O mais novo fantasma da Monsanto

Em El Salvador, CKDu tornou-se a segunda maior causa de mortalidade masculina. No Sri Lanka, número de mortes ultrapassa 20 mil. E no Brasil?
Em El Salvador, CKDu tornou-se a segunda maior causa de mortalidade masculina. No Sri Lanka, número de mortes ultrapassa 20 mil. E no Brasil?

Estudo sugere: doença ainda inexplicada, que destrói rins e já matou milhares de agricultores, pode estar relacionada ao glifosato, herbicida-líder da transnacional

Por Jeff Ritterman, no Truthout | Tradução Maria Cristina Itokazu – Outras Palavras

O herbicida Roundup, da Monsanto, foi vinculado à epidemia de uma misteriosa doença renal fatal que apareceu na América Central, no Sri Lanka e na Índia.

Há anos, os cientistas vêm tentando desvendar o mistério de uma epidemia de doença renal crônica que atingiu a América Central, a Índia e o Sri Lanka. A doença ocorre em agricultores pobres que realizam trabalho braçal pesado em climas quentes. Em todas as ocasiões, os trabalhadores tinham sido expostos a herbicidas e metais pesados. A doença é conhecida como CKDu (Doença Renal Crônica de etiologia desconhecida). O “u” (de “unknown”, desconhecido) diferencia essa enfermidade de outras doenças renais crônicas cuja causa é conhecida. Poucos profissionais médicos estão cientes da CKDu, apesar das terríveis perdas impostas à saúde dos agricultores pobres, de El Salvador até o sul da Ásia. Continue lendo “O mais novo fantasma da Monsanto”

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UPPs: uma estranha forma de mediar conflitos

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Polícia e Justiça tentam levar, às favelas “pacificadas”, técnicas de mediação. Naufragam por enxergarem comunidade como inferior e por visão ultra-hierárquica de mundo

Por Gabriel Bayarri | Imagem: Alberto Costa – Outras Palavras

O Programa de Mediação em comunidades atendidas pelas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) é uma iniciativa destinada a capacitar os policiais integrantes dessas unidades para exercerem, com o uso de ferramentas próprias à técnica da mediação, o papel de mediadores dos conflitos de proximidade nas denominadas favelas cariocas.

A iniciativa faz parte de um acordo de cooperação, celebrado em 2011, entre o Tribunal da Justiça e a Secretaria de Estado de Segurança do Rio de Janeiro. O propósito dos centros de mediação de conflitos diminuir a “judicialização” das controvérsias entre próximosediminuir o abismo que ainda separa, da sociedade, o Direito e os tribunais.

Nos processos de mediação, as partes implicadas são as responsáveis por alcançar um acordo. O serviço que as UPPs oferecem tem sido constituído, em sua origem, sob as técnicas de uma mediação direta, em que as relações humanas e os conflitos não são vistos de forma isoladaBusca-se a justiça por meio de “soluções razoáveis”,construídas sob a lógica da interação como forma de estabelecer sistemas de valores que ajudam no manejo e resolução dos conflitos. Continue lendo “UPPs: uma estranha forma de mediar conflitos”

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Não gosta da poluição de São Paulo? Não respire, ué!, por Leonardo Sakamoto

Leonardo Sakamoto

Respirar essa titica malcheirosa que convencionamos chamar de ar, em São Paulo, nesta época do ano, é equivalente a ser um fumante ativo.

E o pior, de substâncias químicas que só desgraçam, mas sem prazer. Ou seja, sem nem um THC para deixar tudo mais divertido.

Já repararam que, quando reclamamos da poluição ou de qualquer problema de São Paulo que não possa ser atribuído apenas aos gestores públicos mas também a nós, população, aparece sempre algum “paulistanista” – o nacionalista paulista, patologia que floresce por estas bandas do Trópico de Capricórnio – e prontamente vomita: “não tá feliz, vá embora”?

É o contrário do “Tá com dó? Leva pra casa!” que o mesmo sujeito também profere quando o assunto é resolver os problemas sociais da metrópole relacionados com a gente parda, fedida e diferenciada.

