Ativistas são soltos no Rio em meio a tumulto entre manifestantes e jornalistas

Agência Brasil 

Um tumulto marcou a libertação dos ativistas Igor Pereira D’Icarahy, Elisa Quadros Pinto Sanzi, conhecida como Sininho, e Camila Aparecida Rodrigues Jourdan, presos há 13 dias no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, zona oeste do Rio.

Manifestantes tentaram impedir que repórteres e fotógrafos registrassem a saída dos ativistas do presídio, o que motivou o tumulto. A saída dos três ativistas ocorreu no início da noite de ontem (24), pouco mais de 24 horas depois da concessão do habeas corpus pela Justiça do Rio. Um oficial de Justiça chegou à unidade às 16h com o alvará de soltura para liberar os três manifestantes.

Sob aplausos e palavras de ordem contra a imprensa e a polícia, cerca de 30 manifestantes aguardaram durante todo o dia a saída dos presos. Igor foi o primeiro a deixar o complexo, seguido por Camila e Elisa. O tumulto começou quando Sininho, a última a deixar a prisão, seguia escoltada pelos manifestantes até um carro. Entre chutes e empurrões, manifestantes e repórteres só encerraram a confusão quando o carro em que a jovem estava deixou o local. Continue lendo “Ativistas são soltos no Rio em meio a tumulto entre manifestantes e jornalistas”

Ler maisAtivistas são soltos no Rio em meio a tumulto entre manifestantes e jornalistas

O riso a cavalo e o galope do sonho

140724-Ariano3b

Uma viagem com Ariano Suassuna pelo sertão do Nordeste e pela diversidade do mundo — pouco antes de Caetana levá-lo

Por Rosemberg Cariry – Outras Palavras

A vida de todos nós está sempre nos preparando surpresas, umas difíceis, outras boas… Entre os bons acontecimentos da minha, está o privilégio de ter encontrado Ariano Suassuna e com ele ter convivido, por muitas semanas, viajando pelo sertão, realizando o O Nordeste de Ariano, com produção e concepção de roteiro de Wagner Campos e Alexandre Nóbrega, produzido pelo SESC Nacional.

Juntos, varamos os sertões do Ceará, Alagoas, Sergipe e Bahia, só parando quando ouvimos a pancada do mar, o denso areal de Aracati, onde Dom Sebastião – o Desejado se desencanta, com seu exército aluminoso, em noite de lua cheia. Nestas andanças, erudito e simples na paciência professoral, Ariano foi-se adentrando, nas artes barrocas populares e nas lendas do povo, nas antropologias e interpretações da nação brasileira… De tudo falou: de índios, de negros, de cafuzos, de brancos, de beatos, de cangaceiros, de lutas e revoluções. “Oropa, França e Bahia” que se reinventam Brasil – pátria dos encontros de todas as etnias e de todas as culturas, sob o signo da universalidade e singularidade que nos engrandece e irmana. Continue lendo “O riso a cavalo e o galope do sonho”

Ler maisO riso a cavalo e o galope do sonho

Salvador-BA sedia I Seminário Internacional para Preservação do Patrimônio Cultural Compartilhado Brasil-Nigéria

Seminário Brasil-Nigéria

A cidade receberá também Sua Majestade Imperial, o Alaafin Oyo, Obá Ladeyemi III, considerado o descendente direto de Odudua, o fundador e primeiro ancestral do povo ioruba

SEPPIR* – O mês de julho de 2014 marca um momento histórico para o povo de axé. Entre os dias 26 de julho e 01 de agosto, os terreiros matriciais que deram origem ao candomblé nagô da Bahia, disseminado em todo o país, receberão a visita de uma comitiva nigeriana em Salvador liderada por Sua Majestade Imperial, o Alaafin Oyo, Obá Ladeyemi III, considerado o descendente direto de Odudua, o fundador e primeiro ancestral do povo  ioruba. 
 
O rei, que exerce um papel cultural e espiritual proeminente devido ao fato de ser o detentor legítimo do poder da coroa de Xangô, participará do I Seminário Internacional para Preservação do Patrimônio Cultural Compartilhado Brasil-Nigéria, de 28 a 31 de julho, com a abertura prevista para às 14h30, no Fórum Rui Barbosa. O seminário é parte das ações de intercâmbio entre o Brasil (Bahia) e Nigéria (Oyo), berço da tradição Nagô.
 
