“Desenvolvimento” e Desigualdades Sociais

Como explicar, por exemplo, o racismo, ou a negação da importância do racismo como elemento estruturante da sociedade, por alguns movimentos sociais? Como explicar a homofobia e a misoginia em importantes intelectuais ou militantes das lutas sociais? Por que os movimentos sociais muitas vezes não consideram em seu próprio fazer a necessidade de compreender e enfrentar a opressão das mulheres e das populações não brancas?

Cris Faustino *

Antes de iniciar minha fala, é importante situá-la a partir do lugar que ocupo no mundo, lugar que é constituído a partir da minha vida de mulher, negra, nordestina e bissexual. Quanto a essa última, para quem tem dúvida, tomo emprestadas as palavras de (des)ordem do movimento LGBT: “bissexualidade não é indecisão, nem transição”; e esclareço: é uma orientação sexual, do mesmo modo que ser lésbica, gay ou hétero também o é. Mas essa fala também se dá a partir de minha vivência e ação como sujeito político, que em muito se vincula à minha consciência de pessoa, situada no mundo e nas relações sociais.

E é nesse universo de relações e coisas que sou militante feminista, antirracista, anticapitalista e antihomofobia. Trabalho no Instituto Terramar, no Ceará, uma ONG do campo da luta por justiça ambiental; e milito no Fórum Cearense de Mulheres/Articulação de Mulheres Brasileiras e na Rede Brasileira de Justiça Ambiental, mais especificamente no GT Combate ao Racismo Ambiental. Sobrecarga de opressões, sobrecarga de militância…

Eu, e pessoas como eu, temos, na ação política, tentado construir pensamentos e, na medida do possível, práticas radicalmente comprometidas com o fim de todas as formas de opressão e de discriminação. O que não quer dizer que não experimentamos na vida cotidiana as contradições que nos impõem a vida real e certas cristalizações que nos são impingidas pelos modelos sociais de formação das pessoas. Por isso resolvi começar essa fala numa crítica desde nós para em seguida chegar ao outro, aos que são nossos opostos. Continue lendo ““Desenvolvimento” e Desigualdades Sociais”

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Licença prévia da usina Teles Pires é mais uma agressão aos povos amazônicos

Essa tal energia “limpa, barata e sustentável” tem sido a cruz que os povos amazônicos estão carregando como um “pagador de promessas”. O governo promete e o povo paga!

Telma Monteiro

A Licença Prévia da UHE Teles Pires foi concedida ontem (13) pelo IBAMA. O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), MauricioTolmasquim,  havia “previsto” a sua emissão e divulgou  a notícia no twitter. Quando questionei publicamente a certeza com que Tolmasquim antecipava esse ato administrativo do IBAMA, um representante de um site de notícias de energia sugeriu que há uma “interação entre MME e MMA nessa área”.

Pois bem, interação entre o Ministério de Minas e Energia (MME), Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais (IBAMA) não falta, quando o tema é emissão de licença ambiental ilegal para grandes projetos hidrelétricos na Amazônia. Foi assim com as usinas Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira, com Belo Monte no rio Xingu. Então o modus operandi continua o mesmo e ainda é reforçado pelo nosso judiciário que nunca vê erro algum nos processos de licenciamentos patrolados pelo governo federal.
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Marcha pede suspensão de projetos hidrelétricos no Rio Parnaíba

CPT, movimentos e pastorais sociais participarão da I Marcha dos Povos da Bacia do Rio Parnaíba. A marcha será realizada amanhã, 15 de dezembro, no município de Tasso Fragoso (MA). O objetivo dela é rechaçar os projetos hidrelétricos previstos para a Bacia do Parnaíba.