Minha maior alegria é saber que, como já disse aqui, essa porcaria nojenta que abraça a cidade feito enchimento de fralda suja de bebê vai levar todo mundo para sepultura. Sabe por que? Porque poluição não vê grades, cercas de arame farpado, muro alto ou respeita segurança com cara de mercenário do Leste Europeu. Não adiante se esconder embaixo da cama. Ela vai te pegar. Continue lendo “Não gosta da poluição de São Paulo? Não respire, ué!, por Leonardo Sakamoto”

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Nesta terça, milhares vão às ruas no Dia Nacional de Luta pelo Plebiscito Constituinte

Do Plebiscito Constituinte

Nesta terça-feira (12), a Campanha Nacional pelo Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político realizará o Dia Nacional de lutas pela Constituinte.

Os mais de 800 comitês, espalhados por todos os estados brasileiros, se reúnem em manifestações locais para levar para a rua a luta pela Constituinte.

Os comitês da Grande São Paulo e Capital se reunirão num ato único na Praça Ramos, às 16h30. São esperados mais de mil ativistas, de comitês de bairro, movimentos populares, de juventude, religiosos, partidos políticos, estudantes e simpatizantes.

Nesse dia também é comemorado o Dia da Juventude. Passado mais de um ano desde as jornadas de junho, a Campanha convoca a população para novamente se mobilizar.  

As ações visam a divulgação e esclarecimento sobre o Plebiscito Popular, que será realizado de 1 a 7 de setembro e perguntará aos brasileiros(as): Você é a favor de uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político? Continue lendo “Nesta terça, milhares vão às ruas no Dia Nacional de Luta pelo Plebiscito Constituinte”

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Moradores apresentam propostas para evitar despejo nas áreas da Granja Werneck

Lideranças das ocupações se reuniram com o Ministério Público do Estado para chegarem a um acordo

Estado de Minas

Em meio ao impasse sobre a ordem de despejo no terreno da Granja Werneck, Região Norte de Belo Horizonte, moradores das ocupações fizeram, durante reunião com o Ministério Público (MP), na noite desta quarta-feira, propostas para evitar a desocupação. A principal delas é a suspensão da reintegração de posse por 30 dias para que se faça um cadastro sócio-econômico das famílias na área.

O coordenador nacional de Direitos Humanos, Bruno Renato Teixeira, participou do encontro na sede do MP, no Bairro Santo Antônio, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Ele teme que a ação da polícia seja violenta. “Há necessidade de um esforço concentrado das autoridades para evitar o conflito”, relatou.

Ainda na noite desta segunda-feira, helicópteros da Polícia Militar sobrevoaram as áreas das ocupações e despejaram panfletos para orientar os invasores a deixarem o terreno de forma pacífica. De acordo com a PM, a ação faz parte das negociações e tem como objetivo evitar o uso da força.

Além de proporem o adiamento da reintegração, lideranças dos moradores ainda apresentaram a opção de redução da área ocupada. Edna Gonçalves, coordenadora da ocupação Esperança, concordou em se retirar do terreno desde que haja um acordo. “Queremos sair, porém, de forma negociada”, destacou.

Enviada para Combate Racismo Ambiental por José Carlos.

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Nota do Centro de Trabalho Indigenista sobre a matéria Terra Contestada, publicada no jornal Diário Catarinense

São Paulo, 11 de Agosto de 2014

O Centro de Trabalho Indigenista (CTI), entidade da sociedade civil empenhada em defender os direitos dos povos indígenas do país, vem a público manifestar sua contrariedade em relação ao caráter tendencioso da matéria publicada na última semana no jornal Diário Catarinense, sob o título de “Terra Contestada”, que versa sobre o processo de demarcação da Terra Indígena Morro dos Cavalos, localizada no município de Palhoça/SC.

Por meio de um “especial”, dividido em cinco partes, busca-se induzir a conclusão de que as décadas de luta dos Guarani do Morro dos Cavalos pela demarcação de suas terras tradicionais seriam fruto da manipulação de “agentes externos”. Trata-se de uma visão racista e preconceituosa, por supor que os Guarani não seriam conscientes de suas próprias ações e escolhas. Alega-se que os indígenas estariam simplesmente querendo usufruir de um “desenvolvimento” que se limitaria ao acesso aos bens de consumo da sociedade ocidental, que lhes estariam sendo negados pela FUNAI ou por ONGs.

