“Premiado com o Urso de Ouro em Berlim e Melhor documentário em Havana, o filme mostra de que forma a Argentina foi saqueada pela grandes corporações, de como o governo neoliberal de Menem conseguiu levar o país a bancarrota, privatizando tudo e servindo aos interesses do FMI, Banco Mundial e OMC. Genocídio Social, a Argentina passa da condição de país “quase de 1º Mundo” para um país em que a maioria da população se torna miserável. Mortalidade infantil, desnutrição, abandono social total, endividamento externo fizeram a marca do que seria o “exemplo de neoliberalismo para o mundo”. Toda essa situação se tornou insuportável até finalmente explodir na revolta popular de 19 e 20 de dezembro de 2001″.
Agora a usina nuclear será em Piranhas, Alagoas? A insensatez continua
Por Heitor Scalambrini Costa, em EcoDebate
A construção de usinas nucleares no país significa a disposição do poder público de aceitar mais riscos do que recomendaria a prudência.
A formulação de políticas públicas, em particular na área energética, tem sido calcada em diagnósticos superficiais e imediatistas, influenciados por interesses econômicos poderosos, com clara reincidência em erros cometidos no passado. Na verdade o governo pensa o Brasil do futuro com ideias do passado.
Hoje no chamado mundo moderno, se discute e executa uma completa mudança de direção no que concerne à questão nuclear. Mais e mais países decidiram refrear e mesmo abandonar a construção de novas usinas nucleares. Decisões essas tomadas com largo apoio popular. A óbvia conclusão é que o risco de tal tecnologia não compensa os ganhos (se é que existem!!!).
Aqui no Brasil tudo é diferente. Projeta-se até 2030 a instalação de quatro novas usinas nucleares sendo duas no Nordeste. Falou-se na cidade de Itacuruba no sertão pernambucano (480 km de Recife) como provável local para esta instalação a beira do Rio São Francisco. Houve uma total repulsa a esta proposta. As populações, os movimentos populares, sindicais e religiosos, se expressaram no documento “Carta de Itacuruba”, subscrito por mais de 50 entidades. Continue lendo “Agora a usina nuclear será em Piranhas, Alagoas? A insensatez continua”
Carvoarias representam um quinto das inclusões na ‘lista suja’ do trabalho escravo

Fiscalizações registraram casos graves no setor. Resgatados da escravidão relatam ameaças físicas com armas de fogo e agressões por parte dos empregadores
Por Igor Ojeda, em Repórter Brasil
Alojamento precário, péssimas condições de higiene, indisponibilidade de água potável, jornada exaustiva, falta de registro em carteira de trabalho. As violações típicas à dignidade do ser humano que configuram o uso de mão de obra em condições análogas à escravidão repetem-se invariavelmente nos casos de resgate de trabalhadores na produção de carvão vegetal incluídos na atualização do Cadastro de Empregadores do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a chamada “lista suja”.
Divulgada na última segunda-feira, 30 de dezembro, a relação traz, entre os novos nomes, 21 empregadores cuja atividade é a fabricação da substância negra através da queima de madeira – praticamente um quinto das inclusões. No total, 162 pessoas foram resgatadas do trabalho escravo nesse setor. Já a siderurgia de ferro-gusa, que no Brasil utiliza como combustível e matéria-prima o carvão vegetal, responde por duas inclusões, num total de 55 libertados. Continue lendo “Carvoarias representam um quinto das inclusões na ‘lista suja’ do trabalho escravo”
Importante para deter enchentes na orla, manguezal é ecossistema ameaçado
Por Matéria de Irene Quaile (md), na Agência Deutsche Welle/EcoDebate
Uma floresta que se ergue do mar. Nas costas tropicais, árvores singulares formam um cinturão verde entre o mar e a terra. Os mangues precisam de águas mornas e uma mistura de água salgada e doce para sobreviver. Numerosas espécies de aves vivem entre seus ramos e raízes aéreas. Na água, peixes nadam entre suas raízes e caranguejos reviram o fundo lamacento.
