Rota do Sal refaz uma trajetória histórica desbravada pelo povo Kalunga no Rio Tocantins

Mais que um filme. Muito mais que uma expedição por 4 estados brasileiros. O projeto Rota do Sal Kalunga é uma viagem pela mais longa rota histórica, econômica e cultural do país.

O projeto Rota do Sal Kalunga pretende refazer a saga fluvial dos negros do Quilombo Kalunga. Durante séculos, eles precisavam navegar de seu território na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, até Belém do Pará para trocar produtos produzidos no Quilombo por sal, item essencial para a sobrevivência.

A partir do levantamento histórico de toda a extensão da Rota do Sal Kalunga, os realizadores André Portugal e Cardes Amâncio, realizarão uma expedição cinematográfica descendo o rio em caiaques.  Tal como os navegantes negros, eles vão percorrer 2.400 quilômetros e atravessar 4 estados brasileiros (Goiás, Tocantins, Maranhão, Pará). Porém, fazem uma ressalva: “percorreremos apenas uma parte do caminho, uma vez que os kalungas tinham de retornar rio acima e com suas embarcações em carga máxima”.

O registro audiovisual da aventura e todas as histórias colhidas ao longo da jornada pelo Rio Tocantins darão origem ao documentário de longa -metragem. O projeto é realizado através da lei Rouanet de Incentivo à Cultura e conta com patrocínio da Eletrobrás.

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Cidades não estão prontas para as mudanças climáticas

“Nas próximas décadas, as mudanças climáticas irão fazer com que centenas de milhões de pessoas, na sua maioria as mais pobres e marginalizadas, fiquem cada vez mais vulneráveis a enchentes, deslizamentos de terra e outros desastres naturais. Esta é a previsão que fazemos baseados na melhor ciência que temos disponível”, alerta Ban Ki-moon, secretário-geral das Nações Unidas, no prefácio do relatório Cidades e Mudanças Climáticas, produzido pelo UN-Habitat.

Fabiano Ávila – Instituto Carbono Brasil

Se os cálculos das emissões de gases do efeito estufa das cidades englobarem processos como o consumo e geração de energia, os transportes e a produção industrial, as áreas urbanas aparecerão como as grandes vilãs mundiais, ficando responsáveis por 70% das emissões sendo que ocupam apenas 2% do território do planeta.

É justamente como protagonistas das mudanças climáticas que o relatórioCities and Climate Change: Global Report on Human Settlements 2011 (Cidades e Mudanças Climáticas: Relatório Global sobre as Ocupações Humanas 2011) apresenta as cidades. Produzido pelo UN-Habitat, programa da ONU direcionado para promover o desenvolvimento social e ambiental das cidades, o documento afirma que o modelo atual de urbanização está seguindo um rumo de alto risco devido às transformações no clima. Continue lendo “Cidades não estão prontas para as mudanças climáticas”

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O Minério Radioativo do Amazonas e as Usinas Atômicas Japonesas

Egydio Schwade

Presidente Figueiredo, Amazonas, 1992: estávamos construindo a Casa da Cultura do Urubuí. Doroti, eu e as crianças ajudávamos na cobertura de cavaco.  Há nossa frente, pela BR-174, roncavam caminhões carregados de minério procedentes da mina do Pitinga. Oficialmente as carretas levavam apenas cassiterita ou estanho. Em verdade, carregavam diversos minérios estratégicos, todos bem mais caros do que o estanho: ítrio, tântalo, colúmbio, urânio, criolita, ouro. A BR-174 tornou-se mais uma “veia aberta da America Latina”. O diretor do setor mineral do Mercado Comum Europeu garantia em reunião em Duisburg / Alemanha / 1991 que todo o minério do Pitinga estava sendo vendido no mercado negro, confirmando conclusão a que o geógrafo e pesquisador da UFAM, José Aldemir de Oliveira chegou em sua tese de doutorado intitulada: “Cidades na Selva”.

A área da mina do Pitinga, 526.000 hectares, foi invadida pela Paranapanema em 1979 e roubada pelo Governo Figueiredo do povo indígena Waimiri-Atroari em 1981. Da maracutaia nasceu o nome de batismo de nosso município: Presidente Figueiredo. Continue lendo “O Minério Radioativo do Amazonas e as Usinas Atômicas Japonesas”

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As mulheres negras e a impunidade de um canalha

Por Wevergton Brito Lima*

Certa vez, em conversa com uma amiga, ela me relatava em cores vivas exemplos de preconceitos que atingem a mulher negra. 

