Hollywood fala muito sobre Holocausto, mas ignora a escravidão, acusa Steve McQueen

O cineasta Steve McQueen posa em frente a pôsteres de seu filme, '12 Anos de Escravidão', em Los Angeles. Foto: Mario Anzuoni/Reuters
O cineasta Steve McQueen posa em frente a pôsteres de seu filme, ’12 Anos de Escravidão’, em Los Angeles. Foto: Mario Anzuoni/Reuters

Folha/UOL

O diretor Steve McQueen, que está atualmente divulgando seu aclamado “12 Anos de Escravidão”, um dos favoritos ao Oscar, criticou Hollywood pelo que ele considera ser uma escassez de filmes sobre os escravos negros nos Estados Unidos. Para McQueen, isso demonstra que a indústria cinematográfica quer “evitar o assunto”.

“A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) durou cinco anos e há centenas e centenas de filmes sobre a Segunda Guerra e o Holocausto”, disse o cineasta em entrevista à emissora britânica Sky News. “A escravidão durou 400 anos e há menos de 20 filmes. Nós temos que reparar esse equilíbrio e olhar para esse período da história [a escravidão negra].” Continue lendo “Hollywood fala muito sobre Holocausto, mas ignora a escravidão, acusa Steve McQueen”

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Canção para o homem branco, por Cley Medeiros (1)

Foto: Gabriel Ivan / Mídia NINJA
Foto: Gabriel Ivan / Mídia NINJA

Cley Medeiros, enviado especial da Mídia NINJA à Terra índigena Tenharim

“Quando isso tudo vai acabar? Quando vão nos deixar em paz?”. As palavras, da anciã Maria Tenharim Cururuí, considerada a biblioteca viva da etnia Tenharim Marmelo, representam a angústia de um dos povos indígenas mais antigos do Sul do Amazonas, ameaçados na escalada de violência que tomou os noticiários das últimas semanas .

A letra faz parte de uma canção feita por ela para descrever as perseguições contra indígenas na região da Transamazônica (BR 230), rodovia que passa no meio das aldeias Tenharim, Jihaui e Pirarrã, afetando aproximadamente 1.700 índios. Continue lendo “Canção para o homem branco, por Cley Medeiros (1)”

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A situação no Maranhão é responsabilidade de quem o administra há décadas

Por Leonardo Sakamoto

Um dos principais fatores para impedir alguém de cometer um delito não é o tamanho de sua punição, mas a certeza de que será pego. Com as baixas taxas estaduais de elucidação de homicídios, por exemplo, não admira que o fator dissuasivo não cole muito por aqui.

Por isso, é paradoxal que políticos em campanha repitam a mesma promessa de mais policiamento ostensivo nas ruas para combater a criminalidade. Mas não soltem uma interjeição sobre a necessidade de melhorar a investigação policial, com mais recursos financeiros para a área, melhores garantias profissionais e, é claro, combate à corrupção que grassa em parte dessa estrutura.

Atear fogo em um ônibus com passageiros em uma avenida de grande circulação não é um ato de loucura, mas uma ação pensada para criar pânico na população e questionar a capacidade de controle do poder público. E a pouca certeza de ser pego influencia nesse cálculo, claro. Cálculo que esteve presente ao acender ônibus-tochas em cidades de todo o país no ano passado.

O exemplo do Maranhão é paradigmático. A penitenciária de Pedrinhas se tornou terra de ninguém, um depósito superlotado de gente, juntando presos de facções criminosas rivais no mesmo espaço. Daí, decapitações, esfolamentos, estupros de mulheres da família dos presos. Mais recentemente, demonstrações de força com a queima de coletivos nas ruas da capital São Luís, com passageiros dentro, aprofundaram a sensação de que a lacuna deixada pelo governo é maior do que se pensava. Continue lendo “A situação no Maranhão é responsabilidade de quem o administra há décadas”

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Petistas e evangélicos disputam Comissão de Direitos Humanos

Protesto contra o deputado Marco Feliciano durante sessão da Comissão de Direitos Humanos: colegiado protagonizou polêmicas em 2013
Protesto contra o deputado Marco Feliciano durante sessão da Comissão de Direitos Humanos: colegiado protagonizou polêmicas em 2013

Comando da comissão presidida no ano passado por Marco Feliciano será alvo de embate entre os partidos progressistas, que querem retomar o controle do colegiado, e a bancada evangélica

