“A nossa sociedade tem evitado uma discussão séria sobre o significado da pobreza. Isso é paradoxal, dada a ênfase na pobreza enquanto uma aparente ênfase na política pública nacional”, constata o economista
IHU On-Line – “Modelos de crescimento que concentram renda não geram desenvolvimento”, enfatiza o professor doutor Flávio Comim em entrevista por e-mail à IHU On-Line. Para ele, os indicadores de renda são sempre imperfeitos do ponto de vista do desenvolvimento. “Governos que se financiam por uma carga tributária regressiva (baseada em impostos indiretos) cobram mais proporcionalmente de quem ganha menos. Se, além disso, eles gastam mais com quem é mais rico, como parece ser um padrão mundial, em que melhores escolas e hospitais não estão onde os mais pobres vivem, então crescimento também não é sinônimo de desenvolvimento por essa via”, explica.
Um dos temas mais delicados deste debate gira em torno da pobreza. “Precisaríamos discutir o mínimo, se consideramos importante um conceito de pobreza absoluta (relacionado à insegurança alimentar) ou pobreza relativa (exclusão social) ou as características de tipos distintos de pobreza, como a rural e a urbana, ou a dos idosos ou das crianças. Ao invés, embarcamos em um programa de pobreza no nosso país em que a renda pela renda é o principal parâmetro, sem nenhuma base conceitual ou empírica que possa justificar a escolha da linha de pobreza utilizada”, sustenta. Ao relacionar a infância e a questão de gênero, o pesquisador aponta que as políticas educacionais deveriam ter um foco no longo prazo.
“A desigualdade tem um impacto psicológico muito grande para os excluídos. De um lado, ela reafirma um sistema de poder e de privilégios de uma classe dominante. De outro, ela excluiu injustamente muitos daqueles que nada tiveram a ver com a configuração do que está aí”, complementa. Continue lendo “Desigualdade e pobreza. Um casamento consequente. Entrevista especial com Flávio Comim”






