Entrevista: Samia Barbieri fala sobre seu livro “Biopirataria e povos indígenas” e outras questões

samia jorgeBiopirataria e povos indígenas é o nome do livro que Samia Roges Jordy Barbieri lançou semana passada na sede da OAB, em Brasília. Presidente da Comissão Permanente de Assuntos Indígenas (COPAI) da OAB Mato Grosso do Sul, estado líder em assassinatos e ‘suicídios’ de indígenas, Samia começou a discutir a questão da biopirataria em sua tese de doutorado, defendida em 2011. Para ela, “o pano de fundo dessa questão é o capitalismo que transforma biodiversidade em produto e ainda nos impõe a compra desses  mesmos produtos com pagamento de royalties da nossa própria natureza, saqueada e pilhada”.

Nesta entrevista por e-mail, Samia Roges Jordy Barbieri* fala sobre a necessidade de lutarmos “para que as populações culturalmente diferenciadas como os povos indígenas possam participar do desenvolvimento da sociedade, mantendo sua identidade cultural preservada, como sujeitos de direitos, e não como minorias excluídas”. E conta ainda como foi criada a COPAI e qual a sua ação.

Tania Pacheco – Combate Racismo Ambiental

Combate – Num momento em que o racismo anti-indígena está mais que nunca acirrado, você lança um livro relacionando os saberes dos povos originários e a biopirataria. Isso vai contra todas as defesas da aculturação, que muitos fazem para resolver o que chamam de “questão indígena”. Como nasceu o livro?

Samia – Exatamente por estarmos sempre num momento de racismo e anti-indígena, temos que lembrar da importância da cultura vastíssima e tão importante, que vem sendo saqueada num  país megadiverso, que possui seis biomas como o Brasil.

Nessa obra, que fala de um problema enorme que é o saque dos nossos recursos naturais, descobertos pela observação da natureza pelos povos indígenas, de forma intergeracional , ágrafa e oral, por muitos e longos anos, há a pilhagem de extratos de plantas que são levadas e voltam ao nosso país, vendidos como produtos,  e ainda nos cobram e pagamos “royalties”. Continue lendo “Entrevista: Samia Barbieri fala sobre seu livro “Biopirataria e povos indígenas” e outras questões”

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Por que Eduardo Jorge venceu o debate presidencial, por Leonardo Sakamoto

Leonardo Sakamoto

Quando postei a frase acima no Twitter, amigos simpatizantes do PT, PSB/Rede e PSDB me enviaram algumas mensagens desabonadoras, afirmando que eu estava querendo rebaixar a política. Reclamaram que um debate presidencial é algo sério demais para o comportamento um tanto quanto “irreverente” do candidato do PV.

Para quem não assistiu ao debate na Rede Bandeirantes, entre a noite desta terça (26) e madrugada de quarta, saiba que Eduardo Jorge, que não atinge 1% das intenções de voto, de acordo com a última pesquisa do Ibope, levantou bandeiras consideradas polêmicas como a ampliação do direito ao aborto, a legalização da venda de psicoativos considerados ilícitos e a ampliação de instrumentos de participação social.

Mas não foi por causa dos temas defendidos que ele virou um dos trending topics globais nas redes sociais, mas por conta do jeito irônico, engraçado e, muitas vezes, atapalhado com o qual respondeu questões.

Alguns podem dizer que ele extrapolou e só fez o que fez porque não tem chance nenhuma de ganhar a corrida presidencial. Um franco atirador. Claro, mas qual o problema? O Pastor Everaldo também não tem chance mas parecia, o tempo inteiro, estar lendo uma folha de cartolina.

