
Assassinato do tenente-coronel interrompeu revelações cruciais sobre “Casa da Morte” da ditadura. Mas investigações posteriores podem quebrar impunidade dos torturadores
Por Lia Imanishi, no Retrato do Brasil, parceiro de Outras Palavras | Imagem: Rubem Grilo
No último 24 de abril, o tenente-coronel da reserva Paulo Malhães, ex-oficial do Centro de Inteligência do Exército (CIE), torturador confesso e responsável pelo desaparecimento de presos políticos durante o regime militar (1964 a 1984), foi encontrado morto num quarto de sua casa. Ele tinha 77 anos e morava com a esposa, Cristina, num sítio na área rural de Nova Iguaçu, município da Região Metropolitana do Rio de Janeiro situado ao norte da capital. Fábio Salvadoretti, delegado-adjunto da Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense, que esteve no local, afirma que Malhães tinha manchas azul-arroxeadas na face, indício de sufocamento. A viúva disse que ela e o marido voltavam da cidade às 13h daquele dia quando, ao entrar em casa, foram surpreendidos por três homens que, com duas armas da coleção que Malhães mantinha, renderam o casal e o caseiro e trancaram cada qual num cômodo. Quatro horas depois, um deles teria dito a Cristina que Malhães estava morto. Os assaltantes ainda permaneceram no local por cinco horas. Segundo a polícia, levaram nove armas, 700 reais em dinheiro, joias de pouco valor, talheres, dois computadores e dois discos rígidos de computador. Continue lendo “Tortura: por que morreu Paulo Malhães?”








