Monumento à resistência do povo Guarani, por Marcos dos Santos Tupã*

bandeirantes monumento pintado

Para nós, povos indígenas, a pintura não é uma agressão ao corpo, mas uma forma de transformá-lo. Nós, da Comissão Guarani Yvyrupa, organização política autônoma que articula o povo guarani no sul e sudeste do país, realizamos no último dia 02 de outubro, na Av. Paulista, a maior manifestação indígena que já ocorreu em São Paulo desde a Confederação dos Tamoios. Mais de quatro mil pessoas ocuparam a Av. Paulista, sendo cerca de quinhentas delas dos nossos parentes, outros duzentos de comunidades quilombolas e mais de três mil apoiadores não-indígenas, que viram a força e a beleza do nosso movimento. Muitos meios de comunicação, porém, preferiram noticiar nossa manifestação como se tivesse sido uma depredação de algo que os brancos consideram ser uma obra de arte e um patrimônio público.

Saindo da Av. Paulista, marchamos em direção a essa estátua de pedra, chamada de Monumento às Bandeiras, que homenageia aqueles que nos massacraram no passado. Lá subimos com nossas faixas, e hasteamos um pano vermelho que representa o sangue dos nossos antepassados, que foi derramado pelos bandeirantes, dos quais os brancos parecem ter tanto orgulho. Alguns apoiadores não-indígenas entenderam a força do nosso ato simbólico e pintaram com tinta vermelha o monumento. Apesar da crítica de alguns, as imagens publicadas nos jornais falam por si só: com esse gesto, eles nos ajudaram a transformar o corpo dessa obra ao menos por um dia. Ela deixou de ser pedra e sangrou. Deixou de ser um monumento em homenagem aos genocidas que dizimaram nosso povo e transformou-se em um monumento à nossa resistência. Ocupado por nossos guerreiros xondaro, por nossas mulheres e crianças, esse novo monumento tornou viva a bonita e sofrida história de nosso povo, dando um grito a todos que queiram ouvir: que cesse de uma vez por todas o derramamento de sangue indígena no país! Foi apenas nesse momento que esta estátua tornou-se um verdadeiro patrimônio público, pois deixou de servir apenas ao simbolismo colonizador das elites para dar voz a nós indígenas, que somos a parcela originária da sociedade brasileira. Foi com a mesma intensão simbólica que travamos na semana passada a Rodovia dos Bandeirantes, que além de ter impactado nossa Terra Indígena no Jaraguá, ainda leva o nome dos assassinos. Continue lendo “Monumento à resistência do povo Guarani, por Marcos dos Santos Tupã*”

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Os Kaxinawá de Felizardo: Correrias, trabalho e civilização no Alto Juruá

felizardo“Constantemente a Coordenação Regional do Juruá – FUNAI/ACRE recebe emails ou visitas de estudantes procurando informações sobre os povos indígenas da região do Juruá. (…)  O destaque hoje vai para a publicação “Os Kaxinawá de Felizardo: Correrias, trabalho e civilização no Alto Juruá”. Obra do querido amigo, o antropólogo Marcelo Piedrafita Iglesias, como resultado de sua pesquisa de doutorado. Abaixo segue uma matéria postada no blog do Altino, em 2008, que trata sobre esta publicação e  resume muito bem esta obra”.

Os Kaxinawá de Felizardo

Do Blog do Altino, em CR Juruá

A tese de doutorado “Os “Kaxinawá de Felizardo”: “correrias”, trabalho e “civilização” no Alto Juruá”, do antropólogo Marcelo Manuel Piedrafita Iglesias, é o documento mais instigante que li nos últimos anos sobre o Acre. Foi apresentada em fevereiro ao Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Destacado colaborador deste blog, Marcelo Piedrafita teve seu trabalho aprovado com louvor ao obter o título de doutor em antropologia social. Trata-se de uma alentada pesquisa, que se torna imprescindível para quem queira conhecer a verdadeira história do Acre. O texto da tese, com 481 páginas, é ilustrado por mapas e fotos inéditas. Continue lendo “Os Kaxinawá de Felizardo: Correrias, trabalho e civilização no Alto Juruá”

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Todos contra a Terceirização do Trabalho – Vídeo 1

O Movimento Humanos Direitos (MHUD) uniu-se à Anamatra na luta contra o Projeto de Lei nº 4.330/2004, que regulamenta a terceirização no Brasil. Diversos atores que participam do Movimento gravaram vídeos, sem cobrança de cachê, contra a proposta legislativa. Este primeiro vídeo conta com a participação dos atores e dirigentes do MHUD Dira Paes Gilberto Miranda e Priscila Camargo e os atores participantes do Movimento Bete Mendes e Osmar Prado. Compartilhe e diga não à precarização do trabalho e ao PL nº 4.330/2004!

