Washington Novaes* – O Estado de S.Paulo
São boas notícias. Em reunião na Namíbia, há poucos dias, a Convenção da ONU para combate à Desertificação, que debatia o uso de tecnologias para uso sustentável da terra, decidiu adotar práticas do Departamento de Combate à Desertificação do nosso Ministério do Meio Ambiente, que põem ênfase na convivência sustentável com ambientes naturalmente áridos – e não tentativas de “combate à seca”, como fizeram durante décadas nossas políticas governamentais. A ponto de o escritor Ariano Suassuna haver dito ao autor destas linhas, há alguns anos, que “tentar combater a seca no Nordeste brasileiro é o mesmo que tentar combater a neve na Sibéria”. Fez lembrar o competente ministro Celso Furtado, que demonstrava haver sido praticamente toda a área fértil mais próxima do mar na região ocupada pela cana-de-açúcar, o que obrigou famílias pobres a migrar para as áreas secas; e ali foram realizadas as tentativas de transplantar culturas inadequadas para o solo e clima da região – agravando a escassez.
Também no recente encontro de ministros da Agricultura das Américas na Argentina o tema da desertificação ocupou parte das discussões sobre “uso sustentável da água”. E ali o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) apresentou alguns dos trabalhos que vem executando em áreas como a de Gilbués, no Piauí, uma das mais problemáticas. Ali, em 55 mil quilômetros quadrados, está um dos cenários mais dramáticos da seca e da desertificação no Brasil, que atingem 1,3 milhão de quilômetros quadrados em 1.488 municípios do Nordeste, de Minas Gerais e do Espírito Santo. Continue lendo “O Semiárido ergue as mãos para o alto”








