Santuário dos Pajés: “Justiça reconhece área indígena e constrange Funai”

Vista da reserva indígena, cercada por prédios; área equivale a quatro campos de futebol. Foto: Pedro Ladeira (Folhapress)
Vista da reserva indígena, cercada por prédios; área equivale a quatro campos de futebol. Foto: Pedro Ladeira (Folhapress)

Por Filipe Thadeu Coutinho Lazário e Johanna Nublat, na Folha

Enquanto o governo Dilma Rousseff é criticado por índios por problemas em demarcações de terra, a Justiça atravessou a Funai (Fundação Nacional do Índio) e cravou uma área indígena em um bairro nobre de Brasília.

O local, agora reconhecido como área tradicional indígena, pode valer mais de R$ 146 milhões. Fica a 15 km do gabinete de Dilma, no Noroeste –bairro novo, supostamente “ecológico” e alvo de especulação imobiliária.

Publicada em novembro, a decisão constrange a Funai, acusada pelo Ministério Público Federal de ter sido negligente. Segundo a sentença, pareceres que a fundação alega serem contrários à demarcação das terras eram, na verdade, a favor dos índios. Continue lendo “Santuário dos Pajés: “Justiça reconhece área indígena e constrange Funai””

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“Bonde errado” [Entrevista com o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/MA]

Preso é carregado para receber ajuda médica após briga entre facções dentro do presídio. Foto: Douglas Cunha (Reuters)
Preso é carregado para receber ajuda médica após briga entre facções dentro do presídio. Foto: Douglas Cunha (Reuters)

Em presídio maranhense, não é garantia o apenado se abrigar no Primeiro Comando, ‘40 Ladrão’ ou Anjos da Morte: basta um zum-zum para ele se ver sob os chuços da facção inimiga

Por Mônica Manir, no Estadão

SÃO LUÍS, MA – Lohanny, de 1 ano e meio, arrancava pela segunda vez a atadura que envolvia a mãozinha queimada; sua mãe passava por uma cirurgia de enxerto de pele em outro hospital; seu pai, Jadson, buscava informações sobre a esposa; sua irmã por parte de mãe, Ana Clara, chegava ao velório num caixão branco; e não muito longe dali o pai de Ana Clara, Wenderson, enterrava o próprio avô, vítima de enfarte ao saber da tragédia que atingira as duas famílias. Os Santos e os Sousas estavam aturdidos. Tomavam o velório e o cemitério pedindo bênção aos mais velhos e se abraçando em desalento, perguntando para onde vai o mundo quando jovens atiram gasolina em crianças e ateiam fogo em seguida, saindo pela porta da frente de um ônibus em chamas.

Era a tarde de segunda-feira, três dias depois da “queimação” em São Luís. O advogado Luis Antonio Pedrosa caminhava com o ouvido grudado ao celular. Do outro lado da linha a irmã de um apenado rogava pela transferência do parente para a Cadet, a Casa de Detenção. Ali 9 foram mortos e 20 ficaram feridos numa rebelião em outubro. Mas a irmã insistia que o irmão estaria mais protegido em uma cadeia dominada pelo Primeiro Comando do Maranhão e não pelo Bonde dos 40. Pedrosa tentava explicar que não era simples assim: “Um agente penitenciário, um monitor ou outro preso pode espalhar o boato de que o moço é, sim, do Bonde”, me diz. “Num dia em que vai pegar sol no pátio, matam ele. Não tem segurança nenhuma, não tem como se agarrar a nada.” Continue lendo ““Bonde errado” [Entrevista com o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/MA]”

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“Morte de Ivan sela destino de Ivã na Funai”

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Coordenador de fundação foi demitido em meio a confronto iniciado com assassinato de cacique

Por Lourival Sant’Anna, em O Estado de São Paulo

No dia 29 de novembro, habitantes da Terra Indígena Tenharim Marmelo se reuniram na aldeia Vila Nova para celebrar o encerramento dos trabalhos da primeira brigada indígena de combate ao incêndio florestal, fruto de um convênio com o Ibama. Lá estavam o cacique Ivan Tenharim, da aldeia Kampinhu’hu, assim como os chefes da maioria das 13 aldeias, e seu xará Ivã Bocchini, coordenador da Regional Madeira da Funai.

