
Em mais uma estreia histórica da Flip, Davi Kopenawa, líder do povo indígena ianomâmi, sobe ao palco da principal festa literária brasileira para falar de livros, mas também de ameaças de morte
Camila Moraes – El País
Paraty – No Brasil fala-se português. Mas na sexta-feira foi possível escutar, pela primeira vez na Festa Literária de Paraty, outro idioma brasileiro que remete a uma nação muito anterior à chegada de uma língua oficial. A voz era de Davi Kopenawa, o líder espiritual e representante do povo ianomâmi, que subiu ao palco da tenda principal e abriu sua fala se apresentando e cumprimentando o público em seu próprio idioma.
Esse foi mais um momento histórico da 12ª Flip. O primeiro, na quinta-feira, foi a presença do primeiro autor russo a participar da festa, Vladímir Sorókin. Mas que pouco se compara à importância desse resgate tardio, em que um autêntico representante do povo brasileiro se sentou para falar ao lado da fotógrafa Claudia Andujar, que registra e apoia essa comunidade de Roraima e do Amazonas, na fronteira com a Venezuela, desde os anos 70. Continue lendo “Fala-se ianomâmi”