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Spray aos baldes

Marcos de Paula/Estadão - 'O jato parecia de extintor. Pus a camiseta na cara', diz o professor
Marcos de Paula/Estadão – ‘O jato parecia de extintor. Pus a camiseta na cara’, diz o professor

Historiador diz que a polícia da ditadura militar era menos violenta que a atual PM carioca – transformada, segundo ele, em guarda do poder

Felipe Werneck – O Estado de S. Paulo

RIO – Desde junho, o professor titular de História Contemporânea da UFRJ Francisco Carlos Teixeira da Silva acompanha de perto as manifestações no Rio. Ele prepara com o documentarista Eryk Rocha, filho de Glauber, um filme sobre o que acontece nas ruas. Na terça, porém, sua proximidade com o tema chegou a deixá-lo sem respiração. Silva recebeu um jato de pimenta de um spray gigante, recente aquisição da Polícia Militar, e precisou tirar a camisa e cobrir o rosto para se proteger das bombas de gás lançadas pelos policiais na Cinelândia.

O professor diz que o Rio virou o epicentro dos protestos no País por ser uma cidade essencialmente de classe média e porque houve total falta de sensibilidade das autoridades e perda de governabilidade no Estado. Também afirma não temer comparações entre o que ocorre hoje e os protestos estudantis do período militar: “A polícia da ditadura era menos violenta do que a polícia do governador Sérgio Cabral”.

Especializado em história social, com pós-doutorado na Alemanha, Silva criou o Laboratório de Estudos do Tempo Presente da UFRJ e foi subsecretário de Educação no governo Brizola, na década de 1980. Conhece bem a causa dos professores, em greve há 51 dias. Para ele, o plano de cargos e salários da categoria do prefeito Eduardo Paes é “absurdo”, assim como sua aprovação por uma Câmara de Vereadores sitiada. “Me deixa perplexo que o Legislativo não tenha tido pudor em continuar legislando com a rua tremendo de bombas.” Continue lendo “Spray aos baldes”

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Mirem-se no Chile, por Ariel Dorfman*

Ariel DorfmanO Estado de S.Paulo

Contemplo de longe a tragédia do Egito e, inevitavelmente, penso no Chile e em seu golpe militar. Penso no Chile e no Egito e sofro pelos mortos e pela história, essa história que parece repetir-se incansavelmente. De novo os massacres e as execuções e os soldados nas ruas e as prisões transbordando de corpos torturados, de novo os exílios e a censura e a brutalidade, de novo um general de óculos escuros justificando a violência em nome da segurança e da salvação da pátria, mais uma vez – até quando! – um general acusando de terrorismo os que se opõem a seu reinado.

Entretanto, examinando a recente história do meu Chile com menos aflição, atrevo-me a prever, embora de modo hesitante e provisório, uma saída possível para o dilema do Egito.

Quase 15 anos após o golpe de 11 de setembro de 1973 contra Salvador Allende, o povo chileno derrotou o general Augusto Pinochet em um histórico plebiscito, um processo de recuperação da liberdade contado com grande emoção no filme No. Só foi possível chegar a esse dia triunfal, 5 de outubro de 1988, porque havíamos criado com grande esforço a Concertación. Essa vasta e variada aliança de partidos e cidadãos que se uniram, apesar de graves divergências políticas, impôs uma transição para a democracia tão bem-sucedida que, em novembro, o Chile realizará sua sexta eleição presidencial em 23 anos. Portanto, meu país oferece aos egípcios uma estratégia por meio da qual uma população intimidada e dividida pode derrotar um regime opressivo. Continue lendo “Mirem-se no Chile, por Ariel Dorfman*”

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No coração da selva

ìndios isolados - foto do avião

Só recentemente reconhecemos imensa riqueza humanitária das civilizações indígenas. Depois de cinco séculos de canibalização, será possível um futuro comum?

Por Marcelo Degrazia, em Outras Palavras

Mesmo quando o cientista político norte-americano Samuel P. Huntington escreveu O Choque de Civilizações, ele se referia a conflitos entre culturas relativamente extensas e vigorosas. Em sua classificação, o devoramento de civilizações por outras, como temos feitos com as nações indígenas ao longo dos séculos, não poderia jamais receber o nome de choque; talvez nem de conflito, devido à brutal incompatibilidade técnica entre elas. Aqui a classe é de canibalização. Pois é nesses termos, bem mais amplos que os projetos de lei contra os quais se mobilizam agora os índios e amplos setores da sociedade brasileira, que gostaríamos de enquadrar a velha e até aqui insuperável questão indígena.

