Observatório da Imprensa especial sobre os 50 anos do Golpe Militar de 1964

O Observatório da Imprensa especial sobre os 50 anos do Golpe Militar vai revelar o papel de um dos protagonistas da queda do ex-presidente João Goulart: a mídia. Vamos mostrar como a imprensa passou de parceira nos primeiros meses do mandato de Jango à mais feroz combatente do presidente.

Longe do distanciamento que hoje é uma imposição, os jornais dos anos 1960 inflamavam a opinião pública. E levavam para as ruas a posição política de seus proprietários. Em tempos de Guerra Fria, parte dos jornais via em Jango o perigo comunista desde o princípio, enquanto outros deram um voto de confiança ao presidente mas acabaram rompendo quando o governo optou pela radicalização.

Na reta final do mandato de Jango, poucas publicações ainda apoiavam o presidente. A maior parte dos jornais assumiu o tom panfletário. E foi surpreendida quando a esperada quartelada se converteu em uma ditadura que durou 21 anos. No próximo episódio, vamos contar como o endurecimento do regime afetou a imprensa e provocou a morte de diversas publicações.

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E agora, USP? Estudantes invadem sala de professor que defendia o Golpe (com vídeo)

Alunos de Direito fizeram ‘escracho’ em sala de aula no Largo de São Francisco após professor defender golpe de 1964. No texto, o docente ainda traça um “perfil” da sua personalidade. “Durante minha infância/adolescência, consolidei em silêncio minha opção íntima pelo seguinte perfil de personalidade, em ordem alfabética: a) aristocratismo; b) burguesismo; c) capitalismo; d) direitismo; e) euro-brasilidade; f) família; g) individualismo; h) liberalismo; i) música erudita; j) panamericanismo; k) propriedade privada; l) tradição judaico-cristã. Nos tempos atuais, mantenho em meu íntimo, de modo pétreo, as doze opções da minha infância/adolescência”.

Por Renan Truffi, em CartaCapital

Um grupo de estudantes da Universidade de São Paulo (USP) invadiu uma sala de aula da Faculdade de Direito na segunda-feira 31 depois que o professor de direito administrativo Eduardo Lobo Botelho Gualazzi tentou defender o golpe de 1964, que colocou o Brasil, há 50 anos, em uma ditadura civil-militar de 21 anos.

O protesto dos alunos ocorreu no meio da aula e foi registrado em vídeo por um dos estudantes. Nas imagens, Gualazzi aparece lendo um texto que distribuiu para alunos do 3º ano. “A história informa que as tiranias vermelhas terminaram afogadas em um holocausto de sangue humano e corrupção total, material e espiritual. Em 1964, o socialismo comunismo esquerdista-totalitário almejava apoderar-se totalmente do Brasil”, diz Gualazzi no vídeo ao justificar o golpe de Estado contra o governo de João Goulart. Continue lendo “E agora, USP? Estudantes invadem sala de professor que defendia o Golpe (com vídeo)”

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RJ – O Dia é da Mentira, mas a notícia é real: Defensoria Pública ignora violência na Maré e inaugura Núcleo na Chefia de Polícia

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À esquerda, na foto de baixo, com o microfone, o chamado defensor chefe da chamada defensoria pública do chamado estado do Rio de Janeiro.

Tania Pacheco – Combate Racismo Ambiental

A chefia da Defensoria Pública do Rio de Janeiro parece não ter mesmo mais qualquer tipo de limite ou de respeito pela cidadania, pelo que deveria ser a sua missão, pelos motivos que determinaram a sua criação ou, mesmo, pelo fato de sermos nós, contribuintes, que pagamos os seus salários.

Enquanto, no dia 30, a polícia militarizada do estado do Rio de Janeiro invadia as comunidades da Maré, com a habitual truculência contra mulheres, crianças, entidades, organizações da sociedade civil e militantes que defendiam os direitos humanos, a chefia da chamada Defensoria Pública se dedicava a algo de extrema importância: preparar-se para a inauguração, ontem, 31 de março, de um Núcleo no prédio da Chefia de Polícia!

Não é piada, repito: a mesma chefia que age contra os Defensores Públicos que atuaram honrosamente na defesa de comunidades como a da Vila Autódromo, dedicou-se, ontem, a comemorar, numa “parceria histórica”, a inauguração de um núcleo (com minúsculas mesmo) para estreitar laços com a Polícia da qual deveria, em casos como o de anteontem, por exemplo, estar defendendo as comunidades.

A justificativa moral da história? Segundo o “defensor geral chefe” Nilson Bruno, “A Polícia é de toda a sociedade  e eu também faço parte dela. Nada mais justo do que facilitar a vida de quem arrisca a vida por todos”. Confesso minha ignorância: quis ele dizer que é policial, ou que entende a Defensoria Pública como um apêndice da Polícia?

