De olho no objetivo de encerrar seu mandato tendo visitado 25 países africanos, o presidente Luis Inácio Lula da Silva disse neste sábado que a decisão de “se reencontrar com o continente africano” não é dele nem de nenhum ministro, e que o próximo ocupante do Planalto vai ter de fazer “ainda mais” para aproximar os países dos dois lados do Atlântico.
A reportagem é de Pablo Uchoa e publicado pela BBC Brasil, 04-07-2010.
O presidente, que durante sua visita deve formalizar o perdão da dívida de Cabo Verde com o Brasil, no valor de US$ 3,5 milhões, fará um giro por outros cinco países: Guiné Equatorial, Quênia, Tanzânia, Zâmbia e África do Sul.
Iniciando a viagem, o presidente discursou na abertura de uma cúpula entre o Brasil e a comunidade econômica do oeste africano – CEDEAO, formada por 15 países – e arrancou aplausos quando pediu licença à plateia para improvisar o que será uma de suas últimas participações como presidente brasileiro em uma reunião internacional de líderes africanos.
“O Brasil, não apenas pela vontade do presidente Lula, tomou uma decisão política de se reencontrar com o continente africano”, disse. “Nós não temos como pagar, nós não temos como mensurar em dinheiro a dívida histórica que o Brasil tem com o continente africano.”
“Quando eu pedi perdão à África em nome do brasileiro (em 2005), é muito mais do que uma frase de efeito. É um sentimento de um cidadão brasileiro, governante do Brasil, que reconhece que o Brasil não seria o que é se não fosse a participação de milhares de africanos na construção de nosso país”, prosseguiu o presidente. “Independentemente de o Lula ser presidente do Brasil, quem vier depois de mim está moralmente, politicamente e eticamente comprometido a fazer muito mais.” Continue lendo “‘Quem vier depois de mim terá de fazer mais pela África’, diz Lula”