Justiça bloqueia R$ 1 mi de dona da M.Officer em caso de trabalho escravo, por Leonardo Sakamoto

Roupa da M.Officer em oficina flagrada com trabalho escravo (Foto: MPT-PRT2)
Roupa da M.Officer em oficina flagrada com trabalho escravo (Foto: MPT-PRT2)

Leonardo Sakamoto

A Justiça do Trabalho determinou o bloqueio de R$ 1 milhão da M5 Têxtil, dona das grifes M.Officer e Carlos Miele. A decisão foi proferida em caráter liminar após pedido do Ministério Público do Trabalho. Na quarta (13), uma equipe de fiscalização com procuradores e auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego encontrou dois trabalhadores bolivianos produzindo peça da M.Officer em uma confecção no Bom Retiro, bairro da região central de São Paulo. Segundo Christiane Vieira Nogueira, procuradora do Trabalho presente na ação, os trabalhadores estavam em condição análoga à de escravo.

Durante a fiscalização, a empresa não reconheceu a responsabilidade pelos trabalhadores e se negou a firmar acordo com o MPT, contemplando alojamento adequado às vítimas, assinatura da carteira de trabalho, pagamento das verbas relativas às rescisão contratual  e indenizações cabíveis, o que foi rechaçado pela empresa. A matéria é de Stefano Wrobleski, da Repórter Brasil: Continue lendo “Justiça bloqueia R$ 1 mi de dona da M.Officer em caso de trabalho escravo, por Leonardo Sakamoto”

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Injustiças não acontecem no Brasil. Mas vamos fazer de conta…, por Leonardo Sakamoto

Leonardo Sakamoto

Suponhamos que um acampamento indígena fosse atacado no Mato Grosso do Sul ou na Bahia por milícias de fazendeiros e indígenas acabassem sendo assassinados. É claro que um país onde crianças se lambuzam de tinta guache e se enchem de pena de galinha e tangas de cartolina para ficarem “parecidas” com populações tradicionais a cada 19 de abril não teria coragem de fazer tal atrocidade. Mas suponhamos, como mero exercício de retórica.

Certamente representantes do governo federal repudiariam fortemente o ocorrido, demandariam a rápida investigação sobre as causas do atentado e a devolução do território aos indígenas caso, até porque a ditadura militar e o discurso dos grandes “desertos verdes”, que justificaram genocídios pelo interior do país, não mais existem. Da mesma forma, ficou para trás, nos Anos de Chumbo, o desejo do crescimento a qualquer preço.

Portanto, se por uma dessas impossibilidades estatísticas, fosse descoberto que a incompetência do próprio Estado brasileiro em devolver terras ocupadas ilegalmente pela agropecuária fosse a principal causa, não tenho dúvidas de que o governo indenizaria os índios com o dobro do valor que foi emprestado pelos bancos públicos a essas fazendas. Continue lendo “Injustiças não acontecem no Brasil. Mas vamos fazer de conta…, por Leonardo Sakamoto”

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Relatório expõe como uma barragem ameaçará o ‘Mundo Perdido’

Os Akawaio e Arekuna pescam no rio Mazaruni e seus afluentes. A barragem inundaria as terras das tribos e destruiria para sempre uma área famosa pela sua paisagem e biodiversidade
Os Akawaio e Arekuna pescam no rio Mazaruni e seus afluentes. A barragem inundaria as terras das tribos e destruiria para sempre uma área famosa pela sua paisagem e biodiversidade. © Audrey Butt Colson

Survival – Planos de construir uma hidrelétrica gigante nas terras de duas tribos na Guiana levariam à destruição de um povo único e vastas extensões de floresta tropical, como revelado por um novo relatório. Os Akawaio e Arekuna pescam no rio Mazaruni e seus afluentes. A barragem inundaria as terras das tribos e destruiria para sempre uma área famosa pela sua paisagem e biodiversidade.

O relatório ‘Escavado, Secado ou Inundado?’, escrito pela antropóloga Dr Audrey Butt Colson e publicado pela Survival International, revela que o governo guianense pretende avançar com uma ou mais barragens no rio Alto Mazaruni o que inundaria a terra do povo indígena Akawaio e de uma comunidade Arekuna.

