Crianças indígenas no Acre têm alto índice de desnutrição

Coleta de dados no município de Jordão/AC
Coleta de dados no município de Jordão
A desnutrição infantil no município de Jordão, no Acre, atinge níveis próximos aos estimados para a África Subsaariana. Uma pesquisa da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP buscou os fatores associados, na cidade, à desnutrição e constatou que a ascendência indígena de boa parte da população, a estatura baixa das mães, não estar com as vacinas em dia e o histórico de introdução de leite de vaca antes de 30 dias de vida são os principais fatores que se relacionam ao desenvolvimento da doença.

A pesquisa analisou 478 crianças de até 5 anos de idade da zona urbana e da zona rural. Após fazer as medições de peso e altura, foi constatado que 35,8% delas apresentaram déficit de crescimento, principal indicador da desnutrição. O valor encontrado é alarmante, principalmente quando comparado com a média do Brasil, de 7%. “Até em comparação com a média da região norte, de 14,8%, o valor é muito alto. É como se tivéssemos uma realidade africana em plena Floresta Amazônica, mostrando que a riqueza natural lá encontrada não consegue superar as condições sociais que influenciam na determinação desse problema”, pondera o enfermeiro Thiago Santos de Araújo, autor do estudo.
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Diálogos culturais movimentam Palmares

Maria Auxiliadora Lopes incentivou alunos a tornarem-se formadores de opinião

Por Denise Porfírio

Pesquisadores, escritores, educadores, religiosos, representantes de quilombos e de instituições de promoção da cultura negra de diversas partes do País participaram, no último dia 17, do ciclo de palestras Diálogos culturais – mais uma iniciativa da Palmares para celebrar o Mês da Consciência Negra, o evento foi realizado no auditório da Fundação.

Os Diálogos culturais têm como objetivo capacitar profissionais da área de educação para o fomento de conteúdos sobre a contribuição do negro na formação do País. Cerca de 100 estudantes de escolas públicas do Distrito Federal puderam conhecer e tirar dúvidas, durante todo o dia, sobre o patrimônio cultural, social e artístico do negro no Brasil.

O diretor do Departamento de Fomento e Promoção da Cultura Afro-Brasileira da Palmares, Elisio Lopes Jr., explicou a trajetória de Zumbi dos Palmares e sua importância para o contexto histórico nacional. Diante de dados estatísticos do IBGE, que afirmam que 50% da população brasileira se declara negra, Lopes convidou os participantes a uma reflexão sobre o assunto.

– É preciso haver respeito à diversidade e ao diálogo entre as raças, pontuou.
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Projeto de Lei Orçamentária reduz recursos para combater violência contra mulher

Adital – A execução orçamentária das ações na área de saúde que integram o II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres é preocupante. Um dos exemplos é justamente a ação para implantação e implementação de políticas de atenção integral à saúde da mulher. Dos R$ 35,5 milhões autorizados nos orçamentos de 2008, 2009 e 2010, apenas 55% foram efetivamente gastos e liquidados.

Enquanto os recursos caem, a violência contra as mulheres segui aumentando. A Central de Atendimento à Mulher registrou, de janeiro a maio de 2010, um aumento de 95,5% no número de atendimentos em comparação ao mesmo período do ano anterior. Estudos realizados pelo DATASUS mostram que, de 1997 a 2007, 41.532 mulheres foram vítimas de homicídios. São mais de dez mortes por dia.

A própria Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, que coordena o programa, reconhece que o montante é insuficiente. Em nota encaminhada a parlamentares, o órgão afirma que seria necessário um aporte de R$ 145,1 milhões para se chegar a um patamar adequado nesse programa.

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?boletim=1&lang=PT&cod=52704

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Comunidades e organizações pedem criação das zonas livres de mineração

Natasha Pitts

Adital – Há mais de três anos, campesinos e campesinas do Norte do Peru lutam para que suas terras sejam consideradas ‘zonas livres de mineração’. O principal alvo de combate é o projeto mineiro Rio Branco, que comprovadamente poderá gerar impactos ecológicos, culturais e sócio-econômicos negativos para as províncias de Ayabaca e Huancabamba, localizadas na região Piura, e San Ignacio e Jaen, em Cajamarca.