Quatro dias depois, a morte do cacique desencadearia uma sequência de acontecimentos que culminaria na exoneração do coordenador da Funai, publicada na sexta-feira. A foto feita pelo repórter do Estado (acima), em que os dois aparecem juntos, foi não só talvez a última do cacique, mas também o último instante de uma estabilidade tensa que se romperia em seguida. Até hoje não se sabe do que o cacique morreu. Seus familiares dizem tê-lo visto caindo de sua moto, e sustentam que a morte foi acidental. Entretanto, dias depois, Bocchini publicou no blog da Coordenação Regional do Madeira que o cacique teria sido assaltado e espancado até a morte por homens brancos [sic]*. Continue lendo ““Morte de Ivan sela destino de Ivã na Funai””

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MA – “Trabalhadores de Mina são libertados em Godofredo Viana”

Estrada de Aurizona, bloqueada por manifestantes em Godofredo Viana e trabalhadores da mineradora saindo da área onde estavam confinados desde o início da semana
Estrada de Aurizona, bloqueada por manifestantes em Godofredo Viana e trabalhadores da mineradora saindo da área onde estavam confinados desde o início da semana

Blog Luís Cardoso

Os trabalhadores de uma mineradora instalada há cerca de cinco anos, em Godofredo Viana, na região do Alto Turí, oeste do Estado, mantidos sem água e sem comida desde o início da semana já estão em casa.

Eles deixaram a área de exploração de minério, na zona rural do município, depois que os manifestantes liberaram a estrada bloqueada desde segunda-feira, para a passagem de veículos da mineradora com mantimentos e a retirada dos mineiros do local.

O problema começou depois que a comunidade descobriu que a exploração de ouro permitida pelo governo federal, em uma área de 10 mil hectares, renderia royalties ao município. Continue lendo “MA – “Trabalhadores de Mina são libertados em Godofredo Viana””
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Hay un niño en la calle – Mercedes Sosa & Calle 13

A esta hora exactamente,
Hay un niño en la calle….
¡Hay un niño en la calle!

Es honra de los hombres proteger lo que crece,
Cuidar que no haya infancia dispersa por las calles,
Evitar que naufrague su corazón de barco,
Su increíble aventura de pan y chocolate
Poniéndole una estrella en el sitio del hambre.
De otro modo es inútil, de otro modo es absurdo
Ensayar en la tierra la alegría y el canto,
Porque de nada vale si hay un niño en la calle. Continue lendo “Hay un niño en la calle – Mercedes Sosa & Calle 13”

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Os livros científicos dos séculos XVI e XVII, ou como a Inquisição “limpou” as bibliotecas

Livro censurado pela Inquisição. Foto - Daniel Rocha
Livro censurado pela Inquisição. Foto – Daniel Rocha

Por Nicolau Ferreira, em Público

É a primeira sistematização da censura de livros médicos pela Inquisição em Portugal – um dos casos expurgados foi o de uma freira que se dizia ter engravidado no banho. Está também em marcha um inventário dos livros de ciência nas bibliotecas dessa altura. O lugar deste objecto na cultura científica nacional começa a ser desvendado

O “lápis” da censura nos séculos XVI e XVII era a tinta ferrogálica. Se estivesse muito concentrada, a tinta utilizada na expurgação de uma obra podia queimar o papel. Se fosse em menor quantidade, as palavras censuradas voltavam a ser legíveis. De qualquer forma, esta vertente da Inquisição afectava a leitura das obras, dando-lhes uma conotação insidiosa de pecado e culpa. A literatura técnica e científica em Portugal não escapou a este controlo, como os livros de Amato Lusitano, médico judeu português que fugiu da Península Ibérica. Continue lendo “Os livros científicos dos séculos XVI e XVII, ou como a Inquisição “limpou” as bibliotecas”

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Parecer da Comissão Especial da PEC 215 deve sair ainda este ano

Munduruku e outros povos assistem revoltados à instalação da comissão da PEC 215. Foto: internet
Munduruku e outros povos assistem revoltados à instalação da comissão da PEC 215. Foto: internet

Comissão foi rapidamente instalada pelos deputados ruralistas em dezembro do ano passado, mesmo sob protestos indígenas

Por Any Cometti, em Século Diário

Em 2014, a Comissão Especial da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215/2000 deve emitir seu parecer sobre aquela que é encarada como uma das maiores afrontas atuais aos direitos indígenas no País. A comissão, instalada em dezembro de 2013 em meio aos protestos dos indígenas, tem um prazo regimental de 40 sessões ordinárias para a conclusão dos trabalhos, podendo ser prorrogado por mais 20 sessões, e é o último passo antes que a proposta seja encaminhada ao plenário da Câmara dos Deputados.

