Caetité, Bahia: continua o impasse sobre o destino da carga nuclear

A reunião ocorrida no dia de hoje na Prefeitura de Caetité não decidiu o destino da carga radioativa que mantem populações de municípios baianos em estado de alerta contra a presença do comboio nuclear em seus territórios. O setor nuclear, com seus apoiadores históricos em Caetité, tentam ganhar o controle da situação em nome de um suposto consenso sobre o rumo que a carga tomará. Mas, uma solução parece ficar cada dia mais difícil, especialmente pela omissão dos poderes públicos responsáveis pela fiscalização da atividade da mineração radioativa.

Depois de ter deixado a região em polvorosa, ao trazer de São Paulo para Caetité, toneladas de material radioativo, sem nenhuma comunicação pública à sociedade e autoridades municipais e estaduais, pela primeira vez, a INB, em lugar de impor suas ações “sigilosas”, se viu obrigada a negociar com a população afetada pelos impactos sócio-ambientais da mineração. Na reunião de hoje, conseguiu formalizar “uma comissão para análise e posteriormente deliberar sobre o destino do material radioativo, após inspeção “in loco” e com o apoio de técnicos para verificar quanto à existência, ou não, de riscos adicionais no processo de reentamboramento do material”, segundo ata da reunião, divulgada no site da Prefeitura. Continue lendo “Caetité, Bahia: continua o impasse sobre o destino da carga nuclear”

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“O cerrado é alvo do avanço da monocultura”, afirma dom Tomás

A lógica da transformação

Aos 88 anos, o bispo emérito de Goiás, Dom Tomás Balduíno, mora no Convento dos Dominicanos São Judas Tadeu, em Goiânia, mas viaja pelo mundo a convite de organizações para palestras sobre latifúndio, monocultura e água. Cofundador do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT), da qual foi presidente, ele defende uma sociedade mais equilibrada, sem tamanha sede de consumo e conforto a todo custo. Bem-humorado, manteve sua postura crítica durante as quase duas horas de entrevista. Confira os principais trechos. Continue lendo ““O cerrado é alvo do avanço da monocultura”, afirma dom Tomás”

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2000 Waimiri-Atroari Desaparecidos Durante a Ditadura Militar – 3

Em junho de 1985, sentado na calçada em frente ao prédio da FUNAI, em Brasíia, em companhia de dois Waimiri-Atroari ou Kiña, um deles me perguntou à queima-roupa: “O que é que civilizado joga de avião e que queima corpo da gente por dentro?”

Em aula, tão logo tiveram confiança em nós, Doroti e Eu, semelhantes perguntas se sucediam: “Por que Kamña(civilizado) matou Kiña?” “O que é que Kamña jogou do avião e matou Kiña?” Kamña jogou kawuni (de cima, de avião), igual a pó que queimou garganta e Kiña morreu logo”. “Apiyemeyekî?” (Por quê?). Procurávamos, inicialmente, furtar-nos à curiosidade sobre essas questões, sabedores da susceptibilidade dos agentes da FUNAI e das Forças Armadas, únicos responsáveis pelo destino deste povo.

Um texto de Damxiri dizia: “Apapeme yinpa Wanakta yimata” (Meu pai me abandonou no caminho da aldeia de Wanakta). A frase, discutida em aula, nos levou à seguinte história: um dia a aldeia de Yanumá, pai de Damxiri, nosso aluno da escola Yawara, foi atacada porkamña (civilizado). Yanumá procurou reter o ataque, enquanto mulheres e crianças fugiam pelo varadouro que conduzia à aldeia de Wanakta, localizada no Alto Rio Camanaú. Mortalmente ferido, Yanumá ainda conseguiu alcançar a mulher e os filhos. Sentindo-se desfalecer, recomendou à mulher que se refugiassem na aldeia de Wanakta, um líder descrito por eles como: “Wanakta karanî, xuiyá, todapra” (Wanakta, um homem bom, bonito e gordo). Sua aldeia estava situada numa região bem fora do roteiro da estrada e dos rios navegáveis. Possivelmente nunca foi vista pelos militares, tendo sido uma das únicas que não foi atingida pela violência praticada pelos militares.