Para impulsionar esta luta e conseguir a atenção do poder público provincial, regional e nacional, além do apoio da comunidade internacional, organizações sociais peruanas e as comunidades das quatro províncias estão divulgando uma campanha em favor da criação das zonas livres de mineração. A petição da campanha pode ser assinada no link http://mininginparadise.org/es.

Atualmente, de acordo com declaração da Frente pelo Desenvolvimento Sustentável da Fronteira Norte do Peru (FDSFNP), cerca de 25% do total dos territórios de Jaén, San Ignacio, Ayabaca e Huancabamba já foram concecionados para as atividades mineiras. Grande parte desta área ocupada é destinada ao projeto Rio Branco.
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Estado contra o Estado: a guerra do Rio de Janeiro

Igor Vitorino da Silva (*)

O que estamos assistindo no Rio de Janeiro é o Estado contra ele mesmo. Se a luta é do bem contra o mal como argumenta a mídia, então é possível afirma que o mal nasceu do bem. Quem hoje que aparece impondo as armas da vitória e é aplaudido por parte da população, que durante anos viveu aterrorizada e submetida a arbitrariedade da segmentos da polícia e de traficantes, é o mesmo que durante anos deixou essa a população a sua própria sorte, o Estado.

A mídia apresenta todo cenário da guerra do bem contra o mal, como se o mal, suposto por ela, se fizesse sozinho, como se os traficantes nascessem geneticamente preparados para serem o que são. Não há perguntas, somente certezas, principalmente de que o Estado está retomando o poder, que ele mesmo havia abandonado no passado. Ninguém se questiona como traficantes historicamente apropriaram das favelas? Como esses jovens optaram pelo crime? Qual seria a responsabilidade do Estado no patrocínio da realidade atual? Por que o poder policial recuou no passado desses territórios? Como toneladas de armas e drogas hoje exibidas para os holofotes da mídia chegaram no alto dos morros? Como o dinheiro do tráfico é lavado no mercado financeiro? Diante do espetáculo dos tanques ocupando “o território largado pelo Estado” essas são questões parecem infantis ou coisa de quem defende “bandidos”, pois sua simplesmente sua enunciação ofuscaria os gritos de vitória e de paz proclamados pela mídia. Continue lendo “Estado contra o Estado: a guerra do Rio de Janeiro”

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Abong discute alternativas ao modelo de desenvolvimento atual em Salvador

Adital – A Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong) realizará no dia 6 de dezembro o seminário: “Por Uma Nova Concepção de Desenvolvimento”. O evento acontecerá das 9h às 16h30, no Centro Cultural da Câmara Municipal de Salvador, Bahia. O objetivo do evento é discutir com representantes da sociedade civil organizada e com os interessados no assunto alternativas para o atual modelo de desenvolvimento.

A Associação acredita que o modo de produção e consumo capitalista, explorador e gerador de desigualdades desafiam a sociedade civil organizada a se posicionar sobre as possibilidades de desenvolvimento, sobretudo, no contexto econômico que o Brasil vive hoje, com grandes obras de infra-estrutura ameaçando a sustentabilidade ambiental, o desenvolvimento regional e os direitos humanos das populações mais vulneráveis.

As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas através do e-mail: [email protected]. Mais Informações pelo telefone (11) 3237-2122 ou no site www.abong.org.br.

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?boletim=1&lang=PT&cod=52703

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Ordem e progresso no Complexo do Alemão

Argemiro Pertence

Passada a euforia do triunfo policial no Complexo do Alemão, fazemos nossas análises e torna-se difícil não ficar decepcionado.

A imprensa alardeava a presença de centenas de traficantes – talvez 500 ou 600 no complexo de favelas – e, ao fim do domingo, a mesma imprensa noticiava um número cerca de 40 vezes menor – algo como 15, 20 ou 30 – detidos pela polícia.