Até onde vai esse descalabro? Até onde vai a nossa paciência? Até onde vai, acima de tudo, o total desrespeito aos Amarildos, às Cláudias da Silva Ferreira e a tantos outros e outras, que, eles sim, arriscam ou perdem suas vidas nas comunidades frente à truculência policial? Que vergonha! Continue lendo “RJ – O Dia é da Mentira, mas a notícia é real: Defensoria Pública ignora violência na Maré e inaugura Núcleo na Chefia de Polícia”

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Funai e União devem concluir estudos para demarcação de terras indígenas do Médio e Baixo Rio Negro

Funai terá 45 dias para finalizar estudos técnicos do processo de demarcação de terras nos municípios de Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos

 Procuradoria da República no Amazonas

O Ministério Público Federal no Amazonas (MPF/AM) conseguiu na Justiça decisão liminar que obriga a União e a Fundação Nacional do Índio (Funai) a concluírem o processo administrativo de demarcação de terras ocupadas pelos povos indígenas do Médio e Baixo Rio Negro, nos municípios de Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos, interior do Estado. Os estudos técnicos e o laudo antropológico devem ser apresentados pela Funai nos próximos 45 dias e o processo de demarcação de terras indígenas tem até dois anos para ser totalmente finalizado.

Na decisão, a juíza federal titular da 3ª Vara, Maria Lúcia Gomes de Souza afirma que a Justiça compreende a lentidão do procedimento de reconhecimento da terra indígena, mas adverte que no caso das áreas do Baixo e Médio Rio Negro “foram excedidos todos os prazos estabelecidos pelo Decreto nº 1.775/96 (que dispõe sobre o procedimento administrativo de demarcação das terras indígenas), para cada estudo a ser realizado e, também, para elaboração do respectivo relatório e manifestação das autoridades competentes, sem qualquer justificativa plausível para esta demora”.

Ao acatar o pedido de medida liminar do MPF, a Justiça ressaltou o “enorme prejuízo para a comunidade do local” diante da demora na adoção das medidas necessárias no processo de demarcação. Para a juíza federal, “o passar do tempo, aliado à omissão do Poder Público permite o ingresso de ocupantes não indígenas, culminando com a descaracterização do local e a iminência de sérios conflitos envolvendo a área”. Em caso de descumprimento, há previsão de multa diária no valor de R$ 5 mil. Continue lendo “Funai e União devem concluir estudos para demarcação de terras indígenas do Médio e Baixo Rio Negro”

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Reduto de resistência à ditadura, prédio da Fafich é tombado em BH

CARLOS RHIENCK/HOJE EM DIA
CARLOS RHIENCK/HOJE EM DIA

Aline Louise – Hoje em Dia

Liberdade! A pichação na fachada do antigo prédio da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) – onde hoje é a Secretaria Municipal de Educação, no bairro Santo Antônio –, explicita que o lugar abrigou forças de resistência ao regime militar, que se instalou no Brasil em 31 março de 1964.

Agora, os escritos preservados há cerca de 50 anos não poderão mais ser apagados. Tornaram-se bens integrados ao prédio, tombado nesta segunda-feira (31) pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte.

A edificação que começou a ser erguida no fim da década de 1950, com a assinatura dos arquitetos Shakespeare Gomes e Eduardo Mendes Guimarães, é mais que um conjunto arquitetônico de traço modernista: guarda a história de muitos jovens estudantes que lutaram contra o regime repressor. E aí está seu “grande valor”, aponta o presidente da Fundação Municipal de Cultura, Leônidas de Oliveira.  Continue lendo “Reduto de resistência à ditadura, prédio da Fafich é tombado em BH”

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Ex-funcionários se integram a Sem Terra e denunciam práticas de fazenda na BA

mulheresba_0 (Copy)Da Página do MST

As 1.200 mulheres Sem Terra que ocuparam a fazenda Santa Rita, na última sexta-feira (28), seguem na área reivindicando a desapropriação da fazenda para fins de Reforma Agrária.

Segundo as Sem Terra, a área está em total situação de abandono desde que seus proprietários demitiram mais de 250 funcionários que trabalhavam diretamente na colheita de café.

De acordo com os relatos, na fazenda foram encontradas famílias em condições precárias de sobrevivência. Um senhora que não quis se identificar, cujo marido trabalha na fazenda, conta que não recebe salário há mais de 6 meses, e para se alimentar, conta com a solidariedade das pessoas. Continue lendo “Ex-funcionários se integram a Sem Terra e denunciam práticas de fazenda na BA”

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Nos 50 anos do golpe, CNV ouve guaranis prejudicados pela ditadura no Paraná

casemiro (Copy)Além de ter negado presença indígena, colonização agrícola e Itaipu ‘aumentaram pressão fundiária’ sobre oeste paranaense e contribuíram para esfacelamento de aldeias

Por Tadeu Breda, da RBA

 “Mesmo sendo tarde, tudo isso tem que ser conhecido. Ninguém sabe o que passamos aqui”, conclui Casemiro Pereira, 54 anos, pouco antes de se despedir da psicanalista Maria Rita Kehl com um aperto de mãos e a promessa de que sua história será contada ao país. A integrante da Comissão Nacional da Verdade (CNV) ouviu ontem (31) seu relato numa abafada sala de paredes brancas da escola Teko Nemoingo, município de São Miguel do Iguaçu.

Cercada de lavouras de milho por todos os lados, a aldeia Ocoy, às margens do lago de Itaipu, foi a quarta terra indígena visitada por Maria Rita durante o périplo da CNV pelos territórios guarani do oeste do Paraná. O pequeno gabinete escolar, enfeitado com passarinhos azuis, fez as vezes de auditório onde Casemiro deixou-se “marear” pela memória do sofrimento. E onde, minutos antes, seu vizinho, Silvino Vaz, 50 anos, confessara a tristeza trazida pelas recordações. “Foi muito duro.” Continue lendo “Nos 50 anos do golpe, CNV ouve guaranis prejudicados pela ditadura no Paraná”

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