O fato é que cada um tem que traçar sua estratégia a partir da posição em que se encontra. E, desse ponto de vista, ele incorporou o saudoso Plínio de Arruda Sampaio, repetindo um pouco do papel que ele exerceu nas eleições de 2010: o de grilo falante, apontando o dedo e esticando a corda. Continue lendo “Por que Eduardo Jorge venceu o debate presidencial, por Leonardo Sakamoto”

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Crise Habitacional em São Paulo: Famílias e Movimentos Entram em Ação

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Rio On Watch

Milhares de famílias em São Paulo têm sido expulsas de suas casas devido ao súbito aumento do aluguel. Desde 2008, o aluguel médio aumentou em 97%, e com a inflação média na cidade em 40%, fica impossível para muitas famílias, especialmente as de baixa renda, continuarem morando no coração da cidade.

Famílias foram forçadas a se mudar para distantes bairros periféricos, onde a infraestrutura é muitas vezes precária. Como resultado, muitos trabalhadores enfrentam longos deslocamentos diários. Todos os dias uma população equivalente à do Uruguai viaja, da Zona Leste da cidade para o Centro, hoje em dia praticamente “limpo” de habitação informal ou à preço acessível.

URBEM e outros estimam que até 2024 mais de 700.000 unidades habitacionais de baixa renda de “primeiro nível” (para aqueles que ganham de zero a três salários mínimos) terão de ser construídas para resolver o déficit habitacional na cidade. Atualmente, o município de São Paulo tem planos para construir menos da metade disso. Continue lendo “Crise Habitacional em São Paulo: Famílias e Movimentos Entram em Ação”

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Polícia de Minas apura caso de racismo na internet

20140827070653582743eJunia Oliveira – Estado de Minas

A Polícia Civil de Muriaé, na Zona da Mata mineira, instaurou ontem inquérito para apurar denúncias de racismo cometido pela internet contra uma garota de 20 anos, moradora da cidade. Ela, uma jovem negra, teve seu perfil no Facebook bombardeado por comentários preconceituosos depois de publicar, na semana passada, uma foto na qual aparece com o namorado branco, de 18.

Depois de desativar a conta na rede social, a garota foi ontem à Delegacia Regional do município prestar queixa. De acordo com a assessoria de imprensa da Polícia Civil local, as apurações ficarão a cargo da 31ª Delegacia, que pedirá apoio da Delegacia Especializada de Investigações de Crimes Cibernéticos de Belo Horizonte para descobrir a identidade dos autores das ofensas. 

Uma das mensagens questiona onde o adolescente teria “comprado a escrava”. Outra pergunta se ele é o dono da jovem. Há ainda um homem que diz parecer que os dois estão na senzala. A foto foi publicada em outro perfil, “Pretinho do poder”, no qual várias pessoas criticaram a discriminação. Até o início da noite de ontem, a postagem tinha quase 150 mil curtidas, 20 mil compartilhamentos e mais de 34 mil comentários.  Continue lendo “Polícia de Minas apura caso de racismo na internet”

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Tribunal do Rio reduz pena de morador de rua detido em protesto

Ativistas pedem liberdade de morador de rua detido em protesto no ano passadoFernando Frazão/Agência Brasil
Ativistas pedem liberdade de morador de rua detido em protesto no ano passadoFernando Frazão/Agência Brasil

Da Agência Brasil 

A 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decidiu ontem (26) manter a prisão de Rafael Braga Vieira, morador de rua que foi detido em uma manifestação em junho de 2013, porém a pena foi reduzida. Rafael Vieira, que anteriormente havia sido condenado a cinco anos e dez meses de reclusão, teve a pena reduzida para quatro anos e oito meses. De acordo com a 3ª Câmara do tribunal,  ele não tem direito de recorrer à decisão em liberdade.

Desde o início da noite de anteontem (25), ativistas faziam uma vigília na porta do tribunal para prestar apoio ao morador de rua. Com cartazes e faixas, várias pessoas discursaram a favor de Rafael Vieira, único detido durante os protestos de junho do ano passado. Os ativistas consideram que o morador é preso político e dizem que, no momento da prisão, ele estava apenas com uma garrafa de água sanitária e outra de álcool, e não com material explosivo.

