”O Estado criou estes caras”. Entrevista com Hélio Luz, ex-chefe da Polícia Civil do Rio

Hélio Luz, radicado em Porto Alegre, sua cidade natal e onde residem familiares, o ex-chefe de polícia do Rio de Janeiro (de 1995 a 1997, durante o governo de Marcello Alencar) Hélio Luz acompanha com interesse a situação do Rio. Delegado aposentado, Luz dirigia a Polícia Civil do Rio quando agentes prenderam o traficante Marcio Nepomucemo, o Marcinho VP, apontado como um dos líderes do tráfico no Complexo do Alemão – para onde fugiram bandidos armados expulsos da Vila Cruzeiro, na última quinta-feira.

A reportagem e a entrevista é de Carlos Etchichury e publicada pelo jornal Zero Hora, 28-11-2010.

A imagem de jovens esfarrapados, armados com fuzis, escopetas, metralhadoras e pistolas, não surpreende Hélio Luz.

– O Estado nunca teve uma política de segurança de médio ou longo prazo. O Estado sempre atuou com uma política de segurança imediata – diz.
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O papel sujo da Suzano no Baixo Parnaíba Maranhense

Igor Almeida

Forte e Gentil. Segundo um diretor, em reunião realizada na comunidade da Coceira, da empresa Suzano Papel e Celulose, esse é o slogan da multinacional. Forte, por ser uma empresa de grande alcance, e segundo ele, responsável pela entrada de divisas em nosso país. Gentil, em vista da responsabilidade social da empresa.

Ao contrário do slogan propagado, a prática da empresa no Baixo Parnaíba Maranhense, principalmente nos municípios de Santa Quitéria e Anapurus, é bem diferente.

Em Santa Quitéria, segundo informações preliminares, cerca 18 comunidades estão em conflito com a empresa. Em uma ação judicial de reintegração de posse, a Suzano, numa petição inicial de 13 laudas, chamou, por 13 vezes, as famílias de “invasoras”. No petitório, requisita força policial para o cumprimento da medida liminar. Pouco sabe a empresa (ou, se sabe, não quer aceitar) que essas famílias ocupam aquelas terras há mais de 100 anos. Em legítimo direito de resistência, as famílias impediram que a empresa adentrasse seus territórios. A Suzano, então, requisita mais força policial. Se isso é ser gentil… Continue lendo “O papel sujo da Suzano no Baixo Parnaíba Maranhense”

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A Guerra contra o Tráfico numa Sociedade Falida

Renato Prata Biar*

Ao acompanhar esse “BBB” da caçada aos traficantes dos morros e favelas, que são a parte do varejo no grande mundo da venda de drogas, e esperarmos de forma esperançosa começar a caçada aos traficantes do asfalto e dos condomínios de luxo, que são a parte do atacado (será que veremos isso um dia?), fica uma inevitável pergunta: será que alguém, que não tenha o seu nível de cinismo extremamente elevado, ainda acredita que estamos vivendo numa era que se intitula de pós-moderna? O espetáculo transmitido ao vivo por praticamente todos os grandes canais de televisão que reprisam ad infinitum as cenas mais violentas – ou seria mais apropriado dizer emocionantes? –, parece não deixar dúvidas de que sequer saímos da Pré-história.

É claro que nos dias de hoje nós temos algumas vantagens sobre os nossos queridos ancestrais das cavernas. Por exemplo, as cenas de selvageria que ocorriam na Pré-história terminavam ali mesmo, pois não havia esses recursos tecnológicos para que pudéssemos rever a mesma cena milhares de vezes. Você poderia assistir outras cenas, mas jamais teria o “prazer” e o sadismo de ficar por horas e horas assistindo a mesma coisa. Outra vantagem que toda essa tecnologia nos proporciona é que nos intervalos que a mídia nos empurra entre uma caçada e outra, nós podemos escolher o melhor perfume para o nosso vaso sanitário, o iogurte mais vitaminado e saboroso para o nosso filho, a melhor margarina para o seu delicioso café da manhã com a sua família e, obviamente, aqueles produtos que têm mais a ver com a programação oferecida, como o melhor alarme para o seu carro, o melhor serviço de rastreamento que desliga o seu carro em caso de roubo e também o melhor seguro de vida para você e sua família, pois, vai que… Né? É melhor ter. Continue lendo “A Guerra contra o Tráfico numa Sociedade Falida”

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Rede Tucum inicia projetos aprovados no Edital dos Amigos da Prainha do Canto Verde

Comunidades contempladas com o edital de dezembro de 2009 da organização Amigos da Prainha do Canto Verde iniciam as atividades de seus projetos. No total, foram aprovados nove projetos, todos voltados para estratégias de fortalecimento da Rede Tucum. O Instituto Terramar acompanhou o processo de seleção e está monitorando a execução de cada iniciativa.

