
Inicia-se o inverno na região do Xingu, com as chuvas finas na madrugada, pequenos trovões, o barulhinho da goteira e o frescor da manhã. Há muita lama nas estradas, e muitos buracos, em alguns trechos de chão da Transamazônica, mas, principalmente, nos travessões. Parece incrível, mas algumas cidades, como Brasil Novo, estão sem abastecimento de água para consumo humano.
Maria, mãe solteira, vem com o recém-nascido no colo, acompanhada de seu companheiro José.
Quando soube da gravidez de Maria, sua namorada, José não entendeu o fato e, influenciado pela ideologia do templo, esteve decidido a abandoná-la. De um momento para outro, porém, ele mudou de ideia e disse ter tido um sonho. O amor tem lá seus caminhos! Então arranjou uma tenda emprestada, e foi morar com Maria, acolhendo-a.
Completado o tempo, Maria deu à luz, em Belém do Pará.
O nascimento do menino foi assim! Acontecia a festa do Círio em Belém. Maria chegou à cidade. Procurou por tudo quanto é hospital e não encontrou vaga. Os hotéis, além de caros, estavam lotados. As hospedarias mais simples também não tinham quarto, e nem uma sala. Correu atrás de padres, irmãs, até do bispo da Capital, mas, naqueles dias, estavam muito ocupados com a grande festa do Círio, que chega a reunir dois milhões e meio de pessoas em um só dia. Os pastores, também, tinham seus afazeres.
Quem haveria de notar e acolher uma menina estranha e grávida, um caso tão comum em meio a tantas outras, naquela cidade-mar de gente. Continue lendo “O tesouro escondido, por Claret Fernandes*”