Na decisão, os desembargadores acolheram parcialmente o recurso apresentado pela defesa do réu, que antes havia sido sentenciado pela 32ª Vara Criminal da Capital. “O fato de tais engenhos não terem aptidão para funcionar como verdadeiros explosivos clássicos [coquetéis-molotovs], por terem sido confeccionados em garrafas plásticas, ou seja, com mínima possibilidade da quebra que possibilitaria o espalhamento do seu conteúdo inflamável não inviabiliza, em caráter absoluto, a respectiva capacidade incendiária”, disse o desembargador Carlos Eduardo Roboredo, relator do processo. Continue lendo “Tribunal do Rio reduz pena de morador de rua detido em protesto”

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Napalm no Vale do Ribeira

Identificação de uma das bombas encontradas
Identificação de uma das bombas encontradas

Documentos, destroços e relatos dos moradores contam uma história obscura da ditadura: em 1970 a FAB bombardeou região rural próxima a São Paulo com bombas incendiárias

por Anne Vigna, Luciano Onça, Natalia Viana – A Pública

Pedro Passos, o seu Pedrico, tem os causos de vida e a memória coalhados de bombas. São os resquícios dos bombardeios realizados em 1970 pela ditadura militar nas matas onde nasceu e se criou, no município de Cajati, Vale do Ribeira, a 200 quilômetros de São Paulo. Ao longo dos anos, encontrou muitos pedaços dessa história que não está nos livros didáticos; da última vez, há cerca de 20 anos, achou uma carcaça da bomba incendiária enquanto roçava um sítio que margeia o Rio do Aleixo: uma chapa de aço, colorida pela ferrugem e pelo musgo, de cerca de 60 x 40 centímetros, em cujo centro um cilindro maciço de metal, de cerca de 5 centímetros de diâmetro, traz o número 528. Em julho deste ano ele guiou a reportagem da Agência Pública até o lugar, onde havia ainda outros achados: pedaços de aço enferrujados, vermelhos, cintas de alumínio contorcidas, mais um cilindro de metal, esse com o número 543. É a primeira vez destroços das bombas de Napalm atiradas pela Força Aérea Brasileira são recolhidos no local. “Eu nunca tinha visto nada parecido”, diz seu Pedrico, com a data da megaoperação militar ainda na cabeça: final de abril até início de maio, 1970.

A “Operação Registro” foi a maior mobilização da história do II Exército. Foram empregados 2954 homens, entre membros do Centro de Informações do Exército, regimentos de infantaria e pára-quedistas das forças especiais, policias da Policia Militar e Rodoviária de São Paulo e do Dops, além da Marinha para vasculhar a área e capturar 9 integrantes da organização VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) comandados pelo Capitão Carlos Lamarca, que instalou dois centros de treinamento de guerrilha na área. Continue lendo “Napalm no Vale do Ribeira”

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Eu negra

fotoperfilforVanessa Rodrigues, Brasil Post

Não vou começar esse texto dizendo que sou filha de mãe branca e pai negro, porque até é um pouco isso, mas não bem assim. Minha mãe é o que costumamos chamar de morena com o cabelo liso, numa aparência mais indígena (e sabemos que cabelo liso automaticamente branqueia um brasileiro). Meu pai era negro, mas com traços caucasianos (ou “finos” como dizem, ao descrevê-lo). Ele, sim, filho de pai branco e mãe negra.

E nasci eu, uma criança “embaralhada nesse ser-não-ser negra”, como perfeitamente definiu Lia Siqueira (“Nós resistimos, negra soy!”). Assim vivi minha infância: podendo ser considerada fenotipicamente branca, de pele clara (fui chamada de galega por anos), cabelos bem cacheados castanhos quase loiros (“cachinhos de ouro” foi meu apelido dado por minha avó), mas com traços de negro: nariz e lábios “grossos”, por exemplo. E, à medida que o tempo ia passando, no corpo também a minha miscigenação ia se pronunciando mais ainda. Não a toa fui uma criança hipersexualizada. O assédio de rua que sofri começou cedo: 9 anos é minha lembrança mais remota. Hoje, tenho plena clareza que isso também passava pelo racismo.