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Rolezinho: adolescentes são barrados no shopping Campo Limpo, em SP

Adolescentes barrados na entrada do Shopping Campo Limpo, ficam na escada conversando. Policia observa do outro lado da rua, Foto: Joseh Silva.
Adolescentes barrados na entrada do Shopping Campo Limpo, ficam na escada conversando. Policia observa do outro lado da rua. Foto: Joseh Silva.

Depois do que aconteceu no Shopping Interlagos, Campo Limpo investe em segurança particular e pede reforço da Policia Militar

Por Joseh Silva, do blog SPeriferia, em Cynara Menezes/Socialista Morena

Na tarde deste sábado, centenas de jovens, se concentraram em frente ao Shopping Campo Limpo, Zona Sul de São Paulo, para mais um encontro marcado pelo Facebook, o rolezinho.  “Por medida de segurança”, o shopping estava escolhendo quem poderia entrar no recinto. Nas três entradas, uma equipe composta por segurança terceirizada, particular e policia militar, analisava e dava o aval para que podia ter acesso ao interior do ambiente. Centenas de jovens ficaram para fora. Continue lendo “Rolezinho: adolescentes são barrados no shopping Campo Limpo, em SP”

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Medo de ‘rolezinho’ faz JK Iguatemi barrar menores e até funcionários, em SP

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Após pedido do shopping, Justiça estabeleceu multa para quem participasse do evento

Por Marina Azaredo, em O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – Marcado para o início da tarde deste sábado, 11, o “Rolezaum no Shoppim”, no JK Iguatemi, na zona sul de São Paulo, não aconteceu, mas causou apreensão entre lojistas e a administração do shopping. O evento tinha cerca de 2.200 confirmados no Facebook, mas segundo seu próprio criador, o professor de Inglês Giancarlo Ferreira, de 23 anos, tudo não passava de uma brincadeira. “Estamos buscando nossa criança interior e essa é apenas uma maneira de conectar pessoas em um ambiente seguro e confortável”, disse ele.

As portas de abertura automática do shopping permaneceram desligadas até por volta das 16h, e os seguranças organizaram uma espécie  de “seleção” na entrada. Menores de idade (ou quem parecesse menor de idade) desacompanhados eram barrados e só podiam entrar se comprovassem trabalhar no local. Continue lendo “Medo de ‘rolezinho’ faz JK Iguatemi barrar menores e até funcionários, em SP”

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“Funai distribui 330 cestas básicas para índios tenharim”

Por Ivan Richard, Enviado Especial da Agência Brasil

Humaitá (AM) – Índios da Reserva Tenharim Marmelos receberam neste sábado (11) 330 cestas básicas distribuídas por agentes da Fundação Nacional do Índio (Funai). Eles estão praticamente isolados nas aldeias desde o último dia 25, quando um grupo de pessoas ateou fogo à unidade da Funai localizada no município de Humaitá, a 590 quilômetros da capital, Manaus, revoltados com o desaparecimento de Luciano Freire, Aldeney Salvador e Stef Pinheiro.

Os três homens foram vistos pela última vez no dia 16 de dezembro, quando passavam de carro no km 85 da Rodovia Transamazônica, que corta a reserva indígena. Moradores da cidade acusam os índios de terem sequestrado os homens em represália à morte do cacique Ivan Tenharim. A Polícia Federal (PF) está na região investigando o caso.

No dia 27 de dezembro, não índios queimaram casas de apoio e uma área de pedágio construídas pelos indígenas em uma aldeia. Desde então, além dos agentes da PF, homens da Polícia Rodoviária Federal (PRF), do Exército, da Força Nacional de Segurança Pública e da Polícia Militar reforçam a segurança no local.

Na última quinta-feira (9), uma delegacia móvel da Polícia Federal chegou a Humaitá, no sul do Amazonas, para ajudar nas investigações sobre o desaparecimento dos três homens. O veículo foi deslocado para a Reseva Tenharim.

Amanhã (12), representantes do governo do Amazonas, do Exército e das forças de segurança que estão atuando no local devem ir até a reserva para avaliar a situação dos índios e os desdobramentos das investigações sobre o desaparecimento dos três homens e a destruição do patrimônio público.

Edição: Andréa Quintiere

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