Por Marcelo da Fonseca, no EM

Ao contrário do que ocorreu no ano passado, quando foi preterida pelos principais partidos, a Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados será objeto de disputa no mês que vem. Parlamentares petistas ligados à área se movimentam para que o colegiado seja o segundo a ser escolhido pela legenda em fevereiro, quando o Congresso retomar as atividades. Já representantes da bancada evangélica avisam que têm interesse em permanecer à frente do grupo, mesmo reconhecendo que outros partidos terão o direito de escolher primeiro as comissões para as quais indicarão presidentes.  Continue lendo “Petistas e evangélicos disputam Comissão de Direitos Humanos”

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“Análise: Índios não trazem votos, como bancada ruralista e PMDB”

Foto: Desmatamento na fronteira do Parque Indígena do Xingu - MT. Por André Villas-Bôas (ISA)
Foto: Desmatamento na fronteira do Parque Indígena do Xingu – MT. Por André Villas-Bôas (ISA)

Por Marcelo Leite, na Folha/UOL

Foi preciso que índios mantivessem por sete anos a cobrança ilegal de pedágio nos confins da Transamazônica e que habitantes de Humaitá e Apuí (AM) pusessem fogo na Funai para que o país se desse conta da existência de um povo e de uma terra indígena chamados Tenharim.

Até então, essa ignorância específica se confundia com o desconhecimento geral sobre a realidade de 241 povos indígenas do Brasil. Considerá-los sempre em sua generalidade –a “questão indígena”–, como preferem a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e o aliado Palácio do Planalto, é o caminho certo para não resolvê-la.

Desse ponto de vista abstrato, sempre parecerá desmesurado que as 690 áreas reconhecidas aos índios ocupem 13% do território nacional. Um olhar mais detido, contudo, revelará que 98,5% desse 1,1 milhão de quilômetros quadrados se encontram na Amazônia. Continue lendo ““Análise: Índios não trazem votos, como bancada ruralista e PMDB””

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Rasga-se de uma vez a Constituição? “Áreas indígenas dependerão de consulta a nove ministros”

Constituição Demarcação JáPor Marina Dias, na Folha/UOL

As mudanças que o governo quer fazer nas regras para demarcação de terras indígenas no país submetem a criação de novas áreas à avaliação de nove ministérios, reduzindo o controle que a Funai (Fundação Nacional do Índio) tem sobre o processo.

O assunto está em debate no governo desde o ano passado e agora parece estar perto de uma definição. Uma portaria com alterações no decreto que regulamenta a questão desde 1996 foi submetida pelo Ministério da Justiça a consultas e pode ser publicada nos próximos meses.

Se for mantida como está, a portaria obrigará a Funai a ouvir outros órgãos sempre que quiser demarcar ou ampliar terras para uso exclusivo de comunidades indígenas. Se não houver acordo entre eles, caberá ao Ministério da Justiça o papel de mediador.

No início de dezembro, o documento foi enviado para consulta de entidades indigenistas, órgãos do governo e associações de produtores rurais. O Ministério da Justiça promete oficinas para discutir as mudanças com índios, parlamentares e fazendeiros.

“O resultado da portaria veio do debate com vários órgãos que serão novamente ouvidos”, disse à Folha o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. “Poderemos incorporar sugestões e, em seguida, publicaremos a portaria.” Continue lendo “Rasga-se de uma vez a Constituição? “Áreas indígenas dependerão de consulta a nove ministros””

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Cacique Domiceno: “Estamos sendo tratados como bandidos, mas somos seres humanos, temos raciocínio” (*)

Indios na aldeia Marmelo - Foto Avener Prado (Folhapress)
Indios na aldeia Marmelo – Foto Avener Prado (Folhapress)

Hipótese de assassinato de líder indígena alimentou conflito étnico na região. Família de tenharim morto diz, contudo, que não acredita em homicídio porque viu que ‘ele caiu da moto’

Por Fabiano Maisonnave, enviando especial à T.I. Tenharim, na Folha

Acostumada ao ritmo lento da vida amazônica, a índia Telma Tenharim, 45, no intervalo de um mês, perdeu o marido, foi obrigada a se refugiar no quartel de Humaitá por seis dias para não ser linchada, teve a aldeia atacada por vândalos e agora vê parentes e amigos serem tratados como suspeitos de assassinato.