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Saúde indígena em Rondônia está sob intervenção, diz Padre Ton

Após reunião com cerca de 200 índios de diversas etnias de Rondônia que estavam acampados na sede da Fundação Nacional de Saúde em Rondônia há 15 dias, representantes da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério Público Federal e lideranças indígenas decidiram ontem (17) que o Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) passará por um processo de intervenção. A informação é do deputado federal Padre Ton (PT), que está acompanhando a situação desde o inicio dos protestos.

A gestão do Dsei, sob comando há mais de três anos de Lindalva Coutinho, vinha sendo duramente questionada pelos povos indígenas, que se mobilizaram contra a precariedade do atendimento prestado na saúde. As lideranças pediram apoio do deputado Padre Ton para acompanhar o processo de diálogo iniciado com as autoridades locais e de Brasilia, o que acabou ocorrendo.

“Existem sérias denúncias ligadas à má gestão do Dsei, com a falta de utilização de recursos para atendimento à saúde indígena, e enquanto isso crianças e adultos de etnias de Guajará, Porto Velho e outras regiões de Rondônia estão morrendo por falta de atendimento médico. A queixa é unânime: o problema não é falta de dinheiro, mas é a inoperância, a não execução das políticas públicas”, esclarece Padre Ton. Continue lendo “Saúde indígena em Rondônia está sob intervenção, diz Padre Ton”

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Seminário reúne empresas para discutir combate ao trabalho escravo em Brasília

Acontece nesta quinta-feira (19), o IV Seminário Internacional do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo. O evento, que acontecerá na sede do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Brasília (DF), contará com a participação do sociólogo norte-americano Kevin Bales, especialista internacional na questão do trabalho escravo contemporâneo e fundador da ONG Free the Slaves. Continue lendo “Seminário reúne empresas para discutir combate ao trabalho escravo em Brasília”

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Olgária Matos entre Direitos, Desejos e Utopia

Entrevistada pelo projeto Revoluções, filósofa vê em 1968 o momento em que a ideia de transformação social começou a mudar

Recomeça esta semana, em São Paulo, uma experiência político-estética de rara atualidade. No instante em que ressurgem, no mundo árabe, os grandes movimentos de transformação social promovidos pela multidão, o projeto Revoluções debate conceitualmente esta forma de mudar o mundo. Iniciado em abril, ele desdobra-se, agora, em três novas atividades: o seminário Revoluções: uma política do sensível (20 e 21/5); a abertura de uma exposição de fotos organizada por Henrique Xavier, a partir de trabalho de Michel Löwy (21/5); e a instigante oficina Mídia e Revolução: culturas de vanguarda (22 e 24/5).

Muito mais que uma série de eventos, Revoluções – um projeto que Outras Palavras ajudou a conceber – é um convite a refletir. Por isso, produz, em certos momentos, diálogos e entrevistas, disponíveis em seu site. Autora, entre muitas outras obras, de As barricadas do desejo, sobre o Maio de 1968 francês, a filósofa Olgária Matos é uma participantes ativa destes momentos.

O texto abaixo traz a síntese de uma destas conversas, mantida com a equipe de organizadores do seminário. No diálogo, ela falou sobre 1968 – abordando, em especial, seu papel na criação de novos projetos superação do capitalismo (que afloram mais intensamente hoje). Também abordou o sentido e atualidade da noção de direitos humanos, as armadilhas da libertação do corpo conjugada com aprisionamento do espírito e (com viés um tanto conservador…) as redes sociais e o mundo virtual. Ao final, expressou, a respeito da noção de Utopia, uma visão que vale a pena conhecer e discutir. Continue lendo “Olgária Matos entre Direitos, Desejos e Utopia”

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Comunidades quilombolas redescobrem a “cultura do barro”

O Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e a Mineração Rio do Norte lançam, amanhã (18), às 16 horas, no auditório Alexandre Rodrigues Ferreira, em Belém, o livro “A Cultura do Barro: arte e ciência nas margens do Rio Trombetas”. O lançamento integra a programação da 9ª Semana Nacional de Museus do MPEG.

