Brasília – A Comissão Nacional da Verdade entrará no próximo mês na sua fase decisiva. Criado há quase dois anos para investigar crimes cometidos pelo Estado de 1946 a 1988, o grupo ouvirá em sessões públicas, nos dias 13 e 27 de maio, em Brasília e no Rio de Janeiro, oficiais que combateram, nos anos 1970, a Guerrilha do Araguaia, movimento armado de esquerda mais estruturado do tempo da ditadura militar.
Um dos depoimentos mais aguardados é do oficial da reserva do Exército Sebastião Curió Rodrigues de Moura, nome mais conhecido da repressão no Araguaia. Ele é o único militar que até hoje divulgou documentos que confirmam o fuzilamento de prisioneiros políticos, com os nomes das vítimas. No Araguaia, 41 guerrilheiros foram presos e depois executados por ordem da cúpula do regime militar. Pela versão antiga das Forças Armadas, os guerrilheiros morreram em combates na mata, em confrontos em que estavam armados.
Os convites para depoimentos na comissão ainda não foram encaminhados aos agentes do regime militar, o que deve ocorrer nas próximas semanas. No dia 13 de maio, a comissão deverá ouvir no Rio de Janeiro oficiais da reserva que moram na cidade. Depois, no dia 27, será a vez do grupo ouvir os agentes que residem em Brasília. Procurado para comentar a decisão do grupo, Curió confirmou presença. “Devo comparecer. Afinal, a comissão é um órgão oficial criado pelo governo”, disse. Continue lendo “Comissão da Verdade entra em maio em fase decisiva”








