz com licença, e desaparece no quarto. Volta de lá com uma caixa. De dentro ela tira com a ponta dos dedos um cabelo longo e raro, com diferentes nuances de dourado e vermelho. Bello, molto bello. É de Maria Rosa, ela diz. A filha de Romana foi a quinta de sua família a morrer pelo câncer do amianto. Continue lendo “Romana e o bilionário do amianto: a dor que não prescreve, por Eliane Brum”

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Documentos inéditos confirmam colaboração entre ditaduras da América do Sul

logo mpfProcuradores descobriram provas contundentes da existência da ‘Operação Gringo’, um braço da ‘Operação Condor’, em material recolhido na casa do coronel Paulo Malhães

O Grupo de Trabalho (GT) de Justiça e Transição do Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro revelou a maior prova até hoje obtida de colaboração efetiva entre os regimes ditatoriais da América do Sul para a prática de crimes contra a humanidade. Os documentos foram obtidos na casa do falecido coronel Paulo Malhães, assassinado em abril deste ano, em cumprimento a mandados de busca e apreensão. A documentação foi compartilhada formalmente com a Argentina e já foi anunciada uma Reunião Especializada dos Ministérios Públicos do Mercosul, em Buenos Aires. Essa é a prova mais contundente até agora da ‘Operação Condor’, episódio histórico de cooperação entre as ditaduras latino-americanas.

Relatórios revelam a existência da ‘Operação Gringo’ – Após diligência na casa do coronel Paulo Malhães, o GT Justiça de Transição obteve documentos que comprovam a ‘Operação Gringo’, deflagrada durante a ditadura militar no Brasil, arquitetada e executada pelo Centro de Informações do Exército (CIE) do Rio de Janeiro, que se destinava, dentre outras funções, ao monitoramento, vigilância e prisão de estrangeiros que demonstrassem qualquer atividade considerada como ofensiva ao regime.

Os documentos apreendidos constituem dois relatórios da Operação Gringo (confira a íntegra desses documentos). O primeiro (n° 8/78) tem 111 páginas e o segundo (n° 11/79) tem 166 páginas. Continue lendo “Documentos inéditos confirmam colaboração entre ditaduras da América do Sul”

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MST ocupa fazenda em protesto contra possível ida de Kátia Abreu para a Agricultura

Na ação de sábado, cerca de 2 mil membros do MST e outros movimentos camponeses ocuparam a Fazendo Pompilho, no RS (Foto: MST)
Na ação de sábado, cerca de 2 mil membros do MST e outros movimentos camponeses ocuparam a Fazendo Pompilho, no RS (Foto: MST)

Indicação da senadora ruralista, presidente da CNA, foi rechaçada por movimentos sociais e setores mais à esquerda do PT

Carta Capital

O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) ocupou, no sábado 22, uma fazenda de cultivo de milho no interior do Rio Grande do Sul em protesto contra a possível nomeação da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) para o Ministério da Agricultura.

A indicação da senadora, presidente da CNA (Confederação Nacional da Agricultura), foi rechaçada por movimentos sociais e setores mais à esquerda do próprio partido da presidenta Dilma Rousseff, o PT.

Na ação de sábado, cerca de 2 mil membros do MST e outros movimentos camponeses ocuparam a Fazendo Pompilho, à beira da BR 158, que liga a cidade de Palmeira das Missões, no Rio Grande do Sul, à região oeste de Santa Cantarina. Eles participavam de um acampamento internacional dos movimentos agrários no município gaúcho antes de invadirem a fazenda de um ex-prefeito da cidade.

O protesto na propriedade que, segundo o MST, mantém 2 mil hectares de cultivo de milho transgênico, é a primeira manifestação por parte do movimento agrário depois de ter sido divulgada a informação sobre a escolha da senadora como futura ministra da Agricultura no segundo mandato do governo Dilma. Continue lendo “MST ocupa fazenda em protesto contra possível ida de Kátia Abreu para a Agricultura”

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O primeiro passo, por Janio de Freitas

Latuff agronegócioDa Folha de S. Paulo, no GGN

A escolha de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda, vista de fora, é uma decisão política, não econômica. Faz supor uma escolha de Dilma Rousseff por temor da voracidade com que os conservadores ambicionam a retomada do Poder perdido. Presenteia-os, parece, na suposição de aplacá-los.

