Revoltas 2014: contra governos ou o capitalismo?

Bope confronta um

Mídia, naturalmente, não enxerga. Mas movimentos expressam, no fundo, colapso das relações econômicas e políticas hegemônicas em todo o mundo

Por Paul Mason | Tradução: Antonio Martins, em Outras Palavras

Foi como uma faixa de CD saltada, ou um vídeo que derrapa de repente para a cena seguinte. Eu filmava uma barricada em Istambul, tentando ficar fora do alcance das bombas de gás disparadas pela polícia, quando uma delas me atingiu na testa. O rombo que ela fez em meu capacete é hoje parte de uma apresentação em PowerPoint, para cursos de treinamento sobre a segurança de jornalistas.

Durante a Ocupação do Gezi Park, gente típica de classe média ergueu barricadas que mantiveram a polícia turca à distância por quatro noites. No interior do parque, organizaram uma versão-maquete da sociedade em que gostariam de viver. Estocaram montes de comida grátis, cantaram e beberam cerveja, em desafio ao governo conservador religioso. Continue lendo “Revoltas 2014: contra governos ou o capitalismo?”

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2014 – que venha!!, por Elaine Tavares

flor.nascendo

A despeito de tudo, re/brotaremos…

Em Palavras Insurgentes

As celebrações de um novo começo na vida das gentes são tão antigas quanto a própria raça. Nas culturas mais remotas o “recomeço” era celebrado sempre no solstício ou equinócio de primavera (dependendo do hemisfério), quando tudo começa outra vez a florir. É que como o conceito de tempo ainda não havia sido aprisionado nos relógios a vida das comunidades se regia pelas estações. Naqueles dias, o povo se reunia em festivais, cantando, dançando e bebendo em honra da terra. As mulheres engravidavam e a vida florescia. Era a completude do ciclo da existência, sempre se repetindo.

De qualquer forma, na medida em que as culturas foram se complexificando, igualmente encontraram formas de medir o tempo. Os maias, por exemplo, lograram construir um intrincado calendário com 364 dias, e mais um outro, chamado de “dia fora do tempo”. Este, celebrado em 25 de julho, marca o início do novo ciclo. Já nas culturas do médio oriente, a festa era no equinócio de março, por conta da estação. A comunidade judaica comemora sua festa de Ano Novo, ou Rosh Hashaná, uma espécie de dia do julgamento, em meados de setembro ou no início de outubro, onde as pessoas fazem um balanço da vida. Os islâmicos celebram em maio, contando o tempo a partir do aniversário da saída do profeta Maomé de Meca para Medina, a Hégira, cujo marco corresponde ao 622 da era cristã. Continue lendo “2014 – que venha!!, por Elaine Tavares”

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ES – Ônibus é incendiado após polícia matar jovem negro de 19 anos na Serra

José Gonçalves de Souza, pai de Hearles, mostra a bicicleta do rapaz destruída pela PM. Foto: Nestor Müller
José Gonçalves de Souza, pai de Hearles, mostra a bicicleta do rapaz destruída pela PM. Foto: Nestor Müller

A polícia alega que o rapaz estava armado, mas familiares e vizinhos dizem que ele foi executado pelos PMs: “Ele se assustou quando viu a viatura e os militares atiraram. Ele caiu da bicicleta, e ainda no chão, os PMs atiraram. Só pararam porque o pessoal que estava no culto da igreja saiu e viu a cena”

Por Glacieri Carraretto, nA Gazeta

Um ônibus Transcol foi incendiado por populares após a morte do jovem Hearles Nunes Araújo, 19 anos, na noite de segunda-feira (30), em Jardim Carapina, na Serra. Segundo os moradores e familiares, o rapaz foi assassinado por policiais militares em frente a uma igreja evangélica. Porém, a PM alega que apenas revidou os disparos feitos pela vítima.

Para a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), os policiais militares informaram que viram Hearles de bicicleta, junto de um outro rapaz, na Rua Lima Dutra, por volta das 21h50. Os militares teriam solicitado para que os amigos parassem, ordem que não foi obedecida pelos dois jovens. A PM afirmou que Hearlei e o amigo sacaram armas e atiraram contra os policiais, que revidaram os tiros. Continue lendo “ES – Ônibus é incendiado após polícia matar jovem negro de 19 anos na Serra”

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2014: os desafios sociais e ambientais do povo brasileiro

mata em meio ao desmatamento.jpg

Terminamos o ano de 2013, e entramos no próximo ano encarando a temporada ultraconservadora rural, social e ambiental no Brasil.

Por Najar Tubino, em Carta Maior

Porto Alegre – Com a temperatura acima de 35 graus, beirando os 40, uma inundação em dois estados, conflito racista em Humaitá (AM), onde os madeireiros incentivaram a destruição do patrimônio público, após a morte de um cacique e três moradores da cidade; a construção de várias estações de transbordos no distrito de Miritituba(PA), onde o agronegócio vai escoar cerca de 20 milhões de toneladas de soja; mais a liberação da exploração de ouro na Volta Grande do Xingu, a l7 quilômetros onde está sendo erguida a Usina Hidrelétrica do mesmo nome; além da proposta indecente das empresas de agrotóxicos junto com a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), para criar a Comissão Técnica de Agrotóxicos (CNTagro), espécie de irmã siamesa da CNTbio, àquela que só aprova a liberação dos transgênicos, assim terminamos 2013, e entramos no próximo ano encarando a temporada ultraconservadora rural, social e ambiental.

