Lorena tem muito poucas lembranças alegres de sua infância. Não conseguiu lembrar de uma noite tranquila nem de um dia de paz. Em sua casa, os gritos e a violência física eram constantes. Também o silêncio angustiado que antecedia os insultos e as surras que seu pai infligia à sua mãe. E sua impotência por não poder fazer nada. Há três anos mãe e filha fugiram do pesadelo de violência machista no qual Lorena praticamente havia nascido. Acabava de completar 21 anos. “Fomos dar um passeio e não voltamos mais. Saímos com a roupa do corpo”, explica. Enquanto fala não deixa de retorcer o colar com tensão. Não teve infância nem adolescência. Cresceu como uma menina assustada, uma criança que nem espirrava “para não incomodar”.
A reportagem é de M. R. Sahuquillo, publicada pelo jornal El País e reproduzida pelo Portal Uol, 30-08-2010.
Vanessa, jornalista de 29 anos, e Miriam, professora de 24, junto com suas outras duas irmãs, viveram submissas a seu pai durante anos. Sempre com medo de cometer algum erro – ou o que era visto como erro por ele – e com o pânico diante da certeza da represália. “Sempre tive medo do meu pai”, conta por telefone Beatriz, de 23 anos, que com sua mãe acaba de terminar um longo tratamento num centro para mulheres vítimas da violência machista e pelo qual também passaram há alguns anos as outras três jovens de vinte e poucos anos, e para onde voltaram uma manhã para contar sua experiência. Viveram num ambiente violento até que conseguiram fugir de seu carrasco. “Um homem que me foi imposto. A quem eu não escolhi”, afirma uma delas.
Continue lendo “Especialistas estimam que 800 mil menores sofrem violência de gênero em casa”


Missão São Francisco do Rio Cururu 06 de novembro de 2009