A organização suíça Amigos da Prainha do Canto Verde (APCV) lançou em dezembro de 2009 um edital de apoio a projetos para o fortalecimento e promoção do turismo comunitário. A intenção foi contribuir para reforçar iniciativas das associações comunitárias e grupos organizados vinculados a Rede TUCUM. Os recursos dos projetos aprovados estão sendo repassados até outubro de 2011.

O edital contempla projetos de comunidades da Rede Cearense de Turismo Comunitário do Ceará (Tucum) na perspectiva de incentivar o turismo comunitário e envolver as populações tradicionais no planejamento do desenvolvimento da atividade na sua região. Por meio de doações dos Amigos da Prainha do Canto Verde na Suiça, especificamente para esse edital, os recursos somaram a quantia de 108 mil reais.
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Ecuador: Ecuarunari rechaza REDD por ser una falsa solución al cambio climático

Servindi – La Confederación de los Pueblos Kichuas del Ecuador (Ecuarunari) expresó su rechazo a los proyectos sobre Reducción de Emisiones por Deforestación y Degradación Forestal (REDD) , por ser una falsa solución al cambio climático.

Mediante un comunicado suscrito por Delfín Tenesaca, a nombre del Consejo de Gobierno, la Ecuarunari sostiene que REDD “significaría un nuevo colonialismo del Norte con el Sur” pues encadena a los pueblos a nuevos mecanismos financieros de endeudamiento, ocasionando acaparamiento de tierras y pérdida de derechos.

de los pueblos y comunidades del Sur, mientras que el consumo de combustibles fósiles por parte del capitalismo seguirá aumentando, siendo responsable por los desastres climáticos.

“REDD es afianzar el falaz mercado de carbono como solución al cambio climático, y es una forma de transferir las responsabilidades de los países que han contaminado la atmósfera, hacia los pueblos que históricamente hemos cuidado estos ecosistemas” señala Ecuarunari.
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Dilma e os Direitos Humanos

Leandro Fortes

Quem deverá suceder Paulo Vanucchi no único País da América Latina que jamais julgou criminosos que sumiram com opositores políticos durante o regime ditatorial?

Ofuscada pela batalha política da divisão de cargos do primeiro escalão, a sucessão de Paulo Vanucchi, secretário especial de Direitos Humanos da Presidência da República, irá definir como a presidente eleita Dilma Rousseff se comportará diante de uma crise anunciada. Na primeira semana de dezembro, a Corte Interamericana de Direitos Humanos deverá condenar o Brasil por conta da detenção arbitrária, tortura e desaparecimento forçado de 70 pessoas, entre membros do PCdoB e camponeses da região do Araguaia, por agentes do Exército brasileiro, entre 1972 e 1975, com o objetivo de erradicar os focos de guerrilha lá montados durante a ditadura militar. O Brasil é o único país da América Latina que, baseado numa Lei de Anistia prestes a se tornar um estorvo jurídico internacional, jamais julgou os criminosos que mataram, torturaram e deram sumiço a opositores políticos durante o regime dos generais (1964-1985). Continue lendo “Dilma e os Direitos Humanos”

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A crise no Rio e o pastiche midiático

“O tráfico, no modelo que se firmou no Rio, é uma realidade em franco declínio e tende a se eclipsar, derrotado por sua irracionalidade econômica e sua incompatibilidade com as dinâmicas políticas e sociais predominantes, em nosso horizonte histórico. Incapaz, inclusive, de competir com as milícias, cuja competência está na disposição de não se prender, exclusivamente, a um único nicho de mercado, comercializando apenas drogas –mas as incluindo em sua carteira de negócios, quando conveniente”, afirma Luiz Eduardo Soares, Mestre em Antropologia, doutor em ciência política com pós-doutorado em filosofia política, professor da UERJ e coordenador do curso à distância de gestão e políticas em segurança pública, na Universidade Estácio de Sá, em artigo publicado no seu blog, 25-11-2010.