De classe média alta, executiva, casada com um professor universitário branco, quando se dirige ao setor reservado aos clientes exclusivos de um banco privado é comum aparecer um funcionário com a advertência de que aquele espaço é para clientes especiais. Em uma dessas ocasiões, ao mostrar o cartão que provava sua condição de cliente especial, ouviu que “não pode ser cartão de terceiros”.

Por ocasião de sua lua de mel na Bahia, ao voltar da praia para o quarto em que estava hospedada (o marido não quis descer naquela manhã) foi parada por um segurança que a acusou de ser “garota de programa”. Ao contrário de outras mulheres negras que sofrem esse tipo de agressão e reagem à altura, minha amiga tem uma reação de pânico. Começa a tremer e sente uma imensa fragilidade.

Esses dois exemplos são até suaves para as pequenas e grandes humilhações cotidianas que sofrem as mulheres negras, atingindo sua auto-estima, e muitas vezes provocando depressão, angústia, síndrome do pânico, etc. Continue lendo “As mulheres negras e a impunidade de um canalha”

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Polícia gaúcha afasta policiais suspeitos de racismo

Estudante diz que foi chamado de “negro sujo” e ameaçado por policiais

Daniel Cassol, iG Rio Grande do Sul

A Polícia Militar do Rio Grande do Sul afastou do serviço de rua três soldados e um sargento acusados de agredirem um universitário baiano na cidade gaúcha de Jaguarão, na fronteira com o Uruguai. Eles foram indiciados por abuso de autoridade, injúria e lesões corporais. O estudante aguarda a transferência para a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).

Negro, homossexual e nordestino, o estudante de História na Universidade Federal do Pampa (Unipampa) Helder Santos Souza, 25 anos, diz ter sido vítima de agressões e ofensas racistas por parte de policiais militares quando saía de uma festa no dia 6 de fevereiro. A repercussão do caso na imprensa local o fez deixar a cidade na semana passada. Helder entrou na universidade pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e tenta transferência para um campus da UFRB próximo a Feira de Santana, sua cidade natal.

O sargento e os três soldados envolvidos na ação foram indiciados por lesões corporais, abuso de autoridade e injúria. A sindicância da corregedoria da Brigada Militar, a PM gaúcha, foi encaminhada nesta terça ao Ministério Público Militar. Os policiais foram afastados temporariamente do serviço de rua. Continue lendo “Polícia gaúcha afasta policiais suspeitos de racismo”

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DF – Seminário sobre racismo emociona participantes

Foto: Joceline Gomes / FCP
Estudante cotista faz pergunta para Sueli durante debate. Foto: Joceline Gomes / FCP.

Por Joceline Gomes

Teve início hoje pela manhã o seminário Racismo, Igualdade e Políticas Públicas, realizado em parceria entre a Universidade de Brasília (UnB) e o Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC). O anfiteatro 12 estava lotado e as discussões reverberavam entre os muitos estudantes cotistas, especialistas e militantes que se encontravam na plateia.

A conferência inaugural discutiu “Desafios para o combate ao racismo e construção de políticas promotoras da igualdade”. A palestrante, Sueli Carneiro, do Instituto da Mulher Negra Geledés, usou a polêmica em torno da obra “As caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato, como base para elencar os inúmeros desafios no combate ao racismo.

Carneiro listou casos recentes e públicos de racismo, como o fato de um deputado ter chamado o ministro do Superior Tribunal Federal de “moreno escuro” e as lamentáveis declarações de Bolsonaro. Entretanto, mesmo com tantas ocorrências negativas, a representante do Geledés afirmou que é possível reconhecer uma mentalidade mais reacionária a esses acontecimentos. Continue lendo “DF – Seminário sobre racismo emociona participantes”

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Serra do Gandarela: segunda maior área de mata atlântica e maior área de campos rupestres sobre cangas de Minas Gerais enfrenta o cinismo, a ideologia perdulária e os negócios de Minas

por Gustavo T. Gazzinelli  – Movimento pelas Serras e Águas de Minas

 

“As razões de Minas nos cobram mais inconformismo, mais inquietação e ousadia…”

Antonio Augusto Anastasia, 01/01/2011

É de se indignar o cinismo e a hipocrisia institucionalizados no Brasil, na sociedade brasileira e em Minas Gerais, em particular. As últimas hecatombes naturais, no Japão, na Serra do Mar ou no processo contínuo de desmatamento da Amazônia, do Cerrado, da Caatinga e da Mata Atlântica, parecem ser processos normais e desejáveis, como se nada tivéssemos a ver com isso.

No caso das nossas montanhas e águas, o que se vê é uma política deliberada de deixar fazer ou, no sentido literal da expressão, deixar desfazer o que a natureza levou milhões e bilhões de anos para construir. O argumento é primário: “minas está no nome”, “usamos carros, computadores, relógios e geladeiras – você queria o quê?”