*Fonte: Intercâmbio Brasil – Nigéria
Ler maisSalvador-BA sedia I Seminário Internacional para Preservação do Patrimônio Cultural Compartilhado Brasil-Nigéria

Pesquisadora diz que leis não protegem patrimônio de comunidades negras

Angela Gomes, engenheira florestal e ativista do MNU/MG, durante palestra Territórios Negros, fontes de sabedoria ancestral, no Festival Latinidades 2014Valter Campanto/Agência Brasil
Angela Gomes, engenheira florestal e ativista do MNU/MG, durante palestra Territórios Negros, fontes de sabedoria ancestral, no Festival Latinidades 2014Valter Campanto/Agência Brasil

Mariana Tokarnia – Repórter da Agência Brasil 

A engenheira florestal e ativista do Movimento Negro Unificado (MNU/MG), Angela Gomes, criticou ontem (24) a Lei de Patentes (Lei nº 9.279/1996) e as normas de uso da biodiversidade brasileira, em debate no Festival Latinidades 2014: Griôs da Diáspora Negra. Segundo ela, a legislação encoberta uma série de apropriações dos saberes e das espécies cultivadas em terreiros, quilombos e quintais de mulheres negras sem dar nenhum retorno às comunidades. “O cientista vai aos terreiros, aos quintais, leva as plantas para o laboratório, registra e patenteia como saber dele”, disse.

A tese de doutorado de Angela, Territórios da Etnobotânica: Terreiros, Quilombos, Quintais trata do cultivo de plantas trazidas da África em terreiros de candomblé, quilombos e quintas de mulheres negras em zonas urbanas. Ela reconheceu mais de 500 espécies trazidas do continente africano e, dessas, 80 são comumente cultivadas nesses espaços. Tanto as plantas quanto a forma de cultivo guardam saberes religiosos e tradicionais. Para ela, são necessárias políticas públicas para a manutenção desses saberes.

As plantas, segundo a pesquisadora, são cultivadas respeitando o equilíbrio e a biodiversidade e seguem uma lógica de plantio horizontal e vertical que faz com que sejam mais resistentes e necessitem de menos intervenção humana que as demais plantações. Muitas são usadas com fins medicinais e por isso são visadas por farmacêuticos. Continue lendo “Pesquisadora diz que leis não protegem patrimônio de comunidades negras”

Ler maisPesquisadora diz que leis não protegem patrimônio de comunidades negras

Morosidade, paralisação, redução de Terras Indígenas… Está na hora de um ponto final, por Cleber César Buzatto*

Crianças Kaingang: aguardando a demarcação e o direito a uma vida digna. Foto
Crianças Kaingang: aguardando a demarcação e o direito a uma vida digna. Foto captada da internet. Autoria não identificada, mas possivelmente proveniente do Cimi

Cimi

O achincalhamento à Constituição Federal ganha matizes cada vez mais perversos e assustadores no que diz respeito ao direito dos povos indígenas às suas terras tradicionais. Não bastasse o ataque violento e sistemático interposto pelo latifúndio, de matiz multinacional, nas figuras de seus conglomerados empresariais, bancada ruralista e entidades de classe, o capítulo “Dos Índios” da nossa Carta Magna vem sendo violado pela práxis do atual governo brasileiro.

Temos insistido que a ‘não demarcação’ potencializa e eterniza os conflitos e faz aumentar o nível de violações de direitos e violências, inclusive físicas, contra os povos indígenas. Tudo isso vem sendo ‘devidamente’ provado pela conjuntura político-indigenista em nosso país.

Há muito vimos falando da morosidade governamental na condução de procedimentos administrativos de demarcação de terras indígenas no Brasil. Em si desrespeitosa, a morosidade “evoluiu”, recentemente, para uma situação mais gravosa de total paralisação dos procedimentos de demarcação. Temos observado, com tristeza e indignação, que ambas estratégias, no entanto, são apenas parte de uma “decisão de governo” muito mais ampla e mais agressiva aos povos indígenas. Continue lendo “Morosidade, paralisação, redução de Terras Indígenas… Está na hora de um ponto final, por Cleber César Buzatto*”

Ler maisMorosidade, paralisação, redução de Terras Indígenas… Está na hora de um ponto final, por Cleber César Buzatto*

Uma Semana Após a Copa do Mundo: Tiroteios Diários e Moradores Aterrorizados no Alemão

tcp-620x264

Rio On Watch – As vidas de centenas de moradores do Complexo do Alemão vêm sendo afetadas por conflitos armados diários desde o fim da Copa do Mundo, no dia 13 de julho.