Segundo ele, “discutindo a crise, a mídia reproduz o mito da polaridade polícia versus tráfico, perdendo o foco, ignorando o decisivo: como, quem, em que termos e por que meios se fará a reforma radical das polícias, no Rio, para que estas deixem de ser incubadoras de milícias, máfias, tráfico de armas e drogas, crime violento, brutalidade, corrupção? Como se refundarão as instituições policiais para que os bons profissionais sejam, afinal, valorizados e qualificados? Como serão transformadas as polícias, para que deixem de ser reativas, ingovernáveis, ineficientes na prevenção e na investigação?”. Eis o artigo. Continue lendo “A crise no Rio e o pastiche midiático”

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Mais de 50% de PI e MA não têm acesso a comida

A pesquisa sobre segurança alimentar divulgada ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostrou que o Maranhão e o Piauí tinham menos da metade de seus domicílios com acesso garantido a alimentos de qualidade em quantidade suficiente. A reportagem é de Denise Menchen e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 27-11-2010.

Os demais Estados do Nordeste também apresentaram percentual abaixo da média nacional, de 69,8%. No entanto, a região foi a que apresentou maior avanço entre 2004 e 2008. Da mesma forma, domicílios com crianças e adolescentes, chefiados por mulheres ou localizados em áreas rurais, mais expostos à insegurança alimentar, também conseguiram diminuir com mais força a incidência do problema. Continue lendo “Mais de 50% de PI e MA não têm acesso a comida”

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Fome ainda atinge 11,2 milhões no País

Pelo menos 11,2 milhões de brasileiros passavam fome ou estavam sob risco iminente de não poder comer por falta de dinheiro, aponta o IBGE no estudo Segurança Alimentar, com dados de 2009. Na primeira edição da pesquisa, em 2004, o número era de 14,9 milhões. São 3,7 milhões de pessoas a menos em “situação de insegurança alimentar grave”, uma queda de 24,8% em cinco anos. No período, a população do País aumentou 5,5%. A reportagem é de Felipe Werneck e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 27-11-2010.

O estudo divulgado ontem foi feito em convênio com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Para o IBGE, o impacto do Bolsa-Família foi o principal fator para a redução do número de brasileiros que passam fome. O aumento do salário mínimo seria o segundo motivo.

“A queda foi muito importante, mas ainda há 11,2 milhões de pessoas que precisam ser vistas e cuidadas”, diz a gerente da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE, Maria Lucia Vieira. “O objetivo é eliminar essa preocupação”. Continue lendo “Fome ainda atinge 11,2 milhões no País”

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Uma guerra pela regeografização do Rio de Janeiro. Entrevista especial com José Cláudio Alves

“O que está por trás desses conflitos urbanos é uma reconfiguração da geopolítica do crime na cidade”. Assim descreve o sociólogo José Cláudio Souza Alves a motivação principal dos conflitos que estão se dando entre traficantes e a polícia do Rio de Janeiro. Na entrevista a seguir, concedida à IHU On-Line por telefone, o professor analisa a composição geográfica do conflito e reflete as estratégias de reorganização das facções e milícias durante esses embates. “A mídia nos faz crer – sobretudo a Rede Globo está empenhada nisso – que há uma luta entre o bem e o mal. O bem é a segurança pública e a polícia do Rio de Janeiro e o mal são os traficantes que estão sendo combatidos. Na verdade, isso é uma falácia. Não existe essa realidade. O que existe é essa reorganização da estrutura do crime”, explica.

José Cláudio Souza Alves é graduado em Estudos Sociais pela Fundação Educacional de Brusque. É mestre em sociologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e doutor, na mesma área, pela Universidade de São Paulo. Atualmente, é professor na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e membro do Iser Assessoria. Confira a entrevista. Continue lendo “Uma guerra pela regeografização do Rio de Janeiro. Entrevista especial com José Cláudio Alves”

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