Clareza que veio lenta, de um jeito que nem foi racional, mas que foi me ajudando a identificar diversas outras situações que sofri ao longo da vida. Costumava dizer que era mal atendida em loja de roupa no shopping Rio Sul (morei no Rio por dez anos) “porque tenho cara de pobre”. E daí não passava. Nunca ia fundo nisso. Afinal, o que me fazia “ter cara de pobre”, aos olhos dxs vendedorxs? Meu sotaque abaianado de mineira do sertão (sotaque de “paraíba”, essa expressão tão violentamente preconceituosa que eu conheci quando morei lá)? Talvez. Mas, obviamente, não era só isso. Eu só não conseguia ver. Continue lendo “Eu negra”

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MPF/AM promove seminário sobre direito de consulta prévia a comunidades tradicionais

Raimundo Valentim
Raimundo Valentim

Evento será realizado no próximo dia 30 de agosto, a partir das 9h, no auditório do MPF, e não tem caráter deliberativo

MPF/AM

Como deve ser a consulta prévia a indígenas, ribeirinhos, seringueiros e comunidades tradicionais que podem ser afetados por empreendimentos? Quem deve conduzir as consultas? Que direitos os afetados têm de mudar o planejamento inicial do empreendimento? Essas e várias outras questões referentes ao direito de consulta prévia a comunidades, previsto na Convenção 169, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), serão tema de seminário promovido pelo Ministério Público Federal no Amazonas (MPF/AM), no próximo dia 30 de agosto, em Manaus.

O evento será realizado no auditório do MPF/AM (avenida André Araújo, 358 – Aleixo, em frente ao TRE/AM), a partir das 9h, sob a condução dos procuradores da República Fernando Merloto Soave e Julio José Araujo Junior. Representantes de 19 comunidades ribeirinhas da margem esquerda do rio Amazonas que poderão ser afetadas pela implantação do Complexo Naval, Mineral e Logístico do Amazonas, do governo do Amazonas e de entidades da sociedade civil organizada foram convidados a participar do evento, que não possui caráter de decisão sobre nenhum caso de atuação do MPF envolvendo consultas prévias. Continue lendo “MPF/AM promove seminário sobre direito de consulta prévia a comunidades tradicionais”

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Incra/MS publica relatório antropológico do território quilombola Família Araújo e Ribeiro

Foto: João Zinclar
Foto: João Zinclar

Incra – As 22 famílias que compõem a comunidade quilombola Família Araújo e Ribeiro comemoram mais um passo na concretização do sonho da conquista de seu espaço na área periurbana de Nioaque/MS. É que foi publicado no Diário Oficial da União de 15 e 18/08/2014 e no Diário Oficial do Estado em 18 e 19/08/2014, o Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID) do território, importante etapa no processo de titulação das terras.

“Agora nossas esperanças se renovam e nos sentimos mais animados para continuar nessa luta”, disse Mirtes Fernandes Ribeiro, presidente da associação comunitária Araújo e Ribeiro. O próximo passo é a notificação aos ocupantes dos imóveis intrusos à área de 79,73 hectares reivindicada pelas famílias quilombolas.

História

Duas famílias deram origem a esta comunidade. A primeira delas, os Araújo, são descendentes do patriarca Teotônio Teles de Araújo e Elídia Benedita Paiva, correspondendo principalmente às mulheres do atual grupo. Já a segunda família, os Ribeiro, são os irmãos de Lázaro Nunes Ribeiro, advindos do quilombo da Colônia São Miguel, município de Maracaju. Tudo começou com o casamento do ex-escravo Teotônio Teles de Araújo e Elídia Benedita Paiva. Posteriormente, se incorporaram ao grupo os Ribeiro que vieram da Comunidade Colônia São Miguel. Continue lendo “Incra/MS publica relatório antropológico do território quilombola Família Araújo e Ribeiro”

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