Desde os anos 80, entretanto, os valiosos manguezais diminuíram em 35% em todo o mundo. Há várias razões para isso, explica Ulrich Saint-Paul, do Centro Leibniz de Ecologia Tropical Marinha, da Universidade de Bremen. Muitas vezes, eles são removidos para a construção de portos, aeroportos ou residências. “Mas estas áreas também são cada vez mais usadas ?para abrigar culturas de caranguejos e camarões, destinadas ao mercado internacional.” Continue lendo “Importante para deter enchentes na orla, manguezal é ecossistema ameaçado”
Ano novo, caturrice (e ironia) nova (s)
Por Eustáquio José, em Com caturrice e ironia
Não bastou mudar de ano, isso é trivial. É preciso também mudar de nome, de atitude, de incisão sobre a realidade e é essa a proposta para 2014 em diante: caturrar e ironizar, duas faces da mesma moeda, que não seja, então, a mesma moeda de troca dos principais assuntos de nosso cotidiano, mas algo melhor e bem mais sustentável do que a mera aceitação alienante da realidade.
Aos que perguntarem se essa ironia tem alguma coisa a ver com um expediente socrático a resposta é sim. A construção de conceitos pautada pela colocação das verdades antes inabaláveis em xeque é algo salutar e que casa bem com a nossa situação cultura, social e política (três tomos da mesma situação brasileira que queremos assumir como ponto principal da análise desse blogue neste ano recém-nascido em diante). Aqui no Brasil, agora em ano de Copa do Mundo e Eleições Majoritárias, esses três elementos formam um todo seguramente quase miscível: a nossa realidade pós-junho de 2013, pós réveillon de Jaboatão de Guararapes (reduto administrativo do PSDB, diga-se de passagem) PE (a ponta do iceberg da história dos contratos para shows de fim de ano na cidade da região metropolitana do Recife, a ser investigado sob a gestão tucana), pós escândalos de superfaturamento nos preços dos elefantes brancos (quase todos serão) da Copa do Mundo desse ano e das traumáticas declarações da dupla Pelé/Ronaldo. E ainda, não se pode deixar de citar, toda a vulgaridade política e promiscuidade eleitoral que estamos presenciando com críticas momentâneas e alianças partidárias ultrajantes somada a incrível capacidade de nossa realidade midiática de produzir monstros no sono da razão que vivemos há anos. Continue lendo “Ano novo, caturrice (e ironia) nova (s)”
Por orientação da Policia Federal e da Funai e medo da violência, indígenas evitam a cidade de Humaitá, AM
Por Fabiano Maisonnave, enviado especial à Aldeia Ju’i, na Folha
Desde junho, o estudante indígena Elton Jiahui, 17, faz um curso por correspondência para o exame de admissão para a Marinha, sonho alimentado por dois amigos que seguem a carreira militar. Mas, por orientação da Polícia Federal e da Funai, ele diz que não fará a prova, marcada para depois de amanhã, em Humaitá.
“Eles falaram que nenhum índio podia ficar na cidade. O policial disse para não pensar nisso [prova], mas na minha vida”, disse Jiahui, em sua aldeia, que fica a 106 km da cidade.
No município com cerca de 50 mil habitantes, centenas de manifestantes queimaram, em pleno Natal, a sede da Funai, ao menos 11 carros e um barco da instituição. Continue lendo “Por orientação da Policia Federal e da Funai e medo da violência, indígenas evitam a cidade de Humaitá, AM”
AM – Polícia Federal faz buscas em aldeias diante do silêncio dos Tenharim

Por Elaíze Farias, em Amazônia Real
A Polícia Federal continua fazendo uma varredura dentro da Terra Indígena Tenharim-Marmelos, no sul do Amazonas, em busca dos três homens desaparecidos há 16 dias. Até o momento, a operação, que conta com o apoio da Força Nacional de Segurança e do Exército, não teve sucesso.
As famílias dos desaparecidos estão apreensivas com a falta de notícias da polícia e com boatos que circulam nas redes sociais dando conta de que os corpos teriam sido encontrados. Os índios tenharim prometeram não mais ajudar nas buscas e permanecem em silêncio.