Comandante da operação, o secretário de segurança do estado do Rio de Janeiro, durante a entrevista coletiva na noite de domingo negou-se peremptoriamente a apresentar qualquer balanço da operação porque, segundo ele, a operação ainda estava em andamento. No entanto, havia números. Números parciais, mas números. Nem estes foram oficialmente divulgados. Por certo, ele tinha lá suas razões para não mostrá-los. Continue lendo “Ordem e progresso no Complexo do Alemão”

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Encontro de igualdade racial reunirá 80 municípios maranhenses

Meta do encontro é discutir a elaboração execução dos planos municipais de igualdade racial.

Representantes de 80 municípios maranhenses, entre prefeitos e secretários municipais, participam, nesta quarta (1º) e quinta-feira (2), do encontro estadual “Gestão pública e política de promoção da igualdade racial”, a ser realizado no Hotel Premir (Ponta d’Areia), em São Luís. A promoção é da Secretária de Estado da Igualdade Racial (Seir), com o apoio da Casa Civil e movimentos sociais.

A meta do encontro é discutir, com os gestores e técnicos das prefeituras e organizações da sociedade civil, a elaboração execução dos planos municipais de igualdade racial. Os organizadores querem que o encontro motive as prefeituras a fortalecerem as ações nesse setor. Continue lendo “Encontro de igualdade racial reunirá 80 municípios maranhenses”

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Carta das mulheres indígenas em repúdio ao programa exibido pela TV Record no Domingo Espetacular dia 7 de novembro de 2010

Nós, mulheres indígenas reunidas no Encontro Nacional de Mulheres Indígenas para a proteção e Promoção dos seus Direitos na cidade de Cuiabá entre os dias 17 e 19 de novembro de 2010, vimos manifestar nosso repúdio e indignação contra reportagem produzida pela ONG religiosa ATINI exibida no dia 07 de novembro de 2010 em rede nacional e internacional. No Programa do Domingo Espetacular, da emissora RECORD,  foram mostradas cenas de simulação de enterro de crianças indígenas em aldeias dos estado de Mato Grosso (Xingu), Mato Grosso do Sul (Kaiowá Guarani) e no sul do Amazonas (Zuruaha), pelos fatos e motivos a seguir aduzidos:

1.       A malfadada reportagem coloca os povos indígenas como coletividades que agridem, ameaçam e matam suas crianças sem o mínimo de piedade e sem o senso de humanidade.

2.       Na aludida reportagem aparecem indígenas atores adultos e crianças na maior “selvageria” enterrando crianças.

3.       A reportagem quer demonstrar que essas ações nocivas aos direitos à vida das crianças indígenas são praticas rotineiras nas comunidades, ou de outra forma, são praticas culturalmente admitidas pelos povos indígenas brasileiros.

4.       Que os produtores do “filme” desconhecem e por tanto não respeitam a realidade e costumes dos indígenas brasileiros.  São “produtores Hollywoodianos”. Continue lendo “Carta das mulheres indígenas em repúdio ao programa exibido pela TV Record no Domingo Espetacular dia 7 de novembro de 2010”

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Olhar de dentro do Alemão

Relato de morador de Complexo do Alemão enviado pela lista de discussão do Fórum de Juventudes do Rio de Janeiro

Mais de oitenta e quatro horas, ilhado no complexo do Alemão. Digo ilhado porque o dilema é o mesmo: opção por direitos e não a garantia de todos. Se optar pelo direito de ir e vir, não terei garantido o direito à vida e talvez nem mesmo à dignidade. Isso porque ao tentar sair há um grande risco de ser atingido por uma ‘bala perdida’, ou como já se popularizou: ‘bala achada’.

Não é ironia o que tento fazer, mas é chamar a atenção para o fato de que perdida remete a uma idéia de ninguém. É como se a bala não tivesse uma origem e como se a vítima não representasse tanto. Acredito que a expressão achada não representa muito, mas acredito que realmente deve ser ‘achada’. Achar os culpados e puni-los.

Quanto à dignidade, irá depender de quem é você? Como você chega às tropas e como você reagem aos procedimentos. O que se sabe é que elementos suspeitos serão autuados. Será que eu tenho esse perfil? E que todos ao saírem ou entrarem serão revistados. Entendo a necessidade? Não sei! Só sei que é desagradável. Continue lendo “Olhar de dentro do Alemão”

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