Por Thais Fascina, na Gazeta de Limeira
Ao menos mil pessoas protestaram na noite deste sábado (6) em Adamantina, a 600 km da capital paulista, contra a transferência do padre Wilson Luís Ramos, que afirma ter sido vítima de episódios racistas. O ato foi feito em frente à igreja matriz de Santo Antônio de Pádua, depois de missa ministrada pelo padre. Os manifestantes, vestidos de preto, carregavam velas e cartazes com frases como “não ao preconceito, não ao racismo”.
Primeiro negro à frente da igreja matriz do município, o padre conta que, desde que assumiu a função, há quase dois anos, precisa lidar com o preconceito de uma parte dos fiéis de Adamantina.
Após consultas populares, o bispo da Diocese de Marília, dom Luiz Antonio Cipolini, decidiu transferir o padre, em razão da “divisão” da comunidade, para o Santuário Nossa Senhora de Fátima, na cidade de Dracena (SP).
Na missa deste sábado (6), o padre disse que cumpriu seu papel em Adamantina. “A comunidade é nossa. Tratem bem o padre que chegar e receber as pessoas de braços abertos, mesmo se tiverem feito algo de mal”, afirmou. No lugar do padre, que deixará Adamantina no dia 14 de dezembro, assumirá o padre Rui Rodrigues da Silva.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, Ramos disse que não concorda com a posição do bispo, mas respeita. “Não é o que eu desejo, gostaria de mais diálogo e uma conciliação”.
Em padarias, praças e conversas de portão, o principal assunto na cidade de 35 mil habitantes continua sendo a transferência do padre. “Eu gosto dele, ate assinei o abaixo assinado. Eu sou evangélica, mas não admito racismo. Todo mundo da minha igreja assinou”, afirma Nadir Justino, moradora de Adamantina que participava do ato.
Desde terça-feira (2), mais de 8 mil pessoas assinaram um abaixo-assinado para tentar revogar a decisão do bispo. O objetivo é reunir 20 mil assinaturas. A reportagem entrou em contato com a Cúria da Diocese de Marília durante toda a semana, mas o bispo dom Luiz Antonio Cipolini não atendeu nenhuma ligação.
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