Ficou grande, mas é para argumentar bem. A capital gaúcha, local onde sempre passam as frentes frias vindas da Península Antártica está imersa no forno, transformando a bela Porto dos Casais dos açorianos, em autêntico inferno tropical. O conflito de Humaitá que a Rede Globo, por intermédio dos repórteres da afiliada no Amazonas identificou como uma revolta da população pelo sumiço de três moradores, e tendo como fato anterior, a morte do cacique Ivan Tenharim, “encontrado morto na Transamazônica, vítima de atropelamento por estar bêbado”. Posteriormente, a nota do Conselho Missionário Indigenista registra o seguinte: Continue lendo “2014: os desafios sociais e ambientais do povo brasileiro”

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A reaparição do Subcomandante Marcos nos 20 anos do levante zapatista

“Porque a rebeldia, amigos e inimigos, quando é individual é bela.  Mas quando é coletiva e organizada é terrível e maravilhosa.  A primeira é matéria de biografias, a segunda é a que faz história”.

Subcomandante Marcos -EZLN

Às vésperas de se completarem duas décadas do levante zapatista, o subcomandante Marcos reapareceu com um novo e extenso comunicado

Por Eduardo Febbro, em Carta Capital

San Cristobal de las Casas – A prosa está intacta. Sutil e envolvente como o sol da tarde que envolve a praça central de San Cristobal de las Casas. Às vésperas de se completarem duas décadas do levante zapatista, o subcomandante Marcos reapareceu com um novo e extenso comunicado semeado com a ideia da “memória e da rebeldia”.

Na abertura, Marcos cita a novela do escritor norte-americano Herman Melville, Moby Dick. Encontro de uma prosa com outra: “Me parece que temos confundido muito esta questão da Vida e da Morte. Me parece que o que chamam de minha sombra aqui na terra é minha substância autêntica”, diz a prosa de Melville. A de Marcos completa o resto do comunicado. O subcomandante, que há uns cinco anos não aparecia em público, escreve: “É território zapatista, é Chiapas, é México, é América Latina, é a Terra. E é dezembro de 2013, faz frio como há 20 anos, e, como então, hoje há uma bandeira que nos cobre: a da rebeldia”. Continue lendo “A reaparição do Subcomandante Marcos nos 20 anos do levante zapatista”

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A revolta de Chiapas, 20 anos depois

Ocosingo, Chiapas. 21 de diciembre de 2012. Miles de indigenas del Ejercito Zapatista de Liberacion Nacional procedientes de La Selva Lacandona, esta mañana en la cabecera municipal de Ocosingo en el estado mexicano de Chiapas marchan y se concentran en la plaza central de manera pacfica y en total silencio. FOTO: Moysés Zúñiga Santiago
Ocosingo, Chiapas. 21 de diciembre de 2012.
Miles de indigenas del Ejercito Zapatista de Liberacion Nacional procedientes de La Selva Lacandona, esta mañana en la cabecera municipal de Ocosingo en el estado mexicano de Chiapas marchan y se concentran en la plaza central de manera pacfica y en total silencio. FOTO: Moysés Zúñiga Santiago

Já se passaram anos, balas e mortos, prisões e injustiças. Ocorreram críticas e zombarias, mas o Subcomandante Marcos e os zapatistas seguem presentes

Tradução de Marco Aurélio Weissheimer*, em Carta Maior

San Cristóbal de las Casas, Chiapas – Gaspar Morquecho Escamilla se recorda como se fosse ontem, na praça central de San Cristóbal de las Casas. Passaram-se 20 anos daquele 1º de janeiro de 1994. A madrugada assomava no céu quando, no meio do entrevero da praça ocupada pelos zapatistas, apareceu o Subcomandante Marcos. Foi o primeiro jornalista que falou com ele naquele nascente ano novo que iria marcar para sempre a história do México e da América Latina. Continue lendo “A revolta de Chiapas, 20 anos depois”

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E que venha!

xango e iansa

 

“¿ESCUCHARON?

Es el sonido de su mundo derrumbándose.
Es el del nuestro resurgiendo.
El día que fue el día, era noche.
Y noche será el día que será el día.”

(Subcomandante Marcos, 21/12/2012)

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Sem título

índio lindo olhando interrogativamente

Te vi.
Mas desde então foi você que não parou de me olhar e me interrogar…
E são 514 anos de perguntas, quase, para as quais não consigo achar respostas.
Porque não sei explicar como nos desumanizamos tanto.
Como nos perdemos e desencontramos…
Como nos deixamos levar…

Te vi.
E foi tão forte esse momento
que mesmo sem a foto para me lembrar
é impossível me esquivar do teu olhar menino
(do teu olhar tão velho!)…
Do imenso por quê? que me acerta em cheio nesse teu olhar.

TP

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Garimpeiros da Amazônia lutam para permanecer em suas terras

Life as an Unregistered Gold Miner (for the BBC Website) from Naya Pora on Vimeo.

Por Sue Branford*, em Língua Ferina

Com a impressionante febre do ouro que tomou conta da bacia do rio Tapajós após o metal ter sido descoberto ali em 1958, milhares de garimpeiros se deslocaram para a região. Apesar de apenas alguns poucos terem enriquecido, a maioria conseguiu um padrão de vida bem melhor do que conseguiria com a extração da borracha, a pesca ou a agricultura de subsistência.

Embora a atividade tenha minguado nos últimos anos, muitos homens continuam a trabalhar em minas de ouro primitivas e em situação irregular. Continue lendo “Garimpeiros da Amazônia lutam para permanecer em suas terras”

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