Poucos se dão conta de que apenas um pequeno percentual do minério de ferro extraído de Minas Gerais é reprocessado pela indústria mineira e brasileira. Temos visto figuras de proa, como o ex-ministro Paulo Haddad, falar que a atividade mineral traz “desenvolvimento”. Sua empresa, Phorum, contratada pela Vale, está tentando convencer municípios da APA-Sul de Belo Horizonte a proceder à reformulação de seus Planos Diretores, que objetivam um desenvolvimento efetivamente sustentável e baseado no ecoturismo e na proteção de mananciais. O alvo é facilitar a entrada da mineração, pretendida por sua cliente, na segunda área em tamanho de Mata Atlântica e na maior área de campos rupestres ferruginosos ou campos rupestres sobre cangas de Minas Gerais – a Serra do Gandarela. Continue lendo “Serra do Gandarela: segunda maior área de mata atlântica e maior área de campos rupestres sobre cangas de Minas Gerais enfrenta o cinismo, a ideologia perdulária e os negócios de Minas”

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Petição à Comissão de Ética da Câmara pela Quebra de Decoro parlamentar pelo Deputado Jair Bolsonaro

Para assinar clique aqui. TP.

Para: Comissão de Ética da Câmara dos Deputados

Petição Pública para abertura de Processo de Cassação do Mandato do Deputado Federal Jair Bolsonaro por Quebra do Decoro Parlamentar e Violação de Preceitos Constitucionais

A Constituição da República Federativa do Brasil garante a livre manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato. Esta garantia, no entanto, não abriga o cometimento de crimes nem, tampouco, a violação de suas cláusulas pétreas. A Carta Magna, ainda, condena e proíbe a discriminação por credo, religião, raça, sexo e todos e quaisquer preconceitos daí advindos. Ainda a Carta Maior define a “tortura” e o “racismo” como crime hediondo, inafiançável e imprescritível.

Todo deputado federal, ao tomar posse faz o juramento de honrar e defender a Constituição da República Federativa do Brasil e esta Constituição define a República como indissolúvel. Continue lendo “Petição à Comissão de Ética da Câmara pela Quebra de Decoro parlamentar pelo Deputado Jair Bolsonaro”

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”As redes sociais ajudam a democracia”. Entrevista com Manuel Castells

Nos últimos anos e também no seu livro mais recente, Comunicação e Poder, Manuel Castells teorizou sobre a instauração de um progressivo equilíbrio entre os velhos poderes midiáticos (comunicação de massa, entretenimento, sociedade de telecomunicações, produções televisivas etc.) e as novas oportunidades oferecidas pela telefonia móvel, pelas redes sociais e por todos aqueles dispositivos quase sempre mais difundidos em nível global. Parece ter se tratado de um balanço sem um resultado predeterminado. O que está atualmente ocorrendo no mundo árabe parece, de repente, convalidar o fim desse equilíbrio.

Antecipamos parte da entrevista com Manuel Castells, que será publicada no próximo número da revista Reset. A reportagem é de Giancarlo Bosetti, publicada no jornal La Repubblica, 29-03-2011. A tradução é deMoisés Sbardelotto. Eis a entrevista. Continue lendo “”As redes sociais ajudam a democracia”. Entrevista com Manuel Castells”

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Petição em Repúdio ao Deputado Jair Bolsonaro

Para assinar a petição clique aqui. TP.

“Para a Câmara dos Deputados

Nesta presente carta manifesto nós, abaixo assinados, viemos prestar nosso apoio a todos que foram ofendididos pelo Deputado Jair Bolsonaro e solicitar urgência na apuração de suas falas que fizeram constantemente apologia à discriminação contra mulheres, a favor da homofobia e agora clara apologia ao racismo.

Em um de seus discursos o Deputado faz apologia à violência contra crianças com traços que indiquem homossexualidade: “O filho começa a ficar assim, meio gayzinho leva um coro, ele muda o comportamento dele. Olha, eu vejo muita gente por aí dizendo: ainda bem que eu levei umas palmadas, meu pai me ensinou a ser homem” (sic).

A Organização Mundial de Saúde, na Classificação Internacional de Doenças n.º 10/1993 declara peremptoriamente que a orientação sexual por si não deve ser vista como um distúrbio, donde não se pode patologizar a orientação sexual homoafetiva, tendo nosso Conselho Federal de Psicologia referendado tal posição através da Resolução n.º 01/1999, na qual declarou que a homossexualidade não é doença, desvio, perversão nem nada do gênero, proibindo psicólogos de patologizarem a homossexualidade porque ela simplesmente não é uma doença. Continue lendo “Petição em Repúdio ao Deputado Jair Bolsonaro”

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