Fontes de dentro da favela relatam que um adolescente conhecido como Matheus, de idade desconhecida, foi morto a tiros no último domingo, dia 20 de julho. Ele deixou um filho recém-nascido. O site de notícias R7 relatou que Diogo Werllington Costa, 28, conhecido na comunidade como “Bebezão” e suspeito de participação no tráfico, também levou um tiro e faleceu no hospital.

Moradores relataram que os conflitos entre a polícia e os traficantes tinham acalmado nos últimos meses mas que desde o final da Copa do Mundo a frequência dos tiroteios aumentou. Agora eles ocorrem pelo menos uma vez por dia sem nenhum aviso prévio nos bairros Alvorada, Grota e Morro do Alemão.

teleférico do Complexo foi fechado na terça-feira, dia 15 de julho, devido a ‘problemas de segurança pública’, e reabriu uma semana depois, na terça-feira, dia 22 de julho. Os moradores dizem que têm medo de sair de casa para trabalhar. Continue lendo “Uma Semana Após a Copa do Mundo: Tiroteios Diários e Moradores Aterrorizados no Alemão”

Ler maisUma Semana Após a Copa do Mundo: Tiroteios Diários e Moradores Aterrorizados no Alemão

Terras indígenas brasileiras são exemplo no combate a mudanças climáticas

desmatamento e cifrão - financeirizacao

Por Andreia Verdélio, Repórter da Agência Brasil

“Fortalecer os direitos florestais comunitários é uma estratégia essencial para reduzir bilhões de toneladas de emissões de carbono, sendo uma maneira efetiva para os governos cumprirem com as metas climáticas, proteger as florestas e proteger a subsistência de seus cidadãos.” Esse é o resultado de um estudo publicado pelo World Resources Institue (WRI) em parceria com o Rights and Resources Initiative (RRI), que coloca gestão das terras indígenas brasileiras como modelo de sucesso.

O relatório Garantindo Direitos, Combatendo a Mudança Climática: como Fortalecer os Direitos Florestais Comunitários Reduz a Mudança Climática aponta que as florestas brasileiras possuem cerca de 63 bilhões de toneladas de carbono armazenado e que parte desse carbono está em reservas indígenas legalmente reconhecidas.

Por outro lado, o estudo também indica que o Brasil é um dos maiores emissores de gases de efeito estufa provenientes do desmatamento no mundo e também quem mais desmata a Amazônia, o que poderia ser pior se as comunidades indígenas não tivessem direitos legais sobre a floresta e proteção do governo, aponta. Continue lendo “Terras indígenas brasileiras são exemplo no combate a mudanças climáticas”

Ler maisTerras indígenas brasileiras são exemplo no combate a mudanças climáticas

Operação contra retirada de madeira de terra indígena fecha duas serrarias no Pará

Madeireiros - Operacao_Alto_Rio_Guama_PA_23_julho_2014 -3

Empresas fechadas são de Nova Esperança do Piriá

MPF PA

Operação realizada nesta quarta-feira, 23 de julho, resultou no fechamento de duas serrarias e apreensão de 900 metros cúbicos de madeira em Nova Esperança do Piriá, no nordeste Pará. A operação também levou à apreensão de dois tratores, três caminhões e à coleta de informações sobre a retirada ilegal de madeira da Terra Indígena (TI) Alto Rio Guamá, dos indígenas Tembé, localizada nos municípios de Paragominas, Nova Esperança do Piriá e Santa Luzia do Pará. Continue lendo “Operação contra retirada de madeira de terra indígena fecha duas serrarias no Pará”

Ler maisOperação contra retirada de madeira de terra indígena fecha duas serrarias no Pará

Manifesto da Marcha das Mulheres Negras 2015 contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver

Marcha das Mulheres Negras 2015

Nós, mulheres negras brasileiras, descendentes das aguerridas quilombolas e que lutam pela vida, vimos neste 25 de Julho – Dia da Mulher Afrolatinoamericana e Afrocaribenha – denunciar a ação sistemática do racismo e do sexismo com que somos atingidas diariamente mediante a conivência do poder público e da sociedade, com a manutenção de uma rede de privilégios e de vantagens que nos expropriam oportunidades de condição e plena participação da vida social.