O governo da Guiana tem encoberto o projeto em segredo. Ele foi arquivado inicialmente nos anos 70 após financiadores, incluindo o Banco Mundial, terem se retirado depois de uma campanha dos Akawaio e da Survival International. Continue lendo “Relatório expõe como uma barragem ameaçará o ‘Mundo Perdido’”

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Alexina sempre se manteve firme no seu compromisso com a classe trabalhadora

alexina crespoDa Página do MST

É com pesar que o MST recebeu a notícia da morte de Alexina Crespo, na tarde dessa última quinta-feira (14), aos 87 anos.

Alexina foi destacada militante na luta pela terra e na organização dos trabalhadores, rompeu com sua origem burguesa e assumiu tarefa nas Ligas Camponesas, tornando-se grande referência das Ligas no mundo.

Teve atitudes ousadas a época quando as mulheres ainda não tinham papel de destaque na luta política. Tratou com grandes líderes da revolução internacional, chegou a viajar a China para negociar com Mao Tsé-Tung condições para se fazer a luta armada revolucionária no Brasil. Continue lendo “Alexina sempre se manteve firme no seu compromisso com a classe trabalhadora”

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Cuba realiza encontro de agroecologia com delegados de 20 países

Da Página do MST*

Iniciou nesta segunda-feira (18) o encontro internacional de agroecologia e agricultura sustentável, realizado em Cuba, que conta com a participação de cerca de 200 delegados de 20 países das Américas, Europa e África.

Segundo Joel Palmero, diretor da Associação Nacional de Agricultores Pequenos (ANAP) de Cuba, a atividade, que acontece até o dia 24 de novembro, pretende discutir a experiência urbana em agroecologia, a conservação do solo, o manejo de pragas e aspectos da agricultura sustentável do ponto de vista metodológico.

Também serão abordados temas sobre o impacto da agricultura sustentável em Cuba e no mundo e experiências relacionados com a soberania e segurança alimentar sobre bases sustentáveis, a proteção dos recursos naturais e experiências econômicas e financeiras em sistemas produtivos e cooperativas. Continue lendo “Cuba realiza encontro de agroecologia com delegados de 20 países”

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Análise: Maior legado de Lessing são as perguntas que ela deixa

Foto de Shaun Curry AFP/Arquivos
Foto de Shaun Curry AFP/Arquivos

Noemi Jaffe* – Especial para a Folha de S.Paulo

“11 de Setembro não foi uma coisa assim tão extraordinária” e “Cristo!”, talvez sejam as duas frases mais conhecidas pronunciadas pela britânica Doris Lessing.

A primeira não precisa de contextualização. A segunda foi dita assim que ela soube ter ganhado o Nobel de Literatura, em 2007. Descia do táxi, aparentemente vindo do supermercado; carregava compras e, ao saber da notícia, além de dizer o famoso “Cristo!”, ainda se preocupou em pagar o motorista.

Os jornalistas imploravam por cinco minutos, que ela, reticentemente, reduziu para um. “Esses suecos não têm tradição literária, não têm nada para fazer, então ficam distribuindo prêmios”, disse.

Pode-se questionar a literatura de Lessing, especialmente pela variedade de gêneros que ela contempla, em mais de 50 livros; pode-se discordar das declarações controversas. Mas dificilmente alguém poderá criticar a autenticidade com que ela falava, dava entrevistas e, principalmente, escrevia. Continue lendo “Análise: Maior legado de Lessing são as perguntas que ela deixa”

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Quando o racismo não se esconde

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Peça da #JMV que já circula nas redes sociais

Por Thiago Ansel – Observatório de Favelas

No Rio de Janeiro, dos mais de 1.400 jovens mortos por homicídio no ano passado, 76% eram negros. Peças publicitárias que já rodam as redes sociais provocam com mensagens como “E você ainda acha que o racismo se esconde?” Elas fazem parte da campanha Juventude Marcada para Viver (#JMV), criada por alunos da Escola Popular de Comunicação Crítica (Espocc), do Observatório de Favelas. A iniciativa,  lançada no dia 10 de novembro com um grande evento no Parque de Madureira, quer chamar a atenção da sociedade e do Estado para a necessidade de ações que reduzam a quantidade de homicídios, em especial entre jovens negros. Continue lendo “Quando o racismo não se esconde”

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20 de novembro: Dia da Consciência “Branca”?

protestomascarasCENPAH* – A data de 20 de novembro, como Dia Nacional da Consciência Negra, foi regulamentada pelo projeto lei número 10.639¹, no dia 9 de Janeiro de 2003. A data foi escolhida, como um dos marcos histórico dos movimentos sociais negros, pelo fato de: em 20 de Novembro de 1695, ter sido assassinado Zumbi – líder do Quilombo dos Palmares, considerado por muitos historiadores do Movimento Negro, como o maior e o mais importante líder das Américas. As explicações são muitas para o reconhecimento deste feito histórico, dentre elas: o fato de Zumbi dos Palmares ter liderado a luta de resistência à dominação/exploração e a escravidão colonial português no Brasil, ao criar uma República livre e democrática – com a participação de negros livres, ex-escravos, escravos fugidos, perseguidos pela justiça, indígenas e brancos pobres. Num estado escravocrata e elitista, controlado por uma minoria branca, Zumbi, assim como tantos negros que na atualidade  ameaçam o poder dominador, passou a representar um perigo à dominação branco-cristã na “América portuguesa”.

Para os que descendem desta minoria, ainda hoje privilegiada, o Brasil é “paraíso racial”, de “mistura das raças” e de muitas cores. Na contramão desta posição está a militância negra, que vê com prioridade esta data comemorativa e coloca na mesa de discussão a temática racial, isto é, as falas e posicionamentos do Movimento Negro sobre o Dia Nacional da Consciência Negra. Continue lendo “20 de novembro: Dia da Consciência “Branca”?”

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Construtoras se unem à elite dominante para destruir Florianópolis, por Elaine Tavares

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Plano diretor vai à votação as quatro da tarde dessa terça-feira

Elaine Tavares – Palavras Insurgentes

Os rapazes bem vestidos da prefeitura de Florianópolis já não pretendem mais passar por bons mocinhos. Atropelaram a população com o edital do transporte coletivo, sem debate, sem discussão e agora promovem novo massacre com a votação do Plano Diretor. Sem que as comunidades pudessem avaliar claramente as mudanças feitas no projeto que levou anos sendo debatido e acabou cheio de alterações, o prefeito César Souza Junior encaminhou o projeto para a Câmara de Vereadores. Tudo isso feito na manhã seguinte à audiência pública, já encadernado e bonitinho, mostrando que nada do que foi dito pelas lideranças comunitárias e moradores foi incorporado.

De forma nada surpreendente o projeto passou como um relâmpago pelas comissões chegando a ser aprovado em três delas no mesmo dia. Ou seja, ninguém estudou o plano. Tudo já estava acertado. Depois, foi a vez das emendas que chegaram aos borbotões de todos os vereadores preocupados em introduzir aquilo que seus financiadores exigem. Ao todo, 253 emendas recolhidas num calhamaço de 503 páginas. Para as comunidades restou a ação de vereadores como Lino Peres, do PT e Afrãnio Bopré, do Psol. Continue lendo “Construtoras se unem à elite dominante para destruir Florianópolis, por Elaine Tavares”

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Equador: a opção pela dependência, por Elaine Tavares

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Elaine Tavares – Palavras Insurgentes

Apesar de toda a propaganda que se faz do Equador, colocando-o dentro de um espectro de “país dirigido pela esquerda”, não são poucas as contradições vivenciadas pelo governo de Rafael Correa, cada vez mais distante do que se poderia considerar um mandato com o povo. Indiscutivelmente o primeiro mandato trouxe avanços importantes, como a realização de uma nova Constituinte, soberana e autônoma, que, apesar de todos os percalços, conseguiu levar para dentro do documento que rege a vida das gentes numa nação uma série de avanços fundamentais que, inclusive, servem de exemplo a todo o mundo.

Mas, no cotidiano da vida, quando a Constituição começou a ser regulamentada, os interesses econômicos e políticos começaram a aparecer com força e a ditar regras que, de certa forma, destroem toda a lógica do sumak kausai (o bem viver – que é o bem viver de corte indígena, não é o consumismo do mundo capitalista), centro de toda a Constituição nacional. Um dos exemplo mais visíveis é o da mineração e da exploração de petróleo. Mesmo que a  natureza tenha ganhado um capítulo dentro da carta magna, revestindo-se de direitos, na prática tudo cai por terra quando os interesses econômicos cobram a conta do que chamam “progresso”. Em nome do que denominam “desenvolvimento”, as classes dominantes impõem seu modelo e passam por cima do que foi construído coletivamente com muita luta pela população do país. Continue lendo “Equador: a opção pela dependência, por Elaine Tavares”

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