Supreendentemente, entretanto, a reportagem não se dispôs a escutar nenhum indígena que habita a Terra Indígena Morro dos Cavalos, nem mesmo a cacique da aldeia. A “versão dos indígenas” é ilustrada unicamente por Milton Moreira, que não habita o Morro dos Cavalos há anos, e cujos argumentos e posição não são sustentados por nenhum outro guarani.

Em relação às insinuações a respeito de uma suposta fraude no processo demarcatório e às menções ao CTI, cumpre esclarecer que ao contrário do que infere a reportagem, o processo de regularização da Terra Indígena Morro dos Cavalos foi e continua sendo de responsabilidade exclusiva da Fundação Nacional do Índio e da União. O Centro de Trabalho Indigenista não tem qualquer atribuição nesse processo. Enquanto organização da sociedade civil, o que nos cabe é cobrar e monitorar o Governo para que se cumpram as obrigações constitucionais de garantir os direitos originários dos povos indígenas sobre as terras que tradicionalmente ocupam.

Não obstante, não há nenhum segredo no fato de que a antropóloga Maria Inês Ladeira, que trabalha no CTI, coordenou os estudos de identificação e delimitação da Terra Indígena Morro dos Cavalos pois foi designada oficialmente e por meio de ato público para tal função. Sua nomeação como coordenadora do grupo técnico que realizou os referidos estudos segue rigorosamente os termos do artigo 2º do Decreto nº 1775/96, que regulamenta o processo demarcatório das terras indígenas no país, e determina que é preciso antropólogo de “qualificação reconhecida” para realização desse trabalho. Continue lendo “Nota do Centro de Trabalho Indigenista sobre a matéria Terra Contestada, publicada no jornal Diário Catarinense”

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Documento final do 1° Encontro Amazônico dos Povos indígenas Resistentes

Foto: Cimi
Foto: Cimi

Cimi Regional Norte I

Povos indígenas da região Norte e estado do Mato Grosso reunidos no 1°Encontro Amazônico na cidade de Manaus exigem a demarcação de seus territórios tradicionais. Os indígenas denunciaram também a presença de invasores em suas terras. Confira na íntegra o documento final do encontro:

1° Encontro Amazônico dos Povos indígenas Resistentes

Nós povos indígenas Mura, Munduruku, Munduruku-Cara-Preta, Tupinambá, Kambeba, Cumaruara, Arapium, Maitapu, Kayabi, Chiquitano, Migueleno, Xavante, Macuxi, Apolima-arara, Nawa, Kujubim, Wayoro, Guarasugwe, Tucano, Tupaiu e Purubora, dos estados do Acre, Amazonas, Pará, Roraima, Mato Grosso e Rondônia, estamos em luta pelo reconhecimento étnico e territorial, reunidos no 1° Encontro Amazônico dos Povos Indígenas Resistentes, nos dias 8 a 10 de agosto de 2014 no Centro de Formação Xare, localizado no município de Manaus-AM, partilhamos nossas lutas, conquistas e desafios e nos defrontamos com a realidade de desrespeito e ameaça aos nossos direitos.

Solicitamos que o direito ao autoreconhecimento étnico seja respeitado como critério fundamental para o reconhecimento da identidade indígena, conforme recomenda a Convenção 169 da OIT. Assim, não podemos depender de laudos antropológicos nem registros administrativos para podermos usufruir e ter acesso aos direitos garantidos aos povos indígenas.  Continue lendo “Documento final do 1° Encontro Amazônico dos Povos indígenas Resistentes”

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Justiça Federal acata MPF MT e converte em preventiva a prisão de acusados de invasão de Marãiwatsédé

Focos de queimadas tomam conta de parte da área desde o mês passado (Foto: Centro Especializado Prevfogo/ IBAMA.)
Focos de queimadas criminosas em Marãiwatsédé. Foto: Centro Especializado Prevfogo/ IBAMA

MPF MT

A Justiça Federal acatou os argumentos do Ministério Público Federal e, nesta segunda-feira (11/08), converteu as prisões temporárias decretadas contra Sebastião Prado [presidente da Associação dos Produtores Rurais da Suiá-Missu] e Elias Alves Gabriel em prisões preventivas.

