Igor Vitorino da Silva*
O que estamos vendo? Essa deve ser a grande interrogação que marca nosso julgamento diante dos acontecimentos políticos que sacodem o país desde junho de 2013. Não há mais espaço para ingenuidades e para opiniões herméticas nesse tempo de debate político. Cada imagem e discurso precisam ser pensados dentro das redes políticas e sociais, como fabricações que envolvem disputas ideológicas e projetos de poder.
As mobilizações de junho colocaram um problema político na ordem do dia: as multidões nas ruas! Antes de discutir qualquer bandeira política ou proposta parece-me o que tem mais incomodado os políticos, as instituições públicas e a mídia hegemônica é a presença de massas políticas nas ruas das cidades. Massas avessas a roteiros e prescrições políticas tradicionais.
Aceitam-se gritos disciplinados, faixas comuns e os gestos padronizados. Entretanto, teme-se qualquer coisa que desvie desse padrão, que imponha outra configuração política ao espaço público. O que supostamente deixa de ser “pacífico”, logo é visto como algo anormal que precisa ser corrigido, disciplinado ou eliminado. Continue lendo “Os confrontos como pedagogia: a luta pelo direito à rua”