Parte da história está contada no indispensável Relatório Figueiredo, de 1967. Trata-se de uma compilação de crimes realizados sobretudo contra populações indígenas, escrito pelo procurador Jader de Figueiredo Correa a partir de dados de Comissão de Inquérito sobre a atuação do Serviço de Proteção aos Índios. O relatório, de 68 páginas, acompanha um processo de 20 volumes com 4.942 folhas, mais 6 anexos com 500 folhas. Continue lendo “No coração da selva”

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As causas da grande mobilização indígena

indígena de perfil de noite

Quais os projetos de mineradoras, madeireiras e ruralistas para avançar sobre territórios e direitos dos índios. Como tramitam, em silêncio, no Congresso Nacional

Por Marcelo Degrazia, em Outras Palavras

A Mobilização Nacional Indígena, deflagrada ao longo desta semana, é uma luta pela defesa dos direitos indígenas adquiridos e para barrar uma avalanche devastadora, lideradas pela Frente Parlamentar do Agronegócio. A luta é pela terra, sua posse e uso. A convocação foi da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e envolve organizações indígenas e indigenistas de diversas partes do país, agora articuladas e em luta.

A linha do tempo vai até as caravelas de Cabral, mas vamos tomá-la a partir deste ano, para compreender melhor o contexto atual. Em 16 de abril, cerca de 300 índios ocuparam o plenário da Câmara, em protesto contra a instalação de Comissão Especial para analisar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215, que torna praticamente impossível a demarcação das terras indígenas, ao tirar esta prerrogativa da Fundação Nacional do Índio (Funai) e transferi-la ao Congresso Nacional. Continue lendo “As causas da grande mobilização indígena”

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Importante: Observatório da Coordinación por los Derechos de los Pueblos Indígenas lança um Mapa de Conflictos entre Pueblos Indígenas y Transnacionales

mapa de conflictos pueblos indígenas

Tania Pacheco – Combate Racismo Ambiental

Uma excelente iniciativa do Observatório da Coordinación por los Derechos de los Pueblos Indígenas(1), o Mapa de Conflictos entre Pueblos Indígenas y Transnacionales é uma excelente e importante iniciativa voltada para a informação, a denúncia e – esperamos! – uma possibilidade de integração na luta contra-hegemônica, tendo os povos originários como principais protagonistas. Se o Mapa (ainda?) não alcança todos os países da América Latina, sequer os de língua espanhola, a capacidade do capital de ultrapassar as fronteiras está mais que ilustrada pela forma como alguns conflitos penetram o Brasil. Na verdade, é mais correto dizer que são daqui exportados, como é o caso do exemplo que mostraremos abaixo, o do Rio Madeira, no qual os efeitos de Jirau e Santo Antônio com certeza provocarão desastres também na Bolívia. Continue lendo “Importante: Observatório da Coordinación por los Derechos de los Pueblos Indígenas lança um Mapa de Conflictos entre Pueblos Indígenas y Transnacionales”

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Poder econômico investe no Congresso e pode encolher bancada de trabalhadores

Questões, entre outras: 160 ruralistas? E quem são esses 273 ‘empresários’? Ou os 213 representantes da ‘Educação’?

Composição atual do Legislativo pode sofre renovação de 61% em 2014, segundo estimativa do Diap
Composição atual do Legislativo pode sofre renovação de 61% em 2014, segundo estimativa do Diap

Diap alerta sobre movimentação de empresários, ruralistas, evangélicos e celebridades para ocupar cadeiras no Parlamento; e para o risco de bancada dos trabalhadores encolher

Por Hylda Cavalcanti, em Rede Brasil Atual

Brasília – Os próximos 12 meses são de observação e cautela por parte dos representantes dos trabalhadores no Legislativo. Será necessária uma forte articulação entre partidos e entidades diversas (como os sindicatos), com apoios aos parlamentares que representam os trabalhadores, para que o tamanho dessa bancada não fique cada vez menor na Câmara dos Deputados e no Senado. As bancadas dos evangélicos e do empresariado se preparam para voltar renovadas e em número bem maior no pleito de 2014. Continue lendo “Poder econômico investe no Congresso e pode encolher bancada de trabalhadores”

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