Sebastião Prado foi preso na quinta-feira (07/08) durante a deflagração de operação para desarticular uma organização criminosa envolvida com a invasão da Terra Indígena Marãiwatsédé, da etnia Xavante, em Mato Grosso. Elias Alves Gabriel ainda está foragido.

Em relação a Sebastião Prado, a Justiça Federal entendeu que a decisão de prisão temporária “narrou fatos extremamente graves supostamente praticados pelo grupo, em especial por ele, que, na condição de presidente da Associação dos Produtores Rurais da Suiá-Missu, estaria financiando e auxiliando a prática de diversos atos criminosos, entre eles, lesão corporal, dano e furto qualificado, incêndio, invasão de terras públicas e possíveis atos de corrupção.” Continue lendo “Justiça Federal acata MPF MT e converte em preventiva a prisão de acusados de invasão de Marãiwatsédé”

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Filme etnográfico narra histórias de artesãs em Alcântara (MA)

por Carol Neves, Fapema

A vida das mulheres no quilombo de Itamatatiua em Alcântara – MA começa cedo. A rotina inicia em buscar água potável na fonte, cuidar da lavoura, colocar os animais no pasto, arrumar as crianças para ir para a escola e então ir para o trabalho, no Centro de Produção de Cerâmica. Louças das mais diversas são produzidas pelas artesãs de Itamatatiua, que acabaram criando uma identidade para a comunidade onde vievem, com o artesanato local.

A designer gráfico, Raquel Noronha e sua equipe, acompanharam a rotina e registraram no dia-a-dia, o ofício dessas artistas. Esse registro tornou-se um documentário de 15 minutos, chamado “À mão e fogo”, tendo sido um dos filmes participantes do 37° Festival Guarnicê de Cinema, em São Luís – MA.

O curta metragem faz parte do projeto Iconografias do Maranhão, coordenado pela professora mestre Raquel Noronha e apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão – FAPEMA, por meio do edital Universal 2012.

A produção do audiovisual teve duração de oito meses e captou cerca de 200 horas de conversas e imagens junto às artesãs participantes do filme. A equipe do projeto, estudantes do curso de Design da Universidade Federal do Maranhão – UFMA participou de oficinas de roteiro e filmagem. Cada etapa da produção foi realizada junto às artesãs, que colaboraram na construção da narrativa do filme. Continue lendo “Filme etnográfico narra histórias de artesãs em Alcântara (MA)”

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Licença prévia para mineroduto da Manabi será votada nesta semana em Minas Gerais

Em nota, entidades classificam o mineroduto como ”saque das águas” e alertam para impactos às comunidades tradicionais

Any Cometti, Século Diário

Nesta quinta-feira (14), será votada no Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) de Minas Gerais a emissão da licença prévia (LP) para o início das instalações do mineroduto Morro do Pilar – Linhares, empreendimento da Manabi que ligará a mina de extração de minério ao superporto de exportação planejado para o litoral norte capixaba.

A LP seria votada em uma reunião no último dia 21 de julho. Entretanto, de acordo com o jornal mineiro O Tempo, conselheiros componentes do Copam ligados aos Ministérios Públicos Federal e Estadual, as federações da indústria (Fiemg) e da agropecuária (Faemg) e universidades federais pediram vistas do projeto. Como informa o jornal, a capacidade dos recursos hídricos e a presença de comunidades quilombolas na área afetada estão entre as principais polêmicas do processo.

O Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) do mineroduto ignora completamente a presença de 15 comunidades quilombolas identificadas no traçado do minerpduto, e sequer as considera em sua área de impacto direto, o que pode provocar a fragmentação desses povos, como alertou, em entrevista ao O Tempo, a professora do Departamento de Antropologia e Arqueologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Andréa Zhouri, que também é coordenadora do Grupo de Estudos em Temáticas Ambientais (Gesta/UFMG). Continue lendo “Licença prévia para mineroduto da Manabi será votada nesta semana em Minas Gerais”

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