Fruto do trabalho desenvolvido com comunidades quilombolas na Região de Porto Trombetas, pelos educadores do Museu Goeldi, Luiz Videira, Alcemir Aires, e dos bolsistas Luiz Reis e Regina Cavalcante, que atuaram no Projeto Educação Ambiental e Patrimonial, o volume guarda nove anos de trabalho junto às comunidades Boa Vista, Lago Moura, Lago Batata e Aracuã, com ações de valorização da produção de objetos em cerâmica. Continue lendo “Comunidades quilombolas redescobrem a “cultura do barro””

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Mobilizações marcam dia nacional de combate à violência sexual contra crianças e adolescentes

Hoje (18), organizações e movimentos de defesa dos direitos de crianças e adolescentes celebrarão mais um “Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”. A data, marcada por mobilizações em várias partes do Brasil, tem o objetivo de chamar a atenção da sociedade para um crime que ainda afeta milhares de meninos e meninas em todo o país: a violência sexual.

O dia para a mobilização nacional não foi escolhido por acaso. Em 2000, a data foi instituída como “Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infanto-Juvenil” para lembrar o crime contra Araceli Sanches. Em 18 de maio de 1973, Araceli, com oito anos de idade, foi violentada e assassinada por um grupo de jovens em Vitória, capital do Espírito Santo. O caso tornou-se símbolo da luta contra a violência sexual de crianças e adolescentes.

Passaram-se 38 anos do crime contra Araceli, mas o abuso e a exploração sexual continuam fazendo milhares de vítimas todos os anos. De acordo com informações do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o Disque 100 registrou, somente no ano passado, 12.487 casos de violência sexual contra crianças e adolescentes. Durante os três primeiros meses deste ano, o serviço, coordenado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH), registrou mais de quatro mil casos. Continue lendo “Mobilizações marcam dia nacional de combate à violência sexual contra crianças e adolescentes”

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18 maio: Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração de Crianças e Adolescentes

A realidade de vulnerabilidade em que se encontram as crianças e adolescentes em nosso país já é matéria de reflexão que nos ocupa há muitos anos. A precariedade em que se encontram as famílias mais pobres faz com que desde cedo as crianças assumam tarefas de adultos no âmbito doméstico. Outras vezes são vistas como um peso, sofrem inúmeras violências, também de ordem sexual, ou são pura e simplesmente abandonadas à própria sorte. Nesse sentido é que testemunhamos a reincidência dos casos de trabalho infantil, que são até hoje denunciados, e que persistem, para além de todas as políticas de compensação e reinserção social. Paralelamente, o mundo da criminalidade, juntamente com o tráfico de drogas, surge como uma sedução nefasta para vários grupos de jovens, carentes de reais oportunidades e alternativas de futuro. Esse quadro de desvalorização da vida de crianças e adolescentes encontra eco nos casos de exploração e abuso sexual de que são vítimas, e acabaram se tornando um dos grandes escândalos em nosso país. A questão do tráfico de pessoas é um dos pontos mais sensível dessa forma anômala de exploração econômica. Continue lendo “18 maio: Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração de Crianças e Adolescentes”

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Jirau hoje, Belo Monte amanhã – Relatório aponta violações em Jirau e prevê repetição em Belo Monte

Além das violações trabalhistas denunciadas na construção da Hidrelétrica no Madeira, em Porto Velho o índice de migração foi 22% maior que o previsto, os casos de estupro aumentaram em 208% e quase 200 crianças permanecem fora da escola. Os dados estão no Relatório sobre Jirau, que será lançado nessa semana em Brasília. A maior preocupação é que violações desse tipo tendem a se repetir em Belo Monte.

Dois meses após a revolta dos operários na usina de Jirau, em Porto Velho, a Relatoria Nacional para o Direito Humano ao Meio Ambiente entrega nessa semana à autoridades em Brasília, o relatório que aponta inúmeras violações aos direitos humanos na obra. Além do desrespeito à legislação trabalhista e das violações de direitos humanos encontradas, a relatoria constatou que a infraestrutura montada pelos consórcios para a obra é insuficiente. Resultado disso é que centenas de crianças estão fora da sala de aula, a qualidade de vida das comunidades piorou, houve aumento expressivo nos índices de violência, incluindo as ocorrências de estupro, que aumentaram em 208%. Continue lendo “Jirau hoje, Belo Monte amanhã – Relatório aponta violações em Jirau e prevê repetição em Belo Monte”

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