Nesta data vimos visibilizar a incidência do racismo e do sexismo em nossas vidas, assim como as nossas estratégias de sobrevivência, nosso legado ancestral e nossos projetos de futuro e afirmar que a continuidade de nossa comunidade, da nossa cultura e dos nossos saberes se deve única e exclusivamente, a nós, mulheres negras. Transcorrido esse marco histórico e a atualidade de nossas lutas, nos valemos do Dia da Mulher Afrolatinoamericana e Afrocaribenha para anunciar a realização da Marcha das Mulheres Negras 2015 Contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver, que realizaremos em 13 de maio do próximo ano, em Brasília.

Somos 49 milhões de mulheres negras, isto é, 25% da população brasileira. Vivenciamos a face mais perversa do racismo e do sexismo por sermos negras e mulheres. No decurso diário de nossas vidas, a forjada superioridade do componente racial branco, do patriarcado e do sexismo, que fundamenta e dinamiza um sistema de opressões que impõe, a cada mulher negra, a luta pela própria sobrevivência e de sua comunidade. Enfrentamos todas as injustiças e negações de nossa existência, enquanto reivindicamos inclusão a cada momento em que a nossa exclusão ganha novas formas.

Impõe-se na luta pela terra e pelos territórios quilombolas, de onde tiramos o nosso sustento e mantemo-nos ligadas à ancestralidade.

A despeito da nossa contribuição, somos alvo de discriminações de toda ordem, as quais não nos permitem, por gerações e gerações de mulheres negras, desfrutarmos daquilo que produzimos.

Fomos e continuamos sendo a base para o desenvolvimento econômico e político do Brasil sem que a distribuição dos ativos do nosso trabalho seja revertida para o nosso próprio benefício. Continue lendo “Manifesto da Marcha das Mulheres Negras 2015 contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver”

Ler maisManifesto da Marcha das Mulheres Negras 2015 contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver

RO – “Após acordo, índios Terena terão direito a Reserva Indígena em Vilhena”. Mas é essa uma boa solução?

Juiz Wilson Witzel e cocarMinistério Público Federal celebrou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com indígenas, Funai, Exército e União. [Mas não há qualquer menção ao tamanho e condições dos lotes 42 e 43. Difícil saber, assim, se é uma boa solução… TP].

MPF RO

Indígenas Terenas, originários de Mato Grosso, têm ocupado, desde 2009, os lotes 72 e 73 do Setor Tenente Marques (Gleba Iquê), área do Exército, em Vilhena. Para pôr fim à ocupação irregular e aos conflitos fundiários entre indígenas e não-índios, o Ministério Público Federal (MPF) intermediou e celebrou um acordo (Termo de Ajustamento de Conduta – TAC) entre Terenas, Exército, Funai, Superintendência do Patrimônio da União (SPU).

Pelo acordo, a SPU cederá os lotes 42 e 43 do Setor Tenente Marques (Gleba Iquê) aos indígenas Terena e vai autorizar a criação de uma reserva indígena no local. O Exército fará a vistoria dos lotes e delimitará a área no prazo de 20 dias. A Funai vai acompanhar a transferência dos Terenas; dar assistência aos indígenas; fazer gestão junto aos órgãos públicos para que o local do reassentamento tenha infraestrutura mínima – energia elétrica, água potável etc; fazer o georreferenciamento e a sinalização do perímetro da área, colocando placas indicativas da reserva indígena e da circunscrição administrativa da Funai.

Os indígenas Terenas se comprometeram a fazer, no prazo de 30 dias, a transferência consentida de todos os integrantes da comunidade para os lotes 42 e 43; respeitar a posse coletiva da terra indígena; preservar as áreas florestadas; não ocupar ilegalmente novas áreas; comunicar à Funai a eventual insuficiência da área destinada à reserva se houver crescimento populacional do grupo; não ceder parcelas da terra a terceiros, entre outras obrigações.

Em 90 dias, a SPU fará a concessão do usufruto da área aos indígenas. No prazo de 180 dias, Funai e SPU farão os procedimentos para a criação da reserva indígena no local. O descumprimento dos prazos do acordo resultará em pagamento de multa de cinco mil reais por dia de atraso.

Ler maisRO – “Após acordo, índios Terena terão direito a Reserva Indígena em Vilhena”. Mas é essa uma boa solução?