“Só queríamos viver o luto familiar em paz”, disse, com lágrimas nos olhos, Gilvan, 24, filho de Telma e do cacique Ivan, 55, encontrado desacordado ao lado da sua moto no dia 2 de junho, na rodovia Transamazônica, a 20 km de sua aldeia, Kampinhu’hu, com 65 moradores. Continue lendo “Cacique Domiceno: “Estamos sendo tratados como bandidos, mas somos seres humanos, temos raciocínio” (*)”

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A Kátia Abreu de cuecas, por José Ribamar Bessa Freire

tenharim festaTaqui Pra Ti

Demétrio Magnoli, doutor em Geografia, nunca pisou o chão da aldeia Tenharim em Humaitá, sul do Amazonas, invadida neste natal por madeireiros e outros bichos ferozes. Nunca cheirou carne moqueada de anta cozida no leite de castanha, nem saboreou essa iguaria refinada da culinária Kagwahiva. Jamais ouviu narrativas, poesia ou o som melodioso da flauta Yrerua tocada na Casa Ritual – a Ôga Tymãnu Torywa Ropira. Nem assistiu a festa tradicional – o Mboatava. Para falar a verdade, ele nunca viu um índio Tenharimem toda sua vida, nem nu, nem de tanga ou em traje a rigor. Nunca.

Não sabe o que perdeu. Não importa. O papa também nunca esteve no inferno, nem viu o diabo chupando manga, mas discorre sobre o tema. Desta forma, Magnoli se sentiu à vontade para escrever, na quinta feira, A Guerra do Gentio, no Globo (02/01), no qual comenta o recente conflito, numa área que desconhece e dá palpites sobre a identidade de índios, que nunca viu. Quando a gente carece de experiência e de vivência pessoal, procura as fontes ou quem estudou o assunto. O papa, por exemplo, lê a Bíblia e os teólogos. O que leu Magnoli sobre os Tenharim?   Continue lendo “A Kátia Abreu de cuecas, por José Ribamar Bessa Freire”

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O tesouro escondido, por Claret Fernandes*

mãos branca e negra

Inicia-se o inverno na região do Xingu, com as chuvas finas na madrugada, pequenos trovões, o barulhinho da goteira e o frescor da manhã. Há muita lama nas estradas, e muitos buracos, em alguns trechos de chão da Transamazônica, mas, principalmente, nos travessões. Parece incrível, mas algumas cidades, como Brasil Novo, estão sem abastecimento de água para consumo humano.

Maria, mãe solteira, vem com o recém-nascido no colo, acompanhada de seu companheiro José.

Quando soube da gravidez de Maria, sua namorada, José não entendeu o fato e, influenciado pela ideologia do templo, esteve decidido a abandoná-la. De um momento para outro, porém, ele mudou de ideia e disse ter tido um sonho. O amor tem lá seus caminhos! Então arranjou uma tenda emprestada, e foi morar com Maria, acolhendo-a.

Completado o tempo, Maria deu à luz, em Belém do Pará.

O nascimento do menino foi assim! Acontecia a festa do Círio em Belém. Maria chegou à cidade. Procurou por tudo quanto é hospital e não encontrou vaga. Os hotéis, além de caros, estavam lotados. As hospedarias mais simples também não tinham quarto, e nem uma sala. Correu atrás de padres, irmãs, até do bispo da Capital, mas, naqueles dias, estavam muito ocupados com a grande festa do Círio, que chega a reunir dois milhões e meio de pessoas em um só dia. Os pastores, também, tinham seus afazeres.

Quem haveria de notar e acolher uma menina estranha e grávida, um caso tão comum em meio a tantas outras, naquela cidade-mar de gente. Continue lendo “O tesouro escondido, por Claret Fernandes*”

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LLegó la hora de que el Estado chileno afronte la justicia para el pueblo Mapuche

Imagen: La pala
Imagen: La pala

Servindi, 4 de enero, 2014.- Ha llegado la hora de dialogar y atender un tema histórico nunca resuelto: “el de la justicia para el pueblo mapuche como base para una convivencia interétnica armónica en la Araucanía” afirmó el especialista José Aylwin, del Observatorio Ciudadano de Chile.

“Sino lo hacemos ahora, es muy posible que sigamos lamentándonos, quizás por muchos años, por escenarios de conflicto y de violencia como el que hoy concita el interés de los medios”, sostuvo analizando los hechos ocurridos en la Araucanía en días pasados.

Los mismos incluyeron la quema de bosques, el ataque a helicópteros que combaten los incendios forestales y el incendio de la propiedad de un agricultor en un sector urbano de Temuco.

El Estado tiene el dilema de seguir en la lógica policial y criminalizar la protesta mapuche, o entiende que, tratándose de un problema esencialmente político, se requiere de un abordaje mucho más integral, que tenga al diálogo y la negociación como elementos centrales, concluyó. Continue lendo “LLegó la hora de que el Estado chileno afronte la justicia para el pueblo Mapuche”

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