O delegado Alexandre Alves, que coordena a operação de buscas, deu prazo até nesta quinta-feira (2), para apontar o paradeiro de Stef Pinheiro de Souza, Luciano Ferreira Freire e Aldeney Ribeiro Salvador. Segundo as famílias, eles foram sequestrados e mortos pelos índios como vingança pela morte do cacique Ivan Tenharim. Os índios, porém, negam que são os responsáveis pelo desaparecimento. Continue lendo “AM – Polícia Federal faz buscas em aldeias diante do silêncio dos Tenharim”
O Doutor House, o Subcomandante Marcos e os Zapatistas
Tania Pacheco – Combate Racismo Ambiental
Não foi por falta de vontade de postar no blog que me limitei a publicar duas vezes (esta será a terceira) os links e indicar, numa delas, que quem os seguisse teria inclusive surpresas muito interessantes. Aí vai uma dessas surpresas, que encerra o comunicado que tem por título “Quando os mortos calam em voz alta” (Rebobinar 3). Encerrando-o, temos o comentário abaixo, seguindo do vídeo que também posto. Divirtam-se!
Hugh Laurie (a quien tal vez usted reconozca como el doctor Gregory House, con una muy particular interpretación del blues “Saint James Infirmary”. Para quienes mueren de pie.
O material completo pode ser encontrado a partir daqui: Entrevista inédita al subcomandante Marcos: Origen y balance de la guerra de 1994 [e outros materiais]
Entrevista inédita al subcomandante Marcos: Origen y balance de la guerra de 1994 [e outros materiais]

México. Durante casi 20 años, y sin motivo aparente, se guardó esta entrevista con el subcomandante Marcos, vocero y jefe militar del Ejército Zapatista de Liberación Nacional (EZLN). Los primeros días, semanas y meses de 1994 corrían vertiginosamente y los casetes se acumulaban, pues los y las periodistas le plantábamos la grabadora al primer descuido. Y en uno de esos, en la comunidad tzeltal de Prado Payacal, el subcomandante accedió a hablar sobre la estrategia de la guerra, las maniobras y el despliegue militar, sobre los errores de esos días primeros de combates con el ejército federal, los cálculos iniciales, el resultado, el primer balance. Habló del origen de las armas y del equipo, y delineó la primera victoria de un movimiento que hoy cumple 20 años.
También habló del inicio del diálogo con el gobierno, de las primeras sorpresas, de su postura frente a los partidos políticos y de lo que en ese entonces pronosticaban ya los zapatistas para este país. Continue lendo “Entrevista inédita al subcomandante Marcos: Origen y balance de la guerra de 1994 [e outros materiais]”
Espetáculo da violência, sociedade doente

Que sentimentos ligam a barbárie nos estádios, a glorificação midiática das lutas sangrentas e a indiferença diante da desigualdade social
Por Celso Vicenzi, em Outras Palavras
As cenas exibidas no jogo Atlético Paranaense e Vasco da Gama, em Joinville (SC), na última rodada do Brasileirão – para além de todos os erros das autoridades públicas e privadas, que poderiam ter evitado ou minimizado o problema –, são a confirmação da falência do Estado e das instituições democráticas para lidar com um fenômeno que se repete com enorme frequência diante da passividade de quem deveria buscar soluções e acionar mecanismos para evitar atos de selvageria, dentro e fora dos estádios.
Para uma parcela das torcidas, o jogo de futebol deixou de ser a principal motivação para ir aos estádios. A adrenalina de confrontos com torcedores adversários parece produzir mais sensação de prazer do que um grito de gol. Parece haver uma glorificação da brutalidade, como, por exemplo, na ascensão como fenômeno de massa, com direito a cobertura permanente da televisão, das lutas sangrentas do UFC e MMA. Não é isso, isoladamente, que produz violência nas ruas ou nos estádios, mas algo está errado numa sociedade que elege esses confrontos à condição de espetáculo até mesmo na principal rede de TV do país. Não demorou, é claro, para que seus principais lutadores se transformassem em ídolos para crianças, adolescentes e adultos. Continue lendo “Espetáculo da violência, sociedade doente”