“Águas e terra para a vida, não para o negócio”. Guiados por esse tema, camponeses (as), povos ribeirinhos, trabalhadores (as) rurais, e movimentos e pastorais sociais realizarão a I Marcha dos Povos da Bacia do Rio Parnaíba. A mobilização acontecerá durante a manhã da quarta-feira (15), no município de Tasso Fragoso, Maranhão. A ideia é rechaçar os projetos hidrelétricos previstos para serem construídos na Bacia do Rio Parnaíba. Na próxima sexta-feira (17), a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), órgão ligado ao Ministério de Minas e Energia (MME), realizará um leilão de Usinas Hidrelétricas (UHE). Continue lendo “Marcha pede suspensão de projetos hidrelétricos no Rio Parnaíba”

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Via Campesina rechaça proposta de Aldo Rebelo para o Código Florestal

Da Página do MST

Diante da pressão da bancada ruralista para aprovar neste ano o relatório do deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB), que flexibiliza o Código Florestal, os movimentos que compõem a Via Campesina Brasil reafirmam a sua posição pela manutenção da legislação vigente e contra o relatório em discussão.

“A Via Campesina Brasil reafirma a sua posição pela manutenção do atual Código Florestal Brasileiro. Rechaçamos a proposta de alteração apresentada pelo deputado Aldo Rebelo, que incorpora as grandes pautas dos ruralistas, como redução da Área de Preservação Permanente e a anistia das multas por desmatamentos”, afirma nota com a posição oficial da Via Campesina.

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Plano de Mudança do Clima foi oficializado

Plano de Mudança do Clima foi oficializado
O Brasil é primeiro país em desenvolvimento a estabelecer um limite para os níveis de emissões de CO2/Foto: MCT

O decreto nº 7.390 que regulamenta a Política Nacional sobre Mudança de Clima (PNMC) foi oficializado na sexta-feira (10). O plano estabelece metas para redução de três bilhões de toneladas equivalentes de dióxido de carbono (CO2) até 2020. Para a agropecuária, o governo firmou compromisso voluntário de diminuir, nos próximos 10 anos, as emissões de CO2 em 730 milhões de toneladas equivalentes.

Com a regulamentação da Política, o Brasil se torna o primeiro país em desenvolvimento a estabelecer um limite para os níveis de emissões. A meta voluntária assumida pelo governo brasileiro representa uma redução absoluta de 6% em relação as 2,2 bilhões de toneladas que o País emitia em 2005, ano em que foi feito o último levantamento de gases-estufa.

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Duas mil novas bolsas para mestrado e doutorado serão oferecidas em regime de cotas

A partir de março de 2011, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) oferecerá mais 2 mil novas bolsas de mestrado e doutorado. A medida representa um incremento de cerca de 10% no número de bolsas nessas modalidades, já que, atualmente, 19.765 estudantes são beneficiados. No total, o CNPq concede mais de 93 mil bolsas em várias modalidades, apoiando desde jovens pesquisadores com bolsas de Iniciação Científica até pesquisadores altamente qualificados, com a modalidade Produtividade em Pesquisa.

As novas bolsas serão concedidas aos cursos em forma de cotas. Vários critérios foram estabelecidos pelo CNPq para a distribuição, como o conceito do curso junto à Capes; o desenvolvimento de atividades em consonância com as diretrizes do Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação (PACTI); número de alunos sem bolsa e sem vínculo empregatício e localização regional. As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste terão um mínimo de cotas garantidas, como parte de uma política governamental de diminuir as desigualdades regionais em ciência e tecnologia. Continue lendo “Duas mil novas bolsas para mestrado e doutorado serão oferecidas em regime de cotas”

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Territórios Negros – história e memória na organização da posse da terra e das práticas espaciais de comunidades negras tradicionais

O XXVI SIMPÓSIO NACIONAL HISTÓRIA – ANPUH 50 anos – será realizado em São Paulo, de 17 a 22 de julho de 2011, na Universidade de São Paulo (USP). O tema título deste post terá a coordenação de José Maurício Arruti, da PUC do Rio de Janeiro. Abaixo, a Justificativa e a bibliografia a respeito.

“Uma confluência de abordagens recentes, oriundas de campos de debates distintos, tem apontado para o desenho de um campo temático novo, que fica a meio caminho entre a História e a Antropologia; entre a sociologia do campesinato e os estudos de etnohistória; entre a reflexão sobre os modos sociais de lembrar e de abordar o tempo e a historiografia de temas consagrados como a terra e a escravidão.