De fora, ainda não há como saber –e muito menos crer– de algum entendimento prévio sobre linha de política econômica que possa tornar a escolha mais inteligível. Seja como for, coerente com o sentido da campanha de Dilma, não é.

A escolha não tem coerência nem com o momento em que é feita. Na manhã mesma em que fez uma reunião para definir a escolha, liberada não oficialmente à tarde, o caderno “mercado2” da Folha apresentava como manchete: “Desemprego recua em outubro e atinge 4,7%; renda bate recorde”. A seção “Economia” do “Globo”, com uma nota na primeira página, também dava como manchete: “Emprego em alta, renda recorde”.

Aos dois jornais não faltaram, claro, o “mas” e o “apesar de”. Ainda assim, das manchetes pode-se entender que a economia esteja mais para o massacrado Guido Mantega do que para o Joaquim Levy que bem poderia ser ministro em um governo de Aécio Neves. Continue lendo “O primeiro passo, por Janio de Freitas”

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Nota de repúdio das lideranças Kaingang contra a postura agressiva da PF e Brigada Militar

operacao KandoiaCIMI – Lideranças Kaingang reunidas na Aldeia Indígena Kandóia, no município de Faxinalzinho, Rio Grande do Sul repudiaram a mega-operação militar que mobilizou centenas de homens armados com objetivo de incriminar os indígenas pela morte de dois agricultores, mesmo com inquérito inconcluso. Confira abaixo o documento:

As lideranças indígenas do Rio Grande do Sul vêm através deste abaixo-assinado repudiar a operação da Polícia Federal que reuniu 60 agentes e 200 policiais da Brigada Militar, Corpo de Bombeiros, Pelotão Ambiental e Polícia Rodoviária Federal, buscando provas para incriminar os indígenas, possíveis autores do duplo homicídio ocorrido na Aldeia Indígena Kandóia. Entendemos que o poder coercitivo do Estado foi utilizado de forma excessiva, exorbitante, constrangedora e truculenta, pois adentraram na aldeia às 6 horas da manhã, perfilando mulheres, idosos e indagando para que as crianças dissessem os verdadeiros assassinos, obrigando idosos a realizarem exame para coleta de material para a prova técnica. Tal situação ocorre de maneira sistemática com o claro intuito de intimidar o movimento indígena que luta pela demarcação de seus territórios.

Desta forma, nós lideranças indígenas vimos a público manifestar nossa profunda decepção quando vemos a violação de nosso habitat, rasgaram a Constituição Federal que afirma no seu Art. 5º. XI – “A casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem conhecimento do morador. III – Ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante”. Assim agindo o Estado Brasileiro, utiliza seu poder coercitivo, invade nossas casas, perturba nossos filhos e velhos em busca de uma “pseuda” justiça, onde os verdadeiros culpados se refrigeram no ar condicionado de seus gabinetes, pois negligenciam e nada fazem para que os processos demarcatórios avancem, permanecendo em suas mesas ou engavetados por vários anos.

Não vamos nos intimidar, vamos buscar os nossos direitos, não escrevemos a Constituição Federal e nem as leis vigentes em nosso país, mas as implementaremos e a invocaremos em prol de nosso povo até mesmo nas cortes internacionais, para que nossos filhos, mulheres e idosos não venham a ser molestados no seu repouso e no albergue de suas casas. Somos todos Kandóia.

Atenciosamente,

Lideranças Indígenas Kaingang

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Será lançado na Bahia livro sobre doenças ocupacionais na pesca artesanal, dia 27, às 17h

Lançamento-livro-paulo-pena

CPP – Acontece no próximo dia 27, às 17h , na Universidade Federal da Bahia (UFBA), o lançamento do livro “Sofrimento Negligenciado: doenças de trabalho em marisqueiras e pescadores artesanais”. O trabalho é o resultado de pesquisas que abordaram as principais doenças relacionados ao dia a dia de trabalho da pesca artesanal. Organizado pelos professores e médicos, Paulo Pena e Vera Lúcia Martins, a obra busca se aproximar das demandas, da linguagem  e do contexto de vida desses grupos.

O lançamento contará com a apresentação do Coral de Marisqueiras de Conceição de Salinas e  do canto do pescador Djalma, grande nome artístico da pesca da região. Além disso, haverá exposição do trabalho do fotógrafo Uendel Galter e de posteres de trabalhos apresentados em congresso sobre marisqueiras.

Processo e importância do livro 

No Serviço de Saúde Ocupacional da UFBA (SESAO), vários profissionais, médicos e de outras disciplinas, que na atuação junto ao Movimento de Pescadores e Pescadoras da Bahia (MPP BA) e ao Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP), visibilizaram as doenças ocupacionais dos pescadores, especialmente das marisqueiras, o que tem como resultado a incidência no governo do estado e nos  municípios para efetivar políticas públicas que possam dar respostas às situações evidenciadas.

Informações sobre a distribuição do livro ainda serão divulgadas.

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#DeOlhoNosRuralistas 14 – Kátia Abreu ministra de Dilma?, hoje, às 20h30

cartaz de olho rulalistasO programa será transmitido ao vivo, com link divulgado pouco antes: aqui, na página do Facebook, e pelo perfil @deolhonoagro, no Twitter.

De Olho Nos Ruralistas

A próxima edição do programa de WebTV De Olho nos Ruralistas, na segunda-feira (22), discutirá a virtual nomeação da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A nova bancada ruralista e as perspectivas em relação ao consumo de agrotóxicos serão outros temas centrais.

Os convidados são Daniel Santini e Susana Prizendt. Santini é jornalista da ONG Repórter Brasil e do site O Eco. Ele falará, por exemplo, da reeleição dos deputados que votaram a favor do novo Código Florestal. Susana coordena a seção paulista da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida. Continue lendo “#DeOlhoNosRuralistas 14 – Kátia Abreu ministra de Dilma?, hoje, às 20h30”

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O Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira. A marcha forçada sobre os territórios. Entrevista Especial com Luis Fernando Novoa Garzon

Foto: www.franciscanosmapi.org.br
Foto: www.franciscanosmapi.org.br

“O licenciamento do Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira é um fio que nos leva até o processo decisório do capitalismo brasileiro, que se internacionaliza subalternamente, mas se internacionaliza”, frisa o sociólogo

IHU On-Line – As cheias do rio Madeira e os impactos gerados à população de Rondônia por conta das hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio recolocam o projeto neodesenvolvimentista do país em discussão e demonstram que o “Brasil funciona como uma espécie de extensão da política industrial chinesa e, por isso, cumpre a função que convém claramente a uma ordem internacional dada, a qual o BRICS procura expressar”, adverte Luis Fernando Garzon à IHU On-Line.

Na entrevista a seguir, concedida por telefone, o sociólogo explica as razões que levam o governo brasileiro a investir na atual política energética baseada, essencialmente, na construção de hidrelétricas. Segundo ele, “o projeto dessas hidrelétricas era uma espécie de síntese empresarial que se escorava no governo Lula, e esse pacto empresarial se traduziria, no final, em um pacto social de mais crescimento e mais emprego em troca de territórios livres de impedimentos. Ocorre que nesses territórios estão os rios, os minérios, o petróleo”.

Para ele, a política brasileira está “não só entregando recursos que podemos utilizar de formas diferenciadas de acordo com os padrões tecnológicos que adquirimos, mas perdendo lotes e blocos inteiros por décadas; essa é a grande questão”.

Garzon esclarece ainda que “todos os instrumentos governamentais e internacionais, aos quais o governo brasileiro vem se submetendo, impõem essa marcha forçada sobre os territórios em processo de acumulação por espoliação”. Contudo, adverte, o discurso político se apropriou do conceito de sustentabilidade, e enfatiza a geração de novos empregos por conta dos empreendimentos, levando a um processo de “despolitização” de parte da população atingida. “Por isso, a população perde a referência de longo prazo, referência dos interesses que estão em jogo. Um governo oriundo das lutas populares como o PT, deveria, no mínimo, colocar o tema em discussão para que pudéssemos debater”, frisa. Continue lendo “O Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira. A marcha forçada sobre os territórios. Entrevista Especial com Luis Fernando Novoa Garzon”

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