A emergência de um movimento social quilombola e sua demanda pelo reconhecimento de direitos territoriais reivindicados com base em um modo de ocupação tradicional deu lugar, por sua vez, à produção de “laudos antropológicos” de identificação territorial, ao modo do que já ocorria no caso das áreas indígenas. Tais trabalhos, centrados fundamentalmente na abordagem da memória da ocupação e dos usos sócio-culturais do espaço, acabaram despertando grande interesse pelas evidências históricas inéditas que foram capazes de gerar, absolutamente desconhecidas, ou ao menos desconsideradas, pela historiografia tradicional. Continue lendo “Territórios Negros – história e memória na organização da posse da terra e das práticas espaciais de comunidades negras tradicionais”

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Trabalho escravo: Vítimas eram atraídas por falsa promessa

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou um produtor de café por manter 49 pessoas, inclusive dois adolescentes, em condições degradantes de trabalho em uma fazenda, em São Roque de Minas, no Centro-Oeste do Estado. Um empregado do agricultor também está sendo acusado de aliciar os trabalhadores.

Segundo a denúncia, os empregados eram abordados em Varzelândia, no Norte de Minas, e atraídos pela promessa de boas condições de trabalho e remuneração. A pedido do produtor rural Donizete Geraldo Leite, seu empregado Jovino da Cruz, contratava os trabalhadores e os levava em ônibus fretados para uma das fazendas do patrão. Continue lendo “Trabalho escravo: Vítimas eram atraídas por falsa promessa”

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Chile tiene la responsabilidad internacional de respetar los derechos humanos de la Nación Rapa Nui

WASHINGTON, DC – La comunidad internacional debería estar indignada por las violaciones de derechos humanos ocurriendo en la isla Rapa Nui, también conocida como la “Isla de Pascua,” según los expertos de Indian Law Resource Center.

Una larga historia de controversia sobre derechos indígenas y asuntos de territorio no resueltos escaló a violencia el 3 de Diciembre de 2010. Las fuerzas policiales de Chile forzosamente desalojaron a miembros del clan Tuko-Tuki, lo cual resultó en más de 20 miembros seriamente heridos. Los miembros del clan, los cuales estaban desarmados, sufrieron golpes y disparos de perdigones en su contra. Continue lendo “Chile tiene la responsabilidad internacional de respetar los derechos humanos de la Nación Rapa Nui”

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Acusados de matar trabalhadores do MST em 1997 serão julgados amanhã (14)

Tatiana Félix *

Adital – Depois de treze anos dos assassinatos de Vanderlei das Neves (16) e de José Alves dos Santos (34), integrantes do Movimento dos Trabalhadores rurais Sem-Terra (MST), é que os casos devem ir a julgamento amanhã (14). Depois de ter sido adiado oito vezes, sem motivo plausível, espera-se que o júri popular, finalmente, comece às 9h (horário de Brasília) desta terça-feira, no Paraná (PR).

“Nossa expectativa é que, primeiro, o julgamento efetivamente aconteça amanhã, porque já em janeiro, um dos réus completará 70 anos, e depois desta idade ele não poderá mais ser julgado”, disse Fernando Prioste, assessor jurídico da Organização Terra de Direitos, que acompanha o caso. “E a segunda expectativa é que, apesar de tanto tempo ter passado, o que dificulta o processo, os réus sejam condenados”, completou.

Os crimes aconteceram em janeiro de 1997 na fazenda Pinhal Ralo, em Rio Bonito do Iguaçu (PR), área grilada pela empresa Giacomet Marodin, atualmente conhecida como Araupel. Tudo indica que o ataque foi uma retaliação à maior ocupação de terras da qual se tem conhecimento na história da América Latina, ocorrida nove meses antes do crime, em 1996, quando 3 mil famílias ocuparam a fazenda de 87 mil hectares. Continue lendo “Acusados de matar trabalhadores do MST em 1997 